Perturbações psicóticasEsquizofreniaPublicado (Premium)

Esquizofrenia

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 19 de julho de 2026 · 17 perguntas neste tema

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Em resumo

A esquizofrenia é a perturbação psicótica paradigmática e um tema de relevância A na matriz PNA: aparece nas competências de mecanismo de doença, diagnóstico e gestão diagnóstico-terapêutica. É uma doença do neurodesenvolvimento com expressão psicótica no adulto jovem, curso frequentemente crónico e uma mortalidade prematura que continua a ser dominada por causas cardiovasculares e metabólicas, não pela psicose em si. Para a prova, domina quatro eixos: (1) os critérios do DSM-5-TR e a separação das entidades vizinhas pela duração; (2) o diagnóstico diferencial obrigatório do primeiro episódio (substâncias, causas orgânicas, perturbações do humor); (3) o perfil de efeitos adversos que distingue os antipsicóticos entre si — sobretudo os extrapiramidais e os metabólicos; e (4) a clozapina na doença resistente, com o seu programa de monitorização. Escreve e pensa sempre em linguagem centrada na pessoa: doente com esquizofrenia, nunca "esquizofrénico".

O enquadramento: uma doença do neurodesenvolvimento com expressão tardia

O modelo dominante é o neurodesenvolvimental: insultos precoces (genéticos e ambientais) perturbam a formação e a maturação de circuitos cortico-subcorticais, mas a doença só se manifesta clinicamente na adolescência tardia, quando processos maturativos normais — poda sináptica do córtex pré-frontal, mielinização, reorganização dopaminérgica, exigência cognitiva e social crescente — desmascaram a vulnerabilidade latente.

As evidências que sustentam este modelo são convergentes:

  • Atrasos subtis do desenvolvimento motor e da linguagem, e QI premórbido em média ligeiramente inferior, décadas antes do primeiro episódio.
  • Achados imagiológicos de redução do volume de substância cinzenta (sobretudo temporal medial e pré-frontal) e alargamento ventricular, já presentes no primeiro episódio e portanto não atribuíveis apenas ao tratamento.
  • Sobreposição genética com perturbações do neurodesenvolvimento.
  • Ausência dos achados neuropatológicos de uma doença neurodegenerativa clássica (não há gliose proporcional à perda tecidular).

Este enquadramento explica por que razão os défices cognitivos e os sintomas negativos precedem a psicose e por que razão são tão pouco sensíveis a fármacos que atuam a jusante, no sistema dopaminérgico.


A hipótese dopaminérgica revista

A versão original — «a esquizofrenia é excesso de dopamina» — nasceu de duas observações farmacológicas: os antipsicóticos são antagonistas D2 com potência clínica proporcional à afinidade D2, e os agonistas dopaminérgicos indiretos (anfetaminas) induzem psicose paranoide em pessoas sem doença. Era uma hipótese incompleta: explicava os sintomas positivos e nada mais.

A versão atual é regional e assimétrica — e é esta que tens de saber:

Via dopaminérgicaAlteraçãoCorrelato clínico
Mesolímbica (área tegmentar ventral → estriado ventral/núcleo accumbens)HiperdopaminergiaSintomas positivos — delírios, alucinações
Mesocortical (área tegmentar ventral → córtex pré-frontal dorsolateral)HipodopaminergiaSintomas negativos e cognitivos
NigroestriadaBloqueio D2 iatrogénicoEfeitos extrapiramidais
TuberoinfundibularBloqueio D2 iatrogénico (perda da inibição dopaminérgica)Hiperprolactinémia

Esta assimetria tem duas consequências clínicas de peso:

  1. Explica o teto terapêutico dos antipsicóticos. Um antagonista D2 corrige a hiperdopaminergia mesolímbica (positivos) mas agrava a hipodopaminergia mesocortical — pode piorar os sintomas negativos e cognitivos. É a razão farmacológica pela qual «aumentar a dose» quase nunca resolve um quadro dominado por sintomas negativos.
  2. Explica os efeitos adversos. As vias nigroestriada e tuberoinfundibular não estão doentes; são apanhadas pelo mesmo bloqueio. Toda a toxicidade extrapiramidal e a hiperprolactinémia são o preço de uma intervenção não seletiva.

Os estudos de imagem molecular localizam a anomalia dopaminérgica sobretudo na capacidade de síntese e de libertação pré-sináptica de dopamina, e não no aumento do número de recetores D2 pós-sinápticos — um refinamento importante da hipótese (Howes e Kapur, «versão III»). A localização veio depois: a metanálise de McCutcheon e colaboradores (2018) mostrou que a disfunção dopaminérgica é maior no estriado associativo/dorsal do que na subdivisão límbica — um dado que qualifica a leitura estritamente mesolímbica da tabela anterior.

Da neuroquímica à psicopatologia — a saliência aberrante. A dopamina estriatal atribui saliência motivacional: sinaliza o que merece atenção. Uma libertação dopaminérgica caótica e independente do contexto faz com que estímulos irrelevantes (uma matrícula, um olhar, uma notícia) adquiram um significado urgente e pessoal. O delírio é, nesta leitura, a explicação cognitiva que o doente constrói para uma experiência de significado avassaladora. Isto explica dois factos clínicos: os antipsicóticos costumam reduzir primeiro a convicção e o impacto emocional do delírio antes de o conteúdo desaparecer; e a resposta plena leva semanas, não horas, embora a ocupação D2 seja quase imediata.


Glutamato e o recetor NMDA

A dopamina não é suficiente como explicação. Os argumentos a favor de uma hipofunção do recetor NMDA são fortes:

  • Antagonistas NMDA (cetamina, fenciclidina) reproduzem, em pessoas saudáveis, um quadro que se assemelha mais à esquizofrenia do que a psicose anfetamínica: além dos positivos, produzem sintomas negativos e défices cognitivos — precisamente o que os agonistas dopaminérgicos não fazem.
  • A encefalite autoimune anti-recetor NMDA cursa frequentemente com um quadro psicótico inaugural — um «modelo humano» de hipofunção NMDA.
  • Modelo de circuito: a hipofunção NMDA em interneurónios GABAérgicos inibitórios (parvalbumina-positivos) desinibe os neurónios piramidais, gerando ruído cortical, desorganização das oscilações gama e, a jusante, desregulação da dopamina estriatal. O glutamato fica assim a montante da dopamina — o que reposiciona a hiperdopaminergia como consequência e não como causa primária.

Este modelo é a base racional para o desenvolvimento de fármacos com mecanismo não-D2. Os compostos que atuam diretamente sobre o sistema glutamatérgico ainda não demonstraram eficácia em ensaios de fase III. Fora do eixo glutamatérgico, porém, já existe um antipsicótico aprovado sem ação D2 — a combinação xanomelina/tróspio, agonista muscarínico M1/M4 (aprovação FDA em 2024), com introdução europeia a decorrer.


Fatores de risco

Genéticos. A esquizofrenia é altamente hereditária (herdabilidade estimada ~80%), mas de arquitetura poligénica: milhares de variantes comuns de pequeno efeito, mais um pequeno número de variantes raras de grande efeito, com destaque para as variantes de número de cópias — a deleção 22q11.2 (síndrome de DiGeorge) confere um dos maiores riscos individuais conhecidos e é um diagnóstico a considerar num doente jovem com psicose, dismorfias faciais, insuficiência velofaríngea, cardiopatia conotruncal ou história de hipocalcémia. Ter um familiar de primeiro grau afetado é o fator de risco isolado mais forte na prática clínica corrente.

Perinatais e do neurodesenvolvimento. Complicações obstétricas (hipóxia perinatal, pré-eclâmpsia, restrição de crescimento, parto de emergência), infeções maternas durante a gravidez, malnutrição materna e idade paterna avançada (mutações de novo na linha germinal) associam-se a risco aumentado.

Sociais e ambientais. A urbanicidade (nascer e crescer em meio urbano), a migração e o estatuto de minoria étnica — com risco particularmente elevado em migrantes de primeira e segunda geração — e a adversidade na infância têm associações replicadas. O denominador comum proposto é a derrota social crónica e a exclusão, mediando sensibilização dopaminérgica; nenhum destes fatores é, isoladamente, causal.

Canábis. É o fator de risco modificável mais relevante e o que a prova mais gosta de testar. Pontos a fixar:

  • Associação dose-resposta: quanto maior a frequência de consumo, maior o risco.
  • O risco é maior com o consumo iniciado na adolescência (cérebro em maturação) e com produtos de alta potência em THC.
  • O THC é o componente psicotomimético; o canabidiol (CBD) não partilha esse efeito.
  • Antecipa a idade de início da psicose em vários anos nos consumidores.
  • A causalidade não está definitivamente estabelecida (há confundimento e causalidade reversa possível), mas o conjunto da evidência — dose-resposta, temporalidade, plausibilidade e estudos de aleatorização mendeliana — torna a hipótese de contribuição causal a mais defensável. Traduz isto na prática como: a cessação do consumo é uma intervenção terapêutica, não um conselho acessório.

Síntese útil para a clínica

O modelo integrado que deves conseguir recitar em três frases: vulnerabilidade poligénica + insultos precoces do neurodesenvolvimento produzem circuitos corticais disfuncionais (hipofunção NMDA em interneurónios), que se manifestam já na infância como défices cognitivos subtis; a maturação adolescente e os stressores ambientais (canábis, adversidade social) desregulam a dopamina estriatal, gerando saliência aberrante e sintomas positivos; e a hipodopaminergia pré-frontal sustenta os sintomas negativos e cognitivos, que os antagonistas D2 não corrigem — e podem agravar. É este último ponto que explica por que razão o tratamento farmacológico da esquizofrenia é eficaz e, ao mesmo tempo, tão insuficiente.

O diagnóstico é clínico — mas nunca é só clínico

Não existe biomarcador, exame de imagem ou teste laboratorial que faça o diagnóstico de esquizofrenia. Os exames complementares servem um propósito diferente e igualmente obrigatório: excluir causas orgânicas e tóxicas e estabelecer a linha de base metabólica antes de iniciar um antipsicótico.

O diagnóstico assenta em quatro peças:

  1. Entrevista psiquiátrica com exame do estado mental.
  2. História colateral — de familiares, do médico de família, da escola ou do empregador. Num doente com juízo crítico comprometido, a informação colateral é frequentemente a única forma de datar o início dos sintomas, e a datação é o que decide entre esquizofreniforme e esquizofrenia.
  3. Exame físico e neurológico, incluindo pesquisa de movimentos anormais, sinais autonómicos e sinais focais.
  4. Exames complementares dirigidos à exclusão.

Exame do estado mental: o que procurar

  • Aparência e comportamento: autonegligência, maneirismos, estereotipias, sinais catatónicos (imobilidade, negativismo, mutismo, ecolalia, ecopraxia, flexibilidade cérea).
  • Discurso: forma antes do conteúdo — descarrilamento, tangencialidade, pobreza do discurso (alogia), bloqueio, neologismos.
  • Humor e afeto: embotamento, incongruência afetiva; procurar ativamente sintomas depressivos, que são frequentes e sub-reconhecidos.
  • Perceção: caracterizar as alucinações — modalidade, número de vozes, pessoa gramatical, conteúdo imperativo (relevante para o risco), grau de convicção.
  • Pensamento: delírios — tema, sistematização, convicção, impacto no comportamento; fenómenos de passividade (inserção, roubo, difusão do pensamento, controlo).
  • Cognição: orientação, atenção, memória de trabalho. Uma flutuação da atenção e da consciência desloca imediatamente o raciocínio para delirium.
  • Juízo crítico (insight): em três eixos — reconhecimento de que está doente, atribuição dos sintomas à doença, aceitação da necessidade de tratamento.
  • Risco: ideação suicida, ideação homicida, capacidade de autocuidado, risco de negligência de terceiros a seu cargo. A avaliação estruturada do risco de suicídio está desenvolvida no capítulo próprio.

Diagnóstico diferencial — obrigatório antes de rotular

Rotular alguém com «esquizofrenia» num primeiro episódio tem consequências prognósticas, terapêuticas e de identidade que duram décadas. A regra é: no primeiro episódio, o diagnóstico de esquizofrenia é de exclusão até prova em contrário.

1. Psicose induzida por substâncias

A causa mais frequente de psicose de novo no adulto jovem.

SubstânciaPistas
Canábis (sobretudo alta potência em THC)Relação temporal com o consumo; pode desencadear psicose persistente
Estimulantes (anfetaminas, metanfetamina, cocaína)Psicose paranoide, midríase, taquicardia, hipertensão, formigueiro cutâneo/delírio de parasitose
Alucinogénios, novas substâncias psicoativas, canabinoides sintéticosAlucinações visuais proeminentes, início abrupto
CorticosteroidesInício dias a semanas após início ou aumento de dose; frequentemente com componente afetivo
Álcool — alucinose alcoólicaAlucinações sobretudo auditivas, com sensório claro, orientação e crítica preservadas, sem tempestade autonómica; início ~12–24 h após a última bebida — é o quadro alcoólico que imita a esquizofrenia (ver capítulo de álcool)
Abstinência de álcool/benzodiazepinasDelirium tremens — é um delirium de privação, não uma psicose induzida (ver rubrica 2 e capítulo de álcool): tremor, disautonomia, alucinações visuais e táteis, flutuação da consciência

Nota de segurança — delirium tremens. É uma emergência médica com mortalidade significativa, instalando-se tipicamente 48–96 h após a última bebida. É a exceção à regra de que as benzodiazepinas agravam o delirium: o tratamento é benzodiazepina titulada ao sintoma (esquema guiado por escala de sintomas), com tiamina parentérica antes ou em simultâneo com qualquer soro glicosado, pelo risco de precipitar encefalopatia de Wernicke. Os antipsicóticos não tratam o delirium tremens, baixam o limiar convulsivo, e só se usam como adjuvante de alucinações persistentes após benzodiazepina adequada. Ver o capítulo de perturbações do uso de álcool.

A distinção não se faz apenas pelo rastreio toxicológico positivo (um doente com esquizofrenia também consome). Pesa-se a relação temporal, a persistência dos sintomas após período de abstinência e a presença de alucinações visuais ou de flutuação da consciência.

2. Delirium

Sempre a primeira hipótese perante psicose de início agudo com flutuação, alteração da atenção e do nível de consciência, inversão do ciclo sono-vigília e alucinações visuais. É uma emergência médica com causa somática subjacente. Abordagem detalhada no capítulo próprio de delirium.

3. Causas orgânicas («psicose secundária»)

Sinais de alarme que obrigam a investigação alargada: início após os 40 anos, alucinações visuais/olfativas/táteis, sinais neurológicos focais, convulsões, alteração da consciência, cefaleia, febre, movimentos anormais, disautonomia, ausência de história familiar, curso atípico ou resposta pobre ao tratamento.

  • Epilepsia do lobo temporal — auras, automatismos, fenómenos de déjà vu, alucinações olfativas; psicose ictal, pós-ictal ou interictal.
  • Encefalite autoimune anti-recetor NMDA — a lembrar sobretudo numa mulher jovem com psicose de novo, sobretudo se houver pródromo tipo gripal, discinesias orofaciais, convulsões, disautonomia, hipoventilação ou alteração da consciência. Pode estar associada a teratoma do ovário. Diagnóstico por anticorpos anti-NMDA no LCR (mais sensível do que no soro); o LCR pode mostrar pleocitose linfocítica. É um diagnóstico que muda radicalmente o tratamento (imunoterapia, remoção do tumor) e que não se recupera se for perdido.
  • InfeçõesVIH (com as suas complicações oportunistas), neurossífilis, encefalite herpética.
  • Autoimunes/sistémicaslúpus eritematoso sistémico com envolvimento neuropsiquiátrico, encefalopatia de Hashimoto.
  • Metabólicas e endócrinasdoença de Wilson (a considerar em jovem com sintomas psiquiátricos + hepáticos + movimentos anormais; anéis de Kayser-Fleischer, ceruloplasmina baixa), porfiria aguda intermitente, disfunção tiroideia, hipercalcémia, défice de vitamina B12.
  • Estruturais — tumores (sobretudo frontais e temporais), traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla.
  • Neurodegenerativas — doença de Huntington, demência frontotemporal (a considerar em início tardio com alteração da personalidade).

4. Perturbações do humor com psicose

A questão operacional é sempre a mesma: os sintomas psicóticos ocorrem exclusivamente durante episódios de humor? Se sim, é depressão ou mania com características psicóticas. Se há ≥ 2 semanas de psicose sem sintomas de humor proeminentes, entra-se no território esquizoafetivo. Na mania, procurar delírios congruentes com o humor (grandiosidade), início mais abrupto, redução da necessidade de sono e pressão de discurso. A psicose no contexto bipolar é tratada no capítulo respetivo.

5. Outros

  • Perturbação obsessivo-compulsiva com insight ausente — a natureza egodistónica e o reconhecimento prévio da irracionalidade ajudam a distinguir.
  • Perturbação do espectro do autismo — dificuldades sociais e de comunicação desde a infância, sem psicose franca; podem coexistir.
  • Perturbação da personalidade esquizotípica e borderline (com fenómenos psicóticos transitórios em contexto de stress).
  • Perturbação de stress pós-traumático com flashbacks — reexperiência ligada ao trauma, com preservação do teste de realidade.

Exames a pedir no primeiro episódio psicótico

O objetivo é duplo: excluir causa secundária e estabelecer a linha de base antes de medicar.

Análises de base

  • Hemograma completo com fórmula
  • Bioquímica: ureia, creatinina, ionograma, cálcio, provas hepáticas
  • Glicémia em jejum e HbA1c
  • Perfil lipídico completo
  • Função tiroideia (TSH)
  • Prolactina (basal, antes de iniciar antipsicótico)
  • Vitamina B12 e folato
  • Proteína C reativa

Rastreio de causa secundária e de consumos

  • Rastreio toxicológico na urina (canábis, estimulantes, opioides, benzodiazepinas)
  • Serologias: VIH e sífilis — a considerar em todos; obrigatórias se houver fatores de risco ou apresentação atípica
  • Teste de gravidez em mulher em idade fértil

Exames dirigidos

  • ECG — antes de iniciar antipsicótico, para intervalo QTc de base (especialmente se se prevê fármaco com risco de prolongamento, alterações eletrolíticas ou doença cardíaca)
  • Neuroimagem (TC-CE ou, de preferência, RM-CE) — indicada perante sinais de alarme: sinais neurológicos focais, início tardio, convulsões, alteração da consciência, cefaleia, TCE, curso atípico. Muitos programas de primeiro episódio pedem RM a todos os doentes; o rendimento em doentes sem sinais de alarme é baixo, mas o custo de perder um tumor é elevado.
  • EEG — se suspeita de epilepsia, alteração da consciência, movimentos anormais ou psicose de instalação abrupta com confusão.
  • Punção lombar — quando há suspeita de infeção do SNC ou de encefalite autoimune (anticorpos anti-NMDA no LCR).
  • Anticorpos antineuronais, ceruloplasmina e cobre urinário, ANA, cortisol — dirigidos pela suspeita clínica, não por rotina.

Armadilhas de exame

  • Confundir sintomas negativos com depressão. Ambos dão retraimento e apatia. Na depressão há tristeza subjetiva, culpa, desesperança e alteração diurna do humor; nos negativos primários há embotamento da expressão com ausência relativa de sofrimento afetivo referido. E lembra: parkinsonismo iatrogénico imita ambos (hipomimia, bradicinesia, monotonia do discurso).
  • Confundir acatisia com agitação psicótica. Ver secção de gestão — é a armadilha com maior potencial de dano.
  • Aceitar «esquizofrenia» num doente de 65 anos com psicose de novo. Início tardio obriga a investigar causa orgânica ou neurodegenerativa.
  • Alucinações visuais isoladas raramente são esquizofrenia: pensar delirium, tóxicos, epilepsia, demência com corpos de Lewy.
  • Não datar o pródromo. Sem história colateral, a distinção esquizofreniforme/esquizofrenia é impossível.
  • Esquecer a prolactina e o perfil metabólico basais — depois de iniciar o fármaco já não se sabe o que era pré-existente.

