Perturbações relacionadas com o uso de substâncias›TabacoPublicado (Premium)

Tabaco

Matriz PNA:D · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

O tabaco é a maior causa evitável de doença e de morte prematura. Em Portugal morreram mais de 13 500 pessoas por doenças atribuíveis ao tabaco em 2019, e cerca de 1,3 milhões de portugueses fumavam diariamente. Cerca de 40% dos fumadores morrem prematuramente por causa do tabaco se não pararem, e a maioria começou na adolescência.

O que prende é a nicotina: chega ao cérebro em segundos, liberta dopamina no núcleo accumbens através do recetor nicotínico alfa-4 beta-2 e, com o uso crónico, deixa o cérebro a precisar dela. O que mata é a combustão: o fumo traz milhares de outros compostos, que dão o cancro, a doença cardiovascular e a doença pulmonar obstrutiva crónica, e que induzem o CYP1A2 do fígado.

O diagnóstico é clínico. Pergunta-se a todos, em todas as consultas, se fumam, quanto e desde quando, e mede-se a dependência pelo tempo até ao primeiro cigarro da manhã. A privação começa nas primeiras 24 horas, com irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, aumento do apetite, inquietação, humor deprimido e insónia, e é ela que faz recair.

O tratamento junta apoio comportamental e fármaco. A intervenção breve dos 5 A (abordar, aconselhar, avaliar, ajudar e acompanhar) cabe em qualquer consulta; quem não quer parar recebe a abordagem motivacional dos 5 R. Os fármacos de primeira linha são a substituição de nicotina, de preferência combinada, a vareniclina e a bupropiona; a citisiniclina é alternativa. Em Portugal a vareniclina voltou ao mercado como genérico em 2024, depois de retirada em 2021, e é comparticipada, tal como a citisiniclina.

O que não se pode falhar é o doente sob clozapina ou olanzapina que deixa de fumar, porque os níveis sobem quando a indução do fumo desaparece, e a privação num internamento sem fumo tomada por agravamento psiquiátrico. Parar tem benefício em qualquer idade.

Perguntar a todos

A DGS pede que se identifique sistematicamente todos os fumadores e que se registe no processo:

  • Fuma? Já fumou?
  • Se deixou, foi há mais ou menos de um ano?
  • Se fuma, quantos cigarros por dia e desde quando, para calcular as unidades maço-ano?
  • Que produtos usa: tabaco de enrolar, charuto, cachimbo de água, tabaco aquecido, cigarro eletrónico?
  • Tentativas anteriores, o que usou e o que fez recair.
  • Motivação para parar no próximo mês ou nos próximos seis meses.
  • Consumo de álcool e de outras substâncias, doença psiquiátrica, e quem fuma em casa.

Medir a dependência

O teste de Fagerström tem seis perguntas e pontua de 0 a 10; a partir de 6 pontos o fumador considera-se muito dependente. O item com mais peso é o tempo até ao primeiro cigarro:

Depois de acordar, o primeiro cigarro é fumadoPontos
Nos primeiros 5 minutos3
Entre 6 e 30 minutos2
Entre 31 e 60 minutos1
Depois de 60 minutos0

Os outros cinco itens são o número de cigarros por dia (de 0 a 3 pontos), a dificuldade em não fumar onde é proibido, o cigarro de que custaria mais abdicar (o primeiro da manhã), fumar mais nas primeiras horas do dia e fumar mesmo doente e acamado (1 ponto cada).

Marcadores biológicos

Monóxido de carbono no ar expiradoCotinina
O que medeinalação de fumo nas 4 a 6 horas anterioresexposição a nicotina de qualquer origem
Semividacurtacerca de 16 horas
Sob substituição de nicotinanão sobe: confirma a abstinênciasobe: não distingue do tabaco
Limitaçãosobe também com escapes e fumo de lareiraapanha o fumo passivo

O monóxido de carbono mede-se em partes por milhão com um aparelho simples, e serve tanto para confirmar a abstinência como para motivar o ex-fumador a mantê-la.

Exames complementares

  • Nenhum é necessário para o diagnóstico.
  • Espirometria quando há sintomas respiratórios.
  • Tomografia de baixa dose apenas dentro dos critérios de rastreio do cancro do pulmão.

Diagnóstico diferencial

  • Privação ou recidiva depressiva: a privação começa em horas a dias depois de parar, tem o máximo ao segundo ou terceiro dia e cede com nicotina.
  • Excesso de cafeína: ao parar de fumar a cafeína acumula e pode dar tremor, ansiedade, palpitações e insónia, que se confundem com privação.
  • Toxicidade de clozapina ou olanzapina depois de parar: sedação, sialorreia e convulsões não são privação.
  • Uso dual: quem usa cigarro eletrónico e continua a fumar mantém o dano da combustão.

