Nutrição e Distúrbios Nutricionais›Alimentação após o primeiro ano de vida e até à adolescênciaPublicado (Premium)

Alimentação após o primeiro ano de vida e até à adolescência

Matriz PNA:D · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

Depois do primeiro aniversário a criança passa para a mesa da família. O crescimento abranda em relação ao primeiro ano, as necessidades por quilograma descem e o apetite diminui e oscila de refeição para refeição, o que muitos pais leem como doença. O objetivo deste período é instalar um padrão alimentar variado, com água como bebida, pouco sal e pouco açúcar, que se mantém na idade adulta.

Três erros explicam a maior parte da patologia nutricional destas idades. O leite de vaca em excesso, acima de 500 mL por dia, ocupa o apetite e desloca os alimentos com ferro, e dá anemia ferropénica numa criança que parece comer bem. A vitamina D suplementa-se a todas as crianças só até aos 12 meses; depois disso é tratamento do raquitismo ou indicação dirigida, e os 600 UI por dia que aparecem nas tabelas são ingestão recomendada, não um suplemento. E as dietas de exclusão feitas sem apoio, sobretudo a vegana sem vitamina B12, deixam défices com sequelas neurológicas.

A recusa alimentar dos 2 aos 6 anos é quase sempre neofobia fisiológica, que se resolve com exposição repetida sem pressão e com a divisão de responsabilidades entre pais e criança. Distingue-se da perturbação da ingestão alimentar evitante/restritiva porque não compromete o crescimento nem o estado nutricional.

No outro extremo, a desnutrição aguda grave define-se pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por perímetro braquial abaixo de 115 mm, peso para a estatura abaixo de menos 3 desvios-padrão ou edema bilateral. Trata-se em duas fases, com a fórmula F-75 a 130 mL/kg/dia (100 mL/kg/dia se houver edema grave) e só depois a F-100, porque realimentar depressa provoca a síndrome de realimentação.

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 004/2019 de 14/08/2019: Prevenção e tratamento da deficiência de vitamina D. Lisboa: DGS; 2019.
  2. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 010/2013 de 31/05/2013: Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Lisboa: DGS; 2013.
  3. Moreno Sanz-Gadea B, Moráis López A. Alimentación del niño sano. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. p. 43-8.
  4. del Brío Castillo R, Prieto Bozano G. Sospecha de patología gastroenterológica, hepática o nutricional. Historia clínica y exploraciones complementarias. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. cap. 99, p. 943-4.
  5. San Román Pacheco S, Mozo del Castillo Y. Síndrome anémico. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. cap. 111, p. 1117-25.
  6. Domellöf M, Braegger C, Campoy C, Colomb V, Decsi T, Fewtrell M, et al. Iron requirements of infants and toddlers. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2014;58(1):119-29.
  7. Ziegler EE. Consumption of cow's milk as a cause of iron deficiency in infants and toddlers. Nutr Rev. 2011;69(Suppl 1):S37-42.
  8. Hojsak I, Bronsky J, Campoy C, Domellöf M, Embleton N, Fidler Mis N, et al. Young child formula: a position paper by the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2018;66(1):177-85.
  9. Fewtrell M, Bronsky J, Campoy C, Domellöf M, Embleton N, Fidler Mis N, et al. Complementary feeding: a position paper by the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2017;64(1):119-32.
  10. Fidler Mis N, Braegger C, Bronsky J, Campoy C, Domellöf M, Embleton ND, et al. Sugar in infants, children and adolescents: a position paper of the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2017;65(6):681-96.
  11. Heyman MB, Abrams SA; Section on Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition; Committee on Nutrition. Fruit juice in infants, children, and adolescents: current recommendations. Pediatrics. 2017;139(6):e20170967.
  12. Scientific Advisory Committee on Nutrition. Salt and health. London: The Stationery Office; 2003.
  13. EFSA Panel on Nutrition, Novel Foods and Food Allergens. Dietary reference values for sodium. EFSA J. 2019;17(9):5778.
  14. Institute of Medicine. Dietary reference intakes for calcium and vitamin D. Washington (DC): National Academies Press; 2011.
  15. Institute of Medicine. Dietary reference intakes for vitamin A, vitamin K, arsenic, boron, chromium, copper, iodine, iron, manganese, molybdenum, nickel, silicon, vanadium, and zinc. Washington (DC): National Academy Press; 2001.
  16. Verduci E, Köglmeier J, Bronsky J, Domellöf M, Fidler Mis N, Hojsak I, et al. Vegan diet and nutritional status in infants, children and adolescents: a position paper based on a systematic search by the ESPGHAN Nutrition Committee. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2025;81(5):1318-45.
  17. Dovey TM, Staples PA, Gibson EL, Halford JC. Food neophobia and 'picky/fussy' eating in children: a review. Appetite. 2008;50(2-3):181-93.
  18. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5th ed. Arlington (VA): American Psychiatric Publishing; 2013.
  19. World Health Organization. Guideline: updates on the management of severe acute malnutrition in infants and children. Geneva: WHO; 2013.
  20. World Health Organization. Pocket book of hospital care for children: guidelines for the management of common illnesses with limited resources. Geneva: WHO; 2005. cap. 7.
  21. da Silva JSV, Seres DS, Sabino K, Adams SC, Berdahl GJ, Citty SW, et al. ASPEN consensus recommendations for refeeding syndrome. Nutr Clin Pract. 2020;35(2):178-95.
  22. World Health Organization. WHO child growth standards: length/height-for-age, weight-for-age, weight-for-length, weight-for-height and body mass index-for-age. Geneva: WHO; 2006.
  23. de Onis M, Onyango AW, Borghi E, Siyam A, Nishida C, Siekmann J. Development of a WHO growth reference for school-aged children and adolescents. Bull World Health Organ. 2007;85(9):660-7.

12 perguntas sobre Alimentação após o primeiro ano de vida e até à adolescência

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar