Cocaína, halucinogénios, solventes inalatórios
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema
A cocaína, os alucinogénios e os solventes inalatórios produzem quadros de intoxicação que se reconhecem pela clínica, raramente pelo laboratório, e cujo perigo imediato é quase sempre físico: a arritmia, a isquemia, a hipertermia, a convulsão, o acidente.
A cocaína bloqueia a recaptação da dopamina, da noradrenalina e da serotonina e tem ação de anestésico local. A intoxicação é simpaticomimética, com agitação, hipertensão, taquicardia, midríase, sudorese e hipertermia, e as complicações que matam são o enfarte, a arritmia e o acidente vascular cerebral no adulto jovem. A agitação e a hipertensão tratam-se primeiro com benzodiazepina; na dor torácica e na síndrome coronária aguda juntam-se nitroglicerina e ácido acetilsalicílico, e o betabloqueante evita-se na fase aguda. O levamisol, adulterante frequente, dá agranulocitose e vasculite com necrose das orelhas. A abstinência é disfórica e pode trazer ideação suicida, e a perturbação por uso trata-se com intervenções psicossociais, porque não há fármaco aprovado.
Os alucinogénios clássicos (LSD, psilocibina, mescalina) são agonistas do recetor 5-HT2A e alteram a perceção com a crítica preservada; a má viagem trata-se com tranquilização em ambiente calmo e diazepam. Os dissociativos (fenciclidina, cetamina) bloqueiam o recetor NMDA e dão agitação com analgesia, nistagmo e, na fenciclidina, crises simpaticomiméticas graves. O MDMA junta efeito estimulante e empatogénico, e mata por hipertermia e por hiponatremia. Depois do consumo pode ficar uma perturbação persistente da perceção, com a crítica mantida.
Os solventes são o psicoativo de muitos adolescentes, por serem legais e baratos. Sensibilizam o miocárdio às catecolaminas, e um susto ou uma corrida podem precipitar fibrilhação ventricular, mesmo no primeiro consumo: não se persegue nem se confronta quem está a inalar. O tolueno dá acidose tubular renal com hipocaliemia e lesão cerebelosa, o óxido nitroso inativa a vitamina B12 e causa degenerescência combinada da medula, e os nitritos causam metemoglobinemia, que se trata com azul de metileno.
O que não se pode falhar: a temperatura central em qualquer intoxicação estimulante, o betabloqueante isolado na fase aguda da cocaína, a hiponatremia no jovem confuso depois de uma festa, a cianose que não responde ao oxigénio e o défice de glucose-6-fosfato-desidrogenase antes do azul de metileno.
Referências
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