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Desidratação

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

A desidratação é o défice de água corporal, quase sempre acompanhado de perda de sódio e de potássio. Na criança a causa esmagadora é a gastrenterite aguda, e o lactente é quem desidrata mais depressa: renova por dia uma fração maior da sua água, perde mais pela pele e depende de outros para beber. Vómitos de causa cirúrgica, cetoacidose diabética, insuficiência suprarrenal, fibrose quística, diabetes insípida e amamentação ineficaz no recém-nascido também lá chegam, e são estes que não se podem tomar por gastrenterite.

Classifica-se em dois eixos. A gravidade, estimada pela percentagem de peso perdido, divide-se em nenhuma ou mínima (menos de 3%), ligeira a moderada (3 a 9%) e grave (mais de 9%), e decide a via e o volume. A natremia divide-a em isonatrémica, a mais frequente, hiponatrémica e hipernatrémica, e decide o fluido e a velocidade de correção. Sem peso recente, a gravidade estima-se por um conjunto de sinais, dos quais os mais úteis são o preenchimento capilar, a prega cutânea e o padrão respiratório; a hipotensão é tardia.

O tratamento de primeira linha é a reidratação oral com solução de osmolaridade reduzida, 50 a 100 mL/kg em 3 a 4 horas, mesmo com vómitos, e a realimentação precoce. A sonda nasogástrica vem antes da via endovenosa. No choque dá-se um bólus de 10 mL/kg de cristaloide isotónico e reavalia-se depois de cada um; a manutenção endovenosa faz-se com fluidos isotónicos com glicose.

O que não se pode falhar é o choque compensado que passa por criança sossegada, a hipernatremia corrigida depressa, que dá edema cerebral, a hiponatremia causada por fluidos hipotónicos, e a causa não gastrintestinal escondida atrás de uns vómitos.

Compartimentos

  • Dois terços da água corporal estão dentro das células e um terço fora; do líquido extracelular, três quartos são intersticiais e um quarto é plasma.
  • A diarreia e os vómitos drenam o líquido extracelular: é por isso que a perfusão sofre cedo e que os sinais clássicos (olhos encovados, fontanela deprimida, falta de lágrimas) são sinais do espaço extracelular.

Diarreia infeciosa

  • Secretora: o enterócito secreta cloro e água com a mucosa íntegra; não cede com o jejum.
  • Osmótica: solutos por absorver, sobretudo dissacarídeos quando se perdem as enzimas da bordadura em escova, retêm água no lúmen.
  • O rotavírus junta as duas. Destrói os enterócitos maduros das vilosidades do delgado proximal, e a perda de epitélio absortivo com proliferação das células secretoras das criptas dá diarreia secretora; a perda da lactase dá diarreia osmótica. Em estudos em ratinhos, a proteína não estrutural NSP4 do rotavírus funciona como enterotoxina e soma secreção, e o vírus ativa ainda o sistema nervoso entérico.

Porque funciona a reidratação oral

  • O cotransportador de sódio e glicose (SGLT1) da bordadura em escova mantém-se funcional na diarreia. A glicose arrasta o sódio e a água segue-o.
  • Por isso a solução tem glicose e sódio em concentrações próximas. As soluções de osmolaridade reduzida reduzem o débito fecal, os vómitos e a necessidade de fluidos endovenosos em relação à fórmula clássica.
soluçãosódio (mmol/L)osmolaridade (mOsm/L)
Organização Mundial da Saúde, 1975 (clássica)90311
Organização Mundial da Saúde, 2002 (osmolaridade reduzida)75245
ESPGHAN (sociedade europeia de gastrenterologia, hepatologia e nutrição pediátrica)60240
  • Refrigerantes e sumos têm muito açúcar, osmolaridade alta e quase nenhum sódio: o sumo de maçã tem cerca de 730 mOsm/L e menos de 1 mmol/L de sódio, e um refrigerante de cola cerca de 650 mOsm/L e 1,6 mmol/L. Aumentam a diarreia e favorecem a hiponatremia. O caldo de galinha tem sódio a mais e favorece a hipernatremia.

Resposta compensatória

  • A queda do volume circulante dá taquicardia, vasoconstrição periférica, oligúria com urina concentrada e sede.
  • A criança mantém a pressão arterial à custa da vasoconstrição durante muito tempo: a hipotensão é tardia, marca a passagem a choque descompensado e pode corresponder a défices acima de 10%.

