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Abordagem ao doente com vertigens e tonturas

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

Tontura é a palavra do doente para sensações diferentes: a vertigem, ilusão de movimento, quase sempre de rotação; o desequilíbrio, instabilidade em pé e a andar; a pré-síncope, sensação de desmaio iminente por hipoperfusão cerebral global; e a tontura inespecífica. É um motivo frequente de consulta e de urgência, e a maioria das causas é benigna. Como a descrição que o doente faz muda de uma pergunta para a seguinte, o que orienta é o tempo e o desencadeante: vertigem contínua durante dias, crises provocadas pela posição da cabeça, crises espontâneas de minutos a horas, ou tontura crónica.

O ângulo neurológico é o de não falhar a causa central. O enfarte do cerebelo ou do tronco apresenta-se muitas vezes como uma síndrome vestibular aguda igual à neurite vestibular, com vertigem, vómitos e nistagmo, e sem hemiparesia. Separa-os o exame de três passos, feito com o doente ainda com nistagmo: impulso cefálico normal, nistagmo que muda de direção ou desvio vertical na cobertura alternada apontam para o tronco ou o cerebelo, e basta um. A incapacidade de andar sem apoio tem o mesmo peso. A tomografia vê mal a fossa posterior e a ressonância com difusão falha 15 a 20% destes enfartes nas primeiras 24 a 48 horas, pelo que um exame de cabeceira com padrão central vale mais do que uma imagem precoce normal. O enfarte da artéria cerebelosa anteroinferior dá vertigem com hipoacusia súbita e imita uma labirintite.

Entre as crises espontâneas, a enxaqueca vestibular é a causa central mais frequente e a doença de Ménière a periférica que se reconhece pelos sintomas auditivos flutuantes; o acidente isquémico transitório vertebrobasilar é o que não se pode deixar passar. Entre as provocadas, a vertigem posicional paroxística benigna é a causa mais frequente de vertigem e resolve-se à cabeceira com uma manobra de reposicionamento. Na tontura crónica pesam a tontura postural-percetual persistente, que tem critérios positivos, e o desequilíbrio multifatorial do idoso, onde os fármacos são a primeira coisa a rever.

O tratamento é o da causa. A suspeita de enfarte entra na via verde do acidente vascular cerebral, e o enfarte cerebeloso extenso vigia-se nos primeiros dias pelo risco de edema e compressão do tronco. Os supressores vestibulares servem só para os primeiros dias, porque atrasam a compensação central, e a reabilitação vestibular é o que recupera o doente com défice persistente.

Mecanismo comum

  • O equilíbrio integra três aferências (vestibular, visual e propriocetiva) nos núcleos vestibulares do tronco, modulados pelo cerebelo.
  • Os dois labirintos enviam uma descarga tónica simétrica, lida como imobilidade. A vertigem é a quebra aguda dessa simetria, no labirinto ou no nervo (periférica) ou nos núcleos, no tronco e no cerebelo (central).
  • O reflexo vestíbulo-ocular mantém o olhar fixo quando a cabeça se move. O desequilíbrio vestibular produz nistagmo: fase lenta de origem vestibular e fase rápida corretiva, que dá o nome à direção.
  • Lesão periférica unilateral: o reflexo falha desse lado. Ao rodar a cabeça bruscamente para o lado lesado os olhos acompanham-na e têm de fazer uma sacada de refixação; o impulso cefálico é anormal. O nistagmo é de direção fixa, horizontal com componente torsional, com a fase rápida para o lado são, e diminui com a fixação visual, porque o sistema de fixação, que é central, está intacto.
  • Lesão central: as vias do reflexo estão poupadas e o impulso cefálico é normal. O nistagmo pode mudar de direção com o olhar, ser vertical ou torsional puro, e não diminui com a fixação. A lesão das vias otolíticas do tronco dá desvio vertical de um olho.
  • A compensação central recalibra a simetria em dias a semanas, mesmo sem recuperação do órgão. Precisa de estímulo de movimento: por isso os supressores prolongados a atrasam e a reabilitação a acelera.

