Miastenia gravis e doenças da placa neuromuscular
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema
A miastenia gravis, a síndrome miasténica de Lambert-Eaton, o botulismo e as síndromes miasténicas congénitas falham no mesmo sítio, a junção neuromuscular, e dão todas fraqueza sem alteração da sensibilidade. O que as separa é o lado da sinapse que está atingido e a causa: anticorpos contra a membrana pós-sináptica na miastenia, anticorpos contra os canais de cálcio do terminal nervoso no Lambert-Eaton, uma toxina bacteriana que impede a libertação de acetilcolina no botulismo, e mutações de proteínas da junção nas formas congénitas.
A miastenia gravis é a mais frequente. É autoimune, atinge sobretudo mulheres jovens e homens depois dos 50 anos, e a maioria tem anticorpos contra o recetor da acetilcolina; uma minoria tem anticorpos contra a cinase específica do músculo. O traço que a define é a fraqueza fatigável: agrava com o esforço repetido e ao fim do dia e melhora com o repouso. Começa quase sempre pelos olhos, com ptose e diplopia, e na maioria generaliza aos músculos bulbares, dos membros e respiratórios, com reflexos preservados. Confirma-se com os anticorpos e com a estimulação nervosa repetitiva, e em todos os seropositivos para o recetor procura-se um timoma.
O tratamento junta a piridostigmina para os sintomas, a corticoterapia e os imunossupressores poupadores para controlar a doença, a timectomia nos doentes selecionados, e, nas formas graves e refratárias, os inibidores do complemento e do recetor Fc neonatal. A crise miasténica é a insuficiência respiratória por fraqueza, reconhece-se pela clínica antes de a gasometria se alterar e trata-se com imunoglobulina endovenosa ou plasmaférese e com ventilação não invasiva precoce.
O Lambert-Eaton é o espelho pré-sináptico: fraqueza proximal das pernas, reflexos diminuídos que aumentam depois de um esforço breve e boca seca, associado em cerca de 60% a carcinoma de pequenas células do pulmão, que se procura em todos. O botulismo é uma paralisia descendente com pupilas dilatadas e disautonomia, que se notifica e trata com antitoxina precoce e suporte.
O que não se pode falhar é o doente miasténico com fala entrecortada, ortopneia ou tosse fraca, que está em crise mesmo com a gasometria normal, e o fármaco comum, como um aminoglicosídeo, uma fluoroquinolona ou o magnésio endovenoso, que precipita essa crise.
- Doença autoimune da junção neuromuscular, mediada por anticorpos contra componentes da membrana pós-sináptica. É a doença primária da junção neuromuscular mais frequente.
- Prevalência de cerca de 20 por 100 000.
- Atinge todas as idades, com dois picos: mulheres nos 20 e 30 anos e homens nos 50 e 60 anos. No conjunto, é mais frequente na mulher, numa razão de cerca de 3 para 2.
Serogrupos
| anticorpo | frequência | notas |
|---|---|---|
| Anti-recetor da acetilcolina | cerca de 85% das formas generalizadas (até 90% em algumas séries) e 50% das oculares | positivo é praticamente diagnóstico; negativo não exclui |
| Anti-MuSK (cinase específica do músculo, do inglês muscle-specific kinase) | até 5% do total; cerca de 40% das generalizadas sem anticorpo anti-recetor | raro nas formas oculares e nos positivos para o recetor |
| Anti-LRP4 (proteína 4 relacionada com o recetor das lipoproteínas de baixa densidade) | 1 a 3% | numa parte dos negativos para os dois anteriores |
| Duplamente seronegativa | cerca de 10% das generalizadas | sem anti-recetor nem anti-MuSK |
Formas clínicas
- Ocular: fraqueza só dos músculos extraoculares e do elevador da pálpebra. A fraqueza do encerramento palpebral não a exclui, mas a restante face, a mastigação, a deglutição, a respiração, o pescoço e os membros têm força normal. A definição não depende da duração.
- Generalizada: atinge também músculos bulbares, dos membros, axiais ou respiratórios. Cerca de 85% dos doentes generalizam; se a fraqueza ficar limitada aos olhos durante 3 anos, é provável que não generalize.
Timo e doenças associadas
- O timo está alterado em cerca de 75% dos doentes com anticorpos anti-recetor: hiperplasia em cerca de 65% e timoma em cerca de 10%.
- Hipertiroidismo em 3 a 8%, que agrava a fraqueza; tiroidite de Hashimoto, lúpus eritematoso sistémico e artrite reumatoide também se associam.
Transmissão normal
- O potencial de ação chega ao terminal nervoso e liberta acetilcolina de 150 a 200 vesículas. A acetilcolina liga-se aos recetores, concentrados no topo das pregas pós-sinápticas, abre o canal à entrada de sódio e despolariza a placa motora.
