Distúrbios do sistema nervoso autónomo
Atualizado em 18 de julho de 2026 · 7 perguntas neste tema
Os distúrbios do sistema nervoso autónomo (disautonomias) resultam de falência ou desregulação das vias simpáticas e parassimpáticas que controlam a pressão arterial, a frequência cardíaca, a função gastrintestinal, vesical, sudoral e erétil. A manifestação examinável mais frequente é a hipotensão ortostática, cuja distinção entre causa neurogénica e não-neurogénica orienta toda a investigação e terapêutica. O reconhecimento da síndrome de taquicardia ortostática postural (POTS), com resposta cronotrópica exagerada, completa o núcleo do tema.
O diagnóstico assenta na medição ortostática protocolizada da pressão arterial e da frequência cardíaca: registo em decúbito (após 5 min) e aos 1 e 3 minutos de pé (prolongar até 10 min se suspeita de HO tardia ou de POTS). A confirmação padronizada faz-se com teste de inclinação (tilt-test) a 60-70º.
Interpretação da resposta da frequência cardíaca (passo mais examinável):
- HO neurogénica: queda tensional marcada com subida mínima da FC. Um incremento de FC desproporcionadamente pequeno face à queda sistólica (aproximadamente <15 bpm, ou uma razão ΔFC/ΔPA sistólica baixa) sugere fortemente falência autonómica.
- HO não-neurogénica: queda tensional acompanhada de taquicardia reflexa vigorosa (barorreflexo intacto), como na hipovolémia.
- POTS: sem HO, mas com taquicardia ortostática exagerada (≥30 bpm) e sintomas reproduzidos.
Distinção entre síncope reflexa (vasovagal) e HO neurogénica: na síncope vasovagal o tilt provoca um episódio abrupto de hipotensão e/ou bradicardia após período de tolerância inicial; na HO neurogénica a queda é progressiva e precoce, sem bradicardia reflexa.
Testes autonómicos complementares (quando disponíveis): variação da FC com a respiração profunda e manobra de Valsalva (função parassimpática cardiovagal), e resposta pressora na Valsalva (função simpática adrenérgica). O teste quantitativo do reflexo sudomotor axonal (QSART) e o teste do suor termorregulador avaliam a via sudomotora pós-ganglionar (anidrose).
Estratégia etiológica:
- Excluir causas reversíveis primeiro: rever fármacos hipotensores, avaliar volémia, hemograma, ionograma, função renal e glicémia.
- Perante HO neurogénica confirmada, procurar a causa: diabetes (neuropatia), sinais parkinsonianos e cerebelosos (AMS), doença de Parkinson estabelecida, e considerar amiloidose ou etiologia autoimune/paraneoplásica em quadros rapidamente progressivos.
- A presença de hipertensão supina coexistente com HO é típica das falências autonómicas neurogénicas e condiciona a terapêutica.
Sinais de alerta para AMS (vs falência autonómica pura ou Parkinson): disautonomia grave e precoce associada a parkinsonismo pouco responsivo à levodopa, ataxia cerebelosa, estridor e disfunção urinária proeminente.
Terapêutica (síntese): iniciar por medidas não-farmacológicas, base de qualquer plano: aumento da ingestão de sal e água (incluindo bólus de água como contramedida aguda), elevação da cabeceira à noite (reduz hipertensão supina e natriurese nocturna), meias de compressão e cinta abdominal, evicção de refeições volumosas e álcool, e contramanobras físicas (cruzar as pernas, agachar, contrair a musculatura). Se insuficiente, considerar midodrina (agonista alfa-1, vasopressor de ação curta, evitar tomas próximas do deitar pela hipertensão supina) ou fludrocortisona (mineralocorticóide, expande a volémia; vigiar hipocaliémia, edemas e hipertensão supina). A droxidopa é uma opção adicional na HO neurogénica sintomática.
Referências
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7 perguntas sobre Distúrbios do sistema nervoso autónomo
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