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Esclerose lateral amiotrófica

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 8 perguntas neste tema

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Em resumo

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é a forma mais comum de doença do neurónio motor: uma degenerescência progressiva que combina sinais do primeiro e do segundo neurónio motor. Para o PNA, o núcleo examinável é o reconhecimento do padrão clínico (fraqueza com atrofia e fasciculações mais espasticidade e hiper-reflexia, poupando sensibilidade, oculomotricidade e esfíncteres) e a lógica de diagnóstico por exclusão apoiado no eletromiograma. A terapêutica é sobretudo de suporte, com dois fármacos que modificam modestamente a evolução.

O diagnóstico de ELA é essencialmente clínico e de exclusão, sustentado pela demonstração de disfunção do 1.º e do 2.º neurónio motor em regiões distintas, com progressão, e pela ausência de explicação alternativa.

Avaliação clínica

  • Documentar sinais do 2.º NMI (atrofia, fasciculações, fraqueza) e do 1.º NMS (hiper-reflexia num membro atrófico, espasticidade, Babinski) nas quatro regiões: bulbar, cervical, torácica, lombossagrada.
  • Uma hiper-reflexia num território fraco e atrofiado (mistura de sinais) é altamente sugestiva.
  • Valorizar sintomas bulbares (disartria, disfagia, labilidade emocional) e respiratórios (dispneia, ortopneia).

Eletromiograma e estudos de condução

  • A eletromiografia (EMG) é o exame-chave: procura sinais de denervação ativa (fibrilhações, ondas positivas, fasciculações) e de reinervação crónica (unidades motoras grandes, polifásicas) de forma difusa, em múltiplos segmentos.
  • Os estudos de condução nervosa são tipicamente normais na condução sensitiva e servem sobretudo para excluir bloqueios de condução motores.

Critérios

  • Os critérios de El Escorial revistos (Airlie House) e, mais recentemente, os critérios de Gold Coast (2020) formalizam o diagnóstico; os de Gold Coast simplificam a abordagem, exigindo disfunção progressiva do NMS e/ou NMI e evidência eletrofisiológica ou clínica de compromisso do NMI, após exclusão de outras causas.

Exames para excluir imitadores

  • RM cervical/cerebral para afastar mielopatia cervical espondilótica (que pode dar mistura de sinais mas com nível sensitivo e sem atingimento bulbar).
  • Estudos de condução com pesquisa de bloqueios para a neuropatia motora multifocal com bloqueios de condução (potencialmente tratável com imunoglobulina intravenosa; associa-se a anticorpos anti-GM1 IgM, presentes em cerca de metade dos doentes, que são um marcador diagnóstico e não o tratamento).
  • Análises dirigidas: TSH, cálcio, CK (pode estar ligeiramente elevada), serologias, eletroforese de proteínas; ponderar anticorpos do recetor de acetilcolina quando o quadro é predominantemente bulbar (miastenia gravis).

O diagnóstico só se consolida quando há progressão e quando estas alternativas foram razoavelmente afastadas.

Esclerose lateral amiotrófica (ELA) Doença do neurónio motor: degenerescência progressiva do 1.º e do 2.º neurónio motor 1.º NEURÓNIO MOTOR SUPERIOR Espasticidade Hiper-reflexia, clónus Sinal de Babinski Disartria espástica 2.º NEURÓNIO MOTOR INFERIOR Atrofia muscular, fraqueza Fasciculações Cãibras Fraqueza progressiva Sinais dos DOIS neurónios em múltiplas regiões (bulbar · cervical · torácica · lombossagrada) + PROGRESSÃO Pista forte: hiper-reflexia num músculo atrófico e fraco (mistura NMS/NMI) ! A ELA POUPA (se atingidos, é bandeira CONTRA ELA): Sensibilidade · Oculomotricidade (movimentos oculares) · Esfíncteres (só muito tardiamente) Cognição geralmente preservada; sobreposição com demência frontotemporal (gene C9orf72) Diagnóstico — clínico + EMG, e de EXCLUSÃO EMG (exame-chave): denervação ativa (fibrilhações, fasciculações) + reinervação crónica, difusas Condução sensitiva normal e oculomotricidade preservada tornam a ELA mais provável Critérios de El Escorial revistos e de Gold Coast (2020) Excluir imitadores: RM cervical → excluir mielopatia cervical espondilótica Procurar bloqueios de condução → neuropatia motora multifocal (tratável, IgIV) Quadro predominantemente bulbar → ponderar miastenia gravis Terapêutica — modificação modesta; o suporte multidisciplinar é o pilar Riluzol (antiglutamatérgico) prolonga modestamente a sobrevida; edaravona em subgrupos Suporte: VNI (insuficiência respiratória) + gastrostomia/nutrição, terapia da fala e comunicação

Referências

  1. Brooks BR, Miller RG, Swash M, Munsat TL; World Federation of Neurology Research Group on Motor Neuron Diseases. El Escorial revisited: revised criteria for the diagnosis of amyotrophic lateral sclerosis. Amyotroph Lateral Scler Other Motor Neuron Disord. 2000;1(5):293-299.
  2. Shefner JM, Al-Chalabi A, Baker MR, et al. A proposal for new diagnostic criteria for ALS (Gold Coast criteria). Clin Neurophysiol. 2020;131(8):1975-1978.
  3. Bensimon G, Lacomblez L, Meininger V; ALS/Riluzole Study Group. A controlled trial of riluzole in amyotrophic lateral sclerosis. N Engl J Med. 1994;330(9):585-591.
  4. Writing Group; Edaravone (MCI-186) ALS 19 Study Group. Safety and efficacy of edaravone in well defined patients with amyotrophic lateral sclerosis: a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. Lancet Neurol. 2017;16(7):505-512.
  5. van Es MA, Hardiman O, Chio A, et al. Amyotrophic lateral sclerosis. Lancet. 2017;390(10107):2084-2098.
  6. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Motor neurone disease: assessment and management. NICE guideline NG42. 2016 (atualizado 2019).

8 perguntas sobre Esclerose lateral amiotrófica

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