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Perturbações do comportamento alimentar no adolescente

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 18 perguntas neste tema

Em resumo

As perturbações do comportamento alimentar começam quase sempre na adolescência. A anorexia nervosa junta restrição, peso significativamente baixo para a idade e a trajetória de crescimento, medo de engordar e perturbação da imagem corporal; 40% dos casos novos surgem em raparigas entre os 15 e os 19 anos. A anorexia atípica tem tudo isto com peso normal ou alto, depois de uma perda importante. A bulimia nervosa e a perturbação de ingestão compulsiva giram em torno das compulsões, com e sem compensação. A perturbação de ingestão alimentar evitante e restritiva restringe sem qualquer preocupação com o corpo e começa em regra na infância. O que é comum ao adulto está no capítulo das perturbações do comportamento alimentar.

Na criança e no adolescente a doença mostra-se muitas vezes pelo que falta: o peso que não sobe durante o estirão, a puberdade que não avança, a menstruação que não vem. Por isso o peso lê-se na curva de crescimento, em percentagem da mediana do índice de massa corporal para a idade e o sexo ou em score z, e nunca pelos limiares do adulto. A bradicardia, a hipotensão e a hipotermia de uma adolescente magra são gravidade e não boa forma física, e aparecem também com peso normal.

A maioria trata-se em ambulatório, e no adolescente com anorexia a primeira linha é a terapia familiar centrada na perturbação alimentar, em que os pais tomam conta da alimentação. O internamento serve para estabilizar e começar a renutrição, com critérios objetivos de frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, grau de desnutrição e iões. No hospital, a renutrição pode começar com mais calorias do que se fazia, e a sonda nasogástrica entra quando a doente não consegue completar as refeições.

O que não se pode falhar: a síndrome de realimentação, que se anuncia pela queda do fósforo, do potássio e do magnésio nos primeiros dias, sem cair no erro oposto de alimentar de menos; a dieta de emagrecimento prescrita a quem tem anorexia atípica; a omissão de insulina na diabetes tipo 1; e o osso, que só se protege recuperando o peso e a menstruação espontânea.

A causa é multifatorial e lê-se melhor separando o que predispõe, o que desencadeia e o que mantém.

O que predispõe

  • Genética: herdabilidade de 50 a 60% nos estudos de gémeos. O maior estudo de associação do genoma encontrou oito loci de risco e correlações genéticas com doenças psiquiátricas, com a atividade física e com traços metabólicos (glicémicos, lipídicos e antropométricos), independentes dos genes do índice de massa corporal. A anorexia passou a ler-se como doença metabólica e psiquiátrica, e não como fenómeno puramente cultural.
  • Temperamento: perfeccionismo e baixa autoestima na anorexia; impulsividade e má regulação emocional na bulimia. Ansiedade e traços obsessivos precedem muitas vezes a doença, sobretudo nos mais novos.
  • Na bulimia pesa o que empurra para a dieta: obesidade na infância, obesidade dos pais e menarca precoce.
  • Doenças crónicas com controlo alimentar: diabetes tipo 1, fibrose quística, doença inflamatória intestinal e doença celíaca aumentam o risco.
  • Ambiente: valorização cultural da magreza, comparação corporal nas redes sociais, conversas e provocações sobre o peso em casa e na escola, e o estigma do excesso de peso, que empurra para a dieta extrema.

O que desencadeia

  • A dieta é o gatilho mais frequente: quase todas as raparigas fazem dieta em algum momento, e o que distingue quem adoece é a forma como reage a ela.
  • A puberdade muda o corpo: na rapariga aumenta a massa gorda e afasta-o do ideal de magreza.
  • Acontecimentos de vida (luto, separação dos pais, mudança de escola), exigências escolares, as primeiras relações e o desporto com exigência de peso ou de estética.

O que mantém

  • A fome mantém a doença. A inanição produz rigidez, obsessão pela comida, rituais, irritabilidade e isolamento; os sintomas depressivos e ansiosos iniciais atenuam-se com a renutrição, e a ruminação sobre a comida diminui. A ruminação sobre o peso e a forma, pelo contrário, é o núcleo da doença e não da fome. Adiar a renutrição à espera da psicoterapia é um erro.
  • Na anorexia, cada quilo perdido é vivido como controlo e reforça a restrição; a doença é egossintónica e a pessoa não se vê doente.
  • Na bulimia, a dieta rígida cria privação, uma regra quebrada ou o stress desencadeiam a compulsão, e a purga alivia a culpa no imediato: é reforço negativo, e fixa-se. Depois volta a dieta e o ciclo fecha-se.
  • A família não é a causa. A terapia familiar parte exatamente daí: os pais não têm culpa e são o principal recurso do tratamento.

Adaptação endócrina à fome

  • Hipogonadismo hipogonadotrófico funcional: amenorreia na rapariga, testículos pequenos e testosterona baixa no rapaz.
  • Padrão de T3 baixa com T4 e TSH normais ou baixas (síndrome do doente eutiroideu): poupança de energia, que não se trata com hormona tiroideia.
  • IGF-1 baixo com resistência à hormona de crescimento e hipercortisolismo, que explicam o crescimento que para.
Modelo biopsicossocial das perturbações do comportamento alimentar Janela de risco: a adolescência | anorexia: 40% dos casos novos entre os 15 e os 19 anos | bulimia: começa mais tarde Fatores predisponentes Biológicos • Sexo feminino • História familiar de perturbação alimentar • Menarca precoce (bulimia) • Diabetes tipo 1 • Herdabilidade de 50 a 60% Psicológicos • Perfeccionismo e rigidez cognitiva • Baixa autoestima • Ansiedade e traços obsessivos • Má regulação emocional (bulimia) • Adversidade na infância Socioculturais • Valorização cultural da magreza • Redes sociais e comparação corporal • Pressão dos pares • Conversas sobre peso em casa • Estigma e provocação pelo peso Fatores precipitantes • Dieta restritiva • Comentários sobre o peso • Acontecimentos de vida • Luto ou separação dos pais • Pressão académica • Transições escolares • Desporto com exigência de peso • Início de relações afetivas Ciclos de manutenção Anorexia nervosa: ciclo de restrição 1. Restrição alimentar intensa 2. Perda de peso progressiva 3. Sensação de controlo 4. Distorção da imagem corporal Características clínicas • Egossintónica: não se vê doente e resiste • Peso lido em percentil ou score z do IMC para a idade • Amenorreia, lanugo, bradicardia, hipotensão • Mortalidade 4 a 5 vezes a esperada, a mais alta Bulimia nervosa: ciclo de restrição e compulsão 1. Restrição rígida, dieta 2. Gatilho regra quebrada 3. Compulsão alimentar 4. Culpa e purga • Egodistónica: sofre com os sintomas e quer parar • Peso normal ou elevado: diagnóstico muitas vezes tardio
Elaboração própria

O diagnóstico é clínico. A doença é muitas vezes vivida como escolha, pelo que a história dos pais vale tanto como a do adolescente e pode revelar o que ele nega ou minimiza.

Rastreio na consulta

  • O programa nacional de saúde infantil e juvenil marca consultas aos 10, 12-13 e 15-18 anos, com a variação ponderal acentuada entre os sinais de alerta e os regimes restritivos, os suplementos, os anabolizantes e a vigorexia entre os temas a conversar. Pede também que o adolescente possa ser atendido a sós.
  • A entrevista psicossocial HEEADSSS (acrónimo inglês de casa, escola, alimentação, atividades, consumos, sexualidade, suicídio e segurança) tem um domínio próprio para a alimentação: o que gosta e não gosta no corpo, se o peso mudou, se já fez dieta, quanto exercício faz.
  • O questionário SCOFF (acrónimo inglês das cinco perguntas: provoca o vómito por se sentir desconfortavelmente cheio? sente que perdeu o controlo sobre quanto come? perdeu mais de 6 kg em 3 meses? acha-se gordo quando os outros dizem que está magro? a comida domina a sua vida?) sugere perturbação alimentar com 2 ou mais respostas positivas, com sensibilidade de 100% e especificidade de 87,5% no estudo original, feito em adultas. Serve para suspeitar, não diagnostica.
  • Antes de elogiar um emagrecimento, pergunta-se como foi conseguido.

Ler o peso no adolescente

  • Percentagem da mediana do IMC: IMC atual a dividir pelo IMC do percentil 50 para a idade e o sexo, vezes 100.
  • Score z do IMC: quantos desvios-padrão o IMC está abaixo ou acima da mediana para a idade e o sexo. Ao contrário do percentil, continua a discriminar abaixo do percentil 3.
  • Termos como «peso ideal» ou «peso esperado» evitam-se, porque os métodos para os calcular dão valores muito diferentes nos extremos da altura.
Grau de desnutriçãoLigeiraModeradaGrave
% da mediana do IMC80 a 90%70 a 79%abaixo de 70%
Score z do IMC-1 a -1,9-2 a -2,9-3 ou menos
Velocidade da perda5% num mês, 7,5% em 3 meses, 10% em 6 meses ou 20% num anomais do que isso nos mesmos prazos

Basta um dos critérios. Pela velocidade da perda, um adolescente com IMC normal pode ter desnutrição moderada ou grave.

A classificação internacional das doenças (CID-11) usa o percentil 5 do IMC para a idade como referência de peso baixo e o percentil 0,3 como peso perigosamente baixo; uma perda de mais de 20% em 6 meses pode substituir o critério de peso.

A avaliação

  • História: peso máximo e mínimo e com que idade, o que come num dia, o que evita, se conta calorias, compulsões, vómito, laxantes, diuréticos, comprimidos para emagrecer, cafeína, exercício, omissão de insulina, menstruação, humor, autolesão e ideação suicida.
  • Exame: peso depois de urinar e sem roupa pesada, altura, IMC nas curvas, estadio pubertário, temperatura, frequência e pressão deitado ao fim de 5 minutos e de pé ao fim de 3.
  • Analítica: hemograma, ionograma, cálcio, magnésio, fósforo, glicose, transaminases, urina tipo II e TSH; B12, vitamina D, ferro e zinco conforme a dieta.
  • Eletrocardiograma com perda de peso significativa, bradicardia, ortostatismo ou alteração eletrolítica.
  • Na amenorreia: teste de gravidez, gonadotrofinas e prolactina, e estradiol de base; no rapaz, gonadotrofinas e testosterona.
  • Densitometria óssea (DXA, com software pediátrico e leitura em score z) se a amenorreia passar de 6 a 12 meses, ou depois de 1 ano de peso baixo; mais cedo com dor óssea ou fraturas.
AchadoO que indica
Hipocaliemia com alcalose metabólica hipoclorémicavómito
Acidose metabólica hiperclorémicaabuso de laxantes
Hiponatremia dilucionalbeber água em excesso para enganar a fome ou a balança
Amilase alta com lipase normalvómito repetido, de origem salivar
Leucopenia, anemia, trombocitopenia, velocidade de sedimentação baixadesnutrição
T3 baixa com TSH normaladaptação à fome

Diagnóstico diferencial

ApresentaçãoO que excluir
Perda de pesodoença inflamatória intestinal, doença celíaca, hipertiroidismo, diabetes, insuficiência suprarrenal, tuberculose e outras infeções crónicas, neoplasia, depressão, psicose, perturbação obsessivo-compulsiva, consumos
Vómitosrefluxo, esofagite eosinofílica, pancreatite, vómitos cíclicos, hipertensão intracraniana, enxaqueca, alergia alimentar, síndrome da artéria mesentérica superior
Compulsão ou aumento de pesohipotiroidismo, hipercortisolismo, depressão, fármacos, síndrome de Prader-Willi

O discriminador mais útil é a atitude perante o peso: quem tem doença orgânica quer recuperá-lo, quem tem anorexia resiste ao ganho. As duas coisas podem coexistir, e uma doença celíaca não exclui uma perturbação alimentar.

O objetivo é devolver o adolescente ao seu peso e à sua curva de crescimento, normalizar a alimentação e a relação com o corpo. A maioria trata-se em ambulatório, com equipa que junta medicina, pediatria ou medicina do adolescente, saúde mental e nutrição. Uma resposta precoce associa-se a melhor evolução, por isso referencia-se cedo.