- A acetilcolinesterase das pregas sinápticas hidrolisa a acetilcolina e termina o sinal.
O que falha na miastenia
- Há menos recetores disponíveis e as pregas pós-sinápticas ficam simplificadas. A acetilcolina é libertada normalmente, mas os potenciais de placa ficam pequenos e alguns não chegam a disparar a fibra.
- Os anticorpos anti-recetor, sobretudo da subclasse IgG1, reduzem os recetores por três vias: internalização acelerada por ligação cruzada, lesão da membrana mediada pelo complemento e bloqueio do local de ligação da acetilcolina.
- A fadiga explica-se assim: a quantidade de acetilcolina libertada por impulso desce normalmente com a atividade repetida, e, com a margem de segurança reduzida, cada impulso ativa menos fibras. É o mesmo mecanismo do decremento na estimulação repetitiva.
- Os anticorpos anti-MuSK são sobretudo da subclasse IgG4, que não ativa o complemento, e interferem com o agrupamento dos recetores na placa; a proteína LRP4 participa no mesmo agrupamento.
- O timo parece iniciar e manter a resposta: as células mioides do timo expressam recetores de acetilcolina e servem de fonte de autoantigénio.
Miastenia induzida por fármacos
- A D-penicilamina e os inibidores dos checkpoints imunitários podem desencadear miastenia autoimune de novo; os segundos também miosite e neuropatia inflamatória.
- Fraqueza fatigável: aparece ou agrava com o esforço repetido e ao fim do dia e melhora com o repouso ou o sono. O curso é flutuante, com exacerbações e remissões sobretudo nos primeiros anos.
- Sem alterações da sensibilidade, reflexos osteotendinosos preservados e pupilas poupadas.
Ocular
- Ptose, habitualmente assimétrica, e diplopia são as queixas iniciais mais comuns. A maioria começa pelos olhos; cerca de 15% começam por sintomas bulbares ou dos membros.
Bulbar e facial
- Voz anasalada por fraqueza do palato, disartria por fraqueza da língua, disfagia com regurgitação nasal ou aspiração.
- Fraqueza da mastigação que surge ao longo da refeição, por exemplo a mastigar carne.
- Fraqueza facial, com sorriso em «rosnar».
- O predomínio bulbar é particularmente marcado na forma anti-MuSK, que tende a ter início agudo.
Membros, pescoço e respiração
- Fraqueza proximal dos membros, por vezes assimétrica, e dos extensores e flexores do pescoço, até à queda da cabeça.
- A fraqueza dos músculos respiratórios é o que define a crise.
Sinais muito específicos
- Fraqueza que se vê agravar durante o exame.
- Ptose unilateral ou assimétrica que muda de lado ou de intensidade entre observações.
- Ptose com sinal de Cogan (a pálpebra ultrapassa para cima ao voltar à posição primária depois de olhar para baixo) ou sinal da cortina (ao levantar a pálpebra mais descaída, a outra desce).
- Parésia oculomotora de padrão variável, que não corresponde a um único nervo craniano nem a uma lesão central.
- Abertura involuntária da mandíbula depois de 20 segundos de pressão sobre o mento.
Critérios de diagnóstico
- Critério nuclear: pelo menos um sinal clínico compatível, muito específico ou não.
- Critério confirmatório: anticorpos anti-recetor da acetilcolina ou anti-MuSK.
- Critérios de suporte: estimulação repetitiva a baixa frequência com padrão pós-sináptico; estudo do jitter alterado, depois de excluída doença do músculo, do nervo, da raiz ou do neurónio motor; melhoria clara ao exame depois de uma dose de piridostigmina; teste do gelo positivo (com ptose evidente); anticorpo anti-LRP4.
| certeza | seropositivo | duplamente seronegativo |
|---|---|---|
| Definitivo | qualquer sinal compatível | sinais muito específicos e pelo menos um critério de suporte |
| Provável | sinais muito específicos sem suporte, ou sinais pouco específicos com pelo menos um critério de suporte | |
| Possível | sinais pouco específicos sem critério de suporte |
- No diagnóstico possível e provável reavaliam-se os diferenciais e evitam-se tratamentos invasivos, arriscados ou caros.
Testes de cabeceira
- Teste do gelo: gelo sobre a pálpebra descaída durante 2 minutos; uma melhoria da ptose de 2 mm ou mais apoia o diagnóstico. O frio reduz provavelmente a atividade da acetilcolinesterase.
- Teste da piridostigmina: melhoria clara dos sinais depois de uma toma.
- O teste do edrofónio (anticolinesterásico endovenoso de ação muito curta) ficou reservado para casos de clínica sugestiva com anticorpos, eletrofisiologia e teste do gelo negativos. Tem falsos positivos, por exemplo na esclerose lateral amiotrófica, e exige atropina à mão pelo risco de bradicardia.