O programa nacional

O Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, da DGS, é um dos programas de saúde prioritários. Monitoriza o consumo e o seu impacto, aplica em Portugal a Convenção-Quadro da OMS para o Controlo do Tabaco e as diretivas europeias, previne a iniciação, promove a cessação e protege do fumo ambiental.

  • Consultas de cessação tabágica nos cuidados de saúde primários e nos hospitais do SNS, sem taxas moderadoras, com apoio intensivo ao longo de vários meses.
  • Intervenção breve em qualquer consulta, por qualquer profissional de saúde, e apoio pelo SNS 24.
  • Fármacos comparticipados: a vareniclina e a citisiniclina, desde outubro de 2024, com comparticipação de 37%.

Medidas populacionais

  • Os impostos sobre o tabaco são, para a OMS, a medida mais custo-efetiva para reduzir o consumo, sobretudo nos jovens e nas pessoas com menos rendimentos.
  • A lei do tabaco proíbe fumar em espaços fechados públicos e de trabalho, a venda a menores de 18 anos e a publicidade, e impõe advertências de saúde com imagem.
  • O uso de cigarros eletrónicos está proibido nos locais onde é proibido fumar, e a sua venda a menores e à distância, incluindo pela internet, também.
  • Desde outubro de 2023 é proibida a venda de tabaco aquecido com aromas, e desde 2025 a venda de tabaco está proibida na generalidade dos locais onde é proibido fumar.

Cigarro eletrónico e tabaco aquecido

  • Para a DGS, o cigarro eletrónico causa dependência e não é seguro: o aerossol traz nicotina, micropartículas, compostos orgânicos voláteis e carcinogéneos como o formaldeído. A eficácia na cessação é considerada inconclusiva, muitos utilizadores ficam a usá-lo indefinidamente ou em uso dual, e a recomendação é parar também o cigarro eletrónico e o tabaco aquecido, com apoio comportamental e fármacos aprovados.
  • A OMS deixou o cigarro eletrónico fora das recomendações de tratamento de 2024, por o balanço entre benefícios e riscos ser complexo; o tabaco aquecido é tratado como qualquer outro produto do tabaco.
  • A evidência de ensaios mostra que, em fumadores que querem parar, o cigarro eletrónico com nicotina aumenta a abstinência face à substituição de nicotina (cerca de três pessoas a mais em cada 100). Não é primeira linha em Portugal, nunca se recomenda a quem não fuma e o uso dual não reduz o risco.
  • Nos adolescentes, a iniciação faz-se cada vez mais pelo cigarro eletrónico.

Prevenção nos jovens

  • A prevenção começa na escola primária.
  • Perguntar a todos os adolescentes se experimentaram ou usam tabaco ou cigarro eletrónico, lembrar que a maioria não fuma e que todas as formas são aditivas.
  • Protegem ter pais, amigos e namorado ou namorada não fumadores, sucesso escolar, desporto e não beber nem consumir drogas.

Fumo passivo

  • Aumenta o risco de cancro do pulmão e de doença coronária no adulto não fumador.
  • Na criança aumenta as infeções respiratórias, a otite média crónica e a asma, e as crises de asma.
  • Casa e carro totalmente livres de fumo.

Rastreio do cancro do pulmão

Portugal não tem ainda programa populacional. Em julho de 2025 a DGS publicou os termos de referência para projetos-piloto, previstos para arrancar entre o fim de 2025 e o início de 2026 em Cascais e na ULS de Santo António, no Porto:

  • 55 a 74 anos, com pelo menos 20 unidades maço-ano, que fumem ou tenham parado há menos de 10 anos;
  • tomografia do tórax de baixa dose anual, relatada segundo a classificação Lung-RADS (sistema de relato e orientação dos nódulos do rastreio);
  • exclui quem já teve cancro do pulmão e, temporariamente, outra neoplasia maligna há menos de 3 anos, infeção respiratória há menos de 3 meses, tomografia do tórax nos 12 meses anteriores e gravidez;
  • cada episódio de rastreio inclui intervenção breve e referenciação para consulta de apoio intensivo à cessação.

Princípios

  • Oferecer ajuda a todos os fumadores, em todos os contactos. O conselho do médico, sobretudo num momento de doença aguda, leva até metade dos doentes a tentar parar.
  • Apoio comportamental com fármaco é a combinação mais eficaz; os dois somam-se.
  • Parar é muitas vezes um processo cíclico, com várias tentativas: cada recaída é uma oportunidade de ajustar o plano, e não um fracasso.

