Adenopatias na criança
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema
Na criança, sentir gânglios é a regra: até 90% das crianças entre os 4 e os 8 anos têm gânglios cervicais palpáveis, e a grande maioria das adenopatias é reativa a uma infeção vírica das vias respiratórias e desaparece sozinha. A segunda causa é a adenite bacteriana, quase sempre por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, que se apresenta como um gânglio cervical unilateral, grande, quente e doloroso, com poucos dias de evolução.
O trabalho do médico é separar essa maioria da minoria que esconde um linfoma, uma leucemia ou uma infeção que o antibiótico habitual não resolve, como as micobactérias e a doença da arranhadura do gato. Um gânglio é anormal acima de 1 cm na maioria das cadeias, mas na região cervical, abaixo dos 8 anos, admite-se até 2 cm, e o gânglio supraclavicular é sempre anormal. Os sinais que mudam a conduta são poucos: localização supraclavicular, gânglio acima de 2 cm sem inflamação, duro ou fixo, que cresce há mais de 2 semanas ou não regride em 4 a 6, febre prolongada, sudorese noturna, perda de peso, hepatoesplenomegalia e alterações no hemograma ou na radiografia de tórax.
Sem sinais de alarme, vigia-se; num gânglio patológico sem causa evidente, pode fazer-se um curso de antibiótico de 14 dias e reavaliar em 2 a 3 semanas. A adenite bacteriana trata-se com antibiótico oral dirigido ao estafilococo e ao estreptococo, e o abcesso drena-se. A micobactéria não tuberculosa, típica da criança de 1 a 5 anos com pele violácea sobre o gânglio, cura-se com a excisão completa e piora com a incisão e drenagem. Com sinais de alarme, pede-se hemograma com esfregaço e radiografia de tórax e referencia-se para biópsia, que é excisional quando se pensa em linfoma.
O que não se pode falhar: dar corticoide a uma adenopatia sem diagnóstico, que mascara a leucemia e o linfoma; levar à anestesia para biópsia, sem radiografia de tórax, uma criança com massa mediastínica; e tomar como reativo um gânglio supraclavicular.
Porque aumenta um gânglio
| Mecanismo | Exemplos | Como se sente |
|---|---|---|
| Hiperplasia reativa: proliferação de linfócitos e macrófagos perante um antigénio | viroses respiratórias, vírus Epstein-Barr, vacinas | mole, móvel, às vezes doloroso; o mais frequente |
| Infiltração por neutrófilos, com supuração | adenite por S. aureus e S. pyogenes | quente, doloroso, com eritema; pode flutuar |
| Inflamação granulomatosa | micobactérias, Bartonella henselae | subaguda, pouco dolorosa; pele violácea e fístula na micobactéria não tuberculosa |
| Infiltração neoplásica | linfoma, leucemia, metástase | duro, indolor, aderente, em conglomerado |
| Depósito em macrófagos | doença de Gaucher, doença de Niemann-Pick | com hepatoesplenomegalia |
- Tudo o que chega ao gânglio vem pela linfa do território que ele drena: por isso a adenopatia localizada manda examinar esse território.
- O gânglio inflamatório cresce depressa e dói, porque distende a cápsula; o neoplásico cresce sem sinais inflamatórios, invade a cápsula e fixa-se aos planos vizinhos.
- No linfoma de Hodgkin, as células tumorais de Reed-Sternberg são só 0,1 a 10% do tecido; o resto é infiltrado inflamatório. É por isso que a punção aspirativa pode enganar e o diagnóstico exige biópsia aberta.
- Na mononucleose, o vírus Epstein-Barr infeta os linfócitos B e fica latente neles para toda a vida; os linfócitos atípicos do esfregaço são linfócitos T citotóxicos que respondem à infeção.
As que não se podem falhar
- Linfoma: abaixo dos 6 anos, as neoplasias cervicais mais frequentes são o rabdomiossarcoma e o linfoma não Hodgkin; depois dos 6 anos, o linfoma de Hodgkin, com gânglios cervicais e supraclaviculares indolores, de crescimento lento e consistência elástica, e massa mediastínica em 75%.
