Perturbações de adaptação
Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema
A perturbação de adaptação é a resposta desadaptada a um acontecimento de vida identificável, como um divórcio, um despedimento, uma doença grave ou uma mudança de país: o sofrimento é desproporcionado ao acontecimento, ou compromete o funcionamento, mas não chega a cumprir os critérios de outra perturbação mental. É um diagnóstico de fronteira, entre a reação normal e a depressão ou a ansiedade, e por isso faz-se quase sempre por exclusão.
É rara na comunidade (cerca de 2%) e muito frequente onde há doença e crise: é um dos diagnósticos mais feitos em psiquiatria de ligação e em oncologia, e o mais frequente nas pessoas observadas na urgência depois de um ato de autolesão. Não tem neurobiologia própria; resulta do encontro entre um acontecimento e uma pessoa com mais ou menos recursos para lhe responder.
O DSM-5-TR (manual diagnóstico e estatístico da associação americana de psiquiatria, revisão de 2022) exige início até 3 meses depois do stressor e resolução até 6 meses depois de o stressor ou as suas consequências terminarem, e mantém seis subtipos e os especificadores agudo e persistente. A CID-11 põe o núcleo na preocupação com o stressor e na falência da adaptação, com início habitualmente no primeiro mês, e não tem subtipos.
O tratamento é psicológico e breve: psicoeducação, resolução de problemas e mobilização do suporte social, com espera vigiada e reavaliação marcada. Os fármacos têm papel pequeno e sintomático, e o antidepressivo só entra se o quadro passar a depressão major.
O que não se pode falhar é o risco de suicídio, que é real apesar de o diagnóstico parecer menor e em que a passagem da ideia ao ato pode ser muito rápida, e a depressão major que já está por baixo de uma suposta adaptação. A reação aguda de stress, que se segue a um acontecimento traumático e dura horas a dias, e a perturbação de luto prolongado, que tem critérios próprios, completam o diferencial.
Referências
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- American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5th ed, text revision (DSM-5-TR). Washington (DC): American Psychiatric Association Publishing; 2022.
- World Health Organization. International classification of diseases, 11th revision (ICD-11): 6B43 Adjustment disorder; 6B42 Prolonged grief disorder; QE84 Acute stress reaction. Geneva: World Health Organization; 2022.
- O'Donnell ML, Agathos JA, Metcalf O, Gibson K, Lau W. Adjustment disorder: current developments and future directions. Int J Environ Res Public Health. 2019;16(14):2537.
- Runeson BS, Beskow J, Waern M. The suicidal process in suicides among young people. Acta Psychiatr Scand. 1996;93(1):35-42.
- Fernández B, Freitas R, Valadas T, Areias D. Adjustment disorder in Mental Health Unit of Matosinhos Hospital: a retrospective observational study of 420 patients. Eur Psychiatry. 2025;68(Suppl 1):S586-7.
- Treml J, Linde K, Brähler E, Kersting A. Prolonged grief disorder in ICD-11 and DSM-5-TR: differences in prevalence and diagnostic criteria. Front Psychiatry. 2024;15:1266132.
- American Psychiatric Association. Prolonged grief disorder [Internet]. Washington (DC): APA; 2022 [citado 2026 set 27]. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/prolonged-grief-disorder
- MSD Manual Professional Version. Adjustment disorders; Acute stress disorder [Internet]. Rahway (NJ): Merck & Co; 2025 [citado 2026 set 27]. Disponível em: https://www.merckmanuals.com/professional/psychiatric-disorders
12 perguntas sobre Perturbações de adaptação
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