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Infeções do trato urinário

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

A infeção do trato urinário é o crescimento de um uropatógeno na urina, colhida por técnica adequada, numa criança com sintomas compatíveis. É a infeção bacteriana grave mais frequente no lactente com febre sem foco: entre 1 e 24 meses, cerca de 5 a 7% dessas crianças têm uma. A Escherichia coli domina, e a via é quase sempre ascendente, a partir da flora intestinal e perineal.

A clínica depende da idade. No lactente é febre sem foco, recusa alimentar, vómitos ou irritabilidade; na criança que já fala aparecem a disúria, a polaquiúria e a incontinência de novo. O que importa separar é a pielonefrite, febril e com risco de cicatriz renal, da cistite, que fica na bexiga.

O diagnóstico faz-se com uma urina bem colhida. A tira-teste e o sedimento orientam o início do antibiótico, mas só a urocultura confirma, e a sua leitura depende do método de colheita. O saco coletor serve para excluir, nunca para confirmar.

O tratamento é antibiótico precoce, oral na maioria, escolhido pelas resistências locais e ajustado depois ao antibiograma. Internam-se os lactentes até aos 3 meses e as crianças com mau estado geral, intolerância oral ou sem reavaliação garantida às 48 a 72 horas. A imagem serve para procurar uropatia e cicatriz: a ecografia renal e vesical é o primeiro exame, e a cistouretrografia e a cintigrafia têm indicações seletivas.

O que não se pode falhar é o lactente pequeno séptico, a febre que não cede às 48 a 72 horas, que obriga a procurar obstrução ou abcesso, e a disfunção vesical e intestinal na criança continente com infeções de repetição, que se trata com medidas de eliminação e não com antibiótico. O que é comum ao adulto está em infeções das vias urinárias no adulto.

Agentes

agentecontexto
Escherichia colia maioria dos casos; 53 a 81% nos hospitais portugueses
Proteus mirabilisrapaz com fimose; a urease alcaliniza a urina e favorece cálculos de estruvite
Klebsiella, Enterobacter, Citrobacter, Pseudomonasantibioterapia prévia, internamentos, algaliação ou uropatia
Enterococcus faecalislactente pequeno; pode não alterar a tira-teste
Staphylococcus saprophyticusadolescente sexualmente ativa
Candidaimunodeprimido, antibioterapia prolongada, algália permanente
Adenovíruscistite hemorrágica

Vias de infeção

  • Ascendente, a mais frequente: bactérias da flora intestinal colonizam a região periuretral e sobem à bexiga, ao ureter e ao rim. A uretra curta da rapariga e a colonização do prepúcio no rapaz não circuncidado explicam a epidemiologia.
  • Hematogénea: predomina no período neonatal, no contexto de sépsis por bacilos de Gram negativo.

Virulência da Escherichia coli uropatogénica

  • Fímbrias do tipo 1: ligam-se à manose do urotélio da bexiga e iniciam a cistite.
  • Fímbrias P: ligam-se a recetores do epitélio renal; são as da pielonefrite e da invasão da corrente sanguínea a partir do rim.
  • Toxinas (hemolisina), captação de ferro, cápsula e biofilme ajudam a bactéria a persistir.

Defesas do hospedeiro

  • O fluxo urinário e o esvaziamento vesical completo arrastam as bactérias; tudo o que causa estase ou resíduo favorece a infeção.
  • Imunidade inata: recetores toll-like, citocinas e a proteína de Tamm-Horsfall. O aleitamento materno exclusivo protege.

Fatores predisponentes

  • Anatómicos: refluxo vesicoureteral, sobretudo de alto grau, uropatia obstrutiva, fimose, cálculos.
  • Funcionais: disfunção vesical (urgência, micção disfuncional, bexiga hipoativa) e obstipação; o reto cheio comprime a bexiga e deixa resíduo.
  • Neurológicos: bexiga neurogénica.
  • Atividade sexual na adolescente.

Da pielonefrite à cicatriz

A cicatriz renal nasce da resposta inflamatória ao chegar ao parênquima. O refluxo, sozinho, não lesa: o que lesa é a urina infetada que chega ao rim, e por isso o refluxo dilatante aumenta o risco de pielonefrite e de cicatriz. O risco sobe com o atraso do antibiótico e com o número de episódios febris.

Quando analisar a urina

A norma portuguesa torna obrigatória a análise de urina sempre que haja suspeita clínica:

  • em toda a criança com 24 meses ou menos e febre sem foco;
  • acima dos 24 meses, com febre e dor abdominal ou lombar, disúria, polaquiúria, hematúria ou incontinência urinária de início recente.

Colheita

É aqui que se erra mais, e a colheita é sempre feita antes do antibiótico.

situaçãométodo
criança com controlo de esfíncteresjato médio, depois de lavar os genitais com água e sabão
sem controlo de esfíncteres e com necessidade de antibiótico imediatoalgaliação ou punção suprapúbica
sem controlo de esfíncteres, alto risco de infeçãoalgaliação ou punção suprapúbica
sem controlo de esfíncteres, sem necessidade de antibiótico imediato e baixo riscosaco coletor, como rastreio

O saco coletor contamina-se com frequência pela flora perineal. Negativo, tem valor; alterado, obriga a nova colheita por algaliação ou punção suprapúbica antes de tratar. Troca-se o saco, com nova lavagem, de 30 em 30 minutos.

A punção suprapúbica é a técnica de referência: faz-se 1 hora depois da última micção, idealmente guiada por ecografia, 1 cm acima da sínfise púbica. A urina processa-se em 1 hora ou refrigera-se a 2 a 8 °C até 4 horas.

Risco de infeção na criança sem controlo de esfíncteres (alto risco com 2 ou mais fatores):

rapazrapariga
raça brancaraça branca
temperatura de 39 °C ou maisidade inferior a 12 meses
febre há mais de 24 horastemperatura de 39 °C ou mais
ausência de outro focofebre há mais de 48 horas
infeção urinária préviaausência de outro foco; infeção urinária prévia

Tira-teste e sedimento

  • Nitritos: precisam de cerca de 4 horas de urina na bexiga para se formarem. Positivos, são muito específicos; negativos, não excluem, sobretudo no lactente, que esvazia a bexiga muitas vezes. O enterococo não os produz.
  • Esterase leucocitária: mais sensível e menos específica; pode ser positiva por infeção fora do trato urinário.
  • Esterase ou nitritos positivos: sensibilidade de 93% e especificidade de 72%.
  • Sedimento: piúria com mais de 5 leucócitos por campo de grande ampliação; a bacteriúria no Gram de urina fresca não centrifugada é o teste isolado com melhor desempenho. Abaixo dos 24 meses prefere-se o sedimento; depois, a tira chega.

Regras da norma:

  • Tira-teste alterada: urocultura obrigatória.
  • Menos de 3 meses: sedimento, se possível com Gram, e urocultura, sempre.
  • 3 a 24 meses, ou sem controlo de esfíncteres, com tira negativa: urocultura só se tiver ar tóxico ou alto risco.
  • Mais de 24 meses com controlo de esfíncteres e tira negativa: urocultura se os sintomas forem específicos de infeção urinária; não se faz se forem inespecíficos.

Urocultura

Confirma o diagnóstico e dá o antibiograma, mas demora pelo menos 48 horas. O limiar depende do método de colheita:

colheitanorma portuguesaoutras referências
punção suprapúbicaqualquer crescimentoigual; o manual La Paz aceita mais de 1000 UFC/mL de Gram positivo
algaliaçãomais de 10 000 a 100 000 UFC/mL50 000 UFC/mL com piúria (AAP, academia americana de pediatria, 2 a 24 meses)
jato médiomais de 100 000 UFC/mL100 000 UFC/mL de um só agente
saco coletorsó vale se for negativaa EAU/ESPU (associação europeia de urologia e sociedade europeia de urologia pediátrica) desaconselha-o

(UFC: unidades formadoras de colónias.)

