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Paliação e complicações do tratamento das neoplasias

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 28 perguntas neste tema

Em resumo

A doença oncológica avançada e o próprio tratamento dirigido ao tumor produzem sofrimento que se previne e se trata. Os cuidados paliativos são o cuidado ativo e global do doente com doença grave, incurável ou avançada e da sua família, centrado no alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual. Não são sinónimo de fim de vida: entram cedo, em paralelo com a quimioterapia, e a sua intensidade cresce à medida que o tratamento dirigido perde utilidade.

A dor é o sintoma que mais se pede para resolver. Avalia-se como quinto sinal vital, separa-se em nociceptiva e neuropática, e trata-se pela escada da Organização Mundial da Saúde: não-opioide, depois opioide fraco ou opioide forte em dose baixa, e opioide forte na dor moderada a intensa, com a morfina oral como primeira escolha, resgate para a dor irruptiva e laxante desde o primeiro dia. A dor neuropática segue a norma portuguesa, que começa em monoterapia com amitriptilina, duloxetina ou gabapentinoide. Dispneia, náusea, obstipação e delirium tratam-se pelo mecanismo, e nos últimos dias o objetivo passa a ser só o conforto.

As complicações do tratamento dependem da modalidade. A quimioterapia citotóxica lesa os tecidos de renovação rápida e alguns órgãos específicos de cada fármaco: medula, mucosas, nervo periférico, coração com as antraciclinas, rim e ouvido com a cisplatina. As terapêuticas dirigidas atingem o alvo onde ele também existe em tecido normal, como o coração no caso do trastuzumab. A imunoterapia com inibidores de pontos de controlo imunitário provoca inflamação autoimune de qualquer órgão, trata-se com corticoide escalonado pelo grau e pode surgir depois de o fármaco ter sido parado. A radioterapia fica confinada ao campo irradiado, com efeitos agudos que reparam e efeitos tardios que não.

O que não se pode falhar: a neutropenia febril é uma emergência, com antibiótico de largo espectro com cobertura antipseudomonas na primeira hora; o extravasamento de antraciclina trata-se com dexrazoxano nas primeiras 6 horas; a miocardite imunomediada é rara mas mata e obriga a suspender a imunoterapia; e a preservação da fertilidade discute-se antes de começar o tratamento, não depois.

Referências

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