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Neoplasias do testículo

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 7 perguntas neste tema

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Em resumo

As neoplasias do testículo são os tumores sólidos mais frequentes no homem jovem (15 a 40 anos) e, apesar da agressividade biológica, constituem o modelo de cancro sólido altamente curável, com sobrevida global superior a 95%. A esmagadora maioria são tumores de células germinativas, divididos em seminoma puro e não-seminomatosos, distinção com implicações diretas nos marcadores séricos, no estadiamento e na terapêutica.

A apresentação típica é uma massa escrotal indolor, firme e não translúcida, detetada pelo próprio doente. A ausência de dor é enganadora e atrasa frequentemente a procura de cuidados; até 20% referem desconforto e uma minoria apresenta dor aguda por hemorragia intratumoral. Sinais de doença avançada incluem massa cervical (adenopatia supraclavicular), sintomas respiratórios (metástases pulmonares), lombalgia (volumosa adenopatia retroperitoneal) e ginecomastia (produção de beta-hCG). Todo o aumento de volume ou nódulo testicular persistente obriga a investigação.

Ecografia escrotal com sonda de alta frequência é o primeiro exame: distingue lesão intra de extratesticular, sólida de quística, e avalia o testículo contralateral. Uma lesão sólida intratesticular é neoplasia até prova em contrário.

Marcadores séricos (pilar do diagnóstico, estadiamento e seguimento), a colher antes da orquidectomia:

  • Alfa-fetoproteína (AFP): elevada nos não-seminomatosos (saco vitelino, carcinoma embrionário). Nunca está elevada no seminoma puro, pelo que AFP aumentada reclassifica o tumor como não-seminomatoso para efeitos de tratamento, independentemente da histologia.
  • Beta-hCG: pode elevar-se em ambos os grupos (sinciciotrofoblasto); valores muito altos sugerem coriocarcinoma.
  • LDH: inespecífica, reflete carga tumoral e valor prognóstico na doença metastática.

O tratamento cirúrgico inicial é a orquidectomia radical por via inguinal, com laqueação alta do cordão espermático: é simultaneamente diagnóstica e terapêutica. A biópsia ou abordagem transescrotal está contraindicada, por risco de disseminação e alteração das vias de drenagem linfática (passando a envolver gânglios inguinais).

Após a orquidectomia, procede-se ao estadiamento: TC toracoabdominopélvica e repetição dos marcadores respeitando a semivida (AFP ~5-7 dias, beta-hCG ~1-3 dias). Marcadores que não normalizam segundo a cinética esperada indicam doença residual/metastática. O estadiamento segue o sistema TNM-S (o S incorpora os marcadores) e, na doença metastática, a classificação prognóstica IGCCCG (bom/intermédio/mau prognóstico). Oferece-se criopreservação de esperma antes de qualquer tratamento com potencial gonadotóxico.

Tumor de células germinativas do testículo Homem jovem: o cancro sólido mais curável — sobrevida global > 95% APRESENTAÇÃO CLÍNICA Massa escrotal INDOLOR, firme e não translúcida, detetada pelo doente. A ausência de dor atrasa a procura de cuidados. Sinais tardios: ginecomastia (beta-hCG), lombalgia, massa cervical. INVESTIGAÇÃO INICIAL Ecografia escrotal: lesão sólida intratesticular = neoplasia até prova em contrário. Marcadores séricos ANTES da orquidectomia: AFP, beta-hCG, LDH. ORQUIDECTOMIA RADICAL INGUINAL — diagnóstica e terapêutica Com laqueação alta do cordão espermático. ! NUNCA biópsia nem abordagem TRANSESCROTAL Risco de disseminação e de envolver os gânglios inguinais (drenagem alterada). SEMINOMA vs NÃO-SEMINOMATOSO Característica Seminoma puro Não-seminomatoso AFP NUNCA elevada Pode elevar-se Beta-hCG Pode elevar-se Pode elevar-se Radiossensibilidade Elevada Menor (mistos) AFP elevada reclassifica o tumor como não-seminomatoso (mesmo com histologia de seminoma). ESTADIAMENTO E PROGNÓSTICO Pós-orquidectomia: TC toracoabdominopélvica + repetição dos marcadores. Semivida AFP ~5-7 dias, beta-hCG ~1-3 dias; se não normalizam = doença residual. Estadiamento TNM-S e IGCCCG (metastática). Sobrevida > 95% (~99% no estádio I).

Referências

  1. Nicol D, Patrikidou A, Berney DM, et al. EAU Guidelines on Testicular Cancer. European Association of Urology; edição de 2024. Disponível em uroweb.org.
  2. Oldenburg J, Berney DM, Bokemeyer C, et al. Testicular seminoma and non-seminoma: ESMO-EURACAN Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Annals of Oncology. 2022;33(4):362-375.
  3. International Germ Cell Cancer Collaborative Group (IGCCCG). International Germ Cell Consensus Classification: a prognostic factor-based staging system for metastatic germ cell cancers. Journal of Clinical Oncology. 1997;15(2):594-603.
  4. Cheng L, Albers P, Berney DM, et al. Testicular cancer. Nature Reviews Disease Primers. 2018;4:29.
  5. Gilligan T, et al. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Testicular Cancer. National Comprehensive Cancer Network, versão de 2024. Disponível em nccn.org.

7 perguntas sobre Neoplasias do testículo

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