Serologia
- Forma generalizada: anti-recetor e anti-MuSK logo de início.
- Forma ocular: primeiro o anti-recetor; o anti-MuSK fica para segundo passo, porque é raro nas formas oculares.
- Se ambos forem negativos: pesquisa de anti-recetor, anti-MuSK e anti-LRP4 por ensaio em células vivas num laboratório de referência, ou repetir a serologia ao fim de pelo menos 6 meses.
- O título do anti-recetor não acompanha a gravidade e não se usa para decidir o tratamento.
- Anticorpos anti-titina ou anti-músculo estriado: considerar nos anti-recetor positivos com início antes dos 50 anos, pelo alto valor preditivo de timoma; não substituem a imagem.
Eletrofisiologia
- Estimulação nervosa repetitiva a 2 a 3 Hz: um decremento acima de 10% da amplitude do potencial de ação muscular composto é o padrão pós-sináptico. É positiva em 50 a 75% das formas generalizadas e em menos de 50% das oculares. Suspender a piridostigmina 6 a 12 horas antes e estudar músculos fracos ou proximais.
- Eletromiografia de fibra única (estudo do jitter): é o exame mais sensível, alterado em cerca de 99% das generalizadas e 97% das oculares quando se estuda um músculo fraco, mas não é específico de doença da junção.
Imagem
- TC do tórax para procurar timoma ao diagnóstico em todos os anti-recetor positivos; considerar nos seronegativos. Nos anti-MuSK o timoma é excecional.
- Um timo aumentado depois dos 40 anos é muito suspeito de timoma; antes disso, a sombra tímica pode ser normal.
- Repetir a TC num anti-recetor positivo sem timoma se houver agravamento sem precipitante evidente.
- Na forma ocular ou craniana com dúvida, ressonância do crânio e das órbitas para excluir lesão compressiva.
Outros exames
- Função tiroideia em todos.
- Antes de imunossuprimir: rastreio de tuberculose e hepatites, glicemia em jejum e hemoglobina glicada, densitometria óssea e provas de função respiratória.
Diagnóstico diferencial
| entidade | o que distingue |
|---|---|
| Síndrome de Lambert-Eaton | fraqueza proximal das pernas, reflexos diminuídos, boca seca; incremento a alta frequência |
| Botulismo | paralisia descendente, pupilas dilatadas, íleo e retenção urinária |
| Síndromes miasténicas congénitas | início na infância, anticorpos negativos, história familiar |
| Lesão compressiva intracraniana | diplopia por compressão de nervos oculomotores (por exemplo, meningioma da asa do esfenoide); a ressonância mostra-a |
| Oftalmoplegia externa progressiva e distrofia oculofaríngea | ptose e oftalmoparésia fixas, sem flutuação; a primeira é mitocondrial |
| Hipertiroidismo | fraqueza e oftalmopatia; excluir com a função tiroideia |
| Esclerose lateral amiotrófica | sinais de primeiro e segundo neurónio, fasciculações, atrofia |
| Síndrome de Guillain-Barré e variante de Miller Fisher | arreflexia, alterações sensitivas, dissociação albuminocitológica |
| Fadiga sem base orgânica | cansaço e apatia em vez de perda de força com o esforço; fraqueza de colaboração variável |
Precipitantes das exacerbações
- Imunossupressão em dose insuficiente ou desmame rápido.
- Infeção aguda, a causa mais comum de crise.
- Cirurgia recente.
- Gravidez, parto e puerpério.
- Fármacos, quando nenhum dos anteriores explica o agravamento.
Fármacos associados a agravamento ou a miastenia de novo
| grupo | exemplos |
|---|---|
| Antibióticos | aminoglicosídeos, macrólidos, fluoroquinolonas |
| Imunoterapia oncológica | inibidores dos checkpoints imunitários |
| Outros imunomoduladores | D-penicilamina, cloroquina e hidroxicloroquina |
| Antiarrítmicos | classes Ia e Ic, sobretudo a propafenona |
| Cardiovasculares | betabloqueantes, bloqueadores dos canais de cálcio, estatinas |
| Magnésio | sobretudo endovenoso |
| Depressores do centro respiratório | opioides e benzodiazepinas, sobretudo endovenosos e em dose alta |
| Toxina botulínica | agrava a fraqueza |
| Anestesia | bloqueadores neuromusculares não despolarizantes |
- Nenhum está absolutamente contraindicado e nenhum se suspende se já era tomado de forma crónica quando a doença começou. O que se evita é iniciá-los de novo quando há alternativa segura.
Objetivo
- Remissão ou manifestações mínimas (sem sintomas nem limitação funcional, com fraqueza apenas ao exame), sem efeitos adversos relevantes.
- Atingido o objetivo, a prednisolona de manutenção não deve passar de 5 mg por dia; 7,5 mg é aceitável se com menos houver reagravamento.