Natremia

tiposódio (mmol/L)o que se perde maisespaço mais atingidoo que domina
Isonatrémica130 a 150água e sódio em proporçãoextracelularhipovolemia
Hiponatrémicaabaixo de 130mais sódio do que águaextracelularhipovolemia precoce, risco de choque; convulsões
Hipernatrémicaacima de 150mais água do que sódiointracelularsinais neurológicos; a hipovolemia é subestimada
  • Hiponatremia: a água passa para as células, o que esvazia ainda mais o espaço extracelular e incha o cérebro. Agrava-se quando as perdas são repostas com água, sumos ou fluidos hipotónicos.
  • Hipernatremia: a água sai das células e o volume extracelular preserva-se à custa delas, pelo que os sinais de desidratação ficam mascarados. Os neurónios defendem-se produzindo osmoles idiogénicos; se o sódio desce depressa, a água volta a entrar e dá edema cerebral.

Distúrbios associados

  • Acidose metabólica, pela perda de bicarbonato nas fezes, pela hipoperfusão e pela cetose do jejum.
  • Hipocaliemia, pelo potássio perdido na diarreia.
  • Hipoglicemia, mais frequente na gastrenterite por rotavírus.

Grau de desidratação

  • O padrão de referência é a percentagem de peso perdido em relação a um peso recente. Pesar sempre, também para seguir a resposta.
  • Sem esse peso, estima-se por um conjunto de sinais, nunca por um só. A classificação em três grupos é a base do tratamento.
sinalnenhuma ou mínima (menos de 3%)ligeira a moderada (3 a 9%)grave (mais de 9%)
Estado mentalbem, alertanormal, cansada ou inquieta, irritávelapática, letárgica, inconsciente
Sedebebe normalmente, pode recusar líquidoscom sede, ávidabebe mal ou não consegue
Frequência cardíacanormalnormal a aumentadataquicardia, com bradicardia nos casos mais graves
Pulsosnormaisnormais a diminuídosfracos, filiformes ou impalpáveis
Respiraçãonormalnormal ou rápidaprofunda
Olhosnormaisligeiramente encovadosmuito encovados
Lágrimaspresentesdiminuídasausentes
Boca e línguahúmidassecasmuito secas
Prega cutânearetorno imediatoretorno em menos de 2 segundosretorno em mais de 2 segundos
Preenchimento capilarnormalprolongadoprolongado
Extremidadesquentesfrescasfrias, marmoreadas, cianosadas
Diuresenormal a diminuídadiminuídamínima
  • Os três sinais isolados mais úteis são o preenchimento capilar prolongado, a prega cutânea e o padrão respiratório anormal.
  • Os sinais clínicos têm concordância apenas razoável a moderada entre observadores.
  • Os relatos dos pais são pouco específicos, mas uma diurese normal relatada torna a desidratação menos provável.

Exames

  • Na desidratação ligeira a moderada que se trata por via oral não se pedem análises.
  • Ionograma, função renal, glicemia e gasometria: em toda a desidratação grave, em toda a criança que vai fazer fluidos endovenosos, na suspeita de hipernatremia, no choque e na desidratação moderada em que a história e o exame não batem certo. A natremia muda a velocidade a que se dão os fluidos.
  • Glicemia capilar logo à entrada na criança que vai fazer fluidos endovenosos.
  • Estudo das fezes só em situações selecionadas (imunodeprimido, diarreia com sangue, surto, viagem); a investigação da causa infeciosa está em Gastrenterite aguda.

Diagnóstico diferencial

entidadeo que a distingue
Estenose hipertrófica do pilorovómitos em jato não biliosos depois das mamadas, com fome logo a seguir, a começar entre as 2 e as 4 semanas; alcalose hipoclorémica e hipocaliémica, que é tardia
Invaginação intestinalvómitos alternados com letargia, fezes com sangue
Cetoacidose diabéticapoliúria e polidipsia prévias, respiração profunda, hiperglicemia e cetose
Insuficiência suprarrenal, hiperplasia suprarrenal congénitavómitos e mau estado geral no lactente, hiponatremia com hipercaliemia, hipoglicemia, acidose
Diabetes insípidapoliúria com urina diluída apesar da hipernatremia
Fibrose quísticadesidratação com perda de sal no suor e alcalose metabólica hipoclorémica e hipocaliémica
Infeção urinária, meningite, sépsisfebre, vómitos e prostração desproporcionada à desidratação
Doença metabólica hereditáriavómitos em jato, letargia, perda de peso
Desidratação na criança: graduação clínica e reidratação Percentagem de peso perdido; um peso recente, quando existe, é o padrão de referência. Sinal Mínima (menos de 3%) Ligeira a moderada (3 a 9%) Grave (mais de 9%) Estado de consciência Alerta Inquieta ou irritável Letárgica ou inconsciente Sede Bebe normalmente Com sede, ávida Bebe mal ou não consegue Olhos Normais Ligeiramente encovados Muito encovados Lágrimas Presentes Diminuídas Ausentes Boca e língua Húmidas Secas Muito secas Prega cutânea Retorno imediato Retorno em menos de 2 s Retorno em mais de 2 s Preenchimento capilar Normal Prolongado Prolongado Diurese Normal a diminuída Diminuída Mínima Frequência cardíaca Normal Normal a aumentada Taquicardia, pulso fraco ! A hipotensão é sinal tardio na criança: a taquicardia e a má perfusão periférica surgem antes. Sinais isolados mais úteis: preenchimento capilar, prega cutânea e padrão respiratório. Reidratação Primeira linha: solução de reidratação oral de osmolaridade reduzida (sódio 60 a 75 mmol/L). Ligeira a moderada: 50 a 100 mL/kg em 3 a 4 horas, mais as perdas que se mantêm. Os vómitos não contraindicam a via oral: 5 mL de cada vez, a cada 5 minutos, a aumentar. Se a via oral falha e não há choque, sonda nasogástrica antes da via endovenosa. Choque: bólus de 10 mL/kg de cristaloide isotónico, com reavaliação depois de cada bólus. Fluidos endovenosos de manutenção isotónicos e com glicose, nunca hipotónicos. Manter o aleitamento e retomar a dieta habitual para a idade nas primeiras 4 a 6 horas. Refrigerantes, sumos e bebidas desportivas não servem: muito açúcar e pouco sódio. Hipernatremia Sódio acima de 150 mmol/L: o líquido extracelular preserva-se à custa das células, a prega é pouco evidente, e a descida rápida do sódio causa edema cerebral: no máximo 0,5 mmol/L por hora.

Em casa

  • Ter solução de reidratação oral em casa e começá-la logo que a gastrenterite começa reduz as complicações e as idas ao médico.
  • Repor as perdas enquanto duram: cerca de 10 mL/kg por dejeção líquida e 2 mL/kg por vómito.
  • Não usar refrigerantes, sumos, bebidas desportivas, chá, caldos nem soluções caseiras de açúcar e sal, pelo risco de erro na preparação.
  • Manter o aleitamento e não diluir a fórmula.
  • Ensinar os sinais que obrigam a voltar: recusa de líquidos, vómitos persistentes, sonolência, muito pouca urina, fezes com sangue.

Evitar o contágio

  • Lavagem das mãos com água e sabão depois de mudar a fralda e antes de preparar alimentos. Contra o norovírus a solução alcoólica não substitui a água e sabão.
  • Afastamento da creche e da escola até 48 horas depois de os sintomas pararem.
  • O aleitamento materno predominante reduz o risco de gastrenterite no lactente pequeno.

Vacina contra o rotavírus

  • Oral, viva atenuada, a começar a partir das 6 semanas e dentro das janelas de idade de cada vacina.
  • Contraindicações: imunodeficiência grave, incluindo a combinada grave, antecedente de invaginação e malformação intestinal que a predisponha.
  • Em Portugal está no Programa Nacional de Vacinação só para grupos de risco (Norma 007/2021 da DGS); nas restantes crianças existe no mercado, fora do programa. Esquemas e grupos em Gastrenterite aguda.

No hospital

  • A hiponatremia adquirida no hospital previne-se usando fluidos isotónicos de manutenção e medindo o sódio na criança que faz fluidos endovenosos.
  • No recém-nascido, pesar na primeira semana: perder mais de 10% do peso de nascimento obriga a rever a amamentação e a pedir ionograma para excluir desidratação hipernatrémica.

Via e volume conforme o grau

graureidrataçãoperdas mantidas
Nenhuma ou mínimanão há défice a repor; manter a alimentaçãosolução de reidratação oral, 10 mL/kg por dejeção e 2 mL/kg por vómito
Ligeira a moderadasolução de reidratação oral, 50 a 100 mL/kg em 3 a 4 horasidem
Grave ou choquevia endovenosa ou intraóssea; depois, reidratação oral logo que possívelidem; por sonda nasogástrica se não conseguir beber

Reidratação oral

  • Solução de osmolaridade reduzida como primeira linha; na desidratação ligeira a moderada tem a mesma eficácia da via endovenosa, com menos complicações e internamentos mais curtos.
  • Técnica: 5 mL de cada vez, com colher ou seringa, a cada 5 minutos, aumentando conforme a tolerância. Os vómitos não a contraindicam.
  • Na hipernatremia a reposição oral é mais lenta, em cerca de 12 horas.
  • Ondansetrom em dose oral única antes de começar, se os vómitos impedem a reidratação: 2 mg abaixo de 15 kg, 4 mg entre 15 e 30 kg, 8 mg acima de 30 kg. Reduz a necessidade de fluidos endovenosos e o internamento, à custa de algum aumento da diarreia.
  • Contraindicam a via oral: instabilidade hemodinâmica, alteração do estado de consciência, íleo e doença que impeça a absorção intestinal.