- Leucemia aguda: adenopatias com palidez, hemorragias, dores ósseas e hepatoesplenomegalia (ver Abordagem diagnóstica e critérios de referenciação de neoplasia em idade pediátrica).
- Metástase: neuroblastoma e rabdomiossarcoma; mais raramente carcinoma papilar da tiroide e carcinoma da nasofaringe.
- Tuberculose ganglionar, sobretudo na criança mais velha e com contacto com um adulto doente.
- Doença de Kawasaki, perante febre com 5 ou mais dias.
- Síndrome celulite-adenite por estreptococo do grupo B, no lactente com menos de 3 meses: é uma forma de sépsis tardia.
Pelo território
| Cadeia | Pensar em |
|---|---|
| Cervical | infeções da cabeça e do pescoço (viroses respiratórias, amigdalite estreptocócica), vírus Epstein-Barr, citomegalovírus, toxoplasmose, adenite bacteriana, tuberculose, micobactérias não tuberculosas, Kawasaki, síndrome PFAPA (febre periódica com aftas, faringite e adenite) |
| Cervical posterior | drena o couro cabeludo; mononucleose |
| Submandibular | adenite bacteriana, micobactéria não tuberculosa, mononucleose |
| Occipital | rubéola, pediculose, dermatite atópica e seborreica, tinha, adenoidite, leucemia |
| Pré-auricular | conjuntivite, doença da arranhadura do gato, rubéola, parvovírus |
| Axilar | infeções do membro superior, doença da arranhadura do gato, hidradenite supurativa, brucelose, linfoma; vacina BCG no braço esquerdo |
| Epitroclear | infeção do braço ou da mão, sarcoidose, sífilis, linfoma |
| Supraclavicular | tumoral em 75% dos casos |
| Inguinal | infeções dos membros inferiores, genitais, perianais ou intra-abdominais |
| Generalizada | infeções víricas, doenças de depósito, doenças autoimunes, neoplasias |
Outras causas
- Fármacos: fenitoína, carbamazepina, penicilina, cefalosporinas, captopril, hidralazina.
- Vacinas: BCG, vacina contra o sarampo, a papeira e a rubéola, vacina da varicela.
- Endócrinas: hipotiroidismo, doença de Addison.
- Inflamatórias e linfoproliferativas não malignas: síndrome PFAPA, doença de Kikuchi-Fujimoto, doença de Rosai-Dorfman, doença de Castleman, histiocitose de células de Langerhans, sarcoidose, linfo-histiocitose hemofagocítica.
História
- Idade: na criança pequena a causa é quase sempre infeciosa; a frequência de tumores sobe na adolescência.
- Tempo e ritmo de crescimento: o crescimento rápido é próprio da infeção bacteriana e dos tumores; o que distingue é a presença ou não de sinais inflamatórios.
- Infeções recentes e vacinas (BCG, sarampo, papeira e rubéola, varicela); fármacos; antibiótico já feito.
- Animais: gato (arranhadura, toxoplasmose) e outros contactos (brucelose, tularémia); viagens; contacto com tuberculose ou com VIH.
- Sintomas gerais: febre, perda de peso, anorexia, astenia, lesões cutâneas, artralgias, hemorragias.
- Episódios semelhantes no passado: a adenite recorrente obriga a pensar em imunodeficiência.
Exame objetivo
- Todas as cadeias, para decidir se é localizada ou generalizada; medir com régua os gânglios maiores.
- Consistência, mobilidade, dor, calor, cor da pele e flutuação.
- O território drenado: couro cabeludo, conjuntivas, orofaringe e dentes, pele (arranhadelas, feridas), membros.
- Fígado e baço, pele (exantema, icterícia, púrpura), articulações e tiroide.
- Sinais que sugerem neoplasia: síndrome de Horner, opsoclono-mioclono, paralisia facial.