  • Culturas mistas sugerem contaminação.
  • Uma urocultura negativa não exclui infeção se já houve antibiótico, se se usaram antisséticos na lavagem ou se há poliúria.
  • A EAU/ESPU aceita limiares mais baixos: 1000 a 10 000 UFC/mL de um só agente na algaliação e no jato médio, e 1000 UFC/mL abaixo dos 4 meses quando a clínica e a colheita estão certas.
  • Não se repete a urina durante nem depois do tratamento se a evolução for boa.

Pielonefrite ou cistite

  • A distinção é clínica: febre de 38 °C ou mais, ou dor lombar, é pielonefrite.
  • Apoiam a pielonefrite a neutrofilia, a proteína C reativa acima de 20 mg/L e a procalcitonina acima de 1,0 ng/mL, o limiar mais recente para prever pielonefrite (EAU/ESPU 2026); o manual La Paz, mais antigo, dá 0,5 ng/mL como marcador precoce de inflamação do parênquima. A proteína C reativa sozinha não distingue.
  • A cintigrafia com ácido dimercaptossuccínico (DMSA) na fase aguda é o padrão de referência para localizar a infeção, mas não se usa por rotina.
  • Nas infeções febris no hospital: hemograma, proteína C reativa, função renal e ionograma; hemocultura se há febre com aspeto séptico ou no lactente pequeno.

A imagem: procurar a uropatia

A imagem não diagnostica a infeção; procura malformação, obstrução, refluxo e cicatriz. É aqui que as guidelines divergem, e a norma portuguesa não trata a imagem (deixa de fora a investigação depois do episódio).

exameAAP (2 a 24 meses)NICE NG224 (instituto nacional britânico de saúde e excelência clínica)EAU/ESPU
ecografia renal e vesicaldepois da primeira infeção febrilabaixo dos 6 meses, sempre; acima, só se atípica ou recorrente (tempos na figura)depois de toda a infeção febril; nas primeiras 24 horas no lactente e na criança doente
cistouretrografia miccionalse a ecografia mostrar hidronefrose, cicatriz ou sinais de refluxo de alto grau ou obstrução, se o quadro for atípico, e na recorrência febrilabaixo dos 6 meses se atípica ou recorrente; dos 6 meses aos 3 anos ponderar se dilatação, jato fraco, agente que não a E. coli ou história familiar de refluxoponderar na infeção febril abaixo de 1 ano, na atípica, na recorrente e com ecografia alterada
cintigrafia com DMSAnão entra na avaliação recomendada4 a 6 meses depois, se atípica ou recorrente (acima dos 3 anos, só se recorrente)ponderar pelo menos 6 meses depois de uma infeção febril

Na prática:

  • A ecografia renal e vesical pede-se depois da primeira infeção febril, que é o que dizem a AAP e a EAU/ESPU, e faz-se na fase aguda se a infeção for atípica, se o doente estiver grave ou se não houver resposta às 48 horas. A NICE é mais restritiva e dispensa-a acima dos 6 meses quando a resposta é boa, como mostra a figura. Na criança continente, a ecografia faz-se com a bexiga cheia e mede o resíduo pós-miccional, e pode mostrar fecalomas.
  • A cistouretrografia não se pede a todos depois da primeira infeção febril. Faz-se longe da fase aguda, com a urina estéril; a NICE recomenda antibiótico oral durante 3 dias, com o exame no segundo.
  • A cintigrafia tardia procura cicatriz; feita cedo demais confunde a lesão aguda, que pode regredir, com a cicatriz definitiva.