Princípios gerais

O tratamento da esquizofrenia é farmacológico e psicossocial em simultâneo — não em sequência. O antipsicótico controla sobretudo os sintomas positivos e previne recaídas; a recuperação funcional depende das intervenções psicossociais e do tratamento das comorbilidades físicas.

Quatro objetivos, por ordem:

  1. Segurança — do doente e de terceiros; tratar delirium ou causa orgânica se presentes.
  2. Remissão sintomática do episódio agudo.
  3. Prevenção da recaída — a fase de manutenção é onde se joga o prognóstico.
  4. Recuperação funcional — estudos, trabalho, relações, autonomia.

A decisão terapêutica deve ser partilhada. Um doente que compreende porque toma o fármaco e que participa na escolha do perfil de efeitos adversos que está disposto a tolerar tem melhor adesão do que um doente a quem se prescreve.


Antipsicóticos: o que realmente os distingue

O ponto mais importante — e o mais testado: a eficácia antipsicótica é globalmente semelhante entre os antipsicóticos, com uma única exceção clara, a clozapina. As metanálises comparativas em rede (por exemplo, Huhn e colaboradores, Lancet 2019) mostram diferenças de eficácia modestas e sobreponíveis, mas diferenças de tolerabilidade enormes.

Logo: escolhe-se o antipsicótico pelo perfil de efeitos adversos, pelas comorbilidades do doente e pela preferência dele — não por uma suposta superioridade de eficácia.

A dicotomia «típicos vs atípicos» (primeira vs segunda geração) é útil como atalho histórico mas pouco informativa. É mais rentável pensar em dois eixos:

  • Potência de bloqueio D2: alta potência (haloperidol, flufenazina) → mais extrapiramidais, menos sedação e menos efeitos anticolinérgicos; baixa potência (clorpromazina, quetiapina, clozapina) → mais sedação, hipotensão ortostática e efeitos anticolinérgicos, menos extrapiramidais.
  • Perfil recetorial acessório: antagonismo 5-HT2A, H1 (sedação, apetite), M1 (boca seca, obstipação, confusão), α1 (hipotensão ortostática). O aripiprazol é distinto por ser agonista parcial D2 — daí menos hiperprolactinémia (pode até baixá-la) mas propensão marcada a acatisia e ativação.
FármacoExtrapiramidaisMetabólicoProlactinaSedaçãoNota
HaloperidolMuito altoBaixoAltoBaixaAlta potência D2
RisperidonaDose-dependenteModeradoMuito altoBaixaProlactina é o problema
AmissulpridaModeradoBaixoMuito altoBaixaBoa em sintomas negativos em dose baixa; QTc ↑↑ — evitar se QTc longo, hipocaliémia ou outro fármaco que prolongue o QT
OlanzapinaBaixoMuito altoBaixoAltaGanho ponderal marcado
QuetiapinaMuito baixoModeradoMuito baixoAltaÚtil se sensibilidade extrapiramidal
AripiprazolAcatisiaBaixo↓ (agonista parcial)BaixaAtivante
ClozapinaMuito baixoMuito altoMuito baixoMuito altaÚnico superior em eficácia; reservada à resistência

Pontos práticos de prescrição:

  • Iniciar em dose baixa e titular — o doente sem exposição prévia (naïve) é muito mais sensível, sobretudo a extrapiramidais.
  • Monoterapia é a regra. A politerapia antipsicótica multiplica os efeitos adversos sem ganho de eficácia demonstrado.
  • Dar tempo: avaliar a resposta ao fim de 4–6 semanas em dose terapêutica. A ausência total de qualquer resposta às 2 semanas é, no entanto, um preditor razoável de não-resposta e justifica reavaliar (adesão? diagnóstico? dose?).
  • Manutenção: após um primeiro episódio, manter o antipsicótico durante pelo menos 1–2 anos após a remissão; a descontinuação associa-se a taxas de recaída muito elevadas. Após múltiplos episódios, o tratamento é habitualmente de longo prazo. Qualquer descontinuação deve ser lenta e planeada, com plano de deteção precoce de recaída.

Efeitos extrapiramidais — a secção que a prova adora

SíndromeInício típicoClínicaAbordagem
Distonia agudaHoras a diasContração muscular sustentada: torcicolo, trismo, crise oculógira, laringospasmo (emergência)Anticolinérgico (biperideno) IM/EV, resposta rápida
AcatisiaDias a semanasInquietude subjetiva intensa, incapacidade de estar parado, balanceio, marcha sem destinoReduzir dose ou trocar de fármaco (primeiro); se for preciso adjuvante, mirtazapina em dose baixa (o melhor perfil de eficácia e tolerabilidade na metanálise em rede de 2024), propranolol ou benzodiazepina a curto prazo
ParkinsonismoSemanasBradicinesia, rigidez, tremor, hipomimia, marcha em pequenos passosReduzir dose, trocar para fármaco com menor afinidade D2; anticolinérgico com parcimónia
Discinesia tardiaMeses a anosMovimentos coreoatetósicos involuntários, sobretudo orofaciais (mastigação, protrusão da língua); potencialmente irreversívelSuspender anticolinérgicos (agravam); reduzir/trocar antipsicótico; inibidores do VMAT2deutetrabenazina (autorizada na UE); valbenazina apenas nos EUA

A armadilha clínica mais perigosa do capítulo: a acatisia. É uma inquietude subjetiva, angustiante, que o doente descreve como «não consigo estar quieto por dentro». É sistematicamente confundida com agitação psicótica ou com ansiedade. O erro tem consequências: se se interpretar como agravamento da psicose e se aumentar o antipsicótico, a acatisia agrava, num ciclo vicioso. A acatisia está associada a sofrimento intenso, comportamento autolesivo e risco de suicídio. Perante um doente que ficou inquieto depois de se iniciar ou aumentar um antipsicótico, a hipótese de acatisia vem primeiro. Pergunta sempre pela componente subjetiva.

Nota sobre os anticolinérgicos: são o tratamento da distonia aguda e podem ajudar no parkinsonismo, mas não devem ser prescritos profilaticamente por rotina e agravam a discinesia tardia e a cognição. Devem ser revistos e desprescritos regularmente.


Efeitos adversos não motores

Metabólicos — ganho ponderal, dislipidemia, resistência à insulina e diabetes. Olanzapina e clozapina estão no topo do risco; a quetiapina é intermédia; aripiprazol, ziprasidona, lurasidona e amissulprida estão entre os de menor risco. Isto não é um efeito adverso menor: é a via principal para a mortalidade prematura destes doentes.

Monitorização metabólica sistemática (NICE CG178, recomendação 1.3.6.4): peso semanalmente nas primeiras 6 semanas — é aí que se apanha o ganho ponderal rápido do doente sem exposição prévia sob olanzapina, e ainda se vai a tempo de trocar de fármaco —, depois às 12 semanas, a 1 ano e a seguir anualmente; pressão arterial e pulso, glicémia em jejum ou HbA1c e perfil lipídico na linha de base, às 12 semanas, a 1 ano e depois anualmente; perímetro abdominal anualmente. Intervir cedo: intervenção no estilo de vida, troca para fármaco de menor risco e tratamento farmacológico do ganho ponderal. A metformina mantém-se como opção adjuvante, sobretudo preventiva no início do tratamento; nos doentes com obesidade estabelecida, os agonistas do recetor GLP-1 (semaglutido) demonstraram, em ensaios aleatorizados e controlados com placebo nesta população, perda ponderal substancialmente superior à da metformina, sem agravamento dos sintomas psicóticos.

Hiperprolactinémia — mais marcada com risperidona, paliperidona e amissulprida, e com os de primeira geração de alta potência. Clínica: amenorreia, galactorreia, disfunção sexual, ginecomastia, infertilidade e, a longo prazo, redução da densidade mineral óssea. Frequentemente causa silenciosa de má adesão porque nem o doente a refere nem o clínico a pergunta. Opções: reduzir dose, trocar para aripiprazol ou quetiapina (baixa propensão).

Sedação e efeitos anticolinérgicos — quetiapina, olanzapina e clozapina. Obstipação (com a clozapina, potencialmente grave — ver complicações), boca seca, visão turva, retenção urinária, compromisso cognitivo.

Condução automóvel — a sedação, o compromisso cognitivo e os efeitos extrapiramidais afetam a aptidão para conduzir. Nos termos do Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir, as perturbações mentais graves carecem de parecer médico especializado para emissão ou revalidação da carta, com controlo médico periódico quando indicado, e os medicamentos suscetíveis de comprometer a aptidão são avaliados autonomamente. A doença estabilizada e tratada não é, por si só, impedimento; a psicose ativa e a sedação marcada são.

Cardiovascularesprolongamento do QTc: os maiores efeitos são os do sertindol, da ziprasidona e da amissulprida (todos acima de 20 ms vs placebo na metanálise em rede de Huhn 2019), seguidos da pimozida e do haloperidol EV; olanzapina, risperidona e quetiapina situam-se nos 5–15 ms. A amissulprida tem advertência formal de QT e não deve ser associada a outros fármacos que prolongam o intervalo, nem usada sem correção prévia de hipocaliémia ou hipomagnesémia. Também hipotensão ortostática (bloqueio α1). Pedir ECG basal e repetir se se usar fármaco de risco, se houver alteração eletrolítica, doença cardíaca ou associação de fármacos que prolongam o QT.

Baixa do limiar convulsivo — sobretudo clozapina, de forma dose-dependente.


Clozapina — o único superior em eficácia

A clozapina é o único antipsicótico com eficácia demonstradamente superior aos restantes, e a sua indicação principal é a esquizofrenia resistente ao tratamento.

