Programa nacional de saúde infantil e juvenil
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 18 perguntas neste tema
O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil organiza a vigilância de saúde de todas as crianças e jovens dos 0 aos 18 anos, nos cuidados de saúde primários, por uma equipa em que o médico e o enfermeiro de família são o núcleo. A versão em vigor é a da Norma n.º 010/2013 da Direção-Geral da Saúde (DGS), e está em revisão desde setembro de 2025, com equipa técnica nomeada para a atualizar.
O esqueleto são 18 consultas em idades-chave, seis delas no primeiro ano de vida, com exames globais de saúde aos 5 e aos 12 ou 13 anos. As idades foram escolhidas para coincidir com as do Programa Nacional de Vacinação e com as etapas do desenvolvimento e da escolaridade, e não são rígidas: quando a criança aparece por outro motivo perto de uma idade-chave, faz-se ali o exame dessa idade.
Em todas as consultas medem-se o peso, o comprimento ou a estatura e o índice de massa corporal nas curvas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ouvem-se as preocupações dos pais, confere-se a vacinação e avalia-se o risco de maus tratos. O resto distribui-se pelas idades: o reflexo vermelho, o coração e a anca nos primeiros meses, os testículos aos 9 e aos 12 meses, o perímetro cefálico até aos 2 anos, a tensão arterial a partir dos 3, o desenvolvimento pela escala de Mary Sheridan modificada até aos 5, e a puberdade, a pele e os comportamentos de risco na adolescência. A par da consulta correm rastreios com norma própria: o auditivo neonatal, o visual aos 2 e aos 4 anos, e o neonatal por punção do calcanhar.
O que a consulta decide é quem referenciar e quando. Uma anca ou um testículo tratados tarde, uma ambliopia ou uma surdez descobertas depois da janela, um atraso do desenvolvimento que esperou pelo diagnóstico para ter apoio, são perdas que não se recuperam. O pré-termo avalia-se pela idade corrigida no crescimento e no desenvolvimento e vacina-se pela idade cronológica.
O programa só chega a quem vem, e as crianças que mais faltam são as que mais precisam. O exame oportunista, a visitação domiciliária, o contacto depois de uma falta e a articulação com a saúde escolar, a intervenção precoce e os núcleos de apoio a crianças e jovens em risco são o que o faz funcionar para elas.
As 18 consultas
| período | idades-chave |
|---|---|
| Primeiro ano | 1.ª semana, 1, 2, 4, 6 e 9 meses |
| 1 aos 3 anos | 12, 15 e 18 meses, 2 e 3 anos |
| 4 aos 9 anos | 4 anos, 5 anos (exame global de saúde), 6 ou 7 anos, 8 anos |
| 10 aos 18 anos | 10 anos, 12 ou 13 anos (exame global de saúde), 15 a 18 anos |
Em todas as consultas
- Preocupações dos pais, ou do próprio. Valorizam-se sempre, até haver razão clara para as afastar; a ausência de preocupação, por si só, não garante desenvolvimento normal.
- Intercorrências, outras consultas e medicação; adaptação à creche, à ama ou à escola; alimentação, atividade física e tempos livres.
- Peso, comprimento ou estatura e índice de massa corporal, marcados na curva e comentados como trajetória.
- Vacinação, atualizada pelo Programa Nacional de Vacinação.
- Risco de maus tratos e segurança do ambiente (fumo de tabaco em casa e no automóvel, acidentes).
- No primeiro ano, o estado emocional da mãe ou do principal cuidador, pelo risco de depressão pós-parto. Na adolescência, privacidade e atendimento a sós a quem o deseje.
O que se acrescenta em cada idade
| parâmetro | quando |
|---|---|
| Perímetro cefálico | da 1.ª consulta aos 2 anos |
| Coração | 1.ª semana, 1 e 2 meses, e de novo aos 5 anos |
| Anca | 1.ª semana, 1, 2 e 6 meses (não aos 4 nem aos 9) |
| Anca e marcha | 12, 15 e 18 meses e 2 anos |
| Testículos nas bolsas | 9 e 12 meses |
| Dentição | a partir dos 6 meses |
| Tensão arterial | a partir dos 3 anos, em todas as consultas |
| Rastreio de dislipidemias | a partir dos 2 anos, só em situações particulares |
| Postura | a partir dos 5 anos |
| Pele (acne, hirsutismo) e estádio pubertário | a partir dos 10 anos |
| Rastreio de anemia e ferropenia | 12 ou 13 anos, conforme os hábitos alimentares e o padrão menstrual |
| Desenvolvimento, pela escala de Mary Sheridan modificada | da 1.ª consulta aos 5 anos |
- A visão e a audição avaliam-se em quase todas as idades, cada uma com o seu método.
- Nas famílias de risco pesquisam-se sinais de mutilação genital feminina no exame físico.
Desenvolvimento
- A avaliação clínica informal deteta menos de 30% das crianças com problemas de desenvolvimento; os instrumentos padronizados têm sensibilidade e especificidade de 70 a 90%. Por isso se usa uma escala, e a do programa é a de Mary Sheridan modificada, dos 0 aos 5 anos.
- Nos dois primeiros anos atende-se à idade gestacional: o pré-termo avalia-se pela idade corrigida.
Sinais de alerta por idade
| idade | sinais de alerta |
|---|---|
| 1.ª semana | falta de interesse do cuidador pelo bebé, desespero, ideação suicida |
| 1 mês | não tenta controlar a cabeça quando sentado; não fixa a face humana |
| 2 meses | bebé inconsolável, ou apático sem períodos de comunicação |
| 4 meses | não segue objetos com os olhos; mãos sempre fechadas; não acalma preferencialmente com o cuidador |
| 6 meses | não olha nem pega em objetos; não reage a sons; não vocaliza; assimetrias; cuidador que não responde aos sinais do bebé |
| 9 meses | não se senta com equilíbrio; sem preensão palmar; não leva objetos à boca; não procura a proximidade do cuidador |
| 12 meses | não pega nos brinquedos ou fá-lo com uma só mão; não responde à voz; não estabelece contacto |
| 18 meses | não se põe de pé; não faz pinça fina; não vocaliza espontaneamente; sinais de alerta do relacionamento |
| 2 anos | não anda; não compreende o que se diz; não diz palavras inteligíveis; não imita |
| 3 anos | anda sistematicamente em pontas dos pés; não constrói nada; linguagem incompreensível |
| 4 a 8 anos | agitação desadequada para a idade; agressividade e oposição persistentes; dificuldades de aprendizagem sem défice cognitivo; recusa escolar; somatizações múltiplas |
| 10 a 18 anos | humor depressivo mantido, ideação ou tentativas de suicídio; variação ponderal acentuada; isolamento; consumo de álcool, tabaco ou outras drogas; comportamentos sexuais de risco |
- Em qualquer idade, a regressão de aquisições e o cruzamento descendente de percentis são alarme.
Rastreio das perturbações do espetro do autismo
- Aos 18 meses pesquisam-se os sinais de alerta do relacionamento: não se interessa por outras crianças, não aponta com o indicador, não imita o adulto, não olha quando o chamam pelo nome, não segue com o olhar o que se lhe aponta. Mais de 2 presentes obrigam a referenciar para avaliação do neurodesenvolvimento.
- O programa inclui o M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers, lista modificada para o autismo em crianças pequenas), questionário de 23 itens para os pais, dos 16 aos 30 meses. Justificam avaliação formal a falha de 3 ou mais itens no total, ou de 2 itens críticos, depois de confirmada.
- A versão revista com entrevista de seguimento (M-CHAT-R/F) tem 20 itens e três faixas: 0 a 2 risco baixo; 3 a 7 risco moderado, que obriga à entrevista, e referencia-se se se mantiverem 2 ou mais itens; 8 a 20 risco elevado, que se referencia logo, sem entrevista. A entrevista existe para reduzir os falsos positivos.
Visão
| idade | o que se faz |
|---|---|
| 1.ª semana | pálpebras e exame ocular externo, meios transparentes, reflexo do fundo ocular (reflexo vermelho) |
| 1 e 2 meses | reflexos de fixação e de perseguição |
| 6 e 9 meses | capacidade visual, movimentos oculares e visão binocular, com o teste da cobertura para o estrabismo |
| 2 anos e meio aos 5 anos | acuidade visual quantificada, com os E de Snellen ou as imagens de Mary Sheridan; aos 5 anos, E de Snellen |
| a partir dos 10 anos | só perante fatores de risco ou diminuição da visão |
- Rastreio de Saúde Visual Infantil (Norma DGS n.º 015/2018), populacional e dirigido à ambliopia: fotorrastreio com autorrefratómetro portátil, que mede o erro refrativo dos dois olhos ao mesmo tempo e deteta o desvio dos eixos visuais.
- Todas as crianças no semestre em que fazem 2 anos.
- De novo no semestre em que fazem 4 anos, as que não fizeram o primeiro, as que tiveram rastreio negativo e as que tiveram rastreio positivo sem causa de ambliopia confirmada pelo oftalmologista.
- É positivo com hipermetropia, miopia ou astigmatismo de 2,0 dioptrias ou mais, anisometropia de 1,5 dioptrias ou mais, ou estrabismo. O exame que não consegue medir a refração também se referencia.
- O positivo vai a consulta hospitalar de oftalmologia em 60 dias no máximo.
- Leucocória (pupila branca) ou reflexo vermelho assimétrico referenciam-se com urgência: as causas a excluir são a catarata congénita e o retinoblastoma.
Audição
- Rastreio auditivo neonatal universal, por otoemissões acústicas ou potenciais evocados auditivos do tronco cerebral, ao nascer ou até aos 30 dias. Procura perdas de 35 dB ou mais no melhor ouvido.
- Prazos 1, 3 e 6: rastrear até ao 1.º mês, confirmar o diagnóstico até aos 3 meses, começar a intervenção até aos 6 meses.
- A perda auditiva bilateral significativa atinge 1 a 3 por 1000 recém-nascidos saudáveis e 20 a 40 por 1000 dos de risco; rastrear só os de risco deixaria escapar metade dos casos.
- Passar o rastreio neonatal não exclui surdez tardia ou progressiva. Com infeção congénita (citomegalovírus, rubéola, toxoplasmose, sífilis, herpes), história familiar de surdez tardia ou otite média com derrame persistente, a vigilância audiológica faz-se de 6 em 6 meses até aos 3 anos.
- Na consulta: verificar o rastreio na 1.ª semana; reação à voz familiar aos 4 meses; à voz, à roca, à chávena e à colher aos 9 meses; voz ciciada aos 6 ou 7 e aos 8 anos. Atraso da linguagem ou preocupação dos pais com a audição pedem avaliação audiológica, seja qual for o rastreio anterior.
Anca
- Ortolani (reduz uma anca luxada, com ressalto) e Barlow (luxa uma anca reduzida) servem nas primeiras semanas e perdem valor a partir dos 3 meses.
- Depois, o sinal é a limitação ou assimetria da abdução em flexão, e o joelho mais baixo do lado afetado com ancas e joelhos fletidos (sinal de Galeazzi). Na criança que anda, marcha anómala e assimetria pélvica.
- A ecografia é o exame nos primeiros 4 meses, perante exame anormal ou fatores de risco (apresentação pélvica, história familiar), mesmo com manobras negativas. Depois, radiografia.
Testículos
- A descida espontânea é rara depois dos 6 meses de idade corrigida. Um testículo que não está na bolsa aos 6 meses referencia-se nessa altura, sem esperar pela consulta dos 9 ou dos 12 meses.
- Criptorquidia bilateral não palpável, sobretudo com hipospádias ou micropénis, é avaliação urgente: pode ser uma diferença do desenvolvimento sexual.
Tensão arterial
- Mede-se em todas as consultas a partir dos 3 anos, e antes disso se houver história familiar de doença renal congénita, patologia neonatal, cardiopatia congénita, nefropatia, uropatia, doença sistémica associada a hipertensão ou medicação que a eleve.
- Técnica: método auscultatório, três medições na consulta; se o aparelho oscilométrico der valores altos, confirma-se por auscultação. Sentado, costas apoiadas e pés no chão, depois de 5 minutos de repouso, no braço direito apoiado ao nível do coração.
- A parte insuflável da braçadeira tem largura de 40% e comprimento de 80 a 100% do perímetro do braço, medido a meio da distância entre o acrómio e o olecrânio. Braçadeira pequena dá valores falsamente altos.
- Interpreta-se nas tabelas por idade, sexo e percentil da estatura:
| classe | tensão sistólica ou diastólica |
|---|---|
| Normal | abaixo do percentil 90 |
| Pré-hipertensão | percentil 90 a 95, ou 120/80 mm Hg ou mais no adolescente |
| Hipertensão | percentil 95 ou mais em três ocasiões |
| Estádio 1 | do percentil 95 ao percentil 99 mais 5 mm Hg |
| Estádio 2 | acima do percentil 99 mais 5 mm Hg |
- As guidelines posteriores mantêm o percentil 95 na criança, mas passam aos limiares fixos do adulto no adolescente: a partir dos 13 anos na Academia Americana de Pediatria (2017), com hipertensão a partir de 130/80 mm Hg, e a partir dos 16 anos na Sociedade Europeia de Hipertensão (2016), com hipertensão a partir de 140/90 mm Hg.
Saúde oral
- Escovagem dos dentes 2 vezes por dia, com fio dentário a partir dos 8 anos. Uma cárie num dente torna a criança de alto risco.
- Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral: aos 7, 10 e 13 anos todas as crianças recebem na escola um cheque-dentista ou uma referenciação para a consulta de higiene oral; dos 3 aos 6 anos há cheque-dentista para dentes temporários com cárie e infeção que precisem de tratamento urgente.
Cuidados antecipatórios do primeiro ano
- Vitamina D 400 UI uma vez por dia durante o primeiro ano.
- Aleitamento materno até, pelo menos, aos 6 meses; a diversificação alimentar faz-se idealmente até aos 6 meses, mantendo leite materno ou, na sua falta, leite para lactentes até aos 12.
- Dormir em decúbito dorsal; acordado e vigiado, decúbito ventral ou colo.
- Sinais que justificam recorrer aos serviços: recusa alimentar, gemido, icterícia generalizada, prostração, febre, cor acinzentada.
- Transporte no automóvel em sistema de retenção adequado desde a alta da maternidade.
Imunização
| idade | vacinas do Programa Nacional de Vacinação |
|---|---|
| Nascimento | hepatite B |
| 2 meses | hexavalente (difteria, tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite e hepatite B), pneumocócica de 20 serotipos (Pn20), meningocócica B |
| 4 meses | pentavalente (a mesma, sem hepatite B), Pn20, meningocócica B |
| 6 meses | hexavalente |
| 12 meses | Pn20, meningocócica B, meningocócica ACWY, sarampo, parotidite e rubéola (VASPR) 1 |
| 18 meses | pentavalente |
| 5 anos | tetravalente (difteria, tétano, tosse convulsa e poliomielite), VASPR 2 |
| 10 anos | tétano e difteria (Td), papilomavírus humano (2 doses, nos dois sexos) |
- Nirsevimab, anticorpo monoclonal contra o vírus sincicial respiratório, na primeira época de circulação do vírus: na maternidade para quem nasce durante a época, e em recuperação para os lactentes elegíveis nascidos antes dela (Norma DGS n.º 004/2026). Confere-se na primeira consulta.
- O pré-termo vacina-se pela idade cronológica, sem correção.
Tensão arterial alterada
| classe | conduta |
|---|---|
| Pré-hipertensão | medidas de estilo de vida; reavaliar em 6 meses |
| Hipertensão estádio 1 | repetir em mais 2 ocasiões, com 1 a 2 semanas de intervalo; se se confirmar, referenciar a consulta de especialidade |
| Hipertensão estádio 2 | referenciar a consulta de especialidade, ou ao serviço de urgência se houver sintomas |
- Em todas as classes alteradas: peso adequado, alimentação saudável com menos sal, atividade física regular, e pesquisa de história familiar e de comorbilidades.
- Quando a sistólica e a diastólica caem em classes diferentes, conta a mais alta.
Maus tratos
- O risco avalia-se em todas as consultas, e os sinais que a vigilância apanha são muitas vezes de contexto: faltas repetidas, atraso vacinal, estagnação ponderal sem causa orgânica, lesões que a história não explica, relação perturbada entre a criança e o cuidador.
- A intervenção segue a Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco: sinaliza-se ao núcleo de apoio a crianças e jovens em risco dos cuidados primários ou ao núcleo hospitalar, que articulam com a comunidade. A dúvida não adia a sinalização.
Faltas às consultas
- Contacto ativo com a família, remoção do obstáculo (horário, transporte, língua), exame oportunista na próxima vinda e visitação domiciliária. Se o padrão persistir, sinaliza-se.
A consulta do adolescente
- Acessibilidade, privacidade e atendimento a sós a quem o deseje. A confidencialidade garante-se e explicam-se os seus limites: o risco de vida para o próprio ou para outros e a suspeita de abuso.
- A entrevista percorre os domínios do roteiro HEEADSSS (casa, escola ou emprego, alimentação, atividades, drogas, sexualidade, suicídio e humor, segurança), começando pelos neutros e aprofundando os sensíveis ao longo das consultas.
- Cuidados antecipatórios próprios: puberdade e suas variantes, sono, atividade física sem suplementos nem anabolizantes, bullying e cyberbullying, redes sociais, sexualidade e contraceção, violência no namoro, álcool, tabaco e outras drogas, segurança rodoviária, e a transição para os cuidados de adulto.
Puberdade
- Avalia-se o estádio a partir dos 10 anos. É precoce se os sinais surgem antes dos 8 anos na rapariga ou dos 9 no rapaz, e está atrasada se faltam aos 13 na rapariga (sem botão mamário) ou aos 14 no rapaz (testículos abaixo de 4 mL).
Sinalizar e referenciar ao mesmo tempo
- Perante sinal de alerta do desenvolvimento, dos 0 aos 6 anos, sinaliza-se à equipa local de intervenção do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância e referencia-se para diagnóstico em paralelo, sem esperar pelo diagnóstico para dar apoio.
- São elegíveis para a intervenção precoce as crianças dos 0 aos 6 anos com alterações das funções ou estruturas do corpo que limitam o desenvolvimento, todas; e as que estão em risco grave de atraso por condições biológicas, psicoafetivas ou ambientais, quando acumulam 4 ou mais fatores de risco, que é o ponto a partir do qual o efeito do risco dispara.
- Depois dos 6 anos o apoio passa a ser sobretudo pedagógico, no quadro da educação.
- As perturbações emocionais e do comportamento articulam-se com as equipas de saúde mental da infância e adolescência.
O que se referencia, e para onde
| achado | destino |
|---|---|
| Leucocória, reflexo vermelho assimétrico | oftalmologia, com urgência |
| Fotorrastreio positivo ou não mensurável | consulta hospitalar de oftalmologia, até 60 dias |
| Falha no rastreio auditivo | diagnóstico audiológico, completo até aos 3 meses |
| Manobras da anca positivas ou abdução limitada | ecografia e ortopedia |
| Testículo não descido aos 6 meses | cirurgia pediátrica; orquidopexia idealmente antes dos 12 meses e no máximo aos 18 |
| Criptorquidia bilateral não palpável | avaliação urgente |
| Mais de 2 sinais de alerta do relacionamento aos 18 meses, M-CHAT positivo | avaliação do neurodesenvolvimento |
| Regressão de aquisições | referenciação sempre, em qualquer idade |
| Hipertensão confirmada | consulta de especialidade |
| Suspeita de maus tratos | núcleo de apoio a crianças e jovens em risco |
Idades para cirurgias frequentes (programa de 2013)
| situação | quando operar |
|---|---|
| Hérnia inguinal ou inguinoescrotal | ao diagnóstico |
| Hérnia umbilical | depois dos 4 anos |
| Hidrocelo comunicante e quisto do cordão | 12 a 18 meses |
| Fimose | depois dos 5 anos |
| Parafimose | urgência |
| Torção testicular | emergência |
| Orelhas em abano | depois dos 5 anos |
- Para a criptorquidia, o programa de 2013 indicava 12 a 24 meses; as guidelines europeias atuais de urologia pediátrica antecipam a cirurgia para antes dos 12 meses e no máximo aos 18.
Referências
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 010/2013, de 31/05/2013. Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2013.
- Direção-Geral da Saúde. Saúde Infantil e Juvenil: Programa Nacional. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2012.
- Direção-Geral da Saúde. Despacho n.º 073/2025, de 10/09/2025. Atualização do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil: constituição da equipa técnica. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2025.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 015/2018, de 05/09/2018. Rastreio de Saúde Visual Infantil. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2018.
- Grupo de Rastreio e Intervenção da Surdez Infantil. Recomendações para o Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU). Acta Pediatr Port. 2007;38(5):209-14.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 004/2026, de 02/09/2026. Campanha de imunização sazonal contra o vírus sincicial respiratório em idade pediátrica: outono-inverno 2026-2027. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2026.
- Direção-Geral da Saúde. Livro Azul de Vacinas. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2025.
- Portugal. Despacho n.º 31292/2008, de 5 de dezembro. Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco. Diário da República, 2.ª série, n.º 236; 2008.
- Portugal. Decreto-Lei n.º 281/2009, de 6 de outubro. Cria o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância. Diário da República, 1.ª série, n.º 193; 2009.
- Robins DL, Casagrande K, Barton M, Chen CM, Dumont-Mathieu T, Fein D. Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-up (M-CHAT-R/F). Pediatrics. 2014;133(1):37-45.
- Flynn JT, Kaelber DC, Baker-Smith CM, Blowey D, Carroll AE, Daniels SR, et al. Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure in Children and Adolescents. Pediatrics. 2017;140(3):e20171904.
- Lurbe E, Agabiti-Rosei E, Cruickshank JK, Dominiczak A, Erdine S, Hirth A, et al. 2016 European Society of Hypertension guidelines for the management of high blood pressure in children and adolescents. J Hypertens. 2016;34(10):1887-920.
- Radmayr C, Bogaert G, Burgu B, Castagnetti MS, Dogan HS, O'Kelly F, et al. EAU Guidelines on Paediatric Urology. Arnhem: European Association of Urology; 2024.
- Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de Diagnóstico y Terapéutica en Pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017.
- Goldenring JM, Rosen DS. Getting into adolescent heads: an essential update. Contemp Pediatr. 2004;21(1):64-90.
18 perguntas sobre Programa nacional de saúde infantil e juvenil
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
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