Diagnóstico diferencial

  • Sintomas miccionais sem infeção: vulvovaginite, oxiurose ou outra parasitose intestinal, cristalúria, disfunção miccional.
  • Piúria com urocultura negativa: antibiótico prévio, litíase, corpo estranho, tuberculose ou Chlamydia trachomatis.
  • Na adolescente com disúria, a infeção sexualmente transmissível pode ser tratada por engano como cistite.
  • A esterase leucocitária positiva pode refletir febre de outra origem.
Imagem depois de uma ITU na criança: o esquema da NICE Por idade e evolução clínica (NICE NG224, 2022). É o esquema mais restritivo; ver a nota em baixo. Idade Boa resposta em 48 horas ITU atípica ITU recorrente Menos de 6 meses Ecografia até às 6 semanas Se alterada, ponderar cistouretrografia Ecografia na fase aguda Cintigrafia aos 4 a 6 meses Cistouretrografia Ecografia na fase aguda Cintigrafia aos 4 a 6 meses Cistouretrografia 6 meses a 3 anos Sem imagem por rotina Ecografia na fase aguda Cintigrafia aos 4 a 6 meses Cistouretrografia só se (1) Ecografia até às 6 semanas Cintigrafia aos 4 a 6 meses 3 anos ou mais Sem imagem por rotina Ecografia na fase aguda Ecografia até às 6 semanas Cintigrafia aos 4 a 6 meses (1) Dos 6 meses aos 3 anos a cistouretrografia não é de rotina; pondera-se se houver dilatação na ecografia, jato urinário fraco, agente que não seja a Escherichia coli ou história familiar de refluxo vesicoureteral. Legenda Ecografia renal e vesical: exame de primeira linha, sem radiação Cintigrafia com ácido dimercaptossuccínico (DMSA): procura cicatriz renal Cistouretrografia miccional: procura refluxo vesicoureteral; exame seletivo Onde as guidelines divergem A AAP (2 a 24 meses) e a EAU/ESPU pedem ecografia depois de toda a primeira ITU febril, também acima dos 6 meses com boa resposta. A EAU/ESPU pondera ainda cistouretrografia em toda a ITU febril abaixo de 1 ano. A norma portuguesa não trata a imagem.
Esquema original InovaQB, baseado na NICE NG224 (2022), com a divergência da AAP (2011) e da EAU/ESPU (2026).

Disfunção vesical e intestinal

É o fator modificável que mais rende na criança continente, e a EAU/ESPU recomenda procurá-la em toda a criança com controlo de esfíncteres e infeção febril ou recorrente.

  • Reconhecer: urgência, manobras de contenção, incontinência diurna, micções raras e adiadas, e obstipação.
  • Tratar a obstipação, que reduz as recorrências.
  • Reeducar a micção: micções regulares, de 2 em 2 ou de 3 em 3 horas, sem adiar, com postura correta e tempo suficiente; nalguns casos, anticolinérgicos ou biofeedback.
  • Ingestão hídrica suficiente e acesso a casas de banho limpas, para a criança não adiar a micção.
  • Higiene cuidadosa dos genitais externos.

Estas medidas são as que a norma portuguesa manda ensinar aos pais, a par dos sinais que fazem voltar ao médico: febre sem foco e sintomas urinários.

Outras medidas

  • O aleitamento materno exclusivo protege.
  • Fimose: no rapaz com fimose fisiológica e infeções, o corticoide tópico reduz as recorrências. A circuncisão reduz o risco, mas o número necessário tratar é alto numa criança com vias urinárias normais; compensa mais nas válvulas da uretra posterior e no refluxo.
  • Arando e probióticos: o arando reduziu recorrências na criança com vias urinárias normais, com evidência moderada; os probióticos têm resultados contraditórios e usam-se só como adjuvante.

Profilaxia antibiótica

  • Não se faz por rotina depois de uma primeira infeção (norma portuguesa e NICE). Não demonstrou reduzir a lesão renal nova e aumenta as resistências.
  • Num grande ensaio aleatorizado em crianças com refluxo de graus I a IV depois de uma primeira ou segunda infeção, o cotrimoxazol em dose profilática reduziu as recorrências para metade (13% contra 24%) mas não reduziu as cicatrizes (11,9% contra 10,2%), e as E. coli das recorrências eram resistentes em 63% contra 19%.
  • Indicações seletivas:
    • refluxo diagnosticado no primeiro ano de vida depois de uma infeção, qualquer que seja o grau;
    • refluxo dilatante, sobretudo com disfunção vesical e intestinal, enquanto esta não está tratada;
    • megaureter, no primeiro ano de vida, e suspeita de obstrução enquanto se espera correção;
    • infeções recorrentes, individualizando.
  • Como: uma dose ao deitar, a um quarto ou a metade da dose de tratamento.
fármacodose profiláticalimite de idade
trimetoprim2 mg/kg/dianão abaixo das 6 semanas
cotrimoxazol1 a 2 mg/kg/dia de trimetoprimnão abaixo dos 2 meses
nitrofurantoína1 a 2 mg/kg/dianão abaixo dos 2 meses
amoxicilina10 a 15 mg/kg/diaprimeira escolha abaixo dos 2 meses (manual La Paz)
  • A nitrofurantoína em uso prolongado pode causar toxicidade hepática e pulmonar.
  • A infeção que surge durante a profilaxia trata-se com um antibiótico diferente.
  • Detalhe do refluxo e das malformações em malformações do trato urinário.

O que não se faz

  • Não tratar a bacteriúria assintomática, nem dar profilaxia por causa dela: não traz benefício e seleciona resistências.
  • Não pedir uroculturas de controlo em crianças sem sintomas.

O objetivo é aliviar os sintomas, erradicar a infeção e evitar a cicatriz renal. O antibiótico começa logo a seguir à colheita, na criança com suspeita clínica e leucocitúria, nitritúria ou bacteriúria numa urina bem colhida; o atraso aumenta o risco de lesão renal, sobretudo para lá de 48 a 72 horas.

Onde tratar

A norma portuguesa recomenda internar a criança com infeção febril e pelo menos um destes critérios:

  • idade de 3 meses ou menos;
  • mau estado geral: desidratação, má perfusão, sépsis;
  • intolerância oral ao tratamento ou à alimentação;
  • más condições sociofamiliares;
  • impossibilidade de reavaliação em 48 a 72 horas;
  • ausência de resposta ou agravamento sob antibiótico oral.

Pesam ainda a uropatia conhecida, a doença renal crónica e a imunodeficiência.

Via

  • Oral na maioria: tão eficaz como a endovenosa na resolução da febre, na recorrência e na cicatriz.
  • Endovenosa na infeção grave, com mau estado geral, vómitos ou desidratação, e no lactente pequeno: a NICE dá antibiótico parentérico abaixo dos 3 meses e a EAU/ESPU abaixo dos 2 meses.
  • Passa-se a oral logo que possível, com melhoria clínica, tolerância oral e apirexia, geralmente 24 a 48 horas depois.

Antibiótico empírico

A escolha segue as resistências locais. Na E. coli dos hospitais portugueses, a resistência à ampicilina é de 45 a 55% e ao cotrimoxazol de 19 a 31%, pelo que nenhum dos dois serve de empírico; à amoxicilina com ácido clavulânico é de 6 a 22%, à cefuroxima de 1 a 4% e à nitrofurantoína de 1 a 5%.

idadeoralendovenosa
1 a 3 mesescefuroxima axetil 20 a 30 mg/kg/dia de 12 em 12 horas; cefixima 8 mg/kg/dia de 12 em 12 horasceftriaxona 50 a 75 mg/kg/dia uma vez por dia; com suspeita de sépsis, associar ampicilina 100 mg/kg/dia de 6 em 6 horas
mais de 3 mesesamoxicilina com ácido clavulânico 20 a 40 mg/kg/dia de amoxicilina de 8 em 8 horas (máximo 2 g/dia); cefuroxima axetil 20 a 30 mg/kg/dia de 12 em 12 horas (máximo 1 g/dia)amoxicilina com ácido clavulânico 75 a 100 mg/kg/dia de 8 em 8 horas (máximo 3 g/dia de amoxicilina); cefuroxima 75 a 150 mg/kg/dia
adolescente, cistitenitrofurantoína 100 mg de 6 em 6 horas; fosfomicina 3 g em dose única; amoxicilina com ácido clavulânico; cefuroxima axetilnão aplicável

(Esquemas da norma da DGS.)

  • Recém-nascido (fora da norma): ampicilina com gentamicina, ou ampicilina com cefotaxima se não se excluiu meningite; as doses estão em febre na criança. A ampicilina cobre o enterococo e a listéria, que as cefalosporinas não cobrem.
  • Nitrofurantoína: não atinge concentrações no parênquima e não serve para a pielonefrite; fica para a cistite.
  • Na uropatia, algaliação ou infeção prévia por Pseudomonas, a escolha é individual, pelas culturas anteriores.
  • Com o antibiograma, só se muda o antibiótico se a evolução não for boa: a resistência in vitro nem sempre corresponde à atividade in vivo.

Duração

situaçãonorma portuguesaoutras referências
infeção febril7 a 14 diasAAP: 7 a 14 dias; EAU/ESPU: 4 a 7 dias
infeção não febril3 a 4 dias3 a 5 dias (EAU/ESPU, manual La Paz)
nefronia lobar ou abcesso renalnão aplicável2 a 3 semanas, endovenoso com dois antibióticos e depois oral (manual La Paz); 3 semanas no total (EAU/ESPU)

Reavaliação às 48 a 72 horas

  • É obrigatória, seja qual for a via. Em 90% dos casos a febre cede em 24 a 48 horas.
  • Boa evolução: mantém-se o antibiótico, sem urina de controlo.
  • Febre persistente ou agravamento: confirmar a sensibilidade do agente, repetir a urocultura, fazer ecografia à procura de obstrução, abcesso ou nefronia, e ponderar internamento para antibiótico endovenoso.

Medidas gerais

  • Hidratação, analgesia e antipirético.
  • Ensinar aos pais a importância de cumprir o tratamento, a possibilidade de recorrência e os sinais que obrigam a voltar.
  • A dexametasona adjuvante não reduziu as cicatrizes e não se usa.

Seguimento e referenciação

  • Uma primeira infeção típica, por E. coli, com boa resposta e ecografia normal, segue-se nos cuidados de saúde primários.
  • Referencia-se à consulta de nefrologia pediátrica a infeção atípica ou recorrente, a imagem alterada, a disfunção urinária, a cicatriz renal ou sinais de doença renal crónica.
  • Na criança com defeitos do parênquima: altura, peso, tensão arterial e pesquisa de proteinúria. Um defeito pequeno e unilateral não pede vigilância prolongada, salvo recorrências ou risco de hipertensão; os bilaterais, a função renal diminuída, a hipertensão ou a proteinúria ficam com a nefrologia pediátrica.

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 008/2012, de 16/12/2012: Diagnóstico e tratamento da infeção do trato urinário em idade pediátrica. Lisboa: DGS; 2012.
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  3. Subcommittee on Urinary Tract Infection. Reaffirmation of AAP clinical practice guideline: the diagnosis and management of the initial urinary tract infection in febrile infants and young children 2-24 months of age. Pediatrics. 2016;138(6):e20163026.
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  6. Gnech M, Bujons A, Radmayr C, 't Hoen L, Bogaert G, Burgu B, et al. Update and summary of the EAU/ESPU paediatric guidelines on urinary tract infection in children. J Pediatr Urol. 2026;22(2):105481.
  7. Gnech M, 't Hoen L, Zachou A, Bogaert G, Castagnetti M, O'Kelly F, et al. Update and summary of the European Association of Urology/European Society of Paediatric Urology paediatric guidelines on vesicoureteral reflux in children. Eur Urol. 2024;85(5):433-42.
  8. Hoberman A, Greenfield SP, Mattoo TK, Keren R, Mathews R, Pohl HG, et al. Antimicrobial prophylaxis for children with vesicoureteral reflux. N Engl J Med. 2014;370(25):2367-76.
  9. Lázaro Ramos J, Criado Muriel C, Bravo Feito J. Infecciones del tracto urinario. In: Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. p. 1455-67.
  10. Gupta K, Trautner BW. Urinary tract infections, pyelonephritis, and prostatitis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editores. Harrison's principles of internal medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw Hill; 2022.

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