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Suicídio e comportamentos autolesivos

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 17 perguntas neste tema

Em resumo

O suicídio é a morte causada por um ato autoinfligido, iniciado com conhecimento ou expectativa do desfecho fatal. A tentativa de suicídio é o mesmo ato com alguma intenção de morrer, sem morte; a autolesão sem intenção suicida é o dano deliberado ao próprio corpo, típico da adolescência, que serve para aliviar sofrimento e não para morrer. Os três estão ligados: depois de um episódio de autolesão, o risco de suicídio no ano seguinte é dezenas de vezes o da população.

Em Portugal a taxa foi de 9,7 por 100 000 habitantes em 2022, cerca de três vezes e meia mais alta nos homens e máxima depois dos 75 anos. O enforcamento é o método de cerca de metade dos suicídios; nas tentativas e na autolesão que chegam ao hospital domina a intoxicação medicamentosa, e o grupo mais atingido é o dos jovens. Cerca de 90% dos que morrem por suicídio têm perturbação mental, sobretudo depressão, perturbação do uso de álcool, perturbação da personalidade e esquizofrenia, e 40 a 60% tinham uma tentativa prévia.

Avaliar começa por perguntar: questionar diretamente sobre ideação suicida não aumenta o risco. A entrevista vai da desesperança ao plano, ao acesso a meios e à intenção, junta a informação da família e repete-se com o doente sóbrio. Nenhuma escala prevê quem vai morrer, e a decisão assenta numa formulação do risco e das necessidades, não num rótulo de risco baixo, médio ou alto.

O tratamento junta segurança imediata, um plano de segurança escrito com o doente, a restrição do acesso a meios letais, o tratamento da doença de base, em que o lítio na doença bipolar e a clozapina na esquizofrenia têm efeito próprio sobre o comportamento suicidário, e seguimento precoce, porque as semanas a seguir à alta de um internamento psiquiátrico são as de maior risco. O tratamento involuntário, regido pela Lei de Saúde Mental, só cabe quando há doença mental, recusa de tratamento e perigo, e o perigo apenas para o próprio só conta se faltar ao doente o discernimento para consentir.

No adolescente que se autolesiona, a resposta é uma avaliação psicossocial feita por quem sabe de saúde mental da infância e adolescência, o envolvimento da família e uma intervenção psicológica; não há fármaco para a autolesão. O que não se pode falhar é desvalorizar um episódio «que não era para morrer», decidir com o doente intoxicado e dar alta sem plano, sem conversa sobre meios e sem consulta marcada.

Referências

  1. Harrison P, Cowen P, Burns T, Fazel M. Suicide and deliberate self-harm. In: Shorter Oxford textbook of psychiatry. 7th ed. Oxford: Oxford University Press; 2018. p. 609-31.
  2. National Institute for Health and Care Excellence. Self-harm: assessment, management and preventing recurrence. NICE guideline NG225. London: NICE; 2022.
  3. Instituto Nacional de Estatística. Taxa de mortalidade por lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) por 100 000 habitantes, por sexo e grupo etário (indicador 0003736). Lisboa: INE; 2024 [dados de 2019 a 2022].
  4. Ordem dos Psicólogos Portugueses. Prevenção do suicídio: intervenções e políticas públicas efetivas. Contributo científico. Lisboa: OPP; 2024.
  5. Lei n.º 35/2023, de 21 de julho. Lei da Saúde Mental. Diário da República, 1.ª série. 2023;141.
  6. Lei n.º 45/2004, de 19 de agosto. Regime jurídico das perícias médico-legais e forenses (redação atual). Diário da República, 1.ª série-A. 2004.
  7. Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. Lançamento da Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico 1411. Lisboa: SPMS; 2025.
  8. INFARMED. Leponex (clozapina): informações essenciais compatíveis com o resumo das características do medicamento. Lisboa; 2023.
  9. European Medicines Agency. Spravato (escetamina): resumo das características do medicamento. Amesterdão: EMA; 2021.
  10. Cipriani A, Hawton K, Stockton S, Geddes JR. Lithium in the prevention of suicide in mood disorders: updated systematic review and meta-analysis. BMJ. 2013;346:f3646.
  11. Stanley B, Brown GK. Safety planning intervention: a brief intervention to mitigate suicide risk. Cogn Behav Pract. 2012;19(2):256-64.
  12. Turecki G, Brent DA, Gunnell D, O'Connor RC, Oquendo MA, Pirkis J, et al. Suicide and suicide risk. Nat Rev Dis Primers. 2019;5(1):74.

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