Centrais: as que não se podem falhar

territórioquadro
Artéria vertebral distal e artéria cerebelosa posteroinferiorsíndrome de Wallenberg (bulbo lateral): vertigem, nistagmo, diplopia, rouquidão, disartria e disfagia, síndrome de Horner e hipostesia da face do mesmo lado, hipostesia térmica e dolorosa dos membros do lado oposto, ataxia do mesmo lado; sem hemiparesia. A maioria resulta da oclusão da vertebral e o resto da própria cerebelosa posteroinferior
Artéria cerebelosa anteroinferiorvertigem, vómitos e nistagmo com surdez e acufeno do mesmo lado, paresia facial, ataxia, síndrome de Horner e paresia do olhar conjugado lateral; hipostesia térmica e dolorosa do lado oposto. O território inclui a cóclea, e por isso o enfarte imita uma labirintite
Artéria cerebelosa superiorataxia grave do mesmo lado, náuseas e vómitos, disartria, hipostesia térmica e dolorosa do lado oposto
Artéria basilaros acidentes isquémicos transitórios da basilar proximal dão vertigem, que o doente descreve como estar a nadar, a balançar ou a flutuar, com diplopia, disartria e hipostesia peribucal. Duram em regra 5 a 30 minutos e repetem-se várias vezes por dia, anunciando a oclusão. A oclusão completa dá sinais bilaterais dos feixes longos e dos pares cranianos, coma ou síndrome de encarceramento, e tem mortalidade elevada
  • O enfarte cerebeloso pode começar só com vertigem, vómitos, instabilidade da marcha e cefaleia. Cefaleia, rigidez da nuca e dismetria unilateral favorecem o enfarte sobre a labirintite. O edema pode fechar o quarto ventrículo e comprimir o tronco, com hidrocefalia, herniação e paragem respiratória, às vezes sem sonolência nem outros sinais a avisar.
  • Disseção da artéria vertebral: vertigem com dor cervical ou occipital, no jovem, muitas vezes depois de traumatismo ou movimento cervical; pode preceder o enfarte.
  • Outras: hemorragia cerebelosa, tumores e abcessos da fossa posterior, esclerose múltipla.

Centrais benignas

  • Enxaqueca vestibular: a causa central mais frequente de vertigem. Até 40% dos doentes com enxaqueca têm vertigem associada às crises, e estima-se que um terço dos doentes referenciados por vertigem ou tontura tenha a enxaqueca como diagnóstico principal. É uma disfunção vestibular central transitória, muitas vezes com antecedentes de enxaqueca e de enjoo de movimento.

Periféricas

  • Vertigem posicional paroxística benigna: a causa mais frequente de vertigem, com prevalência ao longo da vida de cerca de 2,4%. Otocónios soltos do utrículo entram num canal semicircular, que passa a responder à gravidade: flutuam livres (canalitíase, a forma habitual) ou aderem à cúpula (cupulolitíase). O canal posterior é de longe o mais atingido; o horizontal vem a seguir e o anterior é raro. Muitas vezes idiopática e mais frequente com a idade; também se segue a traumatismo craniano e a 9,8 a 15,3% das neurites vestibulares.
  • Neurite vestibular: perda aguda da função de um nervo vestibular, atribuída a inflamação viral; poupa a cóclea, pelo que não há hipoacusia. Incidência anual de 3,5 a 15,5 por 100 000.
  • Labirintite: como a neurite, com atingimento coclear (hipoacusia e acufeno); viral, ou bacteriana por extensão de uma otite média.
  • Doença de Ménière: hidropsia endolinfática. Crises espontâneas precedidas de plenitude, hipoacusia e acufeno num ouvido; no início a hipoacusia reverte, e mais tarde fica uma perda residual.
  • Ototoxicidade (aminoglicosídeos): défice vestibular bilateral, com oscilopsia (o mundo a saltar quando a cabeça se move) e desequilíbrio que piora no escuro, mais do que vertigem de rotação.
  • Schwannoma vestibular: mais hipoacusia unilateral progressiva e acufeno do que vertigem.

Crónicas e não vestibulares

  • Tontura postural-percetual persistente: segue-se, muitas vezes, a um episódio vestibular agudo já compensado; a tontura mantém-se por dependência visual aumentada e hipervigilância postural.
  • Desequilíbrio do idoso: soma de défice vestibular, neuropatia, défice visual, alteração da marcha e fármacos. Nenhum basta sozinho.
  • Fármacos (provavelmente a causa mais comum de tontura em geral), hipotensão ortostática, arritmia, anemia, hipoglicemia, pânico e ansiedade, e a tontura que se segue durante semanas a um traumatismo craniano.