Definição de resistência (a saber de cor): falência de dois antipsicóticos diferentes, em dose adequada e durante duração adequada (habitualmente ≥ 6 semanas cada), com adesão confirmada. A verificação da adesão é parte da definição — pseudorresistência por não-adesão é comum, e é aqui que os injetáveis de ação prolongada ajudam a esclarecer.

A clozapina reduz também a sintomatologia em doentes com agressividade persistente e tem evidência de redução do comportamento suicida na esquizofrenia e na perturbação esquizoafetiva.

Monitorização hematológica obrigatória. O risco de agranulocitose obriga a um programa de vigilância do hemograma, com esquema definido pelo programa de monitorização aplicável: tipicamente semanal nas primeiras 18 semanas, depois com espaçamento progressivo (quinzenal e, ao fim de um ano de estabilidade, mensal) enquanto durar o tratamento. Não se dispensa a medicação sem contagem válida. Regra prática: contagem de neutrófilos < 1,5 × 10⁹/L obriga a parar e a referenciar; valores em zona de alerta obrigam a repetição frequente.

Os outros riscos que matam ou incapacitam:

  • Miocardite — tipicamente nas primeiras semanas (sobretudo entre a 2.ª e a 4.ª). Suspeitar perante febre, taquicardia persistente e desproporcionada, dispneia, dor torácica ou astenia inexplicada. Vigiar troponina, PCR e frequência cardíaca na linha de base e semanalmente nas primeiras 4 semanas. Troponina > 2× o limite superior do normal ou PCR > 100 mg/L → suspender a clozapina de imediato, ecocardiograma e cardiologia; PCR 50–100 mg/L ou taquicardia febril persistente → repetir diariamente e suspender se agravar. Miocardite confirmada = não reintroduzir clozapina. Também descrita cardiomiopatia mais tardia.
  • Íleo paralítico / obstipação grave — consequência do potente efeito anticolinérgico intestinal. É uma causa reconhecida de morte com a clozapina e é subvalorizada. Perguntar ativamente pelo trânsito intestinal e prescrever laxante profilático.
  • Convulsões — dose-dependente, com risco relevante em doses elevadas (≳ 600 mg/dia) ou com níveis séricos altos. Conduta: rever a dose e dosear níveis séricos; uma convulsão isolada não obriga, por si, a suspender a clozapina. Se for necessário antiepilético, usar valproato (na mulher em idade fértil, ponderar levetiracetam pelo risco teratogénico do valproato). Nunca associar carbamazepina — é mielossupressora, soma-se ao risco de agranulocitose, mascara a monitorização hematológica e reduz os níveis de clozapina por indução enzimática; a associação está contraindicada.
  • Sialorreia paradoxal — hipersalivação, sobretudo noturna, apesar do perfil anticolinérgico. Desconfortável e socialmente estigmatizante; causa frequente de abandono.
  • Sedação, hipotensão, ganho ponderal e risco metabólico elevados.

A clozapina exige titulação lenta e monitorização de sinais vitais no início. É também, apesar de tudo isto, largamente subutilizada — ver a secção de situações especiais.

Regra das 48 horas. Se o doente falhar as tomas durante ≥ 48 horas (esquecimento, internamento noutro serviço, cirurgia, doença intercorrente), não se retoma a dose anterior: perde-se a tolerância ao efeito hipotensor e a retoma da dose de manutenção pode causar hipotensão grave, bradicardia, síncope e colapso cardiovascular. Retitula-se desde 12,5 mg/dia, com medição de tensão arterial e frequência cardíaca a cada toma nos primeiros dias; a subida pode ser mais rápida do que num início de novo se a tolerância o permitir. É uma das causas evitáveis de morte associada à clozapina.


Antipsicóticos injetáveis de ação prolongada (LAI)

Formulações de libertação prolongada administradas por via intramuscular em intervalos de semanas a meses (existem formulações mensais, trimestrais e semestrais consoante a molécula).

Vantagens:

  • Removem a incerteza quanto à adesão: se o doente não vem à administração, sabe-se de imediato, o que permite intervir antes da recaída.
  • Farmacocinética mais estável, sem picos e vales.
  • Associados a redução das taxas de recaída e de reinternamento, com evidência particularmente favorável em estudos naturalísticos.

Onde usar: má adesão documentada ou provável, recaídas múltiplas, preferência do doente — e, cada vez mais, também no primeiro episódio, onde a prevenção da recaída tem maior valor prognóstico. Não é um instrumento de coerção: propõe-se, explica-se e obtém-se consentimento como para qualquer outro tratamento.

Cuidados: testar primeiro a tolerância à formulação oral da mesma molécula; contar com o intervalo até atingir níveis terapêuticos (algumas formulações exigem suplementação oral inicial ou dose de carga); um efeito adverso instalado demora semanas a resolver.


Intervenções psicossociais

São parte do tratamento, não um extra.

