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Esclerose múltipla

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

A esclerose múltipla é uma doença autoimune do sistema nervoso central, com inflamação, desmielinização e perda axonal, que atinge sobretudo mulheres entre os 20 e os 40 anos. As placas surgem em sítios diferentes e em momentos diferentes, e é essa dupla disseminação, no espaço e no tempo, que define a doença. Cerca de 90% começam por surtos com recuperação, e a maioria passa, anos depois, a uma fase de agravamento lento; cerca de 10% progridem desde o início.

Apresenta-se com neurite ótica, mielite parcial, oftalmoplegia internuclear, síndromes do tronco cerebral e sintomas sensitivos, e com fenómenos que ajudam a reconhecê-la: o sinal de Lhermitte e o agravamento com o calor (fenómeno de Uhthoff), que não é um surto. O diagnóstico faz-se pelos critérios de McDonald de 2024, que juntam a clínica à ressonância e ao líquor e passaram a contar o nervo ótico como quinta localização; nenhum exame isolado o faz, e exige-se sempre que nenhuma outra doença explique melhor o quadro.

O surto trata-se com metilprednisolona endovenosa, que acelera a recuperação mas não muda o curso; a doença modifica-se com terapêuticas de fundo, a começar cedo e a escolher pela atividade e pelo risco. O que não se pode falhar é a neuromielite ótica e a doença associada ao anticorpo anti-MOG: mielite longa, neurite ótica bilateral grave ou vómitos incoercíveis pedem os anticorpos, porque algumas terapêuticas da esclerose múltipla agravam a neuromielite.

Referências

  1. Cree BAC, Hauser SL. Multiple sclerosis. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018. Chapter 436.
  2. Cree BAC, Hauser SL. Neuromyelitis optica. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018. Chapter 437.
  3. Cross AH. Demyelinating and inflammatory disorders. In: Wing EJ, Schiffman FJ, editors. Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Chapter 122.
  4. Montalban X, Lebrun-Frénay C, Oh J, Arrambide G, Moccia M, Amato MP, et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2024 revisions of the McDonald criteria. Lancet Neurol. 2025;24(10):850-65.
  5. Montalban X, Gold R, Thompson AJ, Otero-Romero S, Amato MP, Chandraratna D, et al. ECTRIMS/EAN guideline on the pharmacological treatment of people with multiple sclerosis. Mult Scler. 2018;24(2):96-120.
  6. Wingerchuk DM, Banwell B, Bennett JL, Cabre P, Carroll W, Chitnis T, et al. International consensus diagnostic criteria for neuromyelitis optica spectrum disorders. Neurology. 2015;85(2):177-89.
  7. Banwell B, Bennett JL, Marignier R, Kim HJ, Brilot F, Flanagan EP, et al. Diagnosis of myelin oligodendrocyte glycoprotein antibody-associated disease: International MOGAD Panel proposed criteria. Lancet Neurol. 2023;22(3):268-82.
  8. European Medicines Agency. Interferon beta-1a (Avonex) and peginterferon beta-1a (Plegridy): removal of the contraindication in pregnancy and use during breastfeeding. Amsterdam: EMA; 2019.

16 perguntas sobre Esclerose múltipla

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