Síndrome vestibular aguda: neurite ou enfarte

O exame de três passos faz-se em menos de 1 minuto e só se interpreta no doente com vertigem contínua e nistagmo espontâneo no momento do exame; não se aplica à vertigem episódica nem ao doente já sem sintomas.

passopadrão periférico (neurite)padrão central (enfarte)
Impulso cefálico: rodar a cabeça rapidamente 5 a 10 graus com o doente a fixar o nariz do examinadoranormal: sacada de correção quando se roda para o lado lesadonormal: o olho fica no alvo
Nistagmohorizontal com componente torsional, de direção fixa, mais forte ao olhar para o lado da fase rápidamuda de direção com o olhar, ou é vertical ou torsional puro
Cobertura alternadasem desvio verticaldesvio vertical: o olho destapado faz uma correção vertical
  • Basta um componente central para o padrão ser central.
  • Acrescenta-se a audição: hipoacusia unilateral nova aponta para o enfarte da cerebelosa anteroinferior.
  • Sem nistagmo, o exame não se aplica; pesa a gravidade da instabilidade da marcha e o exame neurológico.
  • Em mãos treinadas, a sensibilidade para o enfarte é de cerca de 97%; aplicado por médicos de urgência sem treino específico desce para cerca de 83%.

Imagem

  • A tomografia vê mal a fossa posterior e não separa neurite de enfarte; serve para a hemorragia.
  • A ressonância com difusão falha 15 a 20% dos enfartes da fossa posterior, sobretudo os menores de 1 cm e nas primeiras 24 a 48 horas. Com suspeita clínica forte e ressonância precoce normal, repete-se.
  • Padrão central ou duvidoso: ressonância com protocolo de acidente vascular cerebral (difusão e angiografia).

Neurite vestibular, pelos critérios da Bárány Society (sociedade internacional de neuro-otologia) de 2022: vertigem aguda moderada a grave com duração de pelo menos 24 horas; nistagmo espontâneo periférico, horizontal e torsional, de direção fixa, que aumenta sem fixação; défice do reflexo vestíbulo-ocular do lado oposto à fase rápida; sem sintomas auditivos, sem sinais centrais agudos e sem melhor explicação.

Síndrome episódica provocada: vertigem posicional benigna

Canal posterior: manobra de Dix-Hallpike

  • Doente sentado; roda-se a cabeça 45 graus para o lado a testar e deita-se rapidamente em decúbito dorsal, com o pescoço em extensão de cerca de 20 graus. Repete-se para o outro lado.
  • Positiva: depois de uma latência curta, nistagmo vertical a bater para cima com componente torsional, com o polo superior dos olhos a bater para o ouvido que está em baixo, e vertigem. Cresce, esgota-se em menos de 1 minuto, fatiga com a repetição e inverte ao sentar.
  • O lado afetado é o do ouvido que está em baixo quando a manobra é positiva.

Canal horizontal: rolamento em decúbito dorsal

  • Quando a história é típica e a Dix-Hallpike dá nistagmo horizontal ou nenhum. Doente deitado com a cabeça fletida cerca de 30 graus; roda-se a cabeça para um lado e depois para o outro.
  • Nistagmo horizontal que muda de direção com o lado:
    • geotrópico (bate para o ouvido de baixo), com menos de 1 minuto: canalitíase; o lado afetado é o do nistagmo mais forte;
    • apogeotrópico (bate para o ouvido de cima), com 1 minuto ou mais: cupulolitíase; o lado afetado é o do nistagmo mais fraco.

Pelos critérios da Bárány Society de 2015, a vertigem posicional do canal posterior define-se por crises recorrentes de vertigem posicional provocadas por deitar ou rodar em decúbito, com menos de 1 minuto, pelo nistagmo típico na manobra de Dix-Hallpike e pela ausência de outra explicação.

  • A vertigem posicional típica não precisa de imagem nem de provas vestibulares.
  • Pede-se ressonância da fossa posterior quando o nistagmo não corresponde a nenhum canal (vertical para baixo ou torsional puro, persistente enquanto se mantém a posição, sem fadiga), quando há sinais do tronco ou do cerebelo, ou quando a vertigem não resolve com manobras repetidas.

Síndrome episódica espontânea

entidadecritérios
Doença de Ménière definitiva (Bárány Society, 2015)2 ou mais crises espontâneas de vertigem de 20 minutos a 12 horas; hipoacusia neurossensorial de frequências graves e médias documentada em audiograma no ouvido afetado, antes, durante ou depois de uma crise; sintomas auditivos flutuantes (audição, acufeno, plenitude) nesse ouvido; sem melhor explicação
Doença de Ménière provável2 ou mais crises de vertigem ou tontura de 20 minutos a 24 horas, com sintomas auditivos flutuantes, sem audiograma comprovativo
Enxaqueca vestibular (Bárány Society e International Headache Society, sociedade internacional de cefaleias, 2022)pelo menos 5 episódios vestibulares moderados a graves de 5 minutos a 72 horas; enxaqueca atual ou passada; em pelo menos 50% dos episódios, uma característica de enxaqueca: cefaleia com duas de quatro (unilateral, pulsátil, moderada a grave, agravada pela atividade), fotofobia e fonofobia, ou aura visual
Enxaqueca vestibular provávelos 5 episódios, com só um dos dois outros critérios (antecedentes de enxaqueca ou características de enxaqueca nos episódios)
Acidente isquémico transitório vertebrobasilarcrises de minutos em doente com fatores de risco vascular, sobretudo de início recente ou com sintomas neurológicos associados
  • Audiograma em toda a suspeita de Ménière; hipoacusia assimétrica ou acufeno unilateral pedem ressonância dos canais auditivos internos.
  • Suspeita de acidente isquémico transitório: angiografia por tomografia ou por ressonância da cabeça e do pescoço.
  • Entre crises, o exame é normal na enxaqueca vestibular e na Ménière; o diagnóstico é clínico.

