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Neoplasias do testículo

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema

Em resumo

Os tumores do testículo são raros, cerca de 1% dos cancros do homem, mas são o cancro mais frequente entre os 20 e os 40 anos. Em 95% dos casos são tumores de células germinativas, que se dividem em seminoma puro e não seminomatoso; os restantes são tumores do estroma e dos cordões sexuais e, no homem acima dos 50 anos, linfoma.

O fator de risco que mais conta é a criptorquidia, que aumenta o risco quatro a seis vezes, também no testículo que desceu, e que a orquidopexia reduz sem eliminar. Pesam ainda o tumor germinativo prévio, a história familiar e a neoplasia germinativa in situ, a lesão de onde nasce quase todo o tumor invasor.

Apresenta-se como massa testicular dura e indolor, ou como aumento de volume e desconforto que se toma por orquiepididimite. Uma lesão sólida intratesticular na ecografia é neoplasia até prova em contrário. Os marcadores séricos, alfafetoproteína, gonadotrofina coriónica e desidrogenase láctica, colhem-se antes e depois da orquidectomia, que é radical e por via inguinal e serve ao mesmo tempo de diagnóstico e de tratamento.

Os marcadores separam os dois grupos: o seminoma puro nunca eleva a alfafetoproteína, pelo que uma alfafetoproteína alta obriga a tratar como não seminomatoso. O estadiamento junta a tomografia aos marcadores depois da cirurgia, e na doença metastática a classificação prognóstica internacional decide a intensidade da quimioterapia com cisplatina. Curam-se cerca de 95% dos doentes, mesmo com metástases.

O que não se pode falhar: investigar com ecografia a massa testicular e a orquiepididimite que não responde ao antibiótico, nunca biopsar nem operar por via escrotal, colher os marcadores antes da orquidectomia e oferecer a criopreservação de esperma antes de qualquer tratamento.

Ecografia

  • Ecografia testicular bilateral com sonda de alta frequência (acima de 10 MHz) perante qualquer suspeita: distingue lesão intra de extratesticular e sólida de quística, e avalia o outro testículo.
  • O tumor germinativo é hipoecogénico e pode ser multifocal. Massa sólida intratesticular é maligna até prova em contrário.

Marcadores séricos

Doseiam-se antes e depois da orquidectomia e ao longo do seguimento: servem o diagnóstico, o estadiamento, o prognóstico e a vigilância.

marcadoreleva-se emsemivida
Alfafetoproteína60 a 70% dos não seminomatosos (saco vitelino, carcinoma embrionário); nunca no seminoma puro5 a 7 dias
Gonadotrofina coriónica (fração beta)até 30% dos seminomas; não seminomatosos, muito alta no coriocarcinoma1 a 3 dias
Desidrogenase lácticainespecífica; reflete a carga tumoral e entra na classificação de risco
  • Até 90% dos não seminomatosos elevam a alfafetoproteína ou a gonadotrofina ao diagnóstico.
  • Marcadores normais não excluem tumor: a maioria dos seminomas e até um terço dos não seminomatosos não os elevam.
  • Falsos positivos: alfafetoproteína na doença hepática e na persistência hereditária da alfafetoproteína; gonadotrofina no hipogonadismo e com consumo de canábis.
  • Depois da orquidectomia os marcadores descem segundo a semivida e podem levar várias semanas a normalizar. Os que não descem como esperado indicam doença residual.

Orquidectomia radical inguinal

  • É diagnóstica e terapêutica: incisão inguinal, laqueação alta do cordão espermático no anel inguinal interno e remoção do testículo com o cordão. Examina-se o testículo inteiro, porque o tumor pode ser multifocal.
  • Nunca punção ou biópsia transescrotal, nem orquidectomia por via escrotal: semeia o escroto e os gânglios inguinais.
  • Cirurgia poupadora do testículo só em casos selecionados (testículo único ou tumores bilaterais, com mais de metade do parênquima preservada).
  • Biópsia do testículo contralateral discutida no doente de alto risco (volume inferior a 12 mL ou antecedente de criptorquidia); dispensável acima dos 40 anos sem fatores de risco.
  • Na doença metastática com risco de vida e diagnóstico evidente, a quimioterapia pode começar antes da orquidectomia.

Estadiamento

  • TC do tórax, abdómen e pelve com contraste.
  • RM cerebral se houver múltiplas metástases pulmonares, prognóstico mau (sobretudo com gonadotrofina acima de 5000 UI/L) ou sintomas. A cintigrafia óssea só com clínica, e a PET não tem papel no estadiamento inicial.
  • O estádio junta o tumor, os gânglios, as metástases e os marcadores depois da orquidectomia.
estádiodefinição
Ilimitado ao testículo, com marcadores que normalizam
ISmarcadores que não descem depois da orquidectomia, sem doença visível
IIA, IIB, IICgânglios retroperitoneais até 2 cm, mais de 2 até 5 cm, mais de 5 cm
IIIgânglios além do retroperitoneu ou metástases à distância

Classificação prognóstica da doença metastática

Classificação do consenso internacional sobre tumores germinativos (IGCCCG, International Germ Cell Cancer Collaborative Group), com os marcadores depois da orquidectomia.

prognósticonão seminomatososeminoma
Bomprimário testicular ou retroperitoneal, sem metástases viscerais extrapulmonares, alfafetoproteína abaixo de 1000 ng/mL, gonadotrofina abaixo de 5000 mUI/mL e desidrogenase láctica abaixo de 1,5 vezes o normalqualquer primário, sem metástases viscerais extrapulmonares, alfafetoproteína normal
Intermédioprimário testicular ou retroperitoneal, sem metástases viscerais extrