Meningite e meningoencefalite
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema
A meningite bacteriana da criança é uma emergência: o antibiótico começa na primeira hora, e o atraso paga-se em morte e em sequelas, sobretudo surdez. O agente muda com a idade. No primeiro mês de vida vem da mãe, no parto: estreptococo do grupo B, Escherichia coli e Listeria monocytogenes. Entre 1 e 3 meses há uma zona de transição, e a partir dos 3 meses dominam o meningococo e o pneumococo; o Haemophilus influenzae tipo b só aparece na criança por vacinar.
Quanto mais nova a criança, mais inespecífico o quadro: no lactente contam a febre ou a hipotermia, a recusa alimentar, a prostração, as convulsões e a fontanela abaulada; a criança maior tem cefaleia, vómitos, fotofobia e sinais meníngeos. A púrpura aponta para o meningococo. O diagnóstico faz-se pela punção lombar, que se adia na instabilidade, na coagulopatia e na púrpura extensa, e que só pede imagem antes quando há focalidade ou hipertensão intracraniana.
O esquema empírico segue a idade: ampicilina com cefotaxima no recém-nascido e com ceftriaxona até aos 3 meses, porque a Listeria escapa às cefalosporinas, e ceftriaxona depois, com vancomicina se houver risco de pneumococo resistente. A dexametasona dá-se acima dos 3 meses, antes ou com a primeira dose de antibiótico, e só se mantém no pneumococo e no Hib. A duração vem da norma portuguesa, de 7 dias no meningococo a 14 a 21 no estreptococo do grupo B e na Listeria. Os contactos de meningococo e de Hib fazem quimioprofilaxia; os de pneumococo não.
A meningite vírica, quase sempre por enterovírus, é mais frequente e benigna. A encefalite, com febre e alteração da consciência, trata-se com aciclovir desde a suspeita, porque o herpes simples é a causa mais frequente de encefalite grave. O que não se pode falhar é atrasar o antibiótico pela imagem ou pela punção, esquecer a ampicilina no lactente pequeno, dar ceftriaxona ou dexametasona ao recém-nascido e deixar a audição por avaliar.
Referências
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- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 006/2014 de 08/05/2014, atualizada a 17/11/2022. Duração de terapêutica antibiótica em patologia infeciosa. Lisboa: DGS; 2022.
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- National Institute for Health and Care Excellence. Neonatal infection: antibiotics for prevention and treatment (NG195). London: NICE; 2021 (atualizada em 2026).
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- Sadarangani M, Pollard AJ. Meningococcal infections. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Chapter 155.
14 perguntas sobre Meningite e meningoencefalite
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