Nem toda a massa é um gânglio
| Região | Diferencial |
|---|---|
| Linha média do pescoço | quisto do canal tireoglosso, quisto dermoide; raramente são gânglios |
| Face lateral do pescoço | quisto do segundo arco branquial, profundo ao esternocleidomastoideu; malformação linfática; hemangioma; timo ectópico; torcicolo muscular congénito |
| Glândulas salivares | sialoadenite, sobretudo por S. aureus, e litíase; a cauda da parótida confunde-se com os gânglios jugulares altos |
| Pele e tecidos moles | quisto sebáceo, pilomatrixoma, lipoma, neurofibroma, costela cervical, bócio e nódulo tiroideu |
| Região inguinal | hérnia, testículo ectópico, quisto do cordão, ovário ectópico, abcesso ossifluente |
Sinais de alarme
| Sinal | Porque preocupa |
|---|---|
| Gânglio supraclavicular, ilíaco ou poplíteo | tumoral em 75% dos supraclaviculares |
| Mais de 2 cm, sem sinais inflamatórios, que persiste | critério de biópsia |
| Duro, pétreo, em conglomerado, fixo, com pele ulcerada | infiltração neoplásica |
| Cresce há mais de 2 semanas, ou não regride em 4 a 6 semanas | a reativa já teria regredido |
| Cresce depressa sem sinais inflamatórios | a infeção bacteriana cresce depressa com inflamação; o tumor, sem ela |
| Febre há mais de 1 semana, sudorese noturna profusa | linfoma, tuberculose; excluir primeiro a mononucleose |
| Perda de peso acima de 10% | linfoma |
| Hepatoesplenomegalia | leucemia, linfoma; excluir primeiro a mononucleose |
| Dores ósseas, palidez, hemorragias, mau estado geral | leucemia aguda |
| Hemograma, velocidade de sedimentação ou radiografia de tórax alterados | massa mediastínica, citopenias, blastos |
| Recém-nascido com gânglio acima de 1 cm | indicação de estudo histológico |
Sem sinais de alarme
- Adenopatias cervicais bilaterais durante uma infeção respiratória: não precisam de exames nem de tratamento.
- Adenopatias múltiplas com quadro de mononucleose: hemograma, transaminases, desidrogenase láctica, velocidade de sedimentação ou proteína C reativa, e serologias do vírus Epstein-Barr, do citomegalovírus e do toxoplasma.
Primeiro nível, orientado pela clínica
Numa adenopatia patológica sem causa evidente, ou com sinais de alarme:
| Exame | O que procura |
|---|---|
| Hemograma com esfregaço | blastos, citopenias, linfócitos atípicos |
| Transaminases, desidrogenase láctica, proteína C reativa, velocidade de sedimentação | inflamação, carga tumoral, hepatite da mononucleose |
| Serologias: vírus Epstein-Barr, citomegalovírus, toxoplasma, Bartonella henselae | causas de adenopatia subaguda |
| Radiografia de tórax | massa mediastínica, adenopatias hilares, tuberculose |
| Prova tuberculínica | tuberculose e micobactérias não tuberculosas |
- As adenopatias mediastínicas na radiografia aparecem em 56% das causas malignas e em 2,6% das benignas.
- No vírus Epstein-Barr, os anticorpos heterófilos servem acima dos 5 anos, mas abaixo dos 2 anos a sensibilidade fica abaixo de 25%; o teste mais útil na infeção aguda é a IgM contra o antigénio da cápside viral.
Segundo nível
- Ecografia: é a imagem inicial. Mostra o abcesso (conteúdo com detritos que se movem quando se comprime com a sonda), distingue o gânglio de outras massas e dá sinais indiretos de malignidade: gânglio heterogéneo, arredondado em vez de oval, hilo estreito ou ausente, contornos irregulares, necrose quística, vascularização irregular até à cápsula.