Quando internar

Basta um critério:

DomínioCritério
Desnutrição75% ou menos da mediana do IMC para a idade e o sexo
Frequência cardíacaabaixo de 50/min de dia ou de 45/min à noite
Pressão arterialabaixo de 90/45 mmHg
Temperaturaabaixo de 35,6 °C
Ortostatismosubida mantida da frequência acima de 40/min abaixo dos 19 anos (acima de 30/min a partir daí), ou queda da sistólica acima de 20 mmHg ou da diastólica acima de 10 mmHg
Analítica e eletrocardiogramadesidratação; hipocaliemia, hiponatremia ou hipofosfatemia; QTc (intervalo QT corrigido) longo ou bradicardia grave
Evoluçãocrescimento e desenvolvimento parados; falência do ambulatório; recusa alimentar aguda; compulsões e purgas incontroláveis
Complicação agudasíncope, convulsões, insuficiência cardíaca, pancreatite
Comorbilidadedepressão grave, ideação suicida, perturbação obsessivo-compulsiva ou diabetes tipo 1 que impeçam o ambulatório

O risco de suicídio e a falência de todos os níveis de ambulatório são indicação para internamento psiquiátrico; o resto, para estabilização médica. Estabilizar e passar à terapia familiar dá resultados semelhantes a ficar internado até recuperar o peso.

O peso-alvo

  • É individual: parte da curva de peso, altura e IMC antes da doença, da idade do início da puberdade, do estadio pubertário e da altura dos pais. Não é a mediana da população.
  • Reavalia-se a cada 3 a 6 meses enquanto o adolescente cresce. Na rapariga, a menstruação volta em média a 95% do peso-alvo, e é um bom sinal de que foi atingido.
  • Um alvo baixo demais, aceite para agradar, dá recuperação parcial e tratamento insuficiente.

Terapia familiar centrada na perturbação alimentar

É a primeira linha na anorexia do adolescente. Não procura causas nem culpados: os pais são tratados como o principal recurso. Tipicamente 18 a 20 sessões ao longo de 1 ano, com toda a família, em três fases:

  1. Os pais assumem a alimentação: planeiam, servem e garantem que a refeição é comida, e travam o exercício e a purga. O objetivo é recuperar o peso.
  2. Com boa parte do peso recuperada, o adolescente retoma gradualmente o controlo da sua alimentação.
  3. Com o peso restabelecido, trabalha-se o desenvolvimento do adolescente, a autonomia e a prevenção de recaída.
  • Ganhar cerca de 2 kg nas primeiras 4 semanas é o melhor preditor de boa evolução.
  • Na variante centrada nos pais, o terapeuta só vê os pais e o adolescente é vigiado à parte pelo médico ou pela enfermagem, com resultados equivalentes.
  • Alternativas quando a terapia familiar não serve: terapia cognitivo-comportamental centrada na perturbação alimentar ou psicoterapia focada no adolescente.
  • Durante a terapia familiar, o médico vigia a segurança física e explica os achados à família e ao terapeuta; não dirige a alimentação enquanto o doente estiver estável.
  • Na bulimia, a primeira linha é a terapia familiar centrada na bulimia, 18 a 20 sessões em 6 meses; se não servir, terapia cognitivo-comportamental individual, 18 sessões em 6 meses. O resto do tratamento da bulimia e da ingestão compulsiva segue o do adulto.

Renutrição em ambulatório

  • A comida é o medicamento: 3 refeições e 2 a 3 lanches por dia, a horas certas, com alimentos de alta densidade calórica e bebidas com energia (leite ou sumo em vez de água).
  • Podem ser precisas 3500 kcal ou mais por dia para recuperar peso, o que surpreende muitas famílias. Não é preciso contar calorias; ajusta-se pela balança.
  • Os pais servem o prato. Os alimentos evitados e temidos voltam, um a um.
  • Multivitamínico com minerais, e cálcio e vitamina D: dos 9 aos 18 anos, 1300 mg de cálcio elementar e 600 UI de vitamina D por dia.
  • Na obstipação, primeiro a renutrição; se não chegar, laxante osmótico, nunca estimulante.

