Distúrbios da pleura e do mediastino
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 17 perguntas neste tema
A pleura e o mediastino adoecem de maneiras que se reconhecem pelo padrão: líquido, ar ou pus no espaço pleural, e massas ou infeção no compartimento central do tórax. O derrame pleural é o mais frequente e separa-se em dois grupos. O transudato nasce de um desequilíbrio de pressões com a pleura íntegra, e a causa mais comum é a insuficiência ventricular esquerda, seguida da cirrose. O exsudato nasce de doença da própria pleura: pneumonia bacteriana, neoplasia, infeção viral e tromboembolismo pulmonar. Os critérios de Light fazem a separação, e só o exsudato pede investigação da causa local.
A infeção pleural decide-se pelo líquido. Pus franco ou pH igual ou inferior a 7,2 pedem dreno torácico de pequeno calibre, com antibiótico que cubra os anaeróbios durante 2 a 6 semanas; se ficar coleção, juntam-se ativador tecidular do plasminogénio e desoxirribonuclease intrapleurais, e a cirurgia fica para quando isto falha. A escala RAPID, com cinco itens simples, separa os doentes de risco baixo, intermédio e alto de morrer aos três meses. O derrame maligno, sobretudo do pulmão, da mama e do linfoma, é marca de doença disseminada e trata-se para aliviar a dispneia, com pleurodese com talco ou cateter pleural de longa duração, à escolha do doente.
O pneumotórax espontâneo primário surge no homem jovem, alto, magro e fumador, por rutura de pequenas bolhas apicais; o secundário aparece sobre doença pulmonar, quase sempre a doença pulmonar obstrutiva crónica, e tolera-se pior. A decisão já não se guia pelo tamanho: o doente com poucos sintomas pode ficar em vigilância, e o dreno reserva-se para quem tem características de alto risco. O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e descomprime-se de imediato, antes de qualquer imagem.
No mediastino, a primeira pergunta é em que compartimento está a massa. No anterior pensa-se nos quatro T: timoma, tumores de células germinativas (o teratoma entre eles), tiroide e o terrível linfoma; no posterior, nos tumores neurogénicos. A mediastinite aguda segue-se sobretudo à perfuração do esófago e à esternotomia, e, depois da esternotomia, ainda mata mais de um em cada cinco doentes.
O que não se pode falhar: o pneumotórax hipertensivo, o derrame parapneumónico que fica por drenar, a embolia pulmonar como causa esquecida de derrame e a massa do mediastino anterior que colapsa a via aérea quando o doente é sedado.
Referências
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17 perguntas sobre Distúrbios da pleura e do mediastino
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