Gastrenterologia›Abordagem à criança com vómitos, diarreia ou obstipação e/ou encopresePublicado (Premium)

Abordagem à criança com vómitos, diarreia ou obstipação e/ou encoprese

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 23 perguntas neste tema

Em resumo

Vómitos, diarreia e obstipação estão entre os motivos mais frequentes de consulta e de urgência em pediatria. Na grande maioria das vezes a causa é benigna (uma gastrenterite vírica, a regurgitação do lactente, uma obstipação funcional), e a tarefa é reconhecer depressa a minoria que não o é.

No vómito, a idade e o conteúdo orientam: nas primeiras semanas pensa-se em estenose hipertrófica do piloro, que dá vómito em jato não bilioso, e em malrotação com volvo; no lactente, em invaginação intestinal; na criança mais velha, em apendicite, cetoacidose diabética e hipertensão intracraniana. O vómito bilioso é obstrução até prova em contrário e leva a criança ao cirurgião no mesmo dia.

Na gastrenterite aguda o que decide é a desidratação, que se estima pela perda de peso e por uma escala clínica simples. A solução de reidratação oral de osmolaridade reduzida trata a maioria, a sonda nasogástrica vem antes da veia, o aleitamento nunca se suspende e a alimentação habitual retoma-se nas primeiras horas. Os antidiarreicos não têm lugar, o antibiótico é a exceção e a hipernatremia corrige-se devagar, porque a descida rápida do sódio provoca edema cerebral.

A diarreia que passa das 4 semanas é crónica. No lactente pensa-se em alergia ao leite de vaca, na síndrome pós-enterite e na intolerância aos hidratos de carbono; no pré-escolar, na diarreia crónica inespecífica, que não afeta o crescimento; em qualquer idade, na doença celíaca, que se rastreia com anticorpos anti-transglutaminase e imunoglobulina A total.

A obstipação da criança é quase sempre funcional e diagnostica-se pelos critérios de Roma IV, sem exames. Trata-se desimpactando primeiro e mantendo depois com polietilenoglicol durante meses, e a encoprese é quase sempre o escape de fezes em redor de um fecaloma. O que não se pode falhar é a doença de Hirschsprung, que se suspeita quando o mecónio demora mais de 48 horas ou a obstipação começa no primeiro mês.

Referências

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