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Abordagem ao doente com síncope

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema

Em resumo

Síncope é a perda transitória de consciência causada por hipoperfusão cerebral global, de início rápido, curta duração e recuperação espontânea e completa. Cerca de metade das pessoas tem pelo menos uma ao longo da vida, com um primeiro pico entre os 10 e os 30 anos e um segundo depois dos 65. A causa mais frequente, em qualquer idade e em qualquer contexto, é a reflexa; a cardíaca vem a seguir, e pesa mais na urgência e nos idosos.

A pressão arterial é o produto do débito cardíaco pela resistência periférica, e a síncope surge quando um dos dois cai de repente: bastam 6 a 8 segundos sem fluxo cerebral. Daí os três grupos. A reflexa é uma vasodilatação ou uma bradicardia inapropriadas, desencadeadas por dor, medo, ortostatismo prolongado ou um gatilho situacional. A ortostática é a falência da vasoconstrição ao pôr-se de pé, quase sempre por fármacos, hipovolemia ou disautonomia. A cardíaca é uma arritmia ou uma obstrução ao débito, e é a única que traz risco de morte súbita.

A avaliação inicial é igual para todos: história com testemunha, pressão arterial deitado e de pé, e eletrocardiograma de 12 derivações. Chega para o diagnóstico na maioria, e separa a síncope das imitadoras, sobretudo a crise epilética e a pseudossíncope psicogénica. Na urgência pergunta-se se há uma doença grave por trás, qual o risco de um desfecho grave e se o doente tem de ficar: o baixo risco tem alta com explicação, o alto risco tem avaliação intensiva e precoce.

O tratamento segue o mecanismo. Na reflexa assenta na educação, nas manobras de contrapressão e na revisão dos hipotensores; na ortostática, na água, no sal e na retirada dos fármacos culpados; na cardíaca, no tratamento da causa, muitas vezes com pacemaker, ablação ou cardioversor-desfibrilhador. O que não se pode falhar é a síncope no esforço ou em decúbito, a que é precedida de palpitações, a do doente com cardiopatia ou ECG anormal, e a síncope que é o sinal de uma embolia pulmonar, de uma hemorragia ou de uma disseção aórtica.

Causas que não se podem falhar

  • Arritmias: bloqueio auriculoventricular de alto grau, disfunção sinusal com pausas, taquicardia ventricular, taquicardias supraventriculares rápidas, fibrilhação auricular pré-excitada.
  • Doença elétrica primária num coração estruturalmente normal: QT longo, síndrome de Brugada, taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica.
  • Obstrução ao débito: estenose aórtica grave, miocardiopatia hipertrófica obstrutiva, mixoma auricular, trombo em bola na aurícula esquerda, disfunção de prótese.
  • Doença cardiopulmonar aguda: embolia pulmonar, enfarte agudo do miocárdio, disseção aórtica aguda, tamponamento.
  • Hemorragia: digestiva, rotura de aneurisma da aorta abdominal, gravidez ectópica rota. A síncope é aqui a apresentação de uma hipovolemia aguda.

O que mais vezes decide os eventos adversos a curto prazo é a doença aguda subjacente, e não a síncope em si.

Fisiopatologia comum

  • A via final é a queda da pressão arterial sistémica com hipoperfusão cerebral global. A cessação do fluxo cerebral durante 6 a 8 segundos chega para a perda completa de consciência.
  • Uma sistólica de 50 a 60 mmHg ao nível do coração, que de pé corresponde a 30 a 45 mmHg ao nível do cérebro, faz perder a consciência. A coluna de sangue entre o coração e a cabeça explica porque é que a posição de pé é a de risco.
  • A pressão arterial é o produto do débito cardíaco pela resistência periférica total. Na síncope os dois mecanismos atuam muitas vezes juntos, em graus variáveis.
mecanismocausas
Resistência periférica baixareflexo vasodepressor (retirada da vasoconstrição simpática); falência autonómica funcional (fármacos) ou estrutural (primária ou secundária), com vasoconstrição insuficiente de pé
Débito cardíaco baixobradicardia reflexa (reflexo cardioinibitório); arritmia, doença estrutural, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar; retorno venoso insuficiente por hipovolemia ou acumulação venosa; incompetência cronotrópica e inotrópica da falência autonómica

A acumulação venosa abaixo do diafragma liga os dois ramos: baixa o retorno e o débito, e é também o gatilho da forma ortostática da síncope vasovagal.