  • Terapia cognitivo-comportamental para a psicose (TCCp) — recomendada pela NICE (CG178) a todos os doentes. Trabalha a avaliação e o significado das experiências psicóticas, reduz o sofrimento associado às vozes e à ideação delirante e melhora as estratégias de coping. Não substitui a medicação.
  • Intervenção familiar — a mais robusta de todas em termos de prevenção de recaída. O conceito-chave é a emoção expressa: um ambiente familiar com criticismo, hostilidade ou sobre-envolvimento emocional associa-se a maior taxa de recaída. A intervenção — psicoeducação, treino de comunicação e de resolução de problemas, apoio ao cuidador — reduz a emoção expressa e as recaídas. Deve ser oferecida às famílias que vivem com o doente ou que estão em contacto próximo.
  • Reabilitação cognitiva — treino dirigido aos défices de atenção, memória de trabalho e função executiva, com maior benefício funcional quando combinada com reabilitação vocacional.
  • Emprego apoiado (individual placement and support) — colocação rápida em emprego competitivo real com apoio continuado no local de trabalho, em vez do modelo antigo de «treinar primeiro, colocar depois». É a intervenção com melhor evidência para o resultado ocupacional.
  • Treino de competências sociais, gestão de caso, apoio à habitação, e tratamento integrado das perturbações do uso de substâncias (não em serviços paralelos).
  • Promoção da saúde física — cessação tabágica, atividade física, dieta, rastreio cardiovascular. Não é secundário: é onde se ganham anos de vida.
Antipsicóticos: o que os distingue é o perfil de efeitos adversos A eficácia é semelhante entre eles (exceção: clozapina). Escolhe-se pelo perfil de adversos. EIXO 1 — EXTRAPIRAMIDAIS no topo: haloperidol, flufenazina (alta potência D2) Início Síndrome Clínica Abordagem Horas a dias Distonia aguda Crise oculógira, trismo, torcicolo Anticolinérgico IM (biperideno) Dias a semanas Acatisia Inquietude subjetiva intensa Reduzir/trocar; propranolol Semanas Parkinsonismo Bradicinesia, rigidez, tremor Reduzir dose; trocar fármaco Meses a anos Discinesia tardia Orofacial; pode ser irreversível Parar anticolinérgico; VMAT2 ! Acatisia: inquietude subjetiva, confundida com agitação psicótica. Aumentar o antipsicótico AGRAVA. Associa-se a sofrimento intenso e a risco de suicídio. EIXOS 2 A 5 — EFEITOS NÃO MOTORES Eixo Fármacos no topo Nota clínica Metabólico Olanzapina, clozapina Via principal de mortalidade precoce Hiperprolactinémia Risperidona, amissulprida Amenorreia, galactorreia, ↓ libido Sedação Quetiapina, olanzapina, clozapina Também hipotensão ortostática (α1) QTc prolongado Sertindol, ziprasidona, amissulprida > 20 ms; corrigir K⁺ e Mg²⁺; ECG basal Aripiprazol = agonista parcial D2 → prolactina ↓, mas acatisia ↑. CLOZAPINA — a única com eficácia superior Reservada à esquizofrenia resistente ao tratamento — definição a saber de cor: falência de 2 antipsicóticos, em dose e duração adequadas (≥ 6 semanas), com adesão confirmada. Os riscos que matam ou incapacitam Agranulocitose — hemograma semanal nas primeiras 18 semanas, depois espaçado; neutrófilos < 1,5 × 10⁹/L obrigam a parar. Miocardite — primeiras semanas (2.ª a 4.ª): febre, taquicardia, dispneia; vigiar troponina, PCR e FC. Íleo paralítico / obstipação grave — perguntar pelo trânsito; laxante profilático. Convulsões (dose-dependente) e sialorreia paradoxal. REGRA DAS 48 HORAS Falhar tomas ≥ 48 h → não retomar a dose anterior (perde-se a tolerância ao efeito hipotensor). Retitular desde 12,5 mg/dia, com TA e FC a cada toma nos primeiros dias. Tabagismo e clozapina — interação de alto rendimento O fumo induz o CYP1A2 e baixa os níveis de clozapina (e de olanzapina); deixar de fumar sobe-os, com risco de sedação, convulsões e toxicidade — antecipar a redução da dose.

Referências

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  5. Taylor DM, Barnes TRE, Young AH. The Maudsley Prescribing Guidelines in Psychiatry. 15th ed. Oxford: Wiley-Blackwell; 2025.
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  10. Huhn M, Nikolakopoulou A, Schneider-Thoma J, et al. Comparative efficacy and tolerability of 32 oral antipsychotics for the acute treatment of adults with multi-episode schizophrenia: a systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2019;394(10202):939-951.
  11. Correll CU, Solmi M, Veronese N, et al. Prevalence, incidence and mortality from cardiovascular disease in patients with pooled and specific severe mental illness: a large-scale meta-analysis of 3,211,768 patients and 113,383,368 controls. World Psychiatry. 2017;16(2):163-180.
  12. Boland R, Verduin ML, Ruiz P. Kaplan & Sadock's Synopsis of Psychiatry. 12th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2022.

17 perguntas sobre Esquizofrenia

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

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