Piridostigmina
- Anticolinesterásico, sintomático. Usa-se em todos os doentes com sintomas na fase inicial, qualquer que seja a gravidade ou o serogrupo.
- Começa com 30 mg três a quatro vezes por dia, nas horas de atividade; ao fim de 3 a 4 dias, se tolerada e insuficiente, 60 mg quatro vezes por dia. Máximo de seis tomas de 60 mg, ou de 90 mg em quatro a cinco tomas. Não traz benefício ao deitar.
- Efeito em 15 a 30 minutos, que dura 3 a 4 horas; na disfagia, toma-se antes das refeições.
- Efeitos muscarínicos: diarreia, cólicas, sialorreia, náuseas; a loperamida ajuda.
- Anti-MuSK: menor benefício e pode agravar; titular mais devagar.
- Retira-se antes de suspender a imunossupressão: tolerar a retirada sem agravamento indica que o objetivo foi atingido.
Corticoides
- Imunossupressor oral mais eficaz e primeira linha, quando a piridostigmina não chega (também na forma ocular) e logo de início na doença generalizada moderada ou grave e na crise.
- Ligeira, ocular ou moderada sem envolvimento bulbar: prednisolona 10 mg por dia, a subir 5 a 10 mg a cada 5 a 7 dias até resolver ou até 1 mg/kg por dia (máximo 100 mg). Manter essa dose 4 a 8 semanas e depois desmamar.
- Moderada com envolvimento bulbar ou grave: internar, iniciar imunoglobulina endovenosa ou plasmaférese e depois prednisolona 1 a 1,5 mg/kg por dia. Se não houver internamento nem ciclo de imunoglobulina ou plasmaférese, usa-se a subida progressiva.
- Com dose alta de início, cerca de 10 a 15% agravam nas primeiras semanas: é a razão da subida gradual ou da cobertura com imunoglobulina ou plasmaférese.
- Cautela no glaucoma, na osteoporose e na diabetes mal controlada.
Imunossupressores não esteroides
- Azatioprina e micofenolato de mofetil são a primeira escolha; o metotrexato é alternativa. Servem sobretudo para manter o efeito dos corticoides com menos dose.
- Indicações: corticoides contraindicados ou recusados; risco alto de efeitos dos corticoides (diabetes, osteoporose, glaucoma); efeitos adversos relevantes; resposta insuficiente depois de 6 a 8 semanas com até 1 mg/kg por dia; recaída ao descer a prednisolona para 7,5 mg por dia ou menos.
- O efeito demora meses, até um ano.
- Azatioprina: 50 mg por dia durante cerca de uma semana e depois 2 a 3 mg/kg por dia. Cerca de 10 a 15% não a toleram (febre e mal-estar, mielossupressão, alteração hepática). Nunca com alopurinol, que partilha a via de degradação e causa mielossupressão grave.
- Ciclofosfamida, ciclosporina e tacrolimus já não devem ser usados.
Rituximab
- Anticorpo anti-CD20. Anti-MuSK: recomendado sempre que os corticoides sejam ineficazes, mal tolerados ou recusados.
- Anti-recetor: casos selecionados, sobretudo quando os corticoides falham ou são recusados.
- Esquemas: 1000 mg duas vezes com 2 semanas de intervalo, ou 375 mg/m² semanal durante 4 semanas; há esquemas de dose reduzida.
Terapêuticas recentes
| fármaco | alvo | via | indicação aprovada na União Europeia |
|---|---|---|---|
| Eculizumab | inibidor do fator C5 do complemento | endovenosa, de 2 em 2 semanas | forma generalizada refratária, anti-recetor positiva, a partir dos 6 anos |
| Ravulizumab | inibidor do fator C5 | endovenosa, de 8 em 8 semanas | adjuvante na forma generalizada anti-recetor positiva, adultos |
| Zilucoplan | inibidor do fator C5 | subcutânea, diária | adjuvante na forma generalizada anti-recetor positiva, adultos |
| Efgartigimod | antagonista do recetor Fc neonatal | endovenosa ou subcutânea, ciclos de 4 semanas | adjuvante na forma generalizada anti-recetor positiva, adultos |
| Rozanolixizumab | antagonista do recetor Fc neonatal | subcutânea, ciclos de 6 semanas | adjuvante na forma generalizada anti-recetor ou anti-MuSK positiva, adultos |
| Nipocalimab | antagonista do recetor Fc neonatal | endovenosa, de 2 em 2 semanas | adjuvante na forma generalizada anti-recetor ou anti-MuSK positiva, a partir dos 12 anos |
- Os antagonistas do recetor Fc neonatal (FcRn) aceleram a degradação da IgG e baixam todos os anticorpos, incluindo os patogénicos; os inibidores do C5 travam a lesão da membrana pelo complemento.
- Usam-se quando é preciso eficácia alta e rápida, idealmente como ponte até o imunossupressor clássico fazer efeito: forma moderada com envolvimento bulbar ou grave sem resposta aos corticoides em dose e tempo adequados, recaída ao descer a prednisolona para 7,5 mg ou menos apesar de dois imunossupressores clássicos, crise sem desmame ventilatório depois de imunoglobulina, plasmaférese e prednisolona, e forma ligeira sem resposta a dois ciclos de rituximab.
- Na miastenia anti-recetor os dois grupos consideram-se igualmente eficazes. Entre os inibidores do C5 prefere-se o ravulizumab ao eculizumab, pelo intervalo.
- Inibidores do C5: risco alto de infeção por bactérias encapsuladas, sobretudo Neisseria meningitidis. Vacinação antimeningocócica obrigatória pelo menos 2 semanas antes, ou antibiótico profilático até 2 semanas depois da vacina se não se puder esperar.
- Antagonistas do FcRn: não exigem vacinas específicas nem análises prévias.
Imunoglobulina endovenosa e plasmaférese
- Efeito rápido e transitório: crise e crise iminente, exacerbação grave, doença moderada ou grave antes de cirurgia.
- Imunoglobulina endovenosa: 2 g/kg em 2 a 5 dias; a melhoria começa na primeira semana. Efeitos adversos: cefaleia, sobrecarga de volume, raramente meningite assética ou insuficiência renal.
- Plasmaférese: na crise, habitualmente não mais do que 5 a 8 sessões no total; pode fazer-se por acesso venoso periférico.
- Na manutenção, só em casos refratários selecionados.
Timectomia
- Sempre no timoma.
- Sem timoma: cedo na forma generalizada anti-recetor positiva com início entre os 18 e os 50 anos; considerar fortemente na resposta fraca ou na intolerância à imunoterapia; considerar na seronegativa generalizada e na ocular anti-recetor refratária.
- Não está indicada na forma anti-MuSK nem anti-LRP4 sem anti-recetor.
- É eletiva: faz-se com o doente estável, nunca na gravidez. Imunoglobulina ou plasmaférese antes da cirurgia só na doença persistente moderada ou grave; os corticoides, mesmo em dose alta, não a contraindicam.
Crise miasténica
- Internar em cuidados intensivos a crise manifesta ou iminente.
- Imunoglobulina endovenosa ou plasmaférese em todos. Preferir a plasmaférese na crise manifesta, na forma anti-MuSK, na doença renal crónica, nos estados de hipercoagulabilidade e na doença arterial grave; preferir a imunoglobulina na sépsis ativa, na idade avançada, na insuficiência cardíaca e na diátese hemorrágica. Nos doentes ventilados podem fazer-se sessões diárias de plasmaférese.
- Em simultâneo, prednisolona 1 a 1,5 mg/kg por dia (máximo 100 mg).
- Ventilação não invasiva com dois níveis de pressão, precoce e antes de surgir hipercapnia, com medidas de limpeza das vias aéreas: pode evitar a entubação. A fraqueza facial e a dificuldade em gerir secreções não a contraindicam.
- Suspender a piridostigmina depois da entubação, pelo aumento das secreções e o risco de broncospasmo; não é preciso suspendê-la em ventilação não invasiva, e retoma-se quando se planeia o desmame. Depois da extubação, a ventilação não invasiva precoce reduz a reentubação.
- Tratar logo a infeção precipitante, como num imunodeprimido, com fisioterapia respiratória.
Crise miasténica
- Crise manifesta: agravamento que obriga a ventilação invasiva ou a ventilação não invasiva para evitar a entubação. Crise iminente: agravamento rápido que, na opinião do médico, vai provavelmente chegar lá em dias ou semanas.
- Ocorre em 15 a 20% dos doentes, por insuficiência respiratória (fraqueza do diafragma e dos intercostais) ou por disfagia grave que obriga a alimentação por sonda.
- O precipitante mais comum é a infeção.
Sinais de alarme
- Fala entrecortada em repouso.
- Uso dos músculos acessórios (escalenos, esternocleidomastoideus).
- Intolerância ao decúbito por ortopneia.
- Respiração paradoxal: o abdómen retrai na inspiração e expande na expiração.
- Incapacidade de contar em voz alta até 20 numa só expiração, se o doente colaborar.
- Tosse fraca e ineficaz.
Função respiratória
- Seguem-se a capacidade vital forçada e as pressões inspiratória e expiratória máximas.
- Os limiares vêm da síndrome de Guillain-Barré e aplicam-se à miastenia por extrapolação. Usa-se a regra dos 20/30/40 como sinal de risco: capacidade vital abaixo de 20 mL/kg, pressão inspiratória máxima menos negativa do que −30 cmH2O (abaixo de 30 em valor absoluto) ou pressão expiratória máxima abaixo de 40 cmH2O.
- As alterações da gasometria surgem tarde e não se sobrepõem aos sinais clínicos na decisão de internar em cuidados intensivos ou de ventilar.
Crise colinérgica
- Fraqueza por excesso de anticolinesterásico, com efeitos muscarínicos: sialorreia, secreções brônquicas e broncospasmo, náuseas, cólicas e diarreia, bradicardia, fasciculações.
- A forma mais segura de a excluir é suspender temporariamente a piridostigmina, que no doente entubado se suspende de qualquer forma.
Prognóstico
- Com o tratamento atual, quase todos os doentes retomam uma vida plena. Cerca de 20% conseguem suspender toda a imunoterapia e manter remissão; cerca de 10% ficam refratários apesar do tratamento ótimo.
- A mortalidade, que chegou a quase 70% há um século, está hoje estimada em 1 a 2%.
- A doença é mais instável nos primeiros anos.
- A forma anti-MuSK é mais difícil de tratar e tende a depender de imunossupressão prolongada, com risco de fraqueza permanente.
Mulher em idade fértil e gravidez
- A gravidez deve ser planeada numa fase estável da doença.
- Seguros: piridostigmina, prednisolona, azatioprina, imunoglobulina endovenosa e plasmaférese.
- Micofenolato e metotrexato: não se prescrevem a mulheres com potencial reprodutivo.
- Rituximab: a conceção deve ocorrer pelo menos 4 meses depois da última perfusão.
- Inibidores do C5 e antagonistas do FcRn: só se indispensáveis e com contraceção eficaz.
- A timectomia, quando indicada, é recomendada nesta idade e provavelmente reduz o risco de miastenia neonatal, mas nunca durante a gravidez.
- Nenhuma medicação se suspende de repente ao saber da gravidez.
- Sulfato de magnésio: evitar na profilaxia da eclâmpsia. Na eclâmpsia com convulsões preferem-se os antiepiléticos (por exemplo, levetiracetam); se for mesmo preciso magnésio, com extrema cautela e supervisão da anestesiologia.
Parto e amamentação
- O objetivo é o parto vaginal; a cesariana fica para as indicações obstétricas, incluindo o trabalho de parto prolongado por exaustão materna.
- Evitar a anestesia geral e, se for indispensável, não usar bloqueadores neuromusculares; na epidural preferem-se anestésicos do grupo amida (ropivacaína, bupivacaína).
- Na doença generalizada moderada ou grave perto do termo, imunoglobulina ou plasmaférese antes do parto reduzem o risco de agravamento.
- A amamentação incentiva-se, exceto com micofenolato ou metotrexato.
Miastenia neonatal transitória
- Surge em cerca de 12% dos filhos de mães miasténicas, por passagem transplacentar dos anticorpos maternos: fraqueza do recém-nascido, por vezes com necessidade de suporte ventilatório e nutricional.
- Pode aparecer horas ou dias depois do parto: o parto faz-se num hospital com cuidados intensivos neonatais e o recém-nascido fica em observação pelo menos 2 dias.
Criança e adolescente
- Início na infância obriga a pensar nas síndromes miasténicas congénitas, sobretudo com anticorpos negativos.
- Das terapêuticas recentes, o eculizumab está aprovado a partir dos 6 anos e o nipocalimab a partir dos 12.
- Doença adquirida e rara da transmissão neuromuscular pré-sináptica, causada por anticorpos contra os canais de cálcio dependentes da voltagem do tipo P/Q do terminal nervoso motor.
- Mais frequente no homem, numa razão de cerca de 3 para 1.
- Paraneoplásica em cerca de 60%, quase sempre por carcinoma de pequenas células do pulmão; pode preceder a deteção do tumor até 3 anos.
- No adulto jovem, sobretudo na mulher, habitualmente não se associa a cancro; no adulto mais velho, a maioria é paraneoplásica.
- Os anticorpos reduzem a entrada de cálcio no terminal nervoso e, com ela, a libertação de acetilcolina; os recetores pós-sinápticos estão normais.
- As células do carcinoma de pequenas células expressam canais de cálcio, que parecem desencadear a resposta autoimune.
- O mesmo defeito atinge as sinapses colinérgicas autonómicas, o que explica a boca seca e a disfunção erétil.
- Com contração voluntária sustentada ou estimulação de alta frequência, a libertação aumenta transitoriamente: a amplitude do potencial muscular sobe e os reflexos reaparecem, o fenómeno da facilitação.
- Tríade: fraqueza muscular, boca seca e reflexos diminuídos ou ausentes.
- Fraqueza flutuante e fatigável, proximal, dos membros e do tronco, mais nas pernas do que nos braços; a dificuldade em andar é a queixa comum.
- Os reflexos podem aumentar depois de um esforço breve do músculo.
