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Alergia medicamentosa na criança

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 9 perguntas neste tema

Em resumo

Quase todas as crianças rotuladas de alérgicas a um fármaco não o são. Cerca de 10% dos pais dizem que o filho é alérgico a um medicamento, sobretudo à amoxicilina, mas depois do estudo confirma-se uma pequena minoria. O cenário típico é o exantema que aparece ao fim de alguns dias de antibiótico numa criança com uma infeção viral: a causa é quase sempre o vírus, e o rótulo que fica leva a antibióticos piores, a mais resistências e a mais infeções por Clostridioides difficile.

A alergia medicamentosa é a hipersensibilidade a um fármaco com mecanismo imunológico. A cronologia orienta: a reação imediata, em minutos a 1 hora, é mediada por IgE e vai da urticária à anafilaxia; a não imediata, horas a dias depois, é mediada por linfócitos T e vai do exantema maculopapular benigno às reações cutâneas graves. Os betalactâmicos e os anti-inflamatórios não esteroides são os fármacos mais implicados. Na alergia aos betalactâmicos a reatividade cruzada depende da cadeia lateral e não do anel, e entre penicilinas e cefalosporinas é de 1 a 2%. Nos anti-inflamatórios predomina a intolerância cruzada por inibição da ciclo-oxigenase 1.

O diagnóstico faz-se com a história, os testes cutâneos quando têm valor e a prova de provocação, que é o padrão de referência. Na criança com uma reação cutânea ligeira e tardia, sem sinais de alarme, faz-se a prova de provocação oral direta, sem testes cutâneos. Na fase aguda da anafilaxia colhe-se triptase, que se compara com um valor basal.

O tratamento é suspender o fármaco e tratar a reação: na anafilaxia, adrenalina intramuscular sem demora. Depois evita-se o fármaco confirmado, escolhe-se uma alternativa segura, regista-se a alergia no Catálogo Português de Alergias e outras Reações Adversas e, quando a prova é negativa, retira-se o rótulo.

O que não se pode falhar: dor na pele, bolhas, mucosas atingidas, febre alta ou eosinofilia num exantema medicamentoso anunciam a síndrome de Stevens-Johnson, a necrólise epidérmica tóxica ou a reação a fármaco com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS). Suspende-se de imediato o fármaco, interna-se a criança e nunca mais se volta a dar o fármaco para confirmar.

Referências

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