Neuralgia do trigémeo, paralisia do facial e outros distúrbios dos nervos cranianos
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema
Os nervos cranianos adoecem de duas maneiras: isolados, quase sempre por compressão vascular, inflamação ou isquemia do próprio nervo, ou vários ao mesmo tempo, e então a causa está num sítio por onde passam juntos, como o seio cavernoso, o ângulo pontocerebeloso, o buraco jugular ou as meninges da base.
A neuralgia do trigémeo é dor em choque elétrico, de segundos, no território do segundo ou do terceiro ramo, desencadeada por estímulos que não deviam doer, como falar, mastigar ou lavar a cara. Nasce, na maioria, da compressão da raiz por uma ansa arterial, atinge sobretudo pessoas de meia-idade e idosas, e o exame neurológico é normal. Trata-se com carbamazepina, ou oxcarbazepina quando aquela não é tolerada, e a descompressão microvascular fica para quem não responde ou não tolera. Défice sensitivo, idade jovem ou dor bilateral apontam para uma forma secundária, sobretudo esclerose múltipla.
A paralisia de Bell é a causa mais comum de paralisia facial: instala-se em horas a dois dias, atinge toda a hemiface, incluindo a fronte, e cerca de 80% dos doentes recuperam. Corticoide oral nas primeiras 72 horas e proteção do olho são o tratamento. A fronte poupada aponta para lesão central, as vesículas no ouvido para Ramsay Hunt e a paralisia bilateral para sarcoidose, Guillain-Barré ou doença de Lyme.
Nos nervos oculomotores decide a pupila: um terceiro nervo com midríase, sobretudo com dor, é aneurisma até prova em contrário; com a pupila poupada, o habitual é isquemia microvascular num diabético ou hipertenso, que recupera em meses. O sexto nervo pode falhar só por hipertensão intracraniana. Os nervos baixos, do nono ao décimo segundo, manifestam-se por dor na garganta, disfagia, disfonia, fraqueza do trapézio ou atrofia da língua, e a rouquidão por paralisia do recorrente esquerdo tem mais vezes causa torácica do que craniana.
O que não se pode falhar é o terceiro nervo com pupila dilatada, o seio cavernoso com febre e quemose, o olho que não fecha sem proteção e a parésia facial que poupa a fronte tratada como se fosse Bell.
A neuralgia do trigémeo é dor facial unilateral e paroxística, em choque elétrico, pontada ou facada, de intensidade grave, que dura de uma fração de segundo a 2 minutos, fica confinada a um ou mais ramos do trigémeo e é desencadeada por estímulos inócuos nesse território.
O trigémeo
- É o maior nervo craniano. Sai da ponte, chega ao gânglio de Gasser e divide-se em oftálmico (V1), maxilar (V2) e mandibular (V3).
- É sobretudo sensitivo: face e metade anterior da cabeça. A componente motora segue só em V3 e inerva os músculos da mastigação, como os masséteres e os pterigoideus.
- A córnea é inervada sobretudo por V1, daí o reflexo corneano e o risco de queratite quando V1 perde sensibilidade.
Epidemiologia
- Incidência anual de 4 a 8 por 100 000; é a neuralgia mais frequente no idoso.
- Atinge sobretudo pessoas de meia-idade e idosas, e cerca de 60% são mulheres.
- Evolui por surtos de semanas ou meses, com remissões espontâneas que podem ser longas; na maioria, acaba por recorrer.
Classificação
| forma | o que a define |
|---|---|
| Clássica | compressão neurovascular, e não simples contacto, com alterações morfológicas da raiz (atrofia ou deslocamento) na ressonância ou na cirurgia |
| Secundária | doença subjacente que a explica: esclerose múltipla, tumor do ângulo pontocerebeloso, malformação arteriovenosa |
| Idiopática | nem compressão com alterações da raiz nem causa secundária, depois de estudo adequado |
Qualquer das três pode ser puramente paroxística ou ter dor contínua concomitante entre as crises.
Compressão neurovascular
- Na maioria dos doentes, a raiz é comprimida por um vaso junto à entrada na face lateral da ponte, mais vezes a artéria cerebelosa superior e ocasionalmente uma veia tortuosa.
- A compressão arterial associa-se mais claramente aos sintomas do que a venosa.
- O descaimento do encéfalo com a idade e o espessamento e a tortuosidade dos vasos ajudam a explicar porque a doença é do adulto mais velho.
Da desmielinização à dor
- A compressão desmieliniza as fibras mielinizadas grossas, que conduzem o tato e não a dor.
- Essas fibras tornam-se hiperexcitáveis, geram potenciais de ação ectópicos e acoplam-se eletricamente às fibras finas da dor que lhes ficam ao lado.
- É por isso que um toque leve, conduzido pelas fibras grossas, dispara uma crise de dor. Depois de cada crise há habitualmente um período refratário em que a dor não se consegue desencadear.
Esclerose múltipla
- A raiz do trigémeo mantém mielina central, de oligodendrócito, até cerca de 7 mm depois de sair do tronco, contra poucos milímetros nos outros nervos. Como a esclerose múltipla ataca essa mielina, a neuralgia é frequente nesta doença.
- A causa é uma placa desmielinizante junto à zona de entrada da raiz na ponte.
Lesões estruturais
- Aneurismas, neurofibromas, schwannomas vestibulares e meningiomas causam neuralgia secundária e, ao contrário da forma clássica, costumam deixar défice sensitivo objetivo.
- Crises de dor nos lábios, gengivas, bochecha ou mento; no território de V1 é rara.
- Choques isolados ou em salvas, muitas vezes por dia e também à noite, durante semanas.
- Zonas gatilho na face, nos lábios ou na língua: lavar a cara, escovar os dentes, falar, mastigar, sorrir ou uma corrente de ar desencadeiam a crise.
- A dor pode ser tão intensa que provoca contração dos músculos da hemiface, o esgar que deu o nome antigo de «tic douloureux».
- Podem existir sintomas autonómicos ligeiros, como lacrimejo ou olho vermelho do mesmo lado.
- Entre as crises, a maioria dos doentes está sem dor; na forma com dor contínua concomitante há dor de fundo prolongada na mesma área.
- A bilateralidade é rara e, quando existe, é sequencial e não simultânea.
- Não há défice sensitivo objetivo ao exame.
Critérios
O diagnóstico é clínico. Exige crises recorrentes de dor facial unilateral no território de um ou mais ramos do trigémeo, sem irradiar para fora dele, com as três características (fração de segundo a 2 minutos, intensidade grave, qualidade em choque ou pontada), desencadeadas por estímulos inócuos e sem outro diagnóstico que as explique melhor.
Imagem
- Recomenda-se ressonância magnética a todos os doentes, com sequências de alta resolução dirigidas à raiz, porque nenhuma característica clínica exclui a forma secundária. Quando a ressonância não é possível, usam-se os reflexos trigeminais.
- A ressonância classifica a doença e mostra a relação entre a raiz e os vasos, o que ajuda a decidir a cirurgia.
- Encontrar contacto neurovascular não confirma o diagnóstico: é achado frequente em pessoas saudáveis.
O que aponta para forma secundária
- Idade jovem: o limiar habitual para desconfiar é abaixo dos 40 anos.
- Dor bilateral.
- Défice sensitivo no território do trigémeo ou fraqueza dos músculos da mastigação.
- Dor atípica, contínua ou sem gatilhos.
Diagnóstico diferencial
| entidade | o que a distingue |
|---|---|
| Enxaqueca e cefaleia em salvas | dor profunda e mantida, não superficial e em choque; a cefaleia em salvas tem sintomas autonómicos marcados |
| Cefaleia unilateral breve com injeção conjuntival e lacrimejo | crises curtas com sinais autonómicos exuberantes |
| Arterite de células gigantes | dor facial que não é em choque, mialgias, sintomas sistémicos, velocidade de sedimentação e proteína C reativa elevadas |
| Doença dentária, maxilar ou dos seios perinasais | dor ligada à estrutura, com achados locais |
| Neuralgia pós-herpética | dor em queimadura contínua depois de zóster, sobretudo em V1 |
| Neuralgia do glossofaríngeo | dor na garganta e no ouvido, desencadeada por engolir |
| Neuropatia do trigémeo | hipostesia facial ou fraqueza da mastigação, com dor ou sem ela |
Neuropatia do trigémeo
- Apresenta-se com perda de sensibilidade na face ou fraqueza dos músculos da mastigação; a mandíbula desvia-se, ao abrir, para o lado dos pterigoideus fracos.
- Causas: esclerose múltipla, AVC e tumores no tronco; schwannoma vestibular, meningioma e metástases antes do gânglio; zóster no gânglio; carcinoma da nasofaringe, síndrome de Sjögren, doenças do tecido conjuntivo, sarcoidose e lepra no trajeto periférico.
- A hipostesia isolada do mento (neuropatia mentoniana) pode ser a única manifestação de uma neoplasia sistémica.
- Na lesão do seio cavernoso ou da fissura orbitária superior, a anestesia da córnea expõe à queratite neurotrófica.
Primeira linha
- Carbamazepina em monoterapia. A norma da Direção-Geral da Saúde separa aqui a neuralgia do trigémeo do resto da dor neuropática periférica: não se começa por amitriptilina, duloxetina nem gabapentinoides.
- Se a carbamazepina não for tolerada, oxcarbazepina em monoterapia, com menos toxicidade medular e eficácia provavelmente semelhante.
- A carbamazepina é eficaz em cerca de 50 a 75% dos doentes.
| fármaco | como se usa |
|---|---|
| Carbamazepina | começa com 100 mg por dia com comida e sobe 100 mg a cada 1 a 2 dias, em tomas divididas, até alívio superior a 50%; manutenção habitual de 200 mg quatro vezes por dia; acima de 1200 mg por dia não há benefício adicional |
| Oxcarbazepina | 300 a 1200 mg duas vezes por dia |
- Com resposta, mantém-se habitualmente um mês e depois reduz-se conforme tolerado.
- Efeitos adversos da carbamazepina: tonturas, desequilíbrio, sedação, hiponatremia e, raramente, agranulocitose; vigiam-se o sódio e o hemograma.
- Nos doentes de ascendência chinesa Han ou tailandesa pesquisa-se o alelo HLA-B*15:02 antes de começar, pelo risco de síndrome de Stevens-Johnson.
- A carbamazepina é indutora enzimática e reduz a eficácia da contraceção oral.
Segunda linha e associações
- Lamotrigina (400 mg por dia), gabapentina, pregabalina, baclofeno (5 a 10 mg três vezes por dia, até 20 mg quatro vezes por dia), fenitoína (300 a 400 mg por dia) e toxina botulínica tipo A, sozinhos ou associados.
- Na exacerbação aguda, fosfenitoína ou lidocaína em perfusão endovenosa.
Cirurgia
Propõe-se quando a dor não fica controlada com fármacos ou quando estes não são tolerados.
| técnica | resultados |
|---|---|
| Descompressão microvascular, por craniotomia suboccipital | primeira escolha cirúrgica na forma clássica; eficácia superior a 70%, com poucas recidivas; raramente lesão do oitavo ou do sétimo nervos, do cerebelo ou fístula de líquido cefalorraquidiano |
| Radiocirurgia estereotáxica da raiz | alívio completo, por vezes tardio, em mais de dois terços; recidiva em metade ao fim de 2 a 3 anos; poucas complicações graves |
| Rizotomia térmica por radiofrequência do gânglio | alívio imediato em mais de 95%, recidiva em até um terço; hipostesia facial frequente e queratite quando se trata V1 |
- Na forma idiopática, sem contacto neurovascular na ressonância, preferem-se as técnicas ablativas.
- A forma secundária trata-se, em geral, pelos mesmos princípios.
- O apoio psicológico e de enfermagem faz parte do tratamento.
- As remissões espontâneas são habituais, mas a maioria dos doentes recidiva.
- Com os anos, a dor pode tornar-se mais intensa, as crises mais longas e surgir dor contínua de fundo.
- O medo das crises leva a evitar comer e falar, com perda de peso, e associa-se a ansiedade e depressão.
- Complicações dos fármacos: hiponatremia, sedação, ataxia, agranulocitose e reações cutâneas graves.
- Complicações das técnicas: hipostesia facial, fraqueza dos masséteres (sobretudo nos procedimentos bilaterais), queratite depois de rizotomia de V1 e anestesia dolorosa.
Esclerose múltipla
- Pensa-se nela no adulto jovem e na dor bilateral; um exame cuidadoso encontra muitas vezes hipostesia facial.
- O tratamento segue os mesmos princípios da forma primária.
Neuralgia pós-herpética
- Quando o zóster atinge um nervo craniano, o primeiro ramo do trigémeo é o mais afetado (zóster oftálmico), por vezes com queratoconjuntivite.
- A dor em queimadura pode persistir meses ou anos, sobretudo no idoso, com sensibilidade extrema ao toque mais leve.
- A norma da DGS indica, no doente com mais de 65 anos e dor localizada, o emplastro de lidocaína a 5% como primeira linha, com a dimensão adequada à área; nos restantes, os fármacos da dor neuropática periférica (amitriptilina, duloxetina, gabapentina ou pregabalina).
Gravidez e idade fértil
- Os antiepiléticos são teratogénicos, com risco que cresce com o número de fármacos, e a carbamazepina reduz a eficácia da contraceção oral.
- A carbamazepina e a oxcarbazepina, como indutores enzimáticos, causam défice transitório dos fatores dependentes da vitamina K no recém-nascido.
A paralisia facial periférica resulta de lesão do núcleo ou do nervo facial e atinge toda a hemiface, incluindo a fronte. A paralisia de Bell é a sua forma idiopática, de instalação aguda, e a causa mais frequente de paralisia facial.
O nervo facial
- Inerva todos os músculos da mímica e o estapédio.
- A componente sensitiva, o nervo intermédio, leva o gosto dos dois terços anteriores da língua, pela corda do tímpano, e fibras parassimpáticas para as glândulas lacrimal e salivares.
- Sai da ponte, entra no canal auditivo interno com o oitavo nervo, percorre o canal facial do osso temporal e sai pelo buraco estilomastoideu para a parótida, onde se divide.
Epidemiologia da paralisia de Bell
- Incidência anual de cerca de 25 por 100 000, cerca de uma pessoa em 60 ao longo da vida.
- Fatores de risco: gravidez e diabetes mellitus.
- Recorre em cerca de 7% dos casos.
Paralisia de Bell
- Há inflamação do nervo com células mononucleadas, compatível com causa infeciosa ou imune.
- O ADN do vírus herpes simplex tipo 1 (VHS-1) encontra-se com frequência no líquido endoneural, o que sugere reativação no gânglio geniculado na maioria dos casos; o vírus varicela-zóster associa-se a até um terço e é provavelmente a segunda causa.
- O nervo inflamado e edemaciado fica preso num canal ósseo estreito e inextensível, e a ressonância pode mostrar captação de contraste do gânglio geniculado e do nervo.
Localização pela clínica
| nível da lesão | o que se junta à paralisia da mímica |
|---|---|
| Buraco estilomastoideu | nada; gosto intacto |
| Ouvido médio, com a corda do tímpano | perda do gosto nos dois terços anteriores da língua |
| Nervo do estapédio | hiperacusia |
| Canal auditivo interno | surdez, acufeno ou tonturas, pelo oitavo nervo |
| Dentro da ponte | parésia do sexto nervo e, muitas vezes, sinais das vias longas |
Central ou periférica
- A parte superior da face (frontal e orbicular dos olhos) recebe projeções corticobulbares dos dois hemisférios; a parte inferior recebe só do hemisfério oposto.
- Por isso a lesão supranuclear, como o AVC, poupa relativamente a fronte e o fecho do olho, e a lesão do núcleo ou do nervo atinge a hemiface toda.
- Na lesão central pode haver dissociação entre os movimentos voluntários e emocionais da face, e muitas vezes parésia do braço e da perna ou afasia.
- Instalação bastante súbita, com fraqueza máxima em regra em 48 horas.
- Pode haver dor atrás da orelha um ou dois dias antes.
- Boca descaída, apagamento das pregas, fronte lisa e pálpebras que não fecham.
- Ao tentar fechar os olhos, o globo do lado paralisado roda para cima (sinal de Bell).
- A pálpebra inferior afasta-se do globo e as lágrimas escorrem pela face; a comida acumula-se entre os dentes e o lábio e a saliva escorre pela comissura.
- O doente queixa-se de peso ou dormência na face, mas raramente há défice sensitivo objetivo.
- Conforme o nível da lesão, perda do gosto de um lado e hiperacusia.
Síndrome de Ramsay Hunt
- Reativação do vírus varicela-zóster no gânglio geniculado.
- Paralisia facial grave, com dor intensa no ouvido e vesículas no canal auditivo externo ou no pavilhão, por vezes na faringe ou na boca, e muitas vezes atingimento do oitavo nervo (surdez, vertigem).
- Cerca de 5 por 100 000 por ano, sobretudo depois dos 60 anos.
Diagnóstico clínico
A paralisia de Bell diagnostica-se clinicamente quando há:
- apresentação típica;
- ausência de fatores de risco ou de sintomas prévios de outra causa;
- ausência de vesículas de zóster no canal auditivo;
- exame neurológico normal, à exceção do nervo facial, com atenção especial ao oitavo e aos restantes nervos cranianos.
Gravidade
A escala de House-Brackmann tem seis graus: I normal; II disfunção ligeira; III moderada, com assimetria evidente mas fecho completo do olho; IV moderadamente grave, com fecho incompleto do olho; V grave, só com movimento vestigial; VI paralisia total.
Exames
- Na paralisia de Bell de início recente não se pedem análises nem imagem por rotina.
- Nos casos atípicos ou duvidosos: velocidade de sedimentação ou proteína C reativa, glicemia, serologia de Lyme, enzima de conversão da angiotensina e imagem do tórax pela sarcoidose, punção lombar se se suspeitar de Guillain-Barré, e ressonância.
- O estudo eletrofisiológico não se faz na paralisia incompleta; pode oferecer-se na paralisia completa, pelo valor prognóstico.
Sinais de que não é Bell
- Fronte poupada: lesão central, que pede neuroimagem urgente.
- Instalação lenta ou progressiva: tumores do osso temporal (paraganglioma jugular ou timpânico, colesteatoma, quisto dermoide) ou da parótida.
- Vesículas no ouvido: Ramsay Hunt.
- Paralisia bilateral: sarcoidose, Guillain-Barré e doença de Lyme.
- Outros nervos cranianos atingidos, surdez ou sinais do tronco.
- Paralisia recorrente com edema facial, sobretudo dos lábios, e língua plicada: síndrome de Melkersson-Rosenthal.
