Neoplasias do urotélio e do rim
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema
O urotélio e o rim são vizinhos, partilham o tabaco como fator de risco e a hematúria como sinal de alarme, mas dão tumores de biologia oposta. O carcinoma urotelial nasce no epitélio de transição que reveste a via excretora, da pelve renal à uretra, e em mais de nove em cada dez casos aparece na bexiga. O carcinoma de células renais nasce do epitélio tubular do parênquima, é muito vascularizado, dissemina-se pelo sangue e resiste à quimioterapia clássica.
O tumor urotelial é uma doença de campo: todo o urotélio exposto aos carcinogéneos da urina está alterado, e por isso os tumores são muitas vezes múltiplos e voltam em sítios diferentes. Apresenta-se por hematúria macroscópica indolor, que no adulto se investiga sempre com cistoscopia, citologia urinária e uro-TC. Na bexiga, tudo se organiza pela invasão do músculo detrusor: cerca de três quartos não o invadem e tratam-se por resseção transuretral e instilações vesicais, com recidivas frequentes; os que o invadem pedem quimioterapia com cisplatina e cistectomia radical. No trato urinário superior o mesmo tumor é raro, chega mais vezes invasivo e associa-se à síndrome de Lynch.
O carcinoma de células renais é hoje, na maioria dos casos, um achado de imagem pedida por outro motivo; a tríade clássica de dor no flanco, hematúria e massa é rara e tardia. Confirma-se por TC com contraste, trata-se sobretudo com cirurgia, poupando rim sempre que possível, e na doença metastática com associações de imunoterapia. A via de VHL explica a vascularização, a síndrome de von Hippel-Lindau e a resposta aos antiangiogénicos.
O que não se pode falhar: investigar a hematúria mesmo que tenha parado ou pareça explicada, trazer detrusor na peça da resseção vesical, lembrar o carcinoma in situ quando a citologia é positiva e a cistoscopia normal, deixar de fumar como parte do tratamento, e não confundir um trombo tumoral da veia renal ou da cava com doença irressecável.
Referências
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- Hahn NM. Cancer of the bladder and urinary tract. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 86.
- Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, Dunn DL, Kao LS, Hunter JG, et al., editors. Schwartz's principles of surgery. 11th ed. New York: McGraw Hill; 2019. cap. 40, Urology.
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- European Association of Urology. EAU guidelines on non-muscle-invasive bladder cancer (TaT1 and CIS). Arnhem: EAU Guidelines Office; 2025.
- European Association of Urology. EAU guidelines on muscle-invasive and metastatic bladder cancer. Arnhem: EAU Guidelines Office; 2025.
- European Association of Urology. EAU guidelines on upper urinary tract urothelial carcinoma. Arnhem: EAU Guidelines Office; 2025.
- Silverman SG, Pedrosa I, Ellis JH, Hindman NM, Schieda N, Smith AD, et al. Bosniak classification of cystic renal masses, version 2019: an update proposal and needs assessment. Radiology. 2019;292(2):475-488.
11 perguntas sobre Neoplasias do urotélio e do rim
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