Hipertensão arterial na criança e adolescente
Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema
A pressão arterial da criança sobe com a idade e com a altura e é diferente nos dois sexos, pelo que a hipertensão se define por percentis: pressão sistólica ou diastólica no percentil 95 ou acima, para a idade, o sexo e a altura, confirmada por auscultação em três visitas diferentes. A partir dos 13 anos a Academia Americana de Pediatria passa aos valores fixos do adulto, com hipertensão a partir de 130/80 mm Hg; a orientação europeia mantém os percentis até aos 16 anos.
A hipertensão confirmada atinge cerca de 3,5% das crianças e adolescentes, mais na obesidade, na doença renal crónica, na apneia obstrutiva do sono e nos nascidos pré-termo. Quanto mais nova a criança e mais alta a pressão, mais provável é uma causa secundária: abaixo dos 6 anos predomina a doença renal parenquimatosa ou renovascular, e a coarctação da aorta tem de se procurar sempre; no adolescente com obesidade e história familiar predomina a hipertensão primária. As formas endócrinas e monogénicas são raras, mas reconhecem-se pela renina suprimida e pelo potássio alterado, e algumas têm tratamento dirigido.
Quase todas as crianças são assintomáticas e o diagnóstico nasce da medição nas consultas de vigilância, anual a partir dos 3 anos. A técnica decide: braçadeira adequada, braço direito, criança sentada e em repouso, e confirmação por auscultação de qualquer leitura oscilométrica elevada. A monitorização ambulatória confirma o diagnóstico e separa a hipertensão de bata branca da mascarada, e o ecocardiograma procura hipertrofia ventricular esquerda, que é a lesão de órgão-alvo mais estudada.
O tratamento começa sempre pelo estilo de vida; os fármacos entram na hipertensão sintomática, no estádio 2 sem fator modificável, na hipertrofia ventricular, na causa secundária, na diabetes ou na falência das medidas gerais, com inibidores da enzima de conversão, antagonistas do recetor da angiotensina, bloqueadores dos canais de cálcio de longa ação ou tiazidas.
O que não se pode falhar é a coarctação, que se diagnostica palpando os pulsos femorais e medindo a pressão nas pernas, e a crise hipertensiva, em que a pressão tem de descer depressa mas nunca de uma vez: no máximo um quarto da descida planeada nas primeiras 8 horas.
Referências
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