Pediatria Geral›Crescimento normalPublicado (Premium)

Crescimento normal

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema

Em resumo

O crescimento é o parâmetro que resume, numa só linha, a nutrição, as hormonas, a doença crónica que ainda não deu sintomas e o ambiente em que a criança vive. Por isso se mede em todas as consultas de vigilância e se marca nas curvas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil adotou em 2013: padrões de como se deve crescer dos 0 aos 5 anos, e uma referência dos 5 aos 19.

O ritmo muda com a idade. Cresce-se cerca de 25 cm no primeiro ano e 12 no segundo, 5 a 8,5 cm por ano até aos 6 anos, 4 a 6,5 cm por ano até à puberdade, e 8 a 14 cm por ano no pico do estirão. No lactente pesam sobretudo a nutrição e o potencial genético; na infância, a hormona de crescimento e as hormonas tiroideias; na puberdade, os esteroides sexuais, que aceleram o crescimento e acabam por fechar as cartilagens.

Um ponto isolado diz pouco. O que se interpreta é a trajetória: um percentil baixo que se mantém no mesmo canal é, na maioria das vezes, normal, e uma curva que desce de canal preocupa mesmo que ainda esteja dentro dos limites. Lê-se ao mesmo tempo a velocidade de crescimento, calculada sobre pelo menos 6 meses, a estatura-alvo calculada a partir da altura dos pais e, quando é preciso, a idade óssea.

A baixa estatura, abaixo de menos 2 desvios-padrão, é mais de metade das vezes uma variante do normal: a baixa estatura familiar, com idade óssea igual à cronológica e altura dentro do alvo, ou o atraso constitucional do crescimento e da puberdade, com idade óssea atrasada, puberdade tardia e altura final normal. Nenhuma das duas se trata com hormona de crescimento, que em Portugal está reservada a indicações definidas por lei e é dispensada nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

O que não se pode falhar é a velocidade de crescimento baixa, a altura muito abaixo do alvo, a desproporção entre segmentos e a criança que para de crescer enquanto engorda. E antes de tudo isto, o erro mais frequente: medir mal, marcar mal, ou esquecer a passagem da medição deitada para a medição em pé aos 2 anos.

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Norma n.º 010/2013, de 31/05/2013. Lisboa: DGS; 2013. Anexo 1: Curvas de crescimento.
  2. WHO Multicentre Growth Reference Study Group. WHO Child Growth Standards: length/height-for-age, weight-for-age, weight-for-length, weight-for-height and body mass index-for-age. Methods and development. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2006.
  3. De Onis M, Onyango AW, Borghi E, Siyam A, Nishida C, Siekmann J. Development of a WHO growth reference for school-aged children and adolescents. Bull World Health Organ. 2007;85(9):660-7.
  4. Guerrero López C, González Casado I. Hipocrecimiento. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2018. p. 687-97.
  5. Orio Hernández M, González Casado I. Hipercrecimiento. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2018. p. 699-705.
  6. Melmed S, Jameson JL. Hypopituitarism. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018.
  7. National Institute for Health and Care Excellence. Faltering growth: recognition and management of faltering growth in children. NICE guideline NG75. Londres: NICE; 2017.
  8. Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Recomendação de curvas de crescimento para crianças nascidas pré-termo. Acta Pediatr Port. 2013;44(2):94-9.
  9. Elmrayed S, et al. Preterm growth assessment: the latest findings on age correction. J Perinatol. 2025.
  10. Clayton PE, Cianfarani S, Czernichow P, Johannsson G, Rapaport R, Rogol A. Management of the child born small for gestational age through to adulthood: a consensus statement of the International Societies of Pediatric Endocrinology and the Growth Hormone Research Society. J Clin Endocrinol Metab. 2007;92(3):804-10.
  11. Rolland-Cachera MF, Deheeger M, Bellisle F, Sempé M, Guilloud-Bataille M, Patois E. Adiposity rebound in children: a simple indicator for predicting obesity. Am J Clin Nutr. 1984;39(1):129-35.
  12. Portugal. Despacho n.º 12455/2010, de 22 de julho: determina as situações patológicas que beneficiam de comparticipação integral na administração da hormona do crescimento. Diário da República, 2.ª série, n.º 148, de 2 de agosto de 2010.
  13. Portugal. Portaria n.º 117/2019, de 16 de abril: regime excecional de comparticipação dos medicamentos com somatropina. Diário da República, 1.ª série; 2019.
  14. MedlinePlus. Normal growth and development. Bethesda: National Library of Medicine; [consultado em 28 set 2026].

10 perguntas sobre Crescimento normal

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar