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Miastenia gravis e doenças da placa neuromuscular

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 10 perguntas neste tema

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Em resumo

A miastenia gravis é a doença autoimune paradigmática da placa neuromuscular, caracterizada por fraqueza flutuante e fatigável por bloqueio da transmissão pós-sináptica. Neste capítulo revê-se a abordagem diagnóstica examinável (clínica, serologia, eletrofisiologia e imagem), a terapêutica essencial e o diagnóstico diferencial com a síndrome de Lambert-Eaton, entidade pré-sináptica com achados quase espelhados.

O diagnóstico é clínico, confirmado por serologia e eletrofisiologia. Na história procura-se fatigabilidade (diplopia ao fim do dia, disfagia que agrava ao longo da refeição) e no exame demonstra-se fraqueza que aumenta com o esforço sustentado (ptose com olhar mantido para cima, sinal de Cogan).

Provas de cabeceira

  • Teste do gelo (ice pack test): aplicar gelo sobre a pálpebra ptosada durante ~2 minutos; a melhoria da ptose sugere MG (o frio inibe a acetilcolinesterase). Útil e simples nos casos oculares.
  • Teste do edrofónio (anticolinesterásico de ação curta): historicamente usado, hoje pouco disponível e substituído pelos exames abaixo.

Serologia

  • Anti-AChR: elevada especificidade; primeira linha.
  • Anti-MuSK: pedir se anti-AChR negativo, sobretudo em fenótipo bulbar.
  • Anti-LRP4 e outros na MG duplamente seronegativa.

Eletrofisiologia

  • Estimulação nervosa repetitiva (ENR) a baixa frequência (2-3 Hz): decremento da amplitude do potencial motor superior a 10% apoia defeito pós-sináptico.
  • Eletromiografia de fibra única (SFEMG): deteta aumento do jitter e bloqueios; é o exame mais sensível, valioso quando a ENR é normal.

Imagem

  • TC do tórax (ou RM) obrigatória em todos os doentes com MG confirmada, para excluir timoma.

Diagnóstico diferencial essencial

  • Síndrome de Lambert-Eaton: defeito pré-sináptico por anticorpos anti-canal de cálcio voltagem-dependente (VGCC); a força e os reflexos melhoram com o esforço/facilitação (potenciação pós-exercício), e na ENR de alta frequênciaincremento da amplitude. Fortemente paraneoplásico, associado ao carcinoma de pequenas células do pulmão.
  • Botulismo: paralisia descendente com disautonomia; ENR também com incremento (pré-sináptico).

Terapêutica (síntese)

  • Piridostigmina: anticolinesterásico sintomático de primeira linha.
  • Imunossupressão: corticoides (com introdução cuidadosa pelo risco de agravamento transitório) e poupadores como azatioprina/micofenolato.
  • Crise miasténica: imunoglobulina IV (IGIV) ou plasmaferese, com suporte ventilatório.
  • Timectomia: indicada no timoma; benéfica também na MG generalizada anti-AChR não timomatosa (ensaio MGTX, Wolfe et al., NEJM 2016).
Miastenia gravis vs Lambert-Eaton Doenças da placa neuromuscular — diagnóstico diferencial examinável MIASTENIA GRAVIS LAMBERT-EATON Localização Placa pós-sináptica Placa pré-sináptica Anticorpos Anti-AChR (~85%), anti-MuSK Anti-canal de cálcio (VGCC) Efeito do esforço Piora com esforço e ao fim do dia Melhora com esforço (facilitação) Clínica Ptose, diplopia, fraqueza bulbar e dos membros Fraqueza proximal, hiporreflexia, disautonomia Reflexos Preservados Diminuídos (melhoram com esforço) Associação Timoma em 10-15% — TC do tórax obrigatória Carcinoma de pequenas células do pulmão (paraneopl.) ENR Decremento >10% (baixa freq., 2-3 Hz) Incremento (alta frequência) Confirmação diagnóstica da miastenia gravis Teste do gelo Ptose melhora com frio (~2 min) Serologia Anti-AChR (1.ª) anti-MuSK se neg. ENR (2-3 Hz) Decremento >10% da amplitude SFEMG Jitter aumentado; mais sensível TC do tórax Excluir timoma (obrigatória) Tratamento e crise miasténica Sintomático: piridostigmina (anticolinesterásico de 1.ª linha). Crise (falência respiratória): imunoglobulina IV ou plasmaferese + suporte ventilatório. Timectomia: no timoma e na MG generalizada anti-AChR (ensaio MGTX).

Referências

  1. Narayanaswami P, Sanders DB, Wolfe G, et al. International Consensus Guidance for Management of Myasthenia Gravis: 2020 Update. Neurology. 2021;96(3):114-122.
  2. Gilhus NE. Myasthenia Gravis. N Engl J Med. 2016;375(26):2570-2581.
  3. Gilhus NE, Tzartos S, Evoli A, et al. Myasthenia gravis. Nat Rev Dis Primers. 2019;5:30.
  4. Wolfe GI, Kaminski HJ, Aban IB, et al. Randomized Trial of Thymectomy in Myasthenia Gravis (MGTX). N Engl J Med. 2016;375(6):511-522.
  5. Kesner VG, Oh SJ, Dimachkie MM, Barohn RJ. Lambert-Eaton Myasthenic Syndrome. Neurol Clin. 2018;36(2):379-394.

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