Renutrição no hospital

  • Começa sempre pela alimentação, e as regras antigas de começar abaixo de 1200 kcal e subir devagar foram abandonadas: alimentar de menos prolonga a instabilidade.
  • A hipofosfatemia de realimentação acompanha o grau de desnutrição à entrada, e não as calorias iniciais. Começar com cerca de 2000 kcal por dia por via oral encurtou a instabilidade e o internamento sem mais síndrome de realimentação. Em desnutrição ligeira e moderada descrevem-se inícios de 2200 a 2600 kcal, com ganhos de cerca de 1,4 a 2 kg por semana.
  • Na desnutrição grave, abaixo de 70% da mediana do IMC, é prudente começar com mais cautela, porque a evidência nesses doentes é escassa.
  • Com as calorias mais altas, os internamentos de estabilização duram em média 3 a 12 dias.

Sonda nasogástrica

  • Entra quando o adolescente não consegue completar as refeições e as necessidades não estão a ser cobertas, que é a prática mais comum; alguns centros usam-na por rotina no início, sozinha ou com as refeições.
  • Acelera o ganho de peso e a estabilização, e pode encurtar o internamento. Há quem a veja como punitiva e quem a veja como alívio, porque tira ao doente a luta de cada refeição; não há evidência para preferir uma estratégia.
  • A nutrição parentérica tem mais complicações e só se usa quando nenhuma via entérica é possível.

Prevenir a síndrome de realimentação

  • Risco alto na criança com score z do IMC de -3 ou menos, ingestão abaixo de 75% das necessidades durante mais de 7 dias, iões baixos antes de começar ou doença grave associada; na anorexia, também a perda rápida, mesmo com peso normal.
  • Potássio, magnésio e fósforo antes de começar e a cada 12 horas nos primeiros 3 dias no risco alto; depois conforme a evolução. Repõe-se o que baixar, sem suspender a alimentação.
  • Tiamina 2 mg/kg, com máximo de 100 a 200 mg por dia, antes da primeira refeição ou do soro com glicose no risco alto, e durante 5 a 7 dias. Multivitamínico durante 10 dias ou mais.
  • Sinais vitais a cada 4 horas nas primeiras 24 horas, monitorização cardíaca se instável, peso diário e balanço hídrico.
  • As regras gerais da nutrição pediátrica hospitalar mandam começar a 40 a 50% do objetivo; na anorexia do adolescente, a evidência permite começar mais alto, com esta vigilância.

Fármacos

  • Nenhum fármaco está aprovado para a anorexia nem serve de tratamento isolado. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina não funcionam no doente desnutrido nem previnem a recaída depois de recuperado o peso; os antipsicóticos atípicos (olanzapina, quetiapina, risperidona) pouco ou nada fizeram pelo peso ou pelo pensamento anorético. Mais de metade dos adolescentes recebem psicofármacos, quase sempre para a ansiedade e a depressão associadas, que muitas vezes são da fome.
  • Na bulimia, a fluoxetina é o único fármaco aprovado, e só no adulto; abaixo dos 18 anos é uso fora da indicação, mas é uma opção razoável quando se decide medicar, porque já se usa em pediatria noutras indicações. O topiramato chegou a desencadear sintomas alimentares em adolescentes.
  • A bupropiona está contraindicada em quem tem ou teve anorexia ou bulimia, pelo risco de convulsões.
  • Na ingestão evitante e restritiva não há fármaco indicado; tratam-se as comorbilidades.

Osso

  • A proteção do osso é recuperar o peso e a menstruação espontânea, com cálcio e vitamina D.
  • O contracetivo oral combinado não aumenta a densidade mineral óssea e provoca hemorragias que mascaram o regresso da menstruação e reforçam a negação da doença.
  • Os bifosfonatos não se usam no adolescente. Entre os 13 e os 17 anos, com peso baixo prolongado, densidade óssea baixa e idade óssea acima de 15 anos, pode considerar-se estradiol transdérmico com progestativo cíclico, sempre com o endocrinologista pediátrico.

Recusa de tratamento

A doença distorce a decisão sobre comer. Os pais decidem com o adolescente e a sua opinião pesa; na recusa com risco de vida, a alimentação por sonda contra a vontade é o último recurso, pelo meio menos restritivo e dentro do enquadramento legal da saúde mental.

Referências

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