- Outras serologias conforme a clínica e a epidemiologia: Brucella, adenovírus, VIH, sífilis, rubéola, herpesvírus 6.
- Tomografia computorizada ou ressonância magnética com contraste: abcesso profundo, extensão ao mediastino, planeamento cirúrgico. A ressonância prefere-se quando se pensa em rabdomiossarcoma ou neuroblastoma, e na criança pequena exige muitas vezes sedação.
Histologia
Indicações de estudo histológico:
- Suspeita de malignidade, sintomas sistémicos, gânglio supraclavicular, duro ou aderente.
- Radiografia de tórax, hemograma ou velocidade de sedimentação alterados.
- Gânglio acima de 2 cm que persiste, ou que cresce ao longo de 2 a 3 semanas.
- Sem resolução em 4 a 6 semanas, depois do estudo de segundo nível e de um curso de antibiótico.
- Recém-nascido com gânglio acima de 1 cm.
- Suspeita de micobactéria.
| Técnica | Vantagens | Limites |
|---|---|---|
| Citologia aspirativa por agulha fina | rápida, pouco invasiva; sensibilidade de 86% e especificidade de 96% | até 20% não diagnósticas; na criança pequena exige sedação; pode falhar a neoplasia |
| Biópsia excisional | padrão de referência; preserva a arquitetura do gânglio, indispensável para classificar o linfoma | cirurgia, com complicações em cerca de 11% das excisões de massas cervicais |
- Quando se pensa em linfoma, a biópsia é excisional (biópsia aberta) e do gânglio mais acessível.
- O gânglio vai para histologia e para microbiologia, com cultura de micobactérias.
Terceiro nível
- Anticorpos antinucleares e anti-ADN, mielograma, tomografia do tórax ou do abdómen.
Micobactéria não tuberculosa ou tuberculose
| Micobactéria não tuberculosa | Tuberculose | |
|---|---|---|
| Idade | 1 a 5 anos | criança mais velha |
| Local | submandibular, pré-auricular, cervical anterior; unilateral | classicamente supraclavicular |
| Clínica | sem febre, pele violácea, fistuliza se se deixar evoluir | contacto com um adulto doente |
| Radiografia de tórax | sempre normal | pode mostrar doença pulmonar |
| Prova tuberculínica | pode passar os 10 mm | positiva |
| IGRA (teste de libertação de interferão gama) | negativo na maioria | positivo |
| Diagnóstico definitivo | cultura | cultura |
Princípios
- Com causa evidente: trata-se a causa, se for preciso, e o seguimento fica com o médico assistente.
- Adenopatia patológica sem causa evidente e sem sinais de alarme: amoxicilina e ácido clavulânico 40 mg/kg/dia ou cefadroxilo 30 a 50 mg/kg/dia durante 14 dias, e reavaliação em 2 a 3 semanas; conforme a evolução, estudo.
- Com sinais de alarme: hemograma, proteína C reativa, velocidade de sedimentação, transaminases e radiografia de tórax no próprio dia, e internamento se houver mau estado geral ou suspeita de malignidade.
- Anti-inflamatórios não esteroides não têm indicação num gânglio indolor e sem sinais inflamatórios.
- Os pais que trazem uma criança com um gânglio têm quase sempre medo de cancro, mesmo sem o dizer: falar disso diretamente evita consultas e exames desnecessários.
Adenite bacteriana aguda
- Mais de 80% por S. aureus e S. pyogenes. Cervical, unilateral, acima de 2 a 3 cm, com menos de 5 dias e sinais inflamatórios.
- Antibiótico oral, cerca de 10 dias:
| Situação | Antibiótico |
|---|---|
| Primeira escolha | cefadroxilo 30 a 50 mg/kg/dia em 2 tomas |
| Alternativa | amoxicilina e ácido clavulânico 40 a 50 mg/kg/dia em 2 ou 3 tomas |
| Alergia aos betalactâmicos | clindamicina 20 a 30 mg/kg/dia em 3 tomas |
| Menos de 3 meses, mau estado geral, falência ou intolerância à via oral | internamento e amoxicilina e ácido clavulânico endovenosa 100 mg/kg/dia em 3 tomas |
- Sem melhoria em 48 horas: procurar abcesso por ecografia e ponderar punção.