Síncope reflexa

Um reflexo autonómico, normal noutras circunstâncias, torna-se transitoriamente inadequado.

  • Vasodepressão: vasoconstrição simpática insuficiente, com hipotensão.
  • Cardioinibição: bradicardia ou assistolia por predomínio parassimpático.

O padrão hemodinâmico não depende do gatilho: uma síncope miccional ou uma vasovagal ortostática podem ser cardioinibitórias, vasodepressoras ou mistas. Saber qual predomina importa quando se pensa num pacemaker, que só trata a bradicardia.

  • Vasovagal: ortostatismo prolongado, calor e ambientes cheios, dor, medo, visão de sangue.
  • Situacional: gatilho mecânico específico. A síncope que surge logo depois do esforço é quase sempre reflexa.
  • Síndrome do seio carotídeo: hipersensibilidade do barorreflexo carotídeo, no idoso, com a rotação da cabeça, o barbear ou o colarinho apertado.

Síncope ortostática

Ao pôr-se de pé, o sangue desloca-se do tórax para os membros inferiores e o abdómen, e o retorno venoso e o débito caem. Sem vasoconstrição compensatória, a pressão cai. Os fármacos são a causa mais comum: vasodilatadores, diuréticos, fenotiazinas e antidepressivos. Na falência autonómica neurogénica a frequência quase não sobe, habitualmente não mais de 10 por minuto; na anemia e na hipovolemia sobe, às vezes de forma exagerada.

A hipotensão agrava-se com a acumulação venosa no esforço, depois das refeições e após repouso prolongado no leito. O álcool, a desidratação, o calor e a doença pulmonar que reduz a oxigenação cerebral facilitam todas as formas de síncope, sobretudo a reflexa e a ortostática.

Síncope cardíaca

  • Arritmia: queda abrupta do débito por bradicardia ou taquicardia. Na síndrome bradicardia-taquicardia, a síncope acontece na pausa que se segue ao fim da taquicardia, enquanto o nó sinusal doente demora a retomar.
  • Obstrução: o esforço pede mais débito e a obstrução, fixa ou dinâmica, não deixa aumentá-lo. Por isso a síncope durante o esforço aponta para estenose aórtica ou miocardiopatia hipertrófica.

Muitas síncopes cardíacas são multifatoriais: na estenose aórtica, na miocardiopatia hipertrófica, na disfunção sinusal e nas taquiarritmias auriculares paroxísticas, uma suscetibilidade hipotensiva reflexa soma-se à doença e explica que doentes com a mesma lesão tenham ou não síncope.

Passo 1: diagnóstico feito pela avaliação inicial

Quando um destes critérios se cumpre, o diagnóstico é certo ou muito provável e não é preciso mais investigação, seja qual for outro achado.

diagnósticocritério
Síncope vasovagalprecipitada por dor, medo ou ortostatismo, com o pródromo progressivo típico: palidez, sudorese e ou náusea
Síncope situacionaldurante ou logo a seguir a um gatilho específico
Síncope ortostáticaocorre de pé, com hipotensão ortostática significativa documentada
Síncope arrítmicaECG com um dos achados da primeira coluna da tabela do ECG, logo abaixo
Síncope isquémicaevidência de isquemia aguda do miocárdio, com ou sem enfarte
Síncope por doença cardiopulmonarmixoma prolapsante, trombo em bola na aurícula esquerda, estenose aórtica grave, embolia pulmonar ou disseção aórtica aguda

Fora destes critérios, a reflexa e a ortostática consideram-se prováveis quando há os traços que as sugerem e faltam os da cardíaca.