Intervenção breve: os 5 A

Dura de 2 a 3 minutos, no aconselhamento mínimo, até cerca de 10 minutos, e pode ser feita por qualquer profissional de saúde.

  1. Abordar: perguntar a todos se fumam e registar no processo.
  2. Aconselhar: de forma clara, firme e personalizada, ligando o conselho aos riscos daquela pessoa naquela circunstância, e oferecendo ajuda.
  3. Avaliar a motivação para parar no próximo mês.
  4. Ajudar: marcar a data de paragem (o dia D), antecipar dificuldades e a privação, retirar o tabaco de casa, envolver a família e prescrever fármaco se indicado.
  5. Acompanhar: marcar consulta ou contacto telefónico depois do dia D, sobretudo na primeira semana.

Quem não quer parar: os 5 R

Uma abordagem motivacional breve, sem confronto, com perguntas abertas e escuta reflexiva, em que é o próprio fumador a dizer:

  • a relevância que parar teria para si e para a família;
  • os riscos de continuar, a curto e a longo prazo;
  • as recompensas de parar;
  • as resistências que o impedem, como o medo de falhar ou da privação;
  • e a repetição: a intervenção repete-se em cada contacto, sobretudo nos momentos de maior abertura, como um diagnóstico grave ou uma gravidez.

Consulta de apoio intensivo

Programa de várias sessões ao longo de meses. A DGS dá prioridade a quem:

  • quer parar nos próximos 30 dias e falhou com a intervenção breve;
  • fuma o primeiro cigarro nos primeiros 30 minutos ou 20 ou mais cigarros por dia;
  • teve privação intensa numa tentativa anterior, mesmo com fármaco;
  • tem doença relacionada com o tabaco (doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro do pulmão), cardiopatia isquémica, arritmia ou hipertensão não controladas, outra dependência, doença psiquiátrica estabilizada, ou é grávida ou está a amamentar e não respondeu à intervenção breve.

Fármacos

FármacoPosologiaO que exige
Substituição de nicotinaadesivo de 16 ou 24 horas, com doses decrescentes, associado a goma, pastilha, spray ou inalador; cerca de 8 a 12 semanasde venda livre; sem bebidas ácidas nos 15 minutos antes e durante a goma ou a pastilha
Vareniclina0,5 mg uma vez por dia nos dias 1 a 3, 0,5 mg duas vezes por dia nos dias 4 a 7, depois 1 mg duas vezes por dia; 12 semanas, mais 12 se tiver paradoiniciar 1 a 2 semanas antes do dia D; com água e não em jejum; 1 mg por dia na doença renal grave
Bupropiona150 mg por dia durante 6 dias, depois 150 mg duas vezes por dia, com 8 horas entre tomas; 7 a 9 semanasiniciar ainda a fumar e parar na segunda semana; 150 mg por dia no idoso e na doença hepática ou renal
Citisiniclina1,5 mg em esquema decrescente de 25 dias, de 6 comprimidos por dia até 1 a 2parar de fumar até ao quinto dia; se continuar a fumar, suspender e retomar 2 a 3 meses depois

Substituição de nicotina

  • Todas as formas são eficazes e aumentam a abstinência em cerca de metade face ao placebo.
  • A combinação de uma forma lenta (o adesivo) com uma rápida (goma, pastilha, spray), usada nos momentos de desejo, é mais eficaz do que qualquer forma isolada e tão eficaz como a vareniclina.
  • A dose ajusta-se à dependência: adesivo de 21 mg em quem fuma mais de 10 cigarros por dia, goma de 4 mg em quem fuma mais de 20 ou fuma nos primeiros 30 minutos.
  • A causa mais frequente de insucesso é a subdosagem, em dose e em duração. Se não estiver abstinente ao fim de 2 semanas, reavalia-se: nova data, doses mais altas, combinação ou outro fármaco.
  • A goma masca-se devagar até sentir o sabor e depois fica encostada à bochecha, alternando, durante cerca de 30 minutos.
  • O adesivo de 24 horas dá mais insónia e sonhos vívidos: resolve-se retirando-o à noite ou passando ao de 16 horas.
  • É muito mais segura do que continuar a fumar, incluindo na doença cardiovascular estável.

