Perturbações relacionadas com o uso de substâncias›Opioides, canabinoides, estimulantesPublicado (Premium)

Opioides, canabinoides, estimulantes

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema

Em resumo

Opioides, canabinoides e estimulantes partilham o mesmo enquadramento: a perturbação do uso define-se pelo DSM-5-TR (manual de diagnóstico da associação americana de psiquiatria) com onze critérios, dos quais bastam dois em doze meses, e gradua-se pelo número de critérios. Em todos convém separar três quadros que se confundem: a intoxicação, a privação e a perturbação do uso. A tolerância e a privação, por si, não fazem o diagnóstico quando o fármaco é tomado como foi prescrito.

Os opioides são os que mais matam. A intoxicação reconhece-se pela miose, pela depressão da consciência e pela bradipneia, e mata por hipoventilação; trata-se com ventilação e naloxona titulada para a respiração, com vigilância prolongada, porque a naloxona dura menos do que quase todos os opioides. A privação é muito desagradável mas raramente põe a vida em risco. O tratamento que reduz a mortalidade é a manutenção com metadona ou buprenorfina, e o momento de maior risco de morte é o regresso ao consumo depois de um período de abstinência, com a tolerância perdida.

A canábis é a substância ilícita mais consumida. A intoxicação dá hiperemia conjuntival, taquicardia e apetite aumentado com pupilas normais, e raramente é grave; o que pesa são as consequências do uso regular: psicose, sobretudo com início na adolescência e produtos potentes, síndrome de hiperémese e perturbação do uso. Os canabinoides sintéticos e semissintéticos são mais potentes e mais imprevisíveis.

Os estimulantes (anfetaminas, metanfetamina e cocaína) dão um quadro simpaticomimético em que a temperatura é o sinal vital de pior prognóstico, e complicações cardiovasculares no adulto jovem. A agitação e a hipertensão tratam-se primeiro com benzodiazepinas, e o betabloqueante isolado evita-se na fase aguda. Não há fármaco aprovado para a perturbação do uso de estimulantes nem de canábis: a base são as intervenções psicossociais, com a gestão de contingências à cabeça.

O que não se pode falhar é a naloxona que se dá e a alta que se dá cedo de mais, a indução com buprenorfina antes de haver privação, o rastreio toxicológico negativo tomado como exclusão, a hipertermia num doente agitado e a intenção suicida por detrás de uma sobredosagem.

Referências

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