- Flutuação ou abcesso na ecografia: cirurgião, drenagem e cultura. Um abcesso pequeno, abaixo de 1 a 1,5 cm, numa criança estável, pode responder a 24 a 48 horas de antibiótico endovenoso sem drenagem.
Síndrome celulite-adenite no lactente
- Lactente com menos de 3 meses, febre, mau estado geral, celulite e adenite, sobretudo submandibular (também inguinal): forma de sépsis tardia por Streptococcus agalactiae.
- Internamento, estudo completo de sépsis com punção lombar e cefotaxima 200 mg/kg/dia em 3 ou 4 tomas.
Micobactéria não tuberculosa
- Tratamento de escolha: excisão completa e precoce, que cura 90 a 95%.
- A incisão e drenagem sem excisão está contraindicada: deixa fístula crónica e pior resultado estético.
- Gânglio que não se pode excisar com segurança, por exemplo pela proximidade do nervo facial: curetagem, ou antibiótico com um macrólido (claritromicina ou azitromicina) associado a etambutol, ciprofloxacina ou rifabutina, durante 3 a 6 meses.
Tuberculose ganglionar
- 2 meses de isoniazida, rifampicina e pirazinamida, com etambutol como quarto fármaco se a sensibilidade da estirpe do caso índice for desconhecida, seguidos de 4 meses de isoniazida e rifampicina.
- A Organização Mundial da Saúde recomenda, desde 2022, 4 meses (2 meses de isoniazida, rifampicina e pirazinamida, com ou sem etambutol, e 2 de isoniazida e rifampicina) dos 3 meses aos 16 anos na doença não grave, que inclui a tuberculose ganglionar periférica, sem suspeita de resistência.
- A forma ganglionar isolada não obriga a internamento. Notificação obrigatória e rastreio dos contactos: procurar o adulto que contagiou a criança (ver Tuberculose).
Doença da arranhadura do gato
- Pápula ou vesícula no local da arranhadela; adenopatia regional 1 a 2 semanas depois, no membro superior em 46%, no pescoço em 26% e na virilha em 18%.
- Autolimitada, dura 2 a 8 semanas, e a maioria não precisa de antibiótico.
- Quando se trata, por exemplo numa adenopatia volumosa e dolorosa: azitromicina durante 5 dias, 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg nos dias 2 a 5 (acima de cerca de 45 kg, 500 mg e depois 250 mg).
Mononucleose infeciosa
- Adenopatias sobretudo cervicais posteriores, por vezes generalizadas, faringoamigdalite exsudativa, edema palpebral, esplenomegalia em 50%, linfocitose com linfócitos atípicos e transaminases elevadas em 80%.
- Tratamento sintomático. Sem desporto durante pelo menos 3 semanas desde o início dos sintomas, pelo risco de rotura esplénica, e regresso gradual, sem febre e bem.
- Corticoide só na obstrução da via aérea, nas complicações neurológicas ou na anemia hemolítica: prednisona 1 mg/kg/dia durante 2 semanas, máximo de 60 mg/dia.
- O exantema que surge com amoxicilina ou ampicilina é frequente e não chega para diagnosticar alergia à penicilina (ver Síndromes mononucleosídicas).
Doença de Kawasaki
- Febre com 5 ou mais dias e adenopatia cervical ou conglomerado acima de 1,5 cm, dolorosa, não supurada, habitualmente unilateral, com conjuntivite, alterações orais, exantema e alterações das mãos e dos pés.
- Internamento e imunoglobulina endovenosa 2 g/kg em dose única, com ácido acetilsalicílico (ver Abordagem à criança com febre e síndromes febris).