- Disautonomia em cerca de 75%: boca seca, disfunção erétil, menos sudação, hipotensão ortostática, pupilas de reação lenta.
- Ptose e diplopia podem surgir, em até 70% segundo algumas séries, mas os sinais oculares e bulbares são menos proeminentes do que na miastenia.
Anticorpos
- Anticorpos contra os canais de cálcio P/Q em cerca de 85 a 90%: praticamente todos os paraneoplásicos e cerca de 90% dos não paraneoplásicos.
Eletrofisiologia
- Potencial de ação muscular composto de amplitude baixa em repouso, nos músculos distais da mão.
- Decremento acima de 10% com estimulação a baixa frequência (2 a 3 Hz), como na miastenia.
- Incremento de 100% ou mais depois de 10 segundos de contração voluntária máxima ou com estimulação de alta frequência (20 a 50 Hz): é o achado que distingue.
Procurar o tumor
- TC do tórax a todos, sobretudo fumadores e acima dos 50 anos, e vigilância repetida quando a primeira é negativa.
Junção neuromuscular: comparação
| miastenia gravis | Lambert-Eaton | botulismo | |
|---|---|---|---|
| Local | pós-sináptico | pré-sináptico | pré-sináptico |
| Causa | anticorpos anti-recetor, anti-MuSK ou anti-LRP4 | anticorpos contra o canal de cálcio P/Q | toxina que impede a libertação de acetilcolina |
| Distribuição | ocular e bulbar, depois membros | proximal, pernas | descendente, a começar nos pares cranianos |
| Força com o esforço | piora | melhora depois de esforço breve | piora |
| Reflexos | preservados | diminuídos, aumentam com o esforço | presentes no início, depois diminuem |
| Autonómico | ausente | boca seca, disfunção erétil | pupilas dilatadas, íleo, retenção urinária |
| Estimulação repetitiva | decremento a baixa frequência | amplitude baixa, incremento a alta frequência | amplitude baixa, incremento a alta frequência |
| Associação | timoma, doença tiroideia | carcinoma de pequenas células do pulmão | alimentos, feridas, lactente |
- Tratar o tumor, quando existe.
- Amifampridina (3,4-diaminopiridina): bloqueia canais de potássio, prolonga a despolarização do terminal e aumenta a libertação de acetilcolina. É o sintomático mais eficaz.
- Começa com 15 mg por dia em 3 ou 4 tomas, sobe 5 mg a cada 4 a 5 dias, até ao máximo de 60 mg por dia, sem ultrapassar 20 mg por toma, com alimentos. Doses iniciais mais baixas na insuficiência renal ou hepática.
- Contraindicada na epilepsia, na asma não controlada, na síndrome do QT longo congénito e com fármacos que prolongam o QT.
- Parestesias periorais e das extremidades minutos depois da toma, que passam em cerca de 15 minutos.
- Piridostigmina também ajuda.
- Se os sintomáticos não chegarem: prednisona, azatioprina ou micofenolato.
- Fraqueza grave: plasmaférese ou imunoglobulina endovenosa.
- Na forma paraneoplásica, o prognóstico é o do cancro; a presença de Lambert-Eaton num carcinoma de pequenas células associa-se a sobrevida mais longa do tumor.
- A forma não paraneoplásica bem tratada tem esperança de vida normal, embora possa persistir algum grau de fraqueza.
- Paralisia rara e potencialmente fatal causada pela neurotoxina do Clostridium botulinum, bactéria anaeróbia formadora de esporos.
- Formas:
- Alimentar, a mais comum, por ingestão da toxina em alimentos mal preparados, sobretudo conservas caseiras.
- De ferida, por germinação dos esporos numa ferida, sobretudo em utilizadores de heroína injetada.
- Do lactente, por colonização intestinal com produção de toxina.
- É de notificação obrigatória em Portugal.
- A toxina liga-se de forma irreversível ao terminal nervoso e cliva proteínas indispensáveis à libertação de acetilcolina.
- Atinge as junções colinérgicas voluntárias e autonómicas: daí a paralisia com pupilas dilatadas, boca seca e íleo.
- A força demora meses a recuperar.
- Início 18 a 36 horas depois da ingestão do alimento contaminado.
- Paralisia flácida simétrica e descendente: visão turva e diplopia, ptose, disfagia, disartria, boca seca, depois pescoço, membros e músculos respiratórios.
- Disautonomia: pupilas dilatadas ou pouco reativas, íleo paralítico, obstipação, retenção urinária, boca seca.
- Consciência e sensibilidade normais; os reflexos estão presentes no início e diminuem com a progressão.
- Lactente: mama e suga mal, obstipação, pupilas dilatadas, choro fraco, hipotonia e dificuldade respiratória.
- O diagnóstico é clínico e o tratamento não espera pela confirmação. Notifica-se de imediato à autoridade de saúde.
- Toxina no soro, nas fezes, no aspirado gástrico ou da ferida: é definitiva, mas o resultado demora e pode ser negativo.
- Eletrofisiologia: potenciais musculares de amplitude baixa que aumentam com a estimulação de alta frequência; ajuda a separá-lo da síndrome de Guillain-Barré e da miastenia.
- Diferencial: miastenia gravis (sem disautonomia nem pupilas dilatadas), síndrome de Guillain-Barré e variante de Miller Fisher (arreflexia, alterações sensitivas, paralisia habitualmente ascendente), Lambert-Eaton (predomínio nas pernas, não descendente).
- Não dar mel a crianças com menos de 12 meses, porque pode conter esporos.
- Preparação correta das conservas caseiras.
- Há vacina, reservada a trabalhadores de laboratório e outras pessoas muito expostas.
- Antitoxina o mais cedo possível: dada nas primeiras 24 horas pode travar a progressão da paralisia e encurtar a doença.
- Cuidados intensivos: ventilação mecânica, alimentação e prevenção da trombose venosa, conforme necessário.
- A mortalidade desceu de 50% para 3 a 5%; sem tratamento chega a 60%. A força pode demorar meses a recuperar.
- Grupo raro e heterogéneo de doenças genéticas, não autoimunes, em que pode estar afetado praticamente qualquer componente da junção: o terminal pré-sináptico, a acetilcolinesterase, as subunidades do recetor ou as proteínas que o agrupam e mantêm.
- Prevalência de cerca de 3,8 por 100 000.
- As mutações das subunidades do recetor explicam cerca de metade; as da rapsina, COLQ (cauda colagénica da acetilcolinesterase), DOK7, agrina e GFPT1, em conjunto, cerca de 40%. A maioria é de transmissão autossómica recessiva.
- Suspeitar quando os sintomas miasténicos começam no recém-nascido, na infância ou, menos vezes, no adulto jovem: fraqueza fatigável, ptose e oftalmoparésia, por vezes apneias episódicas ou insuficiência respiratória ao nascer.
- Anticorpos anti-recetor e anti-MuSK negativos; atenção que cerca de 10% das miastenias autoimunes generalizadas também são duplamente seronegativas.
- A estimulação repetitiva mostra decremento, como na miastenia; descargas repetitivas depois de um estímulo único apontam para o défice de acetilcolinesterase ou para a síndrome do canal lento.
- O estudo molecular é indispensável: orienta o tratamento e o aconselhamento genético.
- Depende do subtipo.
- Melhoram com anticolinesterásicos: défice primário do recetor, síndrome do canal rápido, défice de libertação de acetilcolina.
- Agravam com anticolinesterásicos: défice de acetilcolinesterase e síndrome do canal lento; as formas por DOK7 e agrina também podem agravar.
- Salbutamol no défice de acetilcolinesterase e nas formas por DOK7, rapsina e agrina; fluoxetina e quinidina na síndrome do canal lento; efedrina e 3,4-diaminopiridina em algumas formas.
Referências
- Cruz S, Matos A, Braz L, Falcão Campos C, Cerqueira J, Medeiros L, et al. Portuguese consensus guidelines for the diagnosis and treatment of myasthenia gravis. Acta Med Port. 2026;39(1):62-75. doi:10.20344/amp.24089.
- Amato AA. Myasthenia gravis and other diseases of the neuromuscular junction. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018. cap. 440.
- Ciafaloni E. Neuromuscular junction disease. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. p. 1122-4.
- Lawn ND, Fletcher DD, Henderson RD, Wolter TD, Wijdicks EF. Anticipating mechanical ventilation in Guillain-Barré syndrome. Arch Neurol. 2001;58(6):893-8.
- Fichtner ML, Jiang R, Bourke A, Nowak RJ, O'Connor KC. Autoimmune pathology in myasthenia gravis disease subtypes is governed by divergent mechanisms of immunopathology. Front Immunol. 2020;11:776.
- Evoli A, Alboini PE, Damato V, Iorio R, Provenzano C, Bartoccioni E, et al. Myasthenia gravis with antibodies to MuSK: an update. Ann N Y Acad Sci. 2018;1412(1):82-9.
- European Medicines Agency. Resumos das características do medicamento: Soliris (eculizumab), Ultomiris (ravulizumab), Zilbrysq (zilucoplan), Vyvgart (efgartigimod alfa), Rystiggo (rozanolixizumab), Imaavy (nipocalimab) e Firdapse (amifampridina). Amesterdão: EMA; [consultado 2026 set 28].
- Despacho n.º 1150/2021, de 28 de janeiro. Doenças de notificação obrigatória. Diário da República, 2.ª série. 2021.
14 perguntas sobre Miastenia gravis e doenças da placa neuromuscular
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