Recém-nascido filho de mãe com patologia não infeciosa
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema
O recém-nascido filho de mãe com doença crónica não infeciosa nasce quase sempre saudável, mas com um risco que se conhece antes do parto. A doença da mãe não se transmite: o que atravessa a placenta são metabolitos (a glicose na diabetes, a fenilalanina na fenilcetonúria), anticorpos IgG (no lúpus, na doença de Graves, na miastenia e nas trombocitopenias imunes), fármacos e substâncias, e as consequências de uma placenta insuficiente (na hipertensão e na pré-eclâmpsia).
O momento da exposição define o que se vê. A hiperglicemia nas primeiras 8 semanas dá malformações; a mesma hiperglicemia no resto da gravidez dá hiperinsulinismo fetal, macrossomia, hipoglicemia, policitemia, hipocalcemia, miocardiopatia hipertrófica e dificuldade respiratória. Por isso o diagnóstico começa na história obstétrica e não no exame do bebé, e a vigilância segue uma cronologia: hipoglicemia nas primeiras 12 horas, hipocalcemia a partir das 8 a 12 horas com mínimo às 36 a 48, miastenia neonatal até às 72 horas, tirotoxicose até cerca do décimo dia quando a mãe tomava antitiroideus, exantema do lúpus por volta das 6 semanas.
A doença mediada por anticorpos maternos é transitória, porque as IgG se depuram em semanas a meses. A grande exceção é o bloqueio auriculoventricular congénito do lúpus neonatal, que é fibrose do tecido de condução e não regride. Na trombocitopenia aloimune as plaquetas da mãe são normais e o recém-nascido pode sangrar para o cérebro, e é essa a trombocitopenia que não se pode deixar passar. Na exposição a opioides, o problema é a suspensão ao nascer: a síndrome de abstinência gradua-se com uma escala e trata-se primeiro sem fármacos.
A prevenção é sobretudo antes da conceção: hemoglobina glicada abaixo de 6,5 por cento na diabetes, fenilalanina entre 120 e 360 µmol/L na fenilcetonúria, abandono do valproato, hidroxicloroquina na grávida com anticorpos anti-Ro. No recém-nascido, a regra é alimentar cedo, medir no tempo certo e não dar alta antes de fechada a janela de risco de cada doença.
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