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Perturbações depressivas

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 38 perguntas neste tema

Em resumo

As perturbações depressivas têm em comum o humor deprimido ou a perda de interesse e de prazer, acompanhados de sintomas cognitivos e neurovegetativos que comprometem o funcionamento. Distinguem-se pelo curso: a perturbação depressiva major, com episódio único ou recorrente; a perturbação depressiva persistente, ou distimia, que dura pelo menos 2 anos; e formas presas a um contexto, como a perturbação disfórica pré-menstrual. A depressão major atinge 10 a 20% das pessoas ao longo da vida, cerca do dobro nas mulheres, começa em média perto dos 27 anos e volta em cerca de 80% dos doentes.

O diagnóstico é clínico e não há biomarcador. Exige pelo menos cinco de nove sintomas durante 2 semanas, um deles obrigatoriamente humor deprimido ou anedonia, com compromisso funcional. Os especificadores mudam a conduta: a depressão psicótica e a catatónica não se tratam com antidepressivo isolado, e as características mistas, as atípicas, o início precoce e o pós-parto fazem suspeitar de bipolaridade. As análises servem para excluir causa orgânica ou farmacológica.

O tratamento escolhe-se pela gravidade: na depressão menos grave, intervenções psicológicas; na mais grave, a associação de psicoterapia e antidepressivo; na psicótica, antidepressivo com antipsicótico ou eletroconvulsivoterapia. O objetivo é a remissão, e o antidepressivo mantém-se pelo menos 6 meses depois dela, 2 anos ou mais quando o risco de recorrência é alto. Depois de dois antidepressivos falhados em dose e tempo adequados, fala-se em depressão resistente, com potenciação por antipsicótico atípico ou lítio, escetamina ou eletroconvulsivoterapia.

O que não se pode falhar: perguntar sempre pelo suicídio, que é mais provável nas primeiras semanas de tratamento; excluir bipolaridade antes de prescrever; nunca tratar uma depressão psicótica com antidepressivo isolado; e reconhecer a psicose puerperal como emergência.

Vulnerabilidade e stress

  • Modelo de diátese e stress: uma vulnerabilidade herdada e adquirida que os acontecimentos de vida desencadeiam.
  • Herdabilidade estimada em cerca de 37%, bem menor do que na doença bipolar ou na esquizofrenia. Concordância de cerca de 45% nos gémeos monozigóticos e de 20% nos dizigóticos.
  • Arquitetura poligénica, com muitos genes de efeito pequeno: não há teste genético diagnóstico.
  • A adversidade na infância é o fator ambiental mais sólido, e os acontecimentos de vida recentes, sobretudo as perdas, precipitam episódios.

Monoaminas e a latência do efeito

  • Serotonina, noradrenalina e dopamina participam na regulação do humor, da energia, da motivação e do prazer; a depleção aguda de triptofano faz recair doentes que tinham respondido a um inibidor seletivo da recaptação da serotonina.
  • O antidepressivo altera as monoaminas em horas, mas o efeito clínico demora semanas. A explicação mais aceite é a adaptação lenta dos recetores, com dessensibilização dos autorrecetores 5-HT1A somatodendríticos, e as alterações de plasticidade que se seguem.

Neuroplasticidade e glutamato

  • O stress crónico e o cortisol reduzem o fator neurotrófico derivado do cérebro, com perda de sinapses no hipocampo e no córtex pré-frontal; os antidepressivos e a eletroconvulsivoterapia contrariam-no.
  • A cetamina, antagonista do recetor NMDA do glutamato, tem efeito antidepressivo em horas, o que mostra que há caminhos para o efeito que não passam pela latência das monoaminas.

Eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal

  • Hipercortisolismo e falência do retrocontrolo, com não supressão do cortisol pela dexametasona, sobretudo na depressão melancólica e grave.
  • O teste não é específico e não serve de exame diagnóstico.
  • O mesmo eixo explica a depressão na síndrome de Cushing e na corticoterapia.

