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Doenças do interstício pulmonar

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 15 perguntas neste tema

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Em resumo

As doenças do interstício pulmonar (DPI) são um grupo heterogéneo de patologias que partilham o envolvimento difuso do parênquima (interstício, alvéolos e microvasculatura), traduzindo-se num padrão funcional restritivo com difusão diminuída. O eixo diagnóstico moderno é a tomografia computorizada de alta resolução (TCAR), que separa o padrão de pneumonia intersticial usual (sugestivo de fibrose pulmonar idiopática) das formas predominantemente inflamatórias. Distinguir estas entidades é decisivo, porque a orientação terapêutica (antifibróticos versus imunossupressão) diverge por completo.

O diagnóstico das DPI assenta na integração de clínica, função respiratória e imagem, idealmente formalizada em discussão multidisciplinar (DMD) entre pneumologia, radiologia e anatomia patológica.

Clínica. Dispneia de esforço progressiva e tosse seca são cardinais. Ao exame: fervores crepitantes bibasais tipo velcro e, nas formas avançadas, hipocratismo digital. Rastrear sempre exposições (aves, fungos, ocupacionais), fármacos e sintomas de conectivopatia (artralgias, fenómeno de Raynaud, disfagia, xerostomia).

Função respiratória. Confirma o padrão restritivo (CPT e FVC reduzidas, FEV1/FVC preservada) e a DLCO diminuída. A prova de marcha de 6 minutos avalia dessaturação de esforço e prognóstico.

TCAR: o eixo diagnóstico. Permite reconhecer padrões:

  • Pneumonia intersticial usual (PIU): favo de mel (honeycombing), reticulado com predomínio basal e subpleural, bronquiectasias/bronquioloectasias de tração, com escasso vidro despolido. Um padrão de PIU típica, na ausência de causa identificável, sugere fortemente FPI.
  • NSIP (pneumonia intersticial não específica): predomínio de vidro despolido simétrico, poupança subpleural relativa, mais associada a conectivopatias.
  • Pneumonite de hipersensibilidade fibrótica: micronódulos centrilobulares, mosaico de atenuação, aprisionamento aéreo (sinal dos três padrões).
  • Sarcoidose: adenopatias hilares/mediastínicas simétricas e micronódulos de distribuição perilinfática.

FPI, diagnóstico de exclusão. Segundo a guideline ATS/ERS/JRS/ALAT 2022, exige-se: (1) exclusão de causas conhecidas; (2) padrão de PIU em TCAR e/ou histologia; (3) validação em DMD. Quando a TCAR é inequívoca de PIU típica no contexto clínico apropriado, pode dispensar-se a biópsia.

Exames complementares. Painel de autoanticorpos (ANA, fator reumatoide, anti-CCP, miosite, anti-ENA) para excluir conectivopatia. Lavado broncoalveolar é útil sobretudo quando se suspeita de pneumonite de hipersensibilidade (linfocitose) ou sarcoidose. A biópsia (cirúrgica ou criobiópsia transbrônquica) reserva-se para casos em que a imagem não é conclusiva e o resultado altera a conduta.

Doenças do interstício pulmonar — do padrão à terapêutica Assinatura funcional — padrão RESTRITIVO Volumes reduzidos CPT e CV diminuídas sem hiperinsuflação FEV1/FVC normal ou alta queda proporcional não há obstrução DLCO diminuída alteração mais precoce e melhor marcador de gravidade Contrasta com as doenças obstrutivas (asma, DPOC), onde predomina a limitação do débito expiratório. TCAR — o eixo diagnóstico das DPI Integração de clínica + função respiratória + imagem, validada em discussão multidisciplinar (DMD) Padrão PIU (pneumonia intersticial usual) Favo de mel (honeycombing) Reticulado basal e subpleural Bronquiectasias de tração Escasso vidro despolido Distribuição de predomínio basal e periférico. Sugere FPI Fibrose pulmonar idiopática Diagnóstico de exclusão Critérios ATS/ERS/JRS/ALAT 2022 + DMD Homem >60 anos, fumador/ex-fumador Pior prognóstico do grupo Padrões inflamatórios NSIP Vidro despolido simétrico, com poupança subpleural; sugere conectivopatia Sarcoidose Adenopatias hilares simétricas e micronódulos de distribuição perilinfática Pneumonite de hipersensibilidade Mosaico de atenuação e micronódulos centrilobulares; exposição a aves/fungos Pedir autoanticorpos para excluir conectivopatia. Lavado broncoalveolar com linfocitose orienta pneumonite de hipersensibilidade / sarcoidose. Terapêutica da FPI Antifibróticos: pirfenidona ou nintedanibe Abrandam o declínio da FVC (não revertem) ! Imunossupressão contraindicada na FPI (pode ser deletéria) Terapêutica das formas inflamatórias Imunossupressão: corticoides, com poupadores (micofenolato, azatioprina, rituximab) Pneumonite de hipersensibilidade: remover o antigénio é o mais decisivo Fenótipo progressivo fibrosante: DPI não-FPI que progride apesar de terapêutica adequada. Também beneficia de nintedanibe, que reduz o declínio da FVC (ensaio INBUILD).

Referências

  1. Raghu G, Remy-Jardin M, Richeldi L, et al. Idiopathic Pulmonary Fibrosis (an Update) and Progressive Pulmonary Fibrosis in Adults: An Official ATS/ERS/JRS/ALAT Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2022;205(9):e18-e47.
  2. Raghu G, Remy-Jardin M, Ryerson CJ, et al. Diagnosis of Hypersensitivity Pneumonitis in Adults: An Official ATS/JRS/ALAT Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2020;202(3):e36-e69.
  3. Flaherty KR, Wells AU, Cottin V, et al. Nintedanib in Progressive Fibrosing Interstitial Lung Diseases (INBUILD). N Engl J Med. 2019;381(18):1718-1727.
  4. Wijsenbeek M, Cottin V. Spectrum of Fibrotic Lung Diseases. N Engl J Med. 2020;383(10):958-968.
  5. Crouser ED, Maier LA, Wilson KC, et al. Diagnosis and Detection of Sarcoidosis: An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2020;201(8):e26-e51.
  6. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al. (eds). Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.a ed. McGraw-Hill; 2022.

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