Síndrome crónica

Tontura postural-percetual persistente (Bárány Society, 2017): exige os cinco critérios.

  1. Tontura, instabilidade ou vertigem sem rotação na maioria dos dias durante 3 meses ou mais, com sintomas que duram horas e flutuam.
  2. Sem desencadeante específico, mas agravada pela posição de pé, pelo movimento ativo ou passivo e por estímulos visuais em movimento ou complexos.
  3. Precipitada por uma condição que causou vertigem, instabilidade ou tontura: síndrome vestibular aguda, episódica ou crónica, outra doença neurológica ou médica, ou sofrimento psicológico.
  4. Causa sofrimento ou incapacidade significativos.
  5. Não é mais bem explicada por outra doença.
  • Não é diagnóstico de exclusão: tem critérios positivos, e pode coexistir com outra doença vestibular.
  • Défice vestibular bilateral: oscilopsia e instabilidade no escuro; rever aminoglicosídeos.
  • Desequilíbrio progressivo, sinais cerebelosos ou hipoacusia unilateral: ressonância.
  • Em todos: revisão da medicação.
Vertigens e tonturas: o ângulo neurológico Não falhar: enfarte ou isquemia transitória da circulação posterior (cerebelo e tronco) Quatro tipos de tontura: ponto de partida, mas o tempo e o desencadeante orientam mais Vertigem rotatória Ilusão de movimento Sistema vestibular periférico ou central Desequilíbrio Instabilidade da marcha Cerebelo, frontal, multissensorial Pré-síncope Hipoperfusão global cardíaca ou ortostática Não é vestibular Inespecífica Sensação vaga Ansiedade, fármacos, tontura funcional Síndrome vestibular aguda, contínua e com nistagmo: exame de três passos à cabeceira Periférico (neurite vestibular) Central (enfarte, não perder) Impulso cefálico Anormal: sacada de refixação Normal, sem sacada Nistagmo Horizontal e torsional, direção fixa; diminui com a fixação visual Muda de direção com o olhar, ou vertical, ou torsional puro Cobertura alternada Sem desvio vertical Desvio vertical presente Audição Neurite sem hipoacusia Hipoacusia súbita não exclui enfarte Basta um achado central (impulso normal, nistagmo que muda de direção, desvio vertical) Um padrão central vale mais do que uma tomografia normal e é mais sensível do que a ressonância com difusão precoce, que falha 15 a 20% dos enfartes da fossa posterior nas primeiras 24 a 48 horas. Causas centrais a considerar • Enfarte do cerebelo ou do tronco • Isquemia transitória vertebrobasilar • Enxaqueca vestibular • Tontura postural-percetual persistente Sinais de alarme: imagem urgente • Disartria, diplopia, disfagia • Hemiparesia, ataxia, desvio vertical • Incapacidade de andar sem apoio • Dor cervical súbita: disseção vertebral

Suspeita de causa central aguda

  • Via verde do acidente vascular cerebral: avaliação imediata para reperfusão dentro das janelas, ressonância com difusão e angiografia, internamento em unidade de AVC.
  • A oclusão da basilar tem indicação para trombectomia até 24 horas desde a última vez que o doente foi visto bem, quando o défice é moderado a grave, pela gravidade do quadro sem tratamento.
  • Enfarte cerebeloso extenso: como noutros enfartes, o edema atinge o máximo ao segundo ou terceiro dia. Vigia-se de perto: sonolência, agravamento da ataxia ou sinais do tronco anunciam compressão, e a craniectomia suboccipital descompressiva faz-se na deterioração neurológica, antes de a compressão do tronco se instalar, muitas vezes com bom resultado.
  • Acidente isquémico transitório vertebrobasilar: estudo vascular e prevenção secundária sem demora; crises repetidas podem anunciar a trombose da basilar.

