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Pneumonites de hipersensibilidade e infiltrados pulmonares com eosinofilia

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

Este tema junta dois grupos de doenças pulmonares imunomediadas que se separam por um exame: o lavado broncoalveolar. Na pneumonite de hipersensibilidade predominam os linfócitos; nos infiltrados pulmonares com eosinofilia predominam os eosinófilos, que também costumam estar aumentados no sangue.

A pneumonite de hipersensibilidade é uma doença intersticial causada pela inalação repetida de um antigénio orgânico por uma pessoa sensibilizada: proteínas de aves, fungos e actinomicetos do feno, e, em Portugal, os fungos da cortiça (suberose) e da casca do queijo. Apresenta-se com tosse e dispneia que melhoram longe da exposição e voltam com ela. A classificação atual divide-a em não fibrótica, reversível com a evicção, e fibrótica, que pode progredir como uma fibrose pulmonar idiopática. O diagnóstico junta a exposição, a TC de alta resolução (nódulos centrilobulares, mosaico e aprisionamento aéreo) e a linfocitose no lavado, e só às vezes a biópsia. Trata-se afastando o antigénio, com corticoide quando há inflamação sintomática e com nintedanib quando a fibrose progride.

Os infiltrados com eosinofilia são um grupo heterogéneo. A pneumonia eosinofílica aguda atinge adultos jovens que começaram há pouco a fumar, simula uma pneumonia grave ou uma síndrome de dificuldade respiratória aguda e tem eosinófilos no lavado mas não no sangue. A crónica atinge sobretudo mulheres com asma, arrasta-se durante semanas e dá infiltrados periféricos. A aspergilose broncopulmonar alérgica complica a asma e a fibrose quística, com IgE total muito elevada e bronquiectasias centrais. A granulomatose eosinofílica com poliangeíte junta asma, eosinofilia e vasculite, e o que a torna grave é o coração. A síndrome hipereosinofílica é eosinofilia persistente com lesão de órgão. Os parasitas causam a síndrome de Löffler, transitória, e a eosinofilia pulmonar tropical, das filárias. Os fármacos são causa frequente e reversível.

Quase todas respondem ao corticoide, e isso cria a armadilha: antes de o dar é preciso procurar o fármaco, o parasita e a vasculite, e excluir o Strongyloides em quem veio de zona endémica. O que não se pode falhar é o antigénio que fica por identificar, a vasculite com envolvimento cardíaco e a pneumonia eosinofílica aguda tratada semanas como pneumonia bacteriana.

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