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Síndromes paraneoplásicas

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 21 perguntas neste tema

Em resumo

As síndromes paraneoplásicas são manifestações de um cancro que acontecem longe dele e das suas metástases. Não resultam da massa, da invasão, da obstrução nem do tratamento, mas de duas coisas: substâncias que o tumor segrega, como hormonas, péptidos e citocinas, ou uma resposta imune que o tumor desencadeia e que ataca, por semelhança, tecidos normais. Em cerca de 60% das síndromes neurológicas os sintomas aparecem antes de se conhecer o tumor, e é aí que valem mais: uma síndrome bem reconhecida é a pista que leva a um cancro ainda tratável.

As endócrinas são as mais frequentes. A hipercalcemia humoral, mediada pelo péptido relacionado com a paratormona, atinge até 20% dos doentes com cancro e é típica dos carcinomas epidermoides (também chamados espinocelulares); a secreção inapropriada de hormona antidiurética e o Cushing por corticotropina ectópica são próprios do carcinoma de pequenas células do pulmão, que é o protótipo de tumor paraneoplásico. Os grandes tumores mesenquimatosos, como o tumor fibroso solitário, podem causar hipoglicemia de jejum por um precursor da IGF-2.

As neurológicas são raras, menos de 1% dos doentes com cancro, mas são as que mais incapacitam. O anticorpo diz onde procurar: anti-Hu e anti-canais de cálcio apontam o carcinoma de pequenas células (encefalomielite, neuronopatia sensitiva, Lambert-Eaton), anti-Yo aponta o ovário e a mama (degenerescência cerebelosa), a miastenia gravis aponta o timoma, a encefalite anti-NMDA da mulher jovem aponta o teratoma do ovário e o opsoclono-mioclono da criança aponta o neuroblastoma.

Há ainda as hematológicas (a tromboflebite migratória de Trousseau, a eritrocitose por eritropoietina), as cutâneas (acantose nigricans maligna, sinal de Leser-Trélat, dermatomiosite) e as renais (nefropatia membranosa nos tumores sólidos, lesões mínimas no linfoma de Hodgkin).

O que as distingue é a reversibilidade. As humorais melhoram quando o tumor responde; as neurológicas com anticorpos contra antigénios intracelulares resultam de morte neuronal mediada por linfócitos T e deixam sequelas, pelo que o atraso diagnóstico custa função. O que não se pode falhar é uma investigação inicial negativa tomada como alta: o tumor pode aparecer meses depois e a procura repete-se.

Referências

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21 perguntas sobre Síndromes paraneoplásicas

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