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Intoxicações e acidentes

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

As intoxicações da criança têm duas caras. Entre o primeiro e o quinto ano são acidentais: um só tóxico, em casa, em pequena quantidade, com a criança levada à urgência pouco depois e quase sempre sem gravidade. No adolescente são intencionais, com vários tóxicos, álcool e drogas, chegada tardia e mais risco de vida. O paracetamol é o tóxico mais frequente, e há fármacos de adulto que matam um lactente com um só comprimido.

A abordagem é a mesma para todas: primeiro o ABCDE e a glicemia capilar, depois o tóxico, a dose e a hora, e o telefonema para o Centro de Informação Antivenenos do INEM (800 250 250). Os exames pedem-se quando o tóxico é desconhecido ou o quadro é grave, e aí dosear o paracetamol e os salicilatos, fazer o eletrocardiograma e calcular os hiatos aniónico e osmolar orienta a pesquisa. O carvão ativado é a única descontaminação digestiva de uso regular, sobretudo na primeira hora; a lavagem gástrica quase nunca se faz e o vómito provocado foi abandonado.

Os antídotos são poucos e cada um tem a sua regra: N-acetilcisteína no paracetamol, a decidir pelo nível às 4 horas ou logo, depois das 8 horas; desferroxamina no ferro com toxicidade sistémica; naloxona nos opioides; flumazenil com muitas reservas nas benzodiazepinas; bicarbonato de sódio no QRS largo dos tricíclicos; oxigénio a 100% no monóxido de carbono; hidroxocobalamina no cianeto dos incêndios. Nos cáusticos não se faz nada pela boca e decide a endoscopia; nos hidrocarbonetos o perigo é a aspiração.

Os acidentes são a maior causa de morte de crianças e jovens em Portugal. Na urgência, a pilha de botão encravada no esófago tem de sair em 2 horas; nas queimaduras contam-se só as de segundo e terceiro graus, e metade dos fluidos entra nas primeiras 8 horas contadas desde a queimadura; no afogamento começa-se por ventilar.

O que não se pode falhar é o comprimido de adulto que mata um lactente, o flumazenil dado a quem tomou tricíclicos, a criança com lesão por cáusticos e boca intacta, a saturação periférica normal no monóxido de carbono, a queimadura em luva que é maus-tratos e o adolescente que sai da urgência sem avaliação do risco suicidário.

Referências

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16 perguntas sobre Intoxicações e acidentes

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