Síndrome PFAPA
- Começa habitualmente antes dos 5 anos; crises de 4 a 6 dias, habitualmente a cada 3 a 5 semanas, com febre de 39 a 41 °C e faringoamigdalite, adenopatia cervical ou aftas, e a criança normal e a crescer bem entre crises.
- Critérios do consenso internacional de 2009: febre periódica há pelo menos 6 meses, com pelo menos cinco episódios de 2 a 7 dias e intervalo máximo de 2 meses; faringite, adenite cervical ou aftas, pelo menos uma em cada episódio e duas das três na maioria; início antes dos 6 anos; recuperação completa entre crises e crescimento normal; exclusão de infeção, imunodeficiência e neutropenia cíclica. Na crise a proteína C reativa sobe, muitas vezes acima de 100 mg/L; entre crises a analítica é normal.
- Prednisona 0,6 a 2 mg/kg numa dose no início da crise, repetível no dia seguinte: resolve a crise, mas não evita a seguinte e costuma encurtar o intervalo.
- A amigdalectomia levou à remissão completa em várias séries e é uma opção cada vez mais considerada.
Adenite pela vacina BCG
- Gânglio axilar do lado da vacina, que em Portugal é o braço esquerdo, habitualmente 2 a 4 meses depois (de 2 semanas a 6 meses), sem febre nem dor importante. Pode atingir também gânglios supraclaviculares ou cervicais.
- Não supurada: não precisa de tratamento e regride em semanas a meses.
- Supurada: aspiração por agulha, que se pode repetir; excisão se a aspiração falhar ou a supuração voltar. A incisão e drenagem não se faz, e os antibióticos não trazem benefício.
Doença de Kikuchi-Fujimoto
- Adenopatia cervical dolorosa, subaguda, com sudorese noturna e mal-estar; diagnóstico por biópsia; resolve sozinha em 1 a 3 meses.
| Para onde | Quando |
|---|---|
| Hemato-oncologia pediátrica, com urgência | sinais de alarme; gânglio supraclavicular; massa mediastínica; citopenias ou blastos |
| Cirurgia pediátrica | abcesso; micobactéria não tuberculosa; biópsia excisional |
| Internamento | lactente com menos de 3 meses; mau estado geral; falência ou intolerância ao antibiótico oral; suspeita de malignidade; Kawasaki |
| Imunologia | adenites supuradas recorrentes |
- Os critérios de referenciação por suspeita de neoplasia estão em Abordagem diagnóstica e critérios de referenciação de neoplasia em idade pediátrica.
- Antes de qualquer anestesia para biópsia, radiografia de tórax. Numa massa mediastínica, a biópsia faz-se só com a criança estável e, se houver compromisso da via aérea ou hemodinâmico, procura-se o diagnóstico pelo meio menos invasivo: sangue periférico, medula óssea, líquido pleural ou gânglio periférico.
O que é comum ao adulto, como o diferencial por território e as técnicas de biópsia, está em Abordagem ao doente com adenopatias e esplenomegalia.
Referências
- Martín Jiménez L, del Rosal Rabes T. Adenopatías. Diagnóstico diferencial. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. p. 121-5.
- Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. Capítulos 18 (fiebre), 122 (leucemias y linfomas), 125 (tumores torácicos y mediastínicos), 132 (enfermedades exantemáticas de origen infeccioso) e 171 (tuberculosis).
- Weinstock MS, Patel NA, Smith LP. Pediatric cervical lymphadenopathy. Pediatr Rev. 2018;39(9):433-43.
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- Chan WM, Kwan YW, Leung CW. Management of bacillus Calmette-Guérin lymphadenitis. HK J Paediatr. 2011;16:85-94.
- Direção-Geral da Saúde. Tuberculose. In: Livro azul de vacinas. Parte 3: doenças evitáveis por vacinação. Lisboa: DGS; 2025.
- World Health Organization. WHO consolidated guidelines on tuberculosis. Module 5: management of tuberculosis in children and adolescents. Geneva: WHO; 2022.
11 perguntas sobre Adenopatias
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