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Perturbações do crescimento estatural e/ou ponderal

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 20 perguntas neste tema

Em resumo

As perturbações do crescimento são três problemas diferentes: a criança que cresce pouco em altura, a que não ganha peso e, mais raramente, a que cresce de mais. Em todos, uma medição isolada diz pouco. O que decide é a trajetória nas curvas da OMS, que o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil usa desde 2013, a velocidade de crescimento e a comparação com o alvo genético calculado a partir da altura dos pais.

A baixa estatura é a altura abaixo de -2 desvios-padrão ou do percentil 3. Mais de 60% é idiopática, e aí estão as duas variantes normais: a baixa estatura familiar, com idade óssea igual à cronológica e altura dentro do alvo, e o atraso constitucional, com idade óssea atrasada, puberdade tardia e altura final normal. Obrigam a procurar doença a velocidade baixa, a altura longe do alvo, o peso que cai antes da altura, a desproporção, as dismorfias e a obesidade numa criança que cresce pouco.

O estudo começa pela idade óssea e por análises simples: hemograma, bioquímica, tiroide, anticorpos da doença celíaca com IgA total, IGF-1 e cariótipo em todas as raparigas, porque a síndrome de Turner pode não ter outro sinal além da baixa estatura. O défice de hormona de crescimento confirma-se com dois testes de estimulação e ressonância hipofisária. A hormona recombinante tem indicações delimitadas: o défice, Turner, doença renal crónica, pequeno para a idade gestacional sem recuperação aos 4 anos, Prader-Willi, défice do gene SHOX e Noonan.

A síndrome de Turner não é só estatura. Entre um quarto e metade das raparigas tem cardiopatia congénita, sobretudo válvula aórtica bicúspide e, menos vezes, coartação da aorta, com risco de dissecção da aorta em idade jovem; muitas têm malformações renais, e a maioria acaba em insuficiência ovárica. Por isso, no diagnóstico, pedem-se ecocardiograma e ecografia renal.

A má progressão ponderal é, na maioria dos casos, um problema de ingestão, muitas vezes com fatores psicossociais. Reconhece-se pela queda de espaços de percentil no peso, estuda-se sobretudo com a história alimentar e a observação de uma refeição, com urina e rastreio de doença celíaca como únicos exames iniciais, e trata-se com apoio alimentar em ambulatório. O internamento fica para a criança doente ou para iniciar sonda, e a suspeita de negligência não se pode deixar passar.

A alta estatura é quase sempre familiar. A idade óssea separa as outras causas: adiantada no hipertiroidismo, na obesidade e na puberdade precoce, atrasada no hipogonadismo, com os síndromes de Marfan e de Beckwith-Wiedemann a reconhecer pelo fenótipo.

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Norma n.º 010/2013, de 31/05/2013. Lisboa: DGS; 2013.
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  3. Orio Hernández M, González Casado I. Hipercrecimiento. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2018. p. 699-705.
  4. Romera Marín A, Ots Ruiz C. Retraso ponderal. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2018. p. 319-23.
  5. Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2018. Capítulos 83 a 85: Pubertad normal y variantes de la normalidad; Pubertad precoz; Pubertad retrasada.
  6. National Institute for Health and Care Excellence. Faltering growth: recognition and management of faltering growth in children. NICE guideline NG75. Londres: NICE; 2017.
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  8. Melmed S, Jameson JL. Hypopituitarism. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018.
  9. Achermann JC, Jameson JL. Disorders of sex development. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018.
  10. European Medicines Agency. Omnitrope (somatropina): resumo das características do medicamento. Amesterdão: EMA; [consultado em 27 set 2026].
  11. Health Products Regulatory Authority. Norditropin (somatropina): summary of product characteristics. Dublin: HPRA; 2022.
  12. Husby S, Koletzko S, Korponay-Szabó I, Kurppa K, Mearin ML, Ribes-Koninckx C, et al. European Society Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition guidelines for diagnosing coeliac disease 2020. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2020;70(1):141-56.

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