Outras causas de paralisia periférica
| causa | pista |
|---|---|
| Doença de Lyme | picada de carraça, eritema migratório; cerca de 10% das paralisias faciais em zonas endémicas; uni ou bilateral |
| Sarcoidose | paralisia muitas vezes bilateral, adenopatias hilares |
| Guillain-Barré | diplegia facial com arreflexia e fraqueza ascendente |
| Schwannoma vestibular | surdez progressiva, com compressão do facial |
| Diabetes, síndrome de Sjögren, amiloidose, lepra | neuropatia facial no contexto da doença |
| Lesões da ponte (enfarte, esclerose múltipla, tumor) | outros sinais do tronco |
Paralisia de Bell
- Corticoide oral nas primeiras 72 horas, a partir dos 16 anos: aumenta a probabilidade de recuperação da função, com diferença absoluta de cerca de 13 a 15%. Um esquema habitual é prednisona 60 a 80 mg por dia durante 5 dias, com redução nos 5 dias seguintes.
- Antivírico: pode oferecer-se associado ao corticoide nas primeiras 72 horas, sobretudo nas formas graves; o benefício, se existir, é pequeno. Nunca antivírico isolado.
- Proteção ocular em todos os doentes com fecho incompleto das pálpebras: lágrimas artificiais durante o dia, pomada lubrificante e oclusão da pálpebra com fita adesiva à noite.
- A descompressão cirúrgica, a acupuntura e a fisioterapia não têm recomendação.
- Na paralisia definitiva há procedimentos de cirurgia plástica que devolvem simetria à face.
Reavaliar ou referenciar
- Sinais neurológicos novos ou agravados, em qualquer momento.
- Sintomas oculares, em qualquer momento.
- Recuperação incompleta 3 meses depois do início.
Síndrome de Ramsay Hunt
- Antivírico e corticoide associados, o mais cedo possível, idealmente nas primeiras 72 horas. Faltam ensaios que provem o benefício do corticoide, mas é a prática corrente.
- O antivírico usa-se nas doses do zóster, por exemplo valaciclovir 1000 mg de 8 em 8 horas durante 7 dias.
- Proteção ocular e tratamento da dor.
Paralisia facial central
- Trata-se a causa (AVC, tumor); não há indicação para corticoide nem para antivírico.
Prognóstico
- Cerca de 80% dos doentes com paralisia de Bell recuperam em semanas ou meses.
- O melhor sinal prognóstico é a paralisia incompleta na primeira semana.
- Sinais de desnervação no eletromiograma depois do 10.º dia indicam degenerescência axonal: a regeneração demora, em regra, 3 meses e pode ficar incompleta.
- No Ramsay Hunt tratado nas primeiras 72 horas, a fraqueza recupera em até 75%.
Complicações
- Queratite de exposição e úlcera da córnea, quando o olho não fecha e não é protegido.
- Na recuperação incompleta, contração difusa e contínua dos músculos da hemiface, com fenda palpebral estreitada e sulco nasogeniano acentuado.
- Sincinesias por regeneração aberrante: fechar o olho repuxa a boca, ou abrir a boca fecha a pálpebra.
- Lágrimas de crocodilo: fibras destinadas às glândulas salivares reinervam a glândula lacrimal, e o doente lacrimeja ao comer.
- Espasmo hemifacial depois da paralisia.
Outras perturbações motoras da face
- Espasmo hemifacial: contrações involuntárias, indolores e irregulares de uma hemiface, na maioria por compressão vascular do facial à saída da ponte. Carbamazepina, gabapentina ou baclofeno nas formas ligeiras; a toxina botulínica alivia durante 3 a 4 meses e pode repetir-se; descompressão cirúrgica nas formas refratárias.
- Blefarospasmo: espasmo involuntário das duas pálpebras, sobretudo no idoso, tratado com toxina botulínica no orbicular.
- Gravidez: é fator de risco para a paralisia de Bell.
- Diabetes: fator de risco e também causa de neuropatia facial.
- Criança e adolescente: a recomendação forte de corticoide aplica-se a partir dos 16 anos, porque abaixo disso a evidência é escassa.
- Paralisia bilateral, simultânea ou em sequência: quase nunca é Bell; investigam-se sarcoidose, Guillain-Barré e doença de Lyme.
Quem inerva o quê
| nervo | músculos | o que falha |
|---|---|---|
| III, oculomotor | retos medial, superior e inferior, oblíquo inferior, elevador da pálpebra e esfíncter da íris | ptose, midríase, olho desviado para baixo e para fora |
| IV, troclear | oblíquo superior do mesmo lado; as fibras cruzam antes de sair do tronco, pelo que é o núcleo que inerva o músculo do lado oposto | olho do lado da lesão mais alto (hipertropia) e em rotação externa |
| VI, abducente | reto lateral | défice de abdução |
Terceiro nervo
- As fibras pupilares, parassimpáticas, correm à periferia do nervo: a compressão atinge-as cedo e a isquemia, que lesa o centro do nervo, tende a poupá-las.
- Compressão: aneurisma da artéria comunicante posterior ou de outro ponto do polígono de Willis, tumor, herniação do uncus, em que o nervo fica preso entre o bordo do tentório e o lobo temporal.
- Isquemia microvascular: diabetes, hipertensão e doença vascular.
- No seio cavernoso: aneurisma da carótida, fístula carótido-cavernosa, trombose, tumores (adenoma da hipófise, meningioma, metástase), zóster e síndrome de Tolosa-Hunt.
- Lesão do núcleo, no mesencéfalo: ptose bilateral, porque o elevador depende de um único subnúcleo central, e fraqueza do reto superior do lado oposto.
- Síndrome de Weber: lesão do pedúnculo cerebral, com terceiro nervo de um lado e hemiparesia do lado oposto.
Quarto nervo
- É o que mais sofre no traumatismo craniano fechado, contra o bordo livre do tentório.
- Tem as causas do terceiro, exceto o aneurisma; muitas vezes fica sem causa e presume-se microvascular.
Sexto nervo
- Sobe ao longo do clivus até ao vértice do rochedo e entra no seio cavernoso, num trajeto longo e exposto.
- Falso sinal localizador na hipertensão intracraniana, uni ou bilateral, provavelmente pelo deslocamento do tronco; o mesmo acontece na hipotensão do líquido cefalorraquidiano (depois de punção lombar ou de anestesia raquidiana) e na malformação de Chiari.
- No trajeto subaracnoideu: meningite, tumores (meningioma, cordoma, carcinomatose meníngea), hemorragia subaracnoideia, traumatismo e aneurisma.
- No vértice do rochedo, a mastoidite dá surdez, dor e parésia do sexto nervo (síndrome de Gradenigo).
- Lesão do núcleo: paralisia completa do olhar para esse lado, porque o núcleo contém os interneurónios que, pelo fascículo longitudinal medial, levam a ordem ao reto medial do outro olho.
Diabetes
- O terceiro nervo é o mais atingido, seguido do sexto e, menos vezes, do quarto; o terceiro nervo diabético poupa tipicamente a pupila.
- Terceiro nervo completo: ptose, pupila dilatada e olho para baixo e para fora, pela ação sem oposição do reto lateral e do oblíquo superior. A parésia parcial pode ter qualquer combinação destes sinais e evolui depressa, pelo que se reexamina com frequência.
- Quarto nervo: diplopia vertical, pior a ler ou a descer escadas; agrava ao inclinar a cabeça para o lado do músculo parético e alivia ao inclinar para o lado oposto.
- Sexto nervo: diplopia horizontal, pior ao olhar para o lado da lesão e para longe.
- A diplopia binocular, por desalinhamento, desaparece ao fechar um dos olhos.
Terceiro nervo: decide a pupila
| achado | o que sugere | conduta |
|---|---|---|
| Pupila dilatada, sobretudo com dor | lesão compressiva: aneurisma ou tumor | neuroimagem urgente, com angio-TC ou angio-RM |
| Pupila poupada, com oftalmoplegia e ptose, num diabético ou hipertenso | isquemia microvascular | vigiar; recuperação espontânea em meses |
- Se a parésia microvascular não recupera, ou se surgem sinais novos, o diagnóstico revê-se.
- A regeneração aberrante (a pálpebra sobe ao olhar para baixo ou ao aduzir, a pupila contrai nos movimentos do olho) surge depois de traumatismo ou compressão e nunca depois de enfarte microvascular, que assim fica afastado.
Várias parésias oculomotoras juntas
- Não se atribuem a isquemia microvascular senão por exclusão.
- A imagem dirige-se ao seio cavernoso, à fissura orbitária superior e ao vértice da órbita, onde os três nervos correm juntos.
- No diabético ou imunodeprimido, pensar em infeção fúngica (mucormicose, aspergilose, criptococose); no doente oncológico, em carcinomatose meníngea, mesmo com citologia do líquido negativa.
- Arterite de células gigantes, síndrome de Lambert-Eaton e síndrome de Miller Fisher (oftalmoplegia, ataxia e arreflexia, com anticorpos anti-GQ1b) também o podem fazer.
O que imita uma parésia oculomotora
- Miastenia gravis: diplopia e ptose flutuantes e fatigáveis, que não respeitam o território de um nervo; a pupila é sempre normal.
- Encefalopatia de Wernicke: nistagmo e défices do olhar que imitam parésia do sexto e do terceiro nervos, em doentes alcoólicos, desnutridos ou depois de cirurgia bariátrica; reverte com tiamina.
- Oftalmoplegia internuclear: falha a adução de um olho, com nistagmo no olho que abduz; bilateral, é frequente na esclerose múltipla.
- Doença restritiva da órbita e botulismo.
- Trata-se a causa: aneurisma, tumor, infeção, hipertensão intracraniana.
- Nas parésias microvasculares, controlo dos fatores de risco e espera: a recuperação espontânea em meses é a regra.
- Enquanto a diplopia dura: ocluir um olho, tapar uma lente dos óculos ou usar um prisma temporário colado à lente (de base inferior na parésia do quarto nervo).
- Se a recuperação ficar incompleta, a cirurgia dos músculos oculares realinha os olhos, pelo menos na posição primária.