Sonda nasogástrica

  • Quando a via oral não é possível e não há choque, a sonda nasogástrica vem antes da endovenosa: menos efeitos adversos graves e internamentos mais curtos.
  • Esquema rápido, 40 a 50 mL/kg em 3 a 6 horas, ou em 24 horas; são igualmente eficazes.

Choque

  • Acesso venoso ou intraósseo sem demora.
  • Bólus de 10 mL/kg de cristaloide isotónico, de preferência equilibrado (lactato de Ringer), ou soro fisiológico se não houver, e reavaliar depois de cada bólus, à procura de melhoria e de sinais de sobrecarga. Repete-se enquanto for preciso.
  • É o que recomendam hoje o ERC (conselho europeu de ressuscitação, 2025) e o NICE (instituto nacional de saúde e excelência clínica do Reino Unido). As orientações de gastrenterite de 2014 propunham bólus de 20 mL/kg; a prática atual prefere bólus menores e repetidos, com reavaliação entre eles.
  • Glicemia capilar de imediato; se estiver abaixo de 50 mg/dL, glicose a 10%, 2 a 3 mL/kg.
  • Sem resposta aos bólus, pensar noutra causa de choque (sépsis, cardiogénico, insuficiência suprarrenal, doença metabólica).

Via endovenosa sem choque

  • Indicações: desidratação grave, alteração da consciência ou acidose grave, falência ou agravamento apesar da via oral ou da sonda, vómitos persistentes apesar de técnica correta, distensão abdominal com íleo.
  • Reidratação endovenosa rápida: soro fisiológico a 20 mL/kg por hora durante 2 a 4 horas, com glicose, e passagem à via oral assim que possível. Esquemas ultrarrápidos não trazem vantagem. Não se usa no choque, abaixo dos 6 meses, acima de 10% de défice, com sódio fora de 130 a 150 mmol/L, na diarreia com mais de 7 dias nem na doença de base cardíaca, renal ou diabética.
  • Reidratação clássica: soma das necessidades basais, do défice e das perdas mantidas.
    • Necessidades basais (Holliday e Segar): 100 mL/kg por dia nos primeiros 10 kg, 50 mL/kg por dia dos 10 aos 20 kg e 20 mL/kg por dia acima dos 20 kg.
    • Défice: a percentagem de desidratação multiplicada por 10 e pelo peso em quilos dá o défice em mililitros; 10 kg com 7% são 700 mL.
    • Isonatrémica: défice reposto em 24 horas.
  • Fluido: soluções isotónicas (sódio de 131 a 154 mmol/L), com glicose depois de restaurado o volume. Nunca hipotónicas na reidratação, pelo risco de hiponatremia.
  • Potássio só depois de a criança urinar e de conhecido o ionograma: habitualmente 20 mEq/L de cloreto de potássio, sem passar de 40 mEq/L no soro nem de 0,3 mEq/kg por hora.
  • A acidose corrige-se em regra com a reidratação; bicarbonato só na acidose grave, com pH abaixo de 7,15.

Disnatremias

hipernatrémicahiponatrémica sintomática
Viaa oral com solução de osmolaridade reduzida é eficaz e seguraendovenosa
Fluidosoro fisiológico para o défice e a manutençãocloreto de sódio a 3%, 2 a 5 mL/kg em 10 a 15 minutos, até cederem os sintomas ou o sódio chegar a 120 mmol/L
Velocidadepor via endovenosa, défice em 48 horas ou mais; o sódio desce no máximo 0,5 mmol/L por hora e 12 mmol/L em 24 horasdepois, subida do sódio de 0,5 mmol/L por hora e 12 mmol/L por dia no máximo
Vigilânciasódio com frequência, de hora a hora no iníciosódio de hora a hora no início
  • Não se trata uma encefalopatia hiponatrémica aguda só com restrição de fluidos.

Internamento

  • Choque; desidratação grave (mais de 9%); alterações neurológicas; vómitos incoercíveis ou biliosos; falência da reidratação oral; suspeita de doença cirúrgica; falta de condições para vigiar em casa.

Alimentação

  • O aleitamento materno nunca se interrompe, nem durante a reidratação.
  • A dieta habitual para a idade retoma-se nas primeiras 4 a 6 horas, sem diluir o leite nem fazer dietas restritivas.
  • Loperamida não se recomenda. Antibiótico, probióticos e outros fármacos da gastrenterite estão em Gastrenterite aguda.

Referências

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  11. Centers for Disease Control and Prevention. Preventing norovirus. Atlanta: CDC; 2024.

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