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Perturbações do comportamento alimentar

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

As perturbações do comportamento alimentar partilham um núcleo: a pessoa julga o seu valor sobretudo pelo peso e pela forma do corpo, e pelo controlo que consegue ter sobre eles. A anorexia nervosa junta restrição com peso significativamente baixo, medo de engordar e perturbação da imagem corporal. A bulimia nervosa junta compulsões alimentares a comportamentos compensatórios, como o vómito ou os laxantes, em quem não tem peso baixo. A perturbação de ingestão compulsiva tem as compulsões sem a compensação, e anda muitas vezes com obesidade. A perturbação de ingestão alimentar evitante e restritiva restringe sem qualquer preocupação com o peso ou a forma, e começa em regra na infância.

Atingem sobretudo raparigas e mulheres jovens, mas não só: cerca de 40% dos casos novos de anorexia surgem entre os 15 e os 19 anos, a bulimia começa mais tarde, e a ingestão compulsiva atinge pessoas mais velhas e mais homens. É frequente a mesma pessoa passar de uma entidade para outra ao longo dos anos. A anorexia tem a mortalidade mais alta das grandes doenças psiquiátricas, quatro a cinco vezes a esperada, e uma em cada cinco mortes é por suicídio.

O diagnóstico é clínico e faz-se perguntando pelo comportamento, sem julgar, e ouvindo a família, porque a anorexia é muitas vezes vivida como escolha e não como doença. O peso separa a anorexia com purga da bulimia. A analítica e o eletrocardiograma não fazem o diagnóstico, medem o risco: a hipocaliemia com alcalose metabólica hipoclorémica denuncia o vómito, e a bradicardia, a hipotensão e a hipotermia são gravidade e não boa forma física.

O tratamento é psicológico em todas, e nenhum fármaco serve como tratamento isolado. Na anorexia, recuperar o peso é condição para que a psicoterapia funcione; no adolescente, a terapia familiar centrada na perturbação alimentar é a primeira escolha. Na bulimia, a terapia cognitivo-comportamental específica pode associar-se à fluoxetina em dose de 60 mg por dia; na ingestão compulsiva, a mesma terapia vem primeiro, e a lisdexanfetamina, aprovada para isso nos Estados Unidos, fica como opção.

O que não se pode falhar: a síndrome de realimentação, que o próprio tratamento desencadeia e que se anuncia pela hipofosfatemia, sem cair no erro oposto de alimentar de menos; a bupropiona, contraindicada pelo risco de convulsões; o edema de quem deixa de purgar, que sem aviso prévio faz voltar à purga; e a osteoporose, que só em parte reverte.

Referências

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