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Álcool

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

O álcool é a substância psicoativa com mais peso na doença e na morte prematura na Europa, onde é o terceiro fator de risco de morbimortalidade, e Portugal bebe acima da média europeia. Nos cuidados de saúde primários, cerca de um terço dos utentes bebe acima do recomendado e a grande maioria não é identificada, porque quase ninguém se apresenta a queixar-se do álcool: aparece a hipertensão, a macrocitose, a queda, a insónia ou a depressão.

O consumo é um contínuo. A DGS chama consumo de risco ao padrão que ainda não fez dano mas o fará se persistir, consumo nocivo ao que já fez dano físico, mental ou social, e dependência ao estado em que beber passa a ter prioridade sobre o resto da vida. O DSM-5-TR junta tudo numa perturbação do uso graduada pelo número de critérios; a CID-11 separa o uso nocivo da dependência. O rastreio faz-se com o questionário AUDIT, que decide entre aconselhamento simples, intervenção breve e referenciação.

O consumo crónico adapta o cérebro: menos inibição pelo GABA e mais excitação pelo glutamato. Quando o álcool falta, surge a privação, que vai do tremor e da ansiedade nas primeiras horas às convulsões, com pico às 24 horas, e ao delirium tremens, em regra às 48 a 72 horas. As benzodiazepinas são o tratamento e previnem as complicações graves.

O défice de tiamina acompanha o consumo pesado e causa a encefalopatia de Wernicke, que se trata sem esperar confirmação, com tiamina parentérica antes dos hidratos de carbono; deixada sem tratamento, deixa como sequela a amnésia de Korsakoff.

O que não se pode falhar é a hipoglicemia, o traumatismo craniano e a infeção escondidos atrás de uma intoxicação, a privação grave no doente internado por outro motivo, o Wernicke que não tem a tríade completa e o risco de suicídio, que se reavalia sempre em sobriedade.

Referências

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