Inflamação

  • Num subgrupo de doentes há citocinas inflamatórias elevadas; o interferão e o fator de necrose tumoral provocam sintomas depressivos.
  • A ativação da indoleamina 2,3-dioxigenase desvia o triptofano para a via das quinureninas e reduz a síntese de serotonina.

Circuitos

  • Hiperatividade da amígdala e do cingulado subgenual, hipoatividade do pré-frontal dorsolateral e hipofunção do circuito de recompensa, que corresponde à anedonia.
  • A estimulação magnética transcraniana dirige-se ao pré-frontal dorsolateral.

Critérios do episódio depressivo major (DSM-5-TR)

  • Pelo menos 5 de 9 sintomas, presentes quase todos os dias durante pelo menos 2 semanas, e um deles tem de ser humor deprimido ou anedonia.
  • Os nove sintomas: humor deprimido; anedonia; alteração do peso ou do apetite, com variação superior a 5% do peso num mês; insónia ou hipersónia; agitação ou lentificação psicomotora observável por outros; fadiga; desvalorização ou culpa excessiva; dificuldade de concentração ou indecisão; pensamentos recorrentes de morte, ideação, plano ou tentativa de suicídio.
  • Sofrimento ou compromisso funcional significativo.
  • Não atribuível a substância nem a doença médica.
  • Nunca ter havido episódio maníaco ou hipomaníaco.

Avaliação

  1. Confirmar os critérios, a duração e o compromisso funcional.
  2. Procurar mania ou hipomania, também junto da família.
  3. Avaliar o risco de suicídio, perguntando diretamente.
  4. Excluir causa orgânica, farmacológica ou por substâncias.
  5. Identificar comorbilidades: ansiedade, álcool e outras drogas, doença física.
  6. Classificar a gravidade, que decide o tratamento.

Causas orgânicas e farmacológicas

  • Análises a pedir: hemograma, função tiroideia, glicemia, ionograma com cálcio, função renal e hepática, vitamina B12 e folato.
  • Doenças a considerar: hipotiroidismo, síndrome de Cushing, doença de Addison, doença de Parkinson, acidente vascular cerebral, esclerose múltipla, epilepsia, apneia do sono, neoplasia oculta, com destaque para o pâncreas, e infeção por VIH.
  • Fármacos e substâncias: corticoides, interferão, álcool, e a abstinência de estimulantes. O álcool por si só produz quadros depressivos que muitas vezes remitem com semanas de abstinência.
  • Neuroimagem só com sinais neurológicos focais, primeiro episódio em idade avançada sem antecedentes, ou declínio cognitivo rápido.

Sinais que apontam para doença bipolar

A verificar antes de prescrever, porque mudam o tratamento:

  • Episódio de humor elevado ou irritável com energia aumentada e menor necessidade de sono, que o doente raramente valoriza.
  • Início precoce e episódios depressivos muito recorrentes.
  • História familiar de doença bipolar.
  • Características mistas, atípicas ou psicóticas, e início no pós-parto.
  • Viragem para mania ou ciclos rápidos com antidepressivo.

Luto e depressão

LutoDepressão
Afetovazio e saudade que vêm em ondas, ligados a lembranças do falecidohumor deprimido persistente
Reatividadepreservada, com momentos de humor e de prazerperdida, com anedonia global
Autoestimapreservadadesvalorização
Culpafocada no falecido e no que ficou por fazergeneralizada
Evoluçãomelhoria progressivasem melhoria espontânea

Diagnóstico diferencial

  • Perturbação de adaptação: stressor identificável, sem critérios de episódio major.
  • Doença bipolar, sobretudo tipo II, em que a hipomania passa despercebida.
  • Perturbação por uso de álcool ou de outras substâncias.
  • Demência e défice cognitivo no idoso; a depressão pode imitar demência.
  • Perturbações de ansiedade, que muitas vezes coexistem.

