Distúrbios do sistema nervoso autónomo
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 9 perguntas neste tema
O sistema nervoso autónomo mantém a pressão arterial, a frequência cardíaca, a sudação, a motilidade digestiva, a bexiga e a função sexual sem que se dê por ele. Quando falha, a manifestação mais incapacitante é a hipotensão ortostática: uma queda sustentada da pressão arterial sistólica de 20 mm Hg ou mais, ou da diastólica de 10 mm Hg ou mais, nos primeiros 3 minutos de pé. Atinge 5 a 20% dos idosos, e na maioria das vezes não é neurológica: são fármacos anti-hipertensores, diuréticos, vasodilatadores ou hipovolemia.
A pergunta que decide tudo é se a frequência cardíaca sobe. Com o barorreflexo íntegro, a queda da pressão arrasta uma taquicardia reflexa de mais de 15 batimentos por minuto; na hipotensão ortostática neurogénica a frequência quase não mexe, e a razão entre a subida da frequência e a queda da sistólica fica abaixo de 0,5. A forma neurogénica acompanha-se muitas vezes de hipertensão em decúbito, de hipotensão depois das refeições e de outros sinais de falência autonómica: obstipação, gastroparesia, bexiga neurogénica, disfunção erétil, anidrose.
As causas neurogénicas dividem-se entre as centrais e as periféricas. A atrofia multissistémica junta falência autonómica grave e precoce a parkinsonismo que responde mal à levodopa ou a síndrome cerebelosa, e mata em 7 a 10 anos. A falência autonómica pura é isolada, lesa o neurónio pós-ganglionar e pode, anos depois, revelar-se doença de Parkinson, demência de corpos de Lewy ou atrofia multissistémica. Na periferia, a diabetes é a causa mais comum de neuropatia autonómica, e a amiloidose por transtirretina tem em Portugal um foco histórico.
Há dois quadros que não são falência autonómica e que é preciso reconhecer: a síncope reflexa, em que um sistema nervoso autónomo são inverte de repente o seu tónus, e a síndrome de taquicardia postural ortostática, em que a frequência sobe 30 por minuto ou mais sem que a pressão caia. No lesionado medular acima de T6, a disreflexia autonómica é o oposto da falência: uma subida brusca da pressão arterial desencadeada por um estímulo abaixo da lesão, quase sempre a bexiga cheia.
O tratamento da hipotensão ortostática começa por rever os fármacos e pelas medidas não farmacológicas (água, sal, meias de compressão, cabeceira elevada, contramanobras) e só depois recorre à midodrina, à fludrocortisona ou à piridostigmina. O objetivo é que o doente aguente de pé sem sintomas e sem cair, não normalizar a pressão; e cada subida da pressão de pé paga-se com hipertensão em decúbito, que também se vigia e trata.
Referências
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9 perguntas sobre Distúrbios do sistema nervoso autónomo
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