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Tumores neuroendócrinos e endócrinos gastrointestinais

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 13 perguntas neste tema

Em resumo

Os tumores neuroendócrinos digestivos nascem das células neuroendócrinas dispersas pela mucosa do tubo digestivo e dos ilhéus do pâncreas. Partilham a expressão de cromogranina A e sinaptofisina e, em cerca de 90%, de recetores da somatostatina, o que permite vê-los numa PET com análogos marcados e tratá-los com análogos da somatostatina ou com radioligandos. A incidência diagnosticada tem subido muito nas últimas décadas, em boa parte por achado endoscópico e imagiológico.

O que decide o comportamento é a diferenciação e a proliferação. A classificação da OMS de 2022 separa os tumores bem diferenciados, graduados pelo Ki-67 em G1, G2 e G3, dos carcinomas neuroendócrinos pouco diferenciados, que são doenças agressivas, próximas do carcinoma de pequenas células do pulmão, de mau prognóstico, e se tratam com quimioterapia com platina. Um doente com um tumor bem diferenciado pode viver anos com metástases hepáticas.

A segunda distinção é entre funcionantes e não funcionantes. A maioria não segrega nada que se veja e apresenta-se por efeito de massa ou como achado. Os funcionantes dão síndromes que se reconhecem à cabeceira: a síndrome carcinoide dos tumores do íleo com metástases hepáticas (rubor, diarreia, broncospasmo e doença da válvula tricúspide), a hipoglicemia de jejum do insulinoma, as úlceras e a diarreia do gastrinoma (síndrome de Zollinger-Ellison), a diarreia aquosa do VIPoma e o eritema necrolítico migratório do glucagonoma.

O sítio muda tudo. Os tumores do íleo são pequenos, multifocais e escondem-se atrás de uma massa mesentérica fibrosa; os do estômago dividem-se em três tipos conforme a gastrina; os do apêndice e do reto são quase sempre achados pequenos que a excisão resolve. Uma fração nasce na neoplasia endócrina múltipla tipo 1, que se suspeita perante tumores pancreáticos múltiplos, gastrinoma, hiperparatiroidismo ou doente jovem.

A confirmação junta o doseamento dirigido pela síndrome, a imagem anatómica e funcional e a histologia com Ki-67. O tratamento da doença localizada é cirúrgico ou endoscópico; na doença avançada controlam-se primeiro os sintomas hormonais e depois o crescimento, com análogos da somatostatina, radioligandos, everolímus, inibidores de tirosina-cinase ou quimioterapia. O que não se pode falhar é a crise carcinoide no bloco operatório, a hipoglicemia do insulinoma tratada com análogos que a agravam, e a suspensão do inibidor da bomba de protões num gastrinoma suspeito sem proteção nem vigilância.

Referências

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