Escalas

Servem para rastrear e para medir a evolução, e não fazem diagnóstico:

  • Questionário de saúde do doente com nove itens (PHQ-9, de «patient health questionnaire»): 0 a 27 pontos, com corte de rastreio a partir de 10.
  • Escala de Hamilton, aplicada pelo clínico, e inventário de Beck, de autopreenchimento.
  • Escala de depressão geriátrica no idoso, e escala de depressão pós-natal de Edimburgo no periparto.
  • Resposta: redução de pelo menos 50% da pontuação. Remissão: pontuação abaixo de 5 no PHQ-9, ou até 7 na escala de Hamilton.
Episódio depressivo major: os critérios e o que muda a conduta Critérios operacionais do DSM-5-TR e especificadores com impacto terapêutico Regra de entrada Pelo menos 5 dos 9 sintomas, no mesmo período de 2 semanas e pelo menos um tem de ser humor deprimido ou anedonia Exige ainda compromisso do funcionamento e exclusão de substância ou doença. Os nove sintomas Verde: sintomas âncora, um deles é obrigatório 1 Humor deprimido quase todos os dias 2 Anedonia perda de interesse ou prazer 3 Peso ou apetite mais de 5% do peso num mês 4 Insónia ou hipersónia despertar precoce é pista 5 Agitação ou lentificação observável por outros 6 Fadiga, perda de energia inespecífico isoladamente 7 Desvalorização ou culpa excessiva ou inapropriada 8 Menor concentração pensar e decidir custa mais 9 Pensamentos de morte ideação, plano ou tentativa ! Armadilhas frequentes Cinco sintomas sem humor deprimido nem anedonia entre eles não cumprem critérios. Dez dias de evolução também não cumprem: o limiar temporal são 2 semanas. Especificadores que mudam a conduta Especificador e achados O que muda na conduta Com características psicóticas Delírios de culpa, ruína, niilismo (Cotard) Nunca antidepressivo isolado Antipsicótico associado ou eletroconvulsivoterapia Com características melancólicas Não reatividade, despertar precoce, pioria matinal Boa resposta a eletroconvulsivoterapia e a antidepressivos; pouca ao placebo Com características atípicas Reatividade preservada, hiperfagia, hipersónia, paralisia de chumbo, sensibilidade à rejeição Primeira linha habitual Hipersónia e hiperfagia são também bandeira de bipolaridade Com características mistas 3 ou mais sintomas do polo maníaco Mais risco de evoluir para bipolar Antidepressivo com vigilância apertada Com início no periparto Na gravidez ou nas 4 semanas após o parto Avaliar segurança do lactente e excluir psicose puerperal Antes de prescrever um antidepressivo, sempre: rastrear bipolaridade (história pessoal e familiar) e rastrear causa orgânica ou farmacológica.

Rastreio

  • A força de trabalho de serviços preventivos dos Estados Unidos recomenda rastrear a depressão em todos os adultos, incluindo grávidas e puérperas, e nos adolescentes dos 12 aos 18 anos.
  • Rastrear só tem valor onde houver capacidade de confirmar o diagnóstico, tratar e seguir o doente.
  • Sequência habitual: duas perguntas sobre humor deprimido e perda de interesse nas últimas semanas, depois o PHQ-9, depois a entrevista clínica.
  • Não há evidência que sustente rastrear o risco de suicídio em adultos sem sintomas.

Periparto

  • Perguntar a todas as mulheres, pelo menos uma vez no período perinatal, por sintomas depressivos e ansiosos, e por história pessoal e familiar de doença psiquiátrica.
  • A escala de Edimburgo tem 10 itens, inclui ansiedade e exclui os sintomas somáticos comuns na gravidez. Pode usar-se na gravidez e no pós-parto.
  • O item 10 pergunta por pensamentos de autolesão: resposta positiva obriga a avaliação imediata, seja qual for o total.
  • Todas as grávidas deprimidas fazem rastreio de sintomas maníacos.

Grupos a rastrear de forma dirigida

  • Doentes crónicos: diabetes, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro, doença renal, dor crónica. A relação é nos dois sentidos, e a depressão agrava o prognóstico da doença física.
  • Depois de um acidente vascular cerebral, em que cerca de um terço dos sobreviventes tem depressão.
  • Na doença de Parkinson, em que cerca de metade tem depressão ao longo da doença.
  • Idosos isolados, viúvos, com dor ou com défices sensoriais.