Vareniclina

  • Agonista parcial do recetor alfa-4 beta-2: ocupa o recetor, liberta alguma dopamina, alivia o desejo e a privação e retira a recompensa do cigarro fumado por cima.
  • É a monoterapia mais eficaz: mais do que duplica a abstinência face ao placebo e é superior à bupropiona e a uma forma isolada de substituição.
  • O efeito adverso mais frequente é a náusea, em quase um terço, habitualmente ligeira e precoce; seguem-se as insónias e os sonhos anormais. Se não for tolerada, reduz-se para 0,5 mg duas vezes por dia.
  • Um grande ensaio aleatorizado mostrou que não aumenta os efeitos neuropsiquiátricos graves, em doentes com ou sem doença psiquiátrica, e o aviso em caixa foi retirado em 2016. Vigiam-se o humor e o comportamento, como em qualquer tentativa de parar.
  • Não tem interações relevantes pelo citocromo P450.
  • Em Portugal, o medicamento original foi retirado do mercado em 2021 por impurezas de nitrosaminas; desde outubro de 2024 existe um genérico comparticipado.

Bupropiona

  • Inibe a recaptação de dopamina e noradrenalina; a eficácia na cessação não depende do efeito antidepressivo.
  • É menos eficaz do que a vareniclina e do que a substituição combinada, e semelhante a uma forma isolada de substituição.
  • Os efeitos mais frequentes são a insónia e a boca seca. O efeito grave é a convulsão, em cerca de 1 em 1000.
  • Contraindicações: epilepsia ou convulsões, tumor do sistema nervoso central, privação abrupta de álcool ou benzodiazepinas, bulimia ou anorexia nervosa, cirrose grave, doença bipolar, e inibidores da monoaminoxidase atuais ou recentes.
  • Inibe o CYP2D6: começar com doses baixas dos antidepressivos, antipsicóticos, bloqueadores beta e antiarrítmicos metabolizados por esta via.

Citisiniclina

  • Agonista parcial do mesmo recetor, com estrutura e mecanismo semelhantes aos da vareniclina e eficácia que parece semelhante; é mais eficaz do que a substituição de nicotina e tem poucos efeitos adversos graves.
  • É o tratamento mais curto, com 25 dias.

Combinações

  • Substituição combinada (adesivo com forma rápida): primeira escolha entre as combinações.
  • Se a resposta à primeira linha for insuficiente: bupropiona com vareniclina ou bupropiona com substituição de nicotina, vigiando a tensão arterial nesta última.

Seguimento e recaída

  • O primeiro contacto marca-se para perto do dia D, porque a privação atinge o máximo nos primeiros dias.
  • Em cada consulta: peso, tensão arterial, sintomas de privação, efeitos adversos e, se possível, monóxido de carbono.
  • Distinguir o lapso (um cigarro isolado) da recaída, procurar o gatilho e rever a dose e a duração do fármaco, que ficam muitas vezes aquém.
Cessação tabágica: fármacos de primeira linha e a armadilha do CYP1A2 Figura em duas partes. Em cima, três blocos com os fármacos de primeira linha da cessação tabágica: substituição de nicotina, bupropiona e vareniclina, com as notas-chave de cada um, e uma faixa que lembra que o aconselhamento se soma à farmacoterapia. Em baixo, um alerta a vermelho sobre a indução do CYP1A2 pelo fumo do tabaco e a subida dos níveis de clozapina e olanzapina quando o doente deixa de fumar. Cessação tabágica: fármacos e a armadilha do CYP1A2 O que oferecer ao doente e a interação que se esquece quando ele para de fumar. Farmacoterapia de primeira linha 1 Nicotina Terapêutica de substituição Adesivo (libertação lenta) com pastilha, goma ou spray de ação rápida. Combinar lenta e rápida é mais eficaz do que qualquer forma isolada. Segura na doença cardiovascular estável. Dose ajustada ao consumo. 2 Bupropiona Antidepressivo atípico Inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina. Iniciar ainda a fumar e parar na segunda semana. Contraindicada em: epilepsia ou risco convulsivo conhecido; perturbação do comportamento alimentar com purga. 3 Vareniclina Agonista parcial do recetor nicotínico alfa-4 beta-2. O fármaco isolado mais eficaz na cessação. Segurança neuropsiquiátrica Sem aumento de efeitos graves, com ou sem doença psiquiátrica: não a evitar no doente estável. Náusea é o efeito adverso mais frequente. Aconselhamento e apoio comportamental somam-se à farmacoterapia, não a substituem. ! A armadilha: parar de fumar não é parar a nicotina É o fumo (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos), e não a nicotina, que induz o CYP1A2. Fumo do tabaco (HAP) induz o CYP1A2 no fumador. Ao parar, a indução desfaz-se em cerca de uma semana. Sobem os níveis de clozapina e olanzapina, com risco de toxicidade. cessação sobem Cenário típico: internamento em hospital sem fumo. Pode ser necessário reduzir a dose e vigiar sinais de toxicidade (sedação, sialorreia, convulsões) e níveis séricos. Também sobem a teofilina e a cafeína. O adesivo e o cigarro eletrónico não induzem.

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11 perguntas sobre Tabaco

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