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Abordagem à criança com febre e síndromes febris

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 19 perguntas neste tema

Em resumo

A febre é um dos motivos de consulta mais frequentes em pediatria e, na grande maioria das crianças, traduz uma infeção vírica autolimitada, que dura em média cerca de quatro dias. O trabalho não é baixar a temperatura: é reconhecer, no meio de muitas crianças com doença banal, a pequena minoria com infeção bacteriana grave, como a sépsis, a meningite, a infeção urinária ou a pneumonia.

A idade é o primeiro filtro. No recém-nascido o risco de infeção bacteriana é alto, o exame objetivo engana e a conduta é fixa: avaliação séptica completa, internamento e antibiótico endovenoso. Entre o primeiro e o terceiro mês estratifica-se pelo estado geral, pela urina e pelos biomarcadores, e a infeção urinária é a infeção bacteriana grave mais frequente. Acima dos três meses, com as vacinas conjugadas a tornarem rara a bacteriemia oculta, a abordagem é sobretudo clínica.

Em Portugal, a norma da DGS da febre de curta duração classifica cada criança num de três níveis de risco, R1, R2 e R3, a partir da cor, da atividade, da respiração, da circulação e hidratação e dos sinais neurológicos. É o nível de risco, com a idade, que decide se a criança fica em vigilância nos cuidados de saúde primários, se passa as primeiras horas em observação hospitalar ou se é internada.

O antipirético trata o desconforto e não o termómetro: não previne convulsões febris e a descida da temperatura não exclui doença grave. Quando a febre se prolonga, o raciocínio muda: aos cinco dias pensa-se em doença de Kawasaki, e para lá de oito dias sem diagnóstico apesar de estudo cuidadoso fala-se em febre de origem indeterminada, em que a infeção, a doença inflamatória e a neoplasia disputam a explicação.

O que não se pode falhar é o lactente pequeno com febre tratado como uma criança maior, as petéquias que surgem nas primeiras 24 horas de febre e o antibiótico empírico dado sem colheitas, que pode esconder uma meningite, uma endocardite ou uma osteomielite.

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 014/2018, de 03/08/2018: Processo Assistencial Integrado da Febre de Curta Duração em Idade Pediátrica. Lisboa: DGS; 2018.
  2. Direção-Geral da Saúde. Febre na criança/adolescente: folheto informativo para pais e cuidadores. Anexo à Norma n.º 014/2018. Lisboa: DGS; 2018.
  3. National Institute for Health and Care Excellence. Fever in under 5s: assessment and initial management. NICE guideline NG143. Londres: NICE; 2019 (atualizada em 26 de novembro de 2021).
  4. Pantell RH, Roberts KB, Adams WG, Dreyer BP, Kuppermann N, O'Leary ST, et al. Evaluation and management of well-appearing febrile infants 8 to 60 days old. Pediatrics. 2021;148(2):e2021052228.
  5. Gomez B, Mintegi S, Bressan S, Da Dalt L, Gervaix A, Lacroix L, et al. Validation of the "step-by-step" approach in the management of young febrile infants. Pediatrics. 2016;138(2):e20154381.
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  7. Burstein B, Lirette MP, Beck C, Chauvin-Kimoff L, Chan K. Management of well-appearing febrile young infants aged ≤90 days. Paediatr Child Health. 2024;29(1):50-66.
  8. Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez AJ, Barreda Bonis AC, Menéndez Suso JJ, Ruiz Domínguez JA, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. Capítulos 18 (Fiebre), 115 (Neutropenia) e 132 (Enfermedades exantemáticas de origen infecioso).
  9. McCrindle BW, Rowley AH, Newburger JW, Burns JC, Bolger AF, Gewitz M, et al. Diagnosis, treatment, and long-term management of Kawasaki disease: a scientific statement for health professionals from the American Heart Association. Circulation. 2017;135(17):e927-99.
  10. Jone PN, Tremoulet A, Choueiter N, Dominguez SR, Harahsheh AS, Mitani Y, et al. Update on diagnosis and management of Kawasaki disease: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2024;150(23):e481-500.
  11. Fever and febrile syndromes. In: Wing EJ, Schiffman FJ, editores. Cecil essentials of medicine. 10.ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2022.
  12. Lowenstein DH. Seizures and epilepsy. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's principles of internal medicine. 20.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2018.
  13. Roos KL, Tyler KL. Acute meningitis. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's principles of internal medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022.

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