Prevenção da recaída e da recorrência

  • Manter o antidepressivo depois da remissão reduz a recaída para cerca de metade.
  • A terapia cognitivo-comportamental e a terapia cognitiva baseada em mindfulness protegem da recorrência; esta última está indicada em quem já teve três ou mais episódios.
  • Os sintomas residuais são o preditor mais forte de recaída: o alvo do tratamento agudo é a remissão.

Por gravidade

O NICE (instituto britânico de excelência clínica), na norma de 2022, divide a depressão em menos grave (PHQ-9 abaixo de 16) e mais grave (16 ou mais).

GravidadePrimeira linha
Menos graveautoajuda guiada, terapia cognitivo-comportamental ou ativação comportamental, exercício em grupo, aconselhamento; antidepressivo só se for a preferência informada do doente
Mais graveassociação de terapia cognitivo-comportamental individual e antidepressivo, à cabeça das opções; em alternativa, psicoterapia ou antidepressivo isolados
Com características psicóticasreferenciação à psiquiatria; antidepressivo com antipsicótico, ou eletroconvulsivoterapia
Com catatoniabenzodiazepina (lorazepam) e, sem resposta, eletroconvulsivoterapia
Risco de vida imediato (suicídio iminente, recusa alimentar)eletroconvulsivoterapia como primeira escolha

Escolha do antidepressivo

  • As diferenças de eficácia entre antidepressivos são pequenas: escolhe-se pelos efeitos adversos, pelas interações, pela comorbilidade, pela resposta anterior e pela preferência.
  • Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina são a primeira escolha habitual, pela tolerabilidade e pela segurança em sobredosagem.
  • Abaixo dos 25 anos, a fluoxetina e a agomelatina têm o equilíbrio mais favorável; acima dos 65, os inibidores da recaptação da serotonina e da noradrenalina, como a duloxetina, podem ser mais eficazes.
FármacoQuando se prefereO que vigiar
Sertralina, escitalopramprimeira linha habitual; sertralina na doença cardíacanáusea, disfunção sexual, hemorragia digestiva com anti-inflamatórios, hiponatremia
Fluoxetinaadolescente e adulto jovemsemivida longa, inibe o CYP2D6; esperar 5 semanas depois de a suspender antes de um inibidor da monoaminoxidase
Venlafaxina, duloxetinador associada, idososubida da tensão arterial com a venlafaxina; descontinuação marcada
Mirtazapinainsónia, perda de apetite, pouca disfunção sexualsedação e aumento de peso
Bupropionaquando a disfunção sexual pesabaixa o limiar convulsivo: evitar na epilepsia e nas perturbações do comportamento alimentar
Agomelatinapouca disfunção sexual e poucos sintomas de descontinuaçãotransaminases antes de começar e às 3, 6, 12 e 24 semanas; suspender acima de 3 vezes o limite superior; não usar a partir dos 75 anos
Vortioxetinaqueixas cognitivasnáusea
Tricíclicoslinhas seguintes, dortóxicos em sobredosagem; evitar com risco de suicídio, na doença cardíaca e no idoso
Moclobemidainibidor reversível da monoaminoxidase Anão associar a outros serotoninérgicos
  • As benzodiazepinas não tratam a depressão; entram só por pouco tempo, para a ansiedade ou a insónia do início, com data de fim.

Cronologia do tratamento agudo

  • A primeira revisão faz-se habitualmente nas 2 semanas seguintes; na 1.ª semana se o doente tiver entre 18 e 25 anos ou houver risco de suicídio.
  • A melhoria inicial, de pelo menos 20% nas primeiras 2 a 4 semanas, prevê a resposta.
  • Sem resposta nenhuma às 4 semanas em dose terapêutica, rever a adesão, o diagnóstico e as comorbilidades, e depois subir a dose ou trocar; na psicoterapia ou na associação espera-se 4 a 6 semanas.
  • Cerca de metade responde a um primeiro antidepressivo e cerca de um terço entra em remissão.