Controlo sintomático

  • Antieméticos e supressores vestibulares (anti-histamínicos como o dimenidrinato, benzodiazepinas) aliviam a vertigem e o vómito na neurite e nas crises intensas.
  • Só nos primeiros dias e na menor dose eficaz: atrasam a compensação central e, no idoso, sedam e aumentam o risco de queda.
  • Não se usam na vertigem posicional benigna: não há evidência de benefício.
  • A betaistina não é um supressor: é agonista fraco dos recetores H1 e antagonista potente dos H3. Tem o seu lugar na manutenção da doença de Ménière, não na crise aguda.

Vertigem posicional benigna do canal posterior

  • Manobra de Epley, no momento do diagnóstico, sobre o lado afetado: parte-se da posição positiva da Dix-Hallpike; roda-se a cabeça 90 graus para o lado são; roda-se o corpo e a cabeça mais 90 graus, até o doente olhar para o chão; senta-se o doente. Cada posição mantém-se cerca de 30 segundos, ou até o nistagmo parar. Leva os otocónios do canal posterior de volta ao utrículo.
  • Resolve cerca de 80% dos casos com a manobra isolada; repete-se se o nistagmo persistir.
  • Manobra de Semont: doente sentado, cabeça rodada 45 graus para o lado são; deita-se rapidamente sobre o lado afetado, a olhar para cima; passa-se num só movimento, sem parar, para o lado oposto, a olhar para baixo, onde fica alguns minutos; senta-se devagar. É alternativa, útil pela facilidade; não se demonstrou melhor do que a Epley.
  • Não se recomendam restrições posturais depois da manobra: o benefício é pequeno e incerto.
  • Os exercícios de Brandt-Daroff são muito menos eficazes e ficam como autotratamento de recurso.
  • Cerca de 6% convertem-se para outro canal durante as manobras; trata-se o canal novo.
  • A recidiva é frequente e aumenta com o tempo de seguimento; trata-se com nova manobra e ensina-se o doente a reconhecê-la.
  • Refratária e incapacitante, depois de rever o diagnóstico: oclusão cirúrgica do canal posterior, com risco de hipoacusia.

Vertigem posicional benigna do canal horizontal

  • Geotrópica: rotação de 270 graus em decúbito dorsal para o lado são, em passos de 90 graus, ou manobra de Gufoni; alternativa, dormir deitado sobre o lado são durante 12 horas.
  • Apogeotrópica: manobra de Gufoni adaptada ou sacudir a cabeça, para a converter em geotrópica.

Neurite vestibular

  • Sintomáticos só nos primeiros dias.
  • Corticoide: em quem se apresenta nos primeiros 3 dias, decide-se com o doente, pesando riscos e benefícios; a recomendação é condicional e a certeza da evidência muito baixa.
  • Reabilitação vestibular assim que o doente tolere o movimento. É o tratamento mais útil na vertigem prolongada.
  • Reavaliar a marcha antes da alta e procurar vertigem posicional benigna secundária nas semanas seguintes.

Doença de Ménière

  • Na crise: sintomáticos por pouco tempo.
  • Prevenção das crises, por degraus:
    1. restrição de sal e ajuste do estilo de vida;
    2. diurético ou betaistina na manutenção;
    3. corticoide intratimpânico;
    4. gentamicina intratimpânica, que destrói a função vestibular do ouvido e pode agravar a audição;
    5. cirurgia (descompressão do saco endolinfático, secção do nervo vestibular, labirintectomia se não houver audição útil).
  • Atinge o outro ouvido em cerca de 35% ao fim de 10 anos.

Enxaqueca vestibular

  • Crise: antieméticos e o tratamento da crise de enxaqueca.
  • Crises frequentes: os fármacos da profilaxia da enxaqueca (propranolol, topiramato, amitriptilina, flunarizina), com evidência própria escassa; sono regular, evicção de desencadeantes e sem abuso de analgésicos.
  • Reabilitação vestibular na instabilidade entre crises.

Tontura postural-percetual persistente

  • Explicação do diagnóstico, reabilitação vestibular com habituação, terapia cognitivo-comportamental e, se necessário, um inibidor seletivo da recaptação da serotonina ou um inibidor da recaptação da serotonina e da noradrenalina, em dose baixa.
  • Supressores vestibulares, benzodiazepinas e betaistina não se recomendam. Repetir exames normais perpetua o quadro.

Desequilíbrio do idoso

  • Desprescrever fármacos que dão tontura (benzodiazepinas, anticolinérgicos, anti-hipertensores em excesso), corrigir a visão, tratar o ortostatismo, treino de marcha e de força, prevenção de quedas.

Referências

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