Sépsis pediátrica e neonatal
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema
A sépsis é a disfunção de órgão causada por uma resposta desregulada do organismo a uma infeção. Na criança e no adolescente, desde 2024, define-se pelos critérios de Phoenix: infeção suspeita ou confirmada com 2 ou mais pontos numa escala de quatro sistemas (respiratório, cardiovascular, coagulação e neurológico). O choque sético é a sépsis com pelo menos um ponto cardiovascular. A definição antiga, baseada na resposta inflamatória sistémica, caiu porque febre, taquicardia e leucocitose são comuns em crianças com infeções banais.
O que a torna traiçoeira na criança é a fisiologia: a pressão arterial mantém-se à custa de taquicardia e vasoconstrição até muito tarde, e a hipotensão, quando aparece, anuncia a descompensação. O alarme é a taquicardia que não cede, a má perfusão, a alteração da consciência e a oligúria. No recém-nascido a sépsis apresenta-se de forma ainda mais vaga, e a doença meningocócica pode passar de um quadro gripal a púrpura e choque em poucas horas.
O diagnóstico é clínico e o tratamento não espera pelos exames. Colhe-se hemocultura sem atrasar o antibiótico, que entra na primeira hora no choque e até às 3 horas na sépsis sem choque, escolhido pela idade: ampicilina com gentamicina ou cefotaxima no recém-nascido, ampicilina com ceftriaxona entre 1 e 3 meses, ceftriaxona depois. Os fluidos dão-se em bólus de 10 a 20 mL/kg, reavaliando entre cada um e parando aos sinais de sobrecarga, e o choque que persiste recebe adrenalina ou noradrenalina, mesmo por via periférica ou intraóssea.
Não se pode falhar a taquicardia atribuída à febre numa criança que parece doente, o recém-nascido que só está «diferente» e a petéquia nas primeiras horas de febre. A prevenção assenta na profilaxia intraparto do estreptococo do grupo B, nas vacinas conjugadas contra o pneumococo, o meningococo e o Haemophilus influenzae tipo b, e no controlo das infeções associadas a cateteres.
Referências
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11 perguntas sobre Sépsis
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