Duração

  • Manter o antidepressivo na dose que levou à remissão durante pelo menos 6 meses depois dela (o NICE diz pelo menos 6 meses; a rede canadiana para o tratamento do humor e da ansiedade, CANMAT, na norma de 2023, diz 6 a 12 meses).
  • Com fatores de risco de recorrência, manter 2 anos ou mais: episódios repetidos ou recentes, sintomas residuais, episódio grave, início precoce, comorbilidade.
  • Suspender com redução gradual da dose.

Depressão resistente

Define-se, na forma mais usada, pela falta de resposta a dois ou mais antidepressivos em dose e duração adequadas.

  1. Excluir a falsa resistência: dose ou tempo insuficientes, má adesão, doença bipolar não reconhecida, álcool ou drogas, doença orgânica, comorbilidade psiquiátrica.
  2. Otimizar a dose ou trocar de fármaco.
  3. Associar: um antipsicótico atípico (aripiprazol, com a melhor evidência; quetiapina, olanzapina, risperidona), o lítio ou a tri-iodotironina, ou um segundo antidepressivo de outra classe, como a mirtazapina.
  4. Escetamina, eletroconvulsivoterapia, estimulação magnética transcraniana.

Lítio como potenciação

  • Litemia 12 horas depois da última toma; na potenciação o alvo habitual é de pelo menos 0,4 mmol/L e não deve passar de 1,0 mmol/L; no doente com 65 anos ou mais, 0,4 a 0,6.
  • Litemia uma semana depois de começar e de cada mudança de dose, semanal até estabilizar, depois de 3 em 3 meses no primeiro ano e de 6 em 6 meses a seguir.
  • Peso, função renal, tiroideia e cálcio antes de começar e pelo menos de 6 em 6 meses.
  • Sobe com anti-inflamatórios, diuréticos tiazídicos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina, desidratação, vómitos e diarreia. Diarreia, vómitos, tremor grosseiro, ataxia, disartria ou confusão sugerem intoxicação.

Escetamina

  • Em spray nasal, associada a um antidepressivo, na depressão resistente, ou a curto prazo quando a depressão constitui uma emergência psiquiátrica.
  • Prescrita por psiquiatra e administrada sob supervisão num serviço de saúde; tensão arterial antes e cerca de 40 minutos depois, e vigilância até o doente estar clinicamente estável, pela dissociação, sedação e subida da tensão arterial.

Eletroconvulsivoterapia

  • A taxa de resposta ronda os 70%, o tratamento mais eficaz na depressão grave; um ciclo tem habitualmente 6 a 12 sessões.
  • Indicações: risco de vida pela recusa alimentar ou pelo risco de suicídio, depressão psicótica, catatonia, resistência a outros tratamentos, resposta anterior, e a grávida com depressão grave.
  • O principal efeito adverso é cognitivo, sobretudo amnésia transitória. Os riscos são sobretudo os da anestesia.
  • Recai-se muito depois de um ciclo, pelo que se segue tratamento de manutenção; o lítio associado a um antidepressivo protege.

Outros tratamentos

  • Fototerapia com luz de 10 000 lux, cerca de 30 minutos de manhã, na depressão sazonal.
  • Exercício físico e ativação comportamental em todas as gravidades.

Tratamento involuntário e eletroconvulsivoterapia em Portugal

  • A Lei n.º 35/2023 (Lei da Saúde Mental) revogou a Lei n.º 36/98 e fala de tratamento involuntário, em ambulatório como regra.
  • Pressupostos cumulativos: doença mental; recusa do tratamento prescrito; perigo para bens jurídicos pessoais ou patrimoniais de terceiros, ou do próprio quando não tem discernimento para avaliar o consentimento; e a finalidade do tratamento. Tem de ser a única forma de garantir o tratamento, adequado e proporcional.
  • A decisão é judicial. No internamento de urgência o juiz decide em 48 horas, e a revisão é obrigatória ao fim de 2 meses.
  • A eletroconvulsivoterapia exige consentimento escrito. Em tratamento involuntário, só se for a melhor alternativa e com confirmação por dois psiquiatras além do que a prescreve.

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