- A parésia do sexto nervo que não melhora obriga a reavaliar à procura de cordoma, carcinomatose meníngea, fístula carótido-cavernosa ou miastenia; os tumores da base do crânio escapam com facilidade mesmo na imagem com contraste.
Nono nervo: neuralgia do glossofaríngeo
- Muito menos frequente do que a neuralgia do trigémeo, mas parecida: dor intensa e paroxística de um lado da garganta, na fossa amigdalina, que pode irradiar para o ouvido.
- Desencadeada por engolir, tossir, bocejar ou falar.
- Não há défice motor nem sensitivo.
- Pode acompanhar-se de bradicardia ou assistolia, hipotensão e síncope.
Décimo nervo: vago
- Lesão intracraniana de um vago: o palato mole descai desse lado e não sobe ao dizer «á», o palato e a úvula desviam-se para o lado são, perde-se o reflexo do vómito desse lado, a voz fica rouca e anasalada e a corda vocal fica imóvel em posição intermédia.
- A paralisia do recorrente, sobretudo o esquerdo, deve-se muito mais vezes a doença torácica (aneurisma do arco aórtico, aurícula esquerda dilatada, tumores do mediastino e do brônquio) do que a doença craniana; muitos casos ficam sem causa.
- O vago pode ser lesado na dissecção da carótida ou depois de endarterectomia, e a difteria atinge os ramos faríngeos dos dois vagos, com voz anasalada e regurgitação nasal.
Décimo primeiro nervo: acessório
- Fraqueza do esternocleidomastoideu (rodar a cabeça) e da parte superior do trapézio (encolher o ombro).
- Isolado ou, mais vezes, com o nono e o décimo no buraco jugular. Há uma forma idiopática, semelhante à de Bell, e a maioria recupera.
Décimo segundo nervo: hipoglosso
- Na lesão periférica, a língua desvia-se para o lado da lesão quando protraída.
- Atrofia e fasciculações aparecem semanas a meses depois da lesão.
- Causas: doença do neurónio motor, que é a causa mais frequente dentro do bulbo, tumores, lesões das meninges da base e dos ossos occipitais, e formas isoladas sem causa.
Onde está a lesão da paralisia laríngea
| achados acompanhantes | sítio provável |
|---|---|
| Ataxia do mesmo lado, perda da dor e da temperatura na face do mesmo lado e no braço e perna do lado oposto, síndrome de Horner do mesmo lado | dentro do bulbo |
| Nono e décimo primeiro nervos atingidos | buraco jugular |
| Nono, décimo, décimo primeiro e décimo segundo, com ou sem síndrome de Horner | espaço laterocondiliano ou retroparotídeo, fora do crânio |
| Sem alteração sensitiva do palato e da faringe, sem fraqueza do palato nem disfagia | abaixo da saída dos ramos faríngeos, habitualmente no mediastino |
- Na rouquidão isolada por corda vocal paralisada, estuda-se o tórax com imagem.
- A polimiosite, a dermatomiosite e a distrofia miotónica causam disfagia e disfonia por doença muscular e podem confundir-se com lesão do vago.
- Uma doença só motora, sem atrofia, levanta sempre a hipótese de miastenia gravis.
- Neuralgia do glossofaríngeo: tratamento farmacológico como o da neuralgia do trigémeo, com a carbamazepina como primeira escolha; se falhar, descompressão microvascular quando há compressão vascular, ou rizotomia das fibras do glossofaríngeo e do vago.
- Paralisias do vago, do acessório e do hipoglosso: trata-se a causa.
Dentro ou fora do tronco
- Lesão à superfície do tronco: atinge nervos vizinhos, muitas vezes em sequência, e só tarde e pouco as vias longas; pode alargar os buracos de saída ou erodir o osso.
- Lesão dentro do tronco: atinge cedo as vias longas e dá síndromes cruzadas, com sinais de nervo craniano de um lado e das vias longas do outro.
Síndromes topográficas
| sítio | nervos | causas habituais |
|---|---|---|
| Fissura orbitária superior | III, IV, V1, VI | tumores do esfenoide, aneurismas |
| Parede lateral do seio cavernoso | III, IV, V1, VI, muitas vezes com proptose | infeção, trombose, aneurisma ou fístula; tumores dos seios perinasais e da sela turca; granuloma que responde a corticoide |
| Vértice do rochedo | V, VI | petrosite, tumores do rochedo |
| Canal auditivo interno | VII, VIII | tumores do rochedo, infeções, schwannoma vestibular |
| Ângulo pontocerebeloso | V, VII, VIII, por vezes IX | schwannoma vestibular, meningioma |
| Buraco jugular | IX, X, XI | tumores e aneurismas |
| Espaço laterocondiliano posterior | IX, X, XI, XII | tumores da parótida e do corpo carotídeo, metástases |
| Espaço retroparotídeo posterior | IX, X, XI, XII e síndrome de Horner | tumores da parótida, do corpo carotídeo e dos gânglios, metástases, adenite tuberculosa |
Causas fora do tronco
- Traumatismo, infeções locais como o zóster, e meningites infeciosas e não infeciosas, sobretudo a carcinomatosa.
- Doenças granulomatosas: sarcoidose, granulomatose com poliangeíte, tuberculose; e doença de Behçet.
- Doença vascular, incluindo a diabética, e aneurismas em crescimento.
- Tumores infiltrativos: carcinoma da nasofaringe, linfomas, neurofibromas, meningiomas, cordomas, colesteatomas.
- Malformação de Chiari, platibasia e invaginação basilar.
Causas gerais
- Guillain-Barré atinge com frequência os dois faciais; a variante de Miller Fisher junta oftalmoplegia, ataxia e arreflexia.
- A encefalopatia de Wernicke dá oftalmoplegia grave com outros sinais do tronco.
Síndrome do seio cavernoso
- Dor orbitária ou facial, edema da órbita e quemose por oclusão das veias oftálmicas, febre, parésias do terceiro, quarto e sexto nervos e hipostesia de V1, por vezes de V2.
- A causa mais frequente é a trombose do seio cavernoso, secundária a celulite da órbita (muitas vezes Staphylococcus aureus), a infeção cutânea da face ou a sinusite e, no diabético, à mucormicose.
- Outras: aneurisma da carótida, fístula carótido-cavernosa (com sopro orbitário), meningioma, carcinoma da nasofaringe e síndrome de Tolosa-Hunt, uma inflamação granulomatosa idiopática.
- Os dois seios comunicam entre si, pelo que o quadro pode passar a bilateral.
- O diagnóstico precoce é essencial, sobretudo quando a causa é infeciosa.
Outras pistas
- Dor facial subaguda seguida de parésias de nervos motores, uni ou bilateral e sem causa aparente, pode dever-se a inflamação idiopática da dura-máter, visível na ressonância.
- A investigação dirige-se ao sítio: ressonância da base do crânio e, quando se suspeita de meningite carcinomatosa ou infeciosa, punção lombar com citologia.
- Trombose séptica do seio cavernoso: antibióticos de largo espetro logo, drenagem de qualquer abcesso e identificação do agente; a anticoagulação pode beneficiar a trombose primária.
- Fístula ou aneurisma da carótida: reparação ou oclusão.
- Síndrome de Tolosa-Hunt: responde aos corticoides, com melhoria marcada da dor em poucos dias; prednisona oral 60 mg por dia durante 2 semanas, com redução ao longo de um mês, ou mais se a dor voltar; por vezes é preciso associar azatioprina ou metotrexato.
- A inflamação idiopática da dura-máter responde habitualmente aos corticoides.
Referências
- Beal MF, Hauser SL. Trigeminal neuralgia, Bell's palsy, and other cranial nerve disorders. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw Hill; 2018. Chapter 433.
- Horton JC. Disorders of the eye. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw Hill; 2018. Chapter 28.
- Lowenstein DH. Seizures and epilepsy. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw Hill; 2018. Chapter 418.
- Whitley RJ. Varicella-zoster virus infections. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. Chapter 193.
- Headache, neck and back pain, and cranial neuralgias; Disorders of vision and hearing. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Chapters 113 and 114.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 043/2011, de 23/12/2011, atualizada a 13/07/2017: Tratamento farmacológico da dor neuropática no adulto e idoso. Lisboa: DGS; 2017.
- Bendtsen L, Zakrzewska JM, Abbott J, Braschinsky M, Di Stefano G, Donnet A, et al. European Academy of Neurology guideline on trigeminal neuralgia. Eur J Neurol. 2019;26(6):831-49.
- Headache Classification Committee of the International Headache Society. The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211.
- Baugh RF, Basura GJ, Ishii LE, Schwartz SR, Drumheller CM, Burkholder R, et al. Clinical practice guideline: Bell's palsy. Otolaryngol Head Neck Surg. 2013;149(3 Suppl):S1-27.
- Gronseth GS, Paduga R. Evidence-based guideline update: steroids and antivirals for Bell palsy. Neurology. 2012;79(22):2209-13.
- House JW, Brackmann DE. Facial nerve grading system. Otolaryngol Head Neck Surg. 1985;93(2):146-7.
- Uscategui T, Dorée C, Chamberlain IJ, Burton MJ. Corticosteroids as adjuvant to antiviral treatment in Ramsay Hunt syndrome (herpes zoster oticus with facial palsy) in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2008;(3):CD006852.
- Specialist Pharmacy Service. Carbamazepine monitoring. London: NHS England; 2024.
- Cranial nerve III palsy (oculomotor palsy). In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
10 perguntas sobre Neuralgia do trigémeo, paralisia do facial e outros distúrbios dos nervos cranianos
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
Criar conta e treinar