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Perturbações da personalidade e comportamento do adulto

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

As perturbações da personalidade são padrões duradouros, pervasivos e inflexíveis de pensar, sentir, relacionar-se e controlar os impulsos, que se afastam do que a cultura da pessoa espera, começam na adolescência ou no início da idade adulta e causam sofrimento ou compromisso do funcionamento. Não são episódios: são a forma habitual de a pessoa estar no mundo, e por isso nunca se diagnosticam a partir de um estado agudo como uma depressão, uma intoxicação ou uma crise.

Atingem cerca de 4 a 16% da população geral e uma proporção muito maior de quem está em contacto com os serviços de saúde mental. O DSM-5-TR descreve dez tipos em três agrupamentos (A, estranhos e excêntricos; B, dramáticos e erráticos; C, ansiosos e temerosos), enquanto a CID-11 abandonou os tipos e faz um diagnóstico único graduado pela gravidade, com domínios de traços e um padrão borderline.

As duas que mais pesam na prática são do agrupamento B. A borderline define-se pela instabilidade das relações, da identidade e do afeto, com impulsividade e autolesão recorrente; o diferencial que mais engana é a perturbação bipolar, e separa-os o humor reativo que muda em horas contra o episódio autónomo de dias a semanas. A antissocial é o desrespeito persistente pelos direitos dos outros, só se diagnostica a partir dos 18 anos e exige perturbação do comportamento antes dos 15.

O tratamento é psicológico e estruturado: na borderline, terapia comportamental dialética, terapia baseada na mentalização ou um modelo generalista bem organizado; os fármacos não tratam a perturbação e ficam para a comorbilidade e para a crise curta. O que não se pode falhar é o risco de suicídio, que é real e não manipulação, e a iatrogenia evitável: benzodiazepinas, polimedicação e internamentos prolongados.

Sob o mesmo título da classificação ficam outras perturbações do comportamento do adulto: as do controlo dos impulsos (piromania, cleptomania, explosiva intermitente), o jogo patológico, que a CID-11 passou para as dependências comportamentais, e as perturbações parafílicas, em que o interesse sexual atípico só é doença quando causa sofrimento ou envolve quem não consente.

Referências

  1. Harrison P, Cowen P, Burns T, Fazel M. Shorter Oxford Textbook of Psychiatry. 7th ed. Oxford: Oxford University Press; 2018. Chapter 13, Eating, sleep, and sexual disorders; Chapter 15, Personality and personality disorder.
  2. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022.
  3. World Health Organization. International Classification of Diseases, 11th Revision (ICD-11) for Mortality and Morbidity Statistics: 6D10 Personality disorder; 6D11 Prominent personality traits or patterns; 6C70-6C73 Impulse control disorders; 6C50 Gambling disorder; 6D30-6D36 Paraphilic disorders. Geneva: WHO; 2024.
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Borderline personality disorder: recognition and management. Clinical guideline CG78. London: NICE; 2009.
  5. National Institute for Health and Care Excellence. Antisocial personality disorder: prevention and management. Clinical guideline CG77. London: NICE; 2009 (atualizada em 2013).
  6. Bach B, First MB. Application of the ICD-11 classification of personality disorders. BMC Psychiatry. 2018;18:351.
  7. Bateman AW, Gunderson J, Mulder R. Treatment of personality disorder. Lancet. 2015;385(9969):735-743.

11 perguntas sobre Perturbações da personalidade e comportamento do adulto

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