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Doenças do interstício pulmonar

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 18 perguntas neste tema

Em resumo

As doenças do interstício pulmonar são mais de 200 entidades que inflamam e fibrosam o parênquima. Partilham uma apresentação (dispneia de esforço progressiva e tosse seca, com crepitações em velcro nas bases) e uma assinatura funcional: padrão restritivo, relação entre o volume expiratório máximo no primeiro segundo (FEV1) e a capacidade vital forçada (CVF) normal ou aumentada, e difusão do monóxido de carbono diminuída, muitas vezes a primeira alteração. Antes de as considerar, excluem-se a insuficiência cardíaca, a infeção e a neoplasia.

O primeiro passo é separar as de causa conhecida (poeiras orgânicas e minerais, fármacos, radioterapia, tabaco, doenças do tecido conjuntivo) das idiopáticas. O diagnóstico faz-se por integração em discussão multidisciplinar, com a tomografia de alta resolução no centro: a distribuição e o padrão orientam, e em muitos doentes dispensam a biópsia.

A fibrose pulmonar idiopática é a mais frequente das idiopáticas e a de pior prognóstico: homem acima dos 60 anos, fumador ou ex-fumador, padrão de pneumonia intersticial usual sem causa. Trata-se com antifibróticos (nintedanib ou pirfenidona), que abrandam a perda de função; a imunossupressão de manutenção aumenta a mortalidade. A pneumonite de hipersensibilidade é uma resposta imunológica a um antigénio orgânico, sobretudo aves e bolores, e o tratamento decisivo é afastá-lo. A sarcoidose é uma doença granulomatosa multissistémica do adulto jovem, que muitas vezes remite sem tratamento; trata-se com corticoide quando ameaça um órgão.

As pneumoconioses (silicose, asbestose, carvão, berílio) não têm tratamento e previnem-se na origem; a sílica predispõe à tuberculose e o amianto ao cancro do pulmão e ao mesotelioma. Nas doenças do tecido conjuntivo, a doença intersticial pode ser a primeira manifestação, e por isso se pedem autoanticorpos a todos os doentes. Qualquer destas doenças, quando fibrosa e progride num ano apesar do tratamento, passa a fibrose pulmonar progressiva e beneficia de nintedanib.

O que não se pode falhar: perguntar pelas exposições e pelos fármacos antes de chamar idiopática a uma fibrose, não tratar a fibrose pulmonar idiopática com imunossupressão, rastrear o coração, o olho e o cálcio na sarcoidose, e pensar na exacerbação aguda quando uma «pneumonia» num doente com fibrose não responde aos antibióticos.

Referências

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18 perguntas sobre Doenças do interstício pulmonar

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