O ECG

faz o diagnóstico de síncope arrítmicaalto risco, majoralto risco, minor (conta se a história sugere arritmia)
bradicardia sinusal persistente abaixo de 40 por minuto, ou pausas sinusais acima de 3 segundos, acordado e sem treino físicoisquemia agudabloqueio auriculoventricular de 2.º grau Mobitz I, ou de 1.º grau com PR muito longo
bloqueio de 2.º grau Mobitz II ou de 3.º graufibrilhação auricular lenta, abaixo de 40 por minutobradicardia sinusal ligeira ou fibrilhação auricular lenta (40 a 50 por minuto), assintomáticas e sem fármacos cronotrópicos negativos
bloqueio de ramo esquerdo e direito alternantesbloqueio sinoauricular repetitivotaquicardia supraventricular paroxística ou fibrilhação auricular
taquicardia ventricular, ou supraventricular paroxística rápidabloqueio de ramo ou outra perturbação da condução intraventricular, hipertrofia ventricular, ondas Q de cardiopatia isquémica ou miocardiopatiapré-excitação
taquicardia ventricular polimórfica não sustentada com QT longo ou curtotaquicardia ventricular não sustentadaQTc de 340 ms ou menos
disfunção de pacemaker ou de cardioversor-desfibrilhador com pausaspadrão de Brugada tipo 1 (elevação de ST em V1 a V3)padrões de Brugada atípicos
QTc acima de 460 ms em ECG repetidosondas T negativas nas precordiais direitas e ondas épsilon, de miocardiopatia arritmogénica do ventrículo direito

Os achados diagnósticos são também de alto risco; perante eles trata-se sem esperar por mais exames.

Passo 2: estratificar o risco

  • Baixo risco, a sugerir reflexa, situacional ou ortostática: não precisa de mais exames na urgência.
  • Alto risco: avaliação intensiva e monitorização num sítio onde se possa reanimar, em regra até 6 horas na urgência e até 24 horas no hospital.
  • Nem uma coisa nem outra: observação na urgência ou consulta de síncope, sem internamento.

Os scores de risco da urgência não fazem melhor do que o juízo clínico e não se usam sozinhos. Cerca de 10% dos doentes com síncope na urgência têm um desfecho grave em 7 a 30 dias, parte deles já depois de terem saído.

Passo 3: exames dirigidos

examequandopositivo
Ortostatismo ativoa todos, na avaliação inicial: esfigmomanómetro deitado e durante 3 minutos de péqueda da sistólica de 20 mmHg ou mais, ou da diastólica de 10 mmHg ou mais, ou sistólica abaixo de 90 mmHg; confirma a causa se reproduz os sintomas
Massagem do seio carotídeoacima dos 40 anos, com síncope de causa desconhecida compatível com mecanismo reflexo; deitado e de pé, com monitorização contínuapausa ventricular acima de 3 segundos e ou queda da sistólica acima de 50 mmHg; é síndrome do seio carotídeo só se reproduzir os sintomas
Prova de inclinaçãosuspeita de reflexa, hipotensão ortostática tardia, taquicardia postural ou pseudossíncopereproduz os sintomas com o padrão circulatório típico
Monitorização no hospitalalto risco, logo após a síncopearritmia com sintomas
Holterepisódios frequentes, uma vez por semana ou maisidem
Registador de eventos externo com memóriaintervalo entre sintomas de 4 semanas ou menos, logo após o episódioidem
Registador implantávelsíncope recorrente de causa incerta, sem critérios de alto risco, com probabilidade de recorrer durante a vida da bateria; alto risco com estudo completo negativo e sem indicação para pacemaker nem cardioversor-desfibrilhadoridem
Ecocardiogramasuspeita de doença estruturalestenose aórtica, massas, tamponamento, disseção
Prova de esforçosíncope durante o esforço ou pouco depoisbloqueio de 2.º ou 3.º grau no esforço, mesmo sem síncope; hipotensão grave com síncope logo a seguir ao esforço é reflexa
Estudo eletrofisiológicoenfarte prévio ou outra cicatriz (indicado); bloqueio bifascicular (a considerar); síncope precedida de palpitações breves e súbitasintervalo HV de 70 ms ou mais, ou bloqueio induzido; taquicardia ventricular monomórfica sustentada induzida

Outros pontos que decidem:

  • Seio carotídeo: a hipersensibilidade sem síncope é frequente, até 40% dos idosos, e é excecional abaixo dos 40 anos. As complicações são neurológicas e raras, 0,24%; faz-se com cautela com acidente isquémico transitório ou acidente vascular cerebral prévios, ou estenose carotídea acima de 70%.
  • Hipotensão ortostática inicial: queda da sistólica acima de 40 mmHg ou da diastólica acima de 20 mmHg nos primeiros 15 segundos, com recuperação espontânea em segundos. Só se apanha com medição batimento a batimento. A tardia surge depois dos 3 minutos e vê-se na prova de inclinação.
  • Taquicardia postural ortostática: subida da frequência acima de 30 por minuto, ou para mais de 120, nos primeiros 10 minutos de pé, sem hipotensão.
  • Prova de inclinação: revela uma suscetibilidade hipotensiva mais do que faz diagnóstico. É positiva em 45 a 47% das síncopes arrítmicas verdadeiras, pelo que não exclui causa cardíaca; e negativa não exclui reflexa. Uma resposta cardioinibitória prevê assistolia na síncope espontânea. Não serve para avaliar a eficácia de um fármaco.
  • Monitorização: o diagnóstico é a correlação entre o sintoma e o ritmo. Uma síncope sem arritmia no registo exclui a causa arrítmica. Sem síncope, contam como diagnósticas as pausas acima de 3 segundos (fora dos jovens treinados, do sono e da fibrilhação controlada), o Mobitz II ou o bloqueio completo, e as taquicardias rápidas prolongadas. O rendimento do Holter numa população não selecionada pode ser de 1 a 2%.
  • Estudo eletrofisiológico: positivo prevê a causa; negativo não exclui síncope arrítmica. No bloqueio bifascicular, cerca de um terço dos que têm estudo negativo e registador implantável desenvolvem bloqueio auriculoventricular.
  • Ecocardiograma: sem suspeita de cardiopatia depois da história, do exame e do ECG, não acrescenta nada. Na miocardiopatia hipertrófica com síncope e gradiente em repouso abaixo de 50 mmHg, faz-se ecocardiograma de esforço para procurar obstrução provocável.
  • Análises: só as que a clínica sugere: hemoglobina se suspeita de hemorragia, saturação e gasometria se hipoxia, troponina se isquemia, D-dímeros se embolia. Radiografia do tórax, tomografia cerebral, análises de rotina e marcadores cardíacos sem indicação têm rendimento baixo.

Na urgência

perfilconduta
Baixo riscoalta, com explicação e informação sobre o que fazer se voltar; consulta de síncope só se precisar de tratamento. Internar não acrescenta e pode fazer mal
Alto risco com cardiopatia estável conhecida, doença crónica grave, síncope no esforço, sentado ou deitado, sem pródromo ou com palpitações, bradicardia sinusal inapropriada, suspeita de disfunção de dispositivo, pré-excitação, taquicardia supraventricular ou fibrilhação paroxística, ECG de doença arritmogénica hereditáriaunidade de observação da urgência ou acesso rápido à consulta de síncope
Alto risco com doença associada grave, lesão pela síncope, ou necessidade de avaliação ou tratamento urgentes que não se consigam de outra formainternamento
Nem baixo nem alto riscoobservação na urgência ou consulta de síncope, em vez de internamento

O portador de pacemaker ou cardioversor-desfibrilhador com síncope tem o dispositivo interrogado logo. A causa grave identificada, como uma embolia, uma hemorragia ou um enfarte, trata-se como tal.

Síncope reflexa

medidaa quem
Explicação e tranquilização: natureza benigna, risco de recorrência, evitar gatilhos e situações (desidratação, calor, multidão), reconhecer o pródromo e deitar-se ou sentar-se logo; tratar o gatilho (tosse, urinar sentado); beber mais águatodos
Reduzir ou suspender hipotensores (anti-hipertensores, nitratos, diuréticos, neurolépticos, antidepressivos, dopaminérgicos), com alvo de sistólica à volta de 140 mmHgforma vasodepressora
Manobras de contrapressão isométricas ao primeiro sintoma: cruzar e contrair as pernas, apertar as mãos, tensionar os braçosabaixo dos 60 anos, com pródromo reconhecível
Fludrocortisonajovem com a forma ortostática, pressão normal-baixa e sem contraindicação (não na hipertensão nem na insuficiência cardíaca)
Midodrinaforma ortostática da vasovagal
Pacemaker de dupla câmaraacima dos 40 anos, com pausa assintomática documentada: sintomática acima de 3 segundos ou assintomática acima de 6, por paragem sinusal ou bloqueio; síndrome do seio carotídeo cardioinibitória com síncopes frequentes e imprevisíveis; a resposta assistólica na inclinação é indicação mais fraca

Os betabloqueantes não estão indicados. O treino de inclinação tem pouca eficácia. O pacemaker não se põe sem cardioinibição documentada, e é a última escolha: serve o doente mais velho, com síncopes que começaram na meia-idade, sem aviso e com lesões. Com prova de inclinação positiva, a recorrência com pacemaker é maior, porque fica a componente vasodepressora por tratar. Na criança evita-se o pacemaker, mesmo com assistolia prolongada, pela natureza benigna e transitória da síndrome.

Síncope ortostática

  • Explicação e as mesmas medidas gerais.
  • Água e sal, sem hipertensão: 2 a 3 L de líquidos e 10 g de cloreto de sódio por dia. Beber água fria depressa ajuda na intolerância ortostática e na hipotensão pós-prandial.
  • Rever os fármacos: retirar o culpado é o tratamento principal da forma induzida por fármacos. Com hipotensão ortostática estabelecida e risco de quedas, o alvo passa a sistólica de 140 a 150 mmHg; preferem-se os inibidores da enzima de conversão, os antagonistas dos recetores da angiotensina e os bloqueadores dos canais de cálcio aos diuréticos e aos betabloqueantes.
  • Manobras de contrapressão (cruzar as pernas, agachar), meias de compressão ou cinta abdominal, e dormir com a cabeceira elevada mais de 10 graus, que reduz a poliúria noturna e a hipertensão noturna.
  • Se os sintomas persistem: midodrina 2,5 a 10 mg três vezes por dia, ou fludrocortisona 0,1 a 0,3 mg por dia.

Síncope cardíaca

causatratamento
Disfunção sinusal ou bloqueio auriculoventricular com relação documentada entre a síncope e a bradicardiapacemaker
Bloqueio de 2.º ou 3.º grau intermitente ou paroxístico, incluindo fibrilhação auricular com resposta lentapacemaker, mesmo sem correlação documentada
Bloqueio de ramo com estudo eletrofisiológico positivo ou bloqueio documentado no registadorpacemaker; empírico só num idoso selecionado com bloqueio bifascicular e síncope inexplicada
Bradicardia por causa reversível (fármacos, alterações eletrolíticas)corrigir a causa; o pacemaker não está indicado
Taquicardia supraventricular (reentrada nodal ou por via acessória, flutter típico)ablação por cateter, de primeira escolha
Taquicardia ventricularablação ou antiarrítmicos; cardioversor-desfibrilhador se a fração de ejeção é de 35% ou menos, ou com enfarte prévio e taquicardia induzida
Torsade de pointes por fármacossuspender o fármaco
Doença estruturaltratar a causa: substituição valvular na estenose aórtica, tratamento da embolia, do tamponamento ou da isquemia

Síncope inexplicada com risco de morte súbita

Quem já tem indicação para cardioversor-desfibrilhador recebe-o antes de se esclarecer a síncope. Nas miocardiopatias e nas doenças elétricas hereditárias, a síncope inexplicada é um fator de risco que se soma aos outros: na miocardiopatia hipertrófica, à idade, à história familiar de morte súbita, à espessura máxima da parede, ao diâmetro da aurícula esquerda e à taquicardia ventricular não sustentada. No QT longo, o betabloqueante (nadolol ou propranolol) reduz muito o risco, e a síncope sob betabloqueante tem o mesmo risco de morte do doente não tratado. Quando a decisão não é clara, o registador implantável é a alternativa.

Pseudossíncope

O médico que faz o diagnóstico comunica-o ao doente, sem pôr em dúvida que os episódios são involuntários. A explicação reduz logo a frequência dos episódios. Se persistirem, terapia cognitivo-comportamental.

Prevenir a recorrência

  • Reflexa: a base é a educação. Em quem teve síncopes repetidas nos 1 a 2 anos antes da avaliação, mais de metade não volta a ter nos 1 a 2 anos seguintes, e nos restantes a carga cai mais de 70%, sobretudo pela explicação.
  • Evitam-se os gatilhos: desidratação, calor e multidões, ortostatismo prolongado. Na forma situacional trata-se a tosse, urina-se sentado.
  • Ao primeiro sintoma, o doente senta-se ou deita-se e faz as manobras de contrapressão. Quem reconhece o pródromo e se deita a tempo tem um susto, não uma queda.
  • Ortostática: rever a medicação a cada consulta, sobretudo no idoso com vários anti-hipertensores; levantar-se devagar, sentado primeiro à beira da cama.

Prevenir a lesão

O pródromo ausente ou muito curto é o que mais expõe a traumatismos, porque não dá tempo de se proteger. No idoso, a abordagem das quedas e da síncope é a mesma, e rever os hipotensores e os psicofármacos reduz o risco das duas.

Prevenir a morte súbita

  • Síncope de alarme num jovem, ou morte súbita inexplicada numa família, leva a avaliação cardiológica dos familiares à procura de canalopatias e miocardiopatias.
  • No QT longo, evitam-se os fármacos que alongam o QT e os gatilhos do tipo (a natação no tipo 1, os ruídos súbitos no tipo 2), e todos fazem betabloqueante.
  • O cardioversor-desfibrilhador é a prevenção nos doentes de alto risco.

Condução e atividades de risco

A síncope que acontece a conduzir, a operar máquinas, em altura ou em competição é uma das razões para tratar uma forma reflexa que noutra situação só se explicaria. Aconselha-se o doente sobre a condução e as atividades de risco enquanto a causa não estiver esclarecida e controlada, e fica registado.

Referências

  1. Brignole M, Moya A, de Lange FJ, Deharo JC, Elliott PM, Fanciulli A, et al. 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. Eur Heart J. 2018;39(21):1883-948.
  2. Brignole M, Moya A, de Lange FJ, Deharo JC, Elliott PM, Fanciulli A, et al. Practical instructions for the 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. Eur Heart J. 2018;39(21):e43-80.
  3. Wing EJ, Schiffman FJ, editores. Cecil essentials of medicine. 10.ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2022. Evaluation of the patient with cardiovascular disease; cardiac arrhythmias; epilepsy.
  4. Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's principles of internal medicine. 20.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2018. Cap. 418, Seizures and epilepsy.
  5. Cunningham FG, Leveno KJ, Dashe JS, Hoffman BL, Spong CY, Casey BM, editores. Williams obstetrics. 26.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022. Normal labor.

14 perguntas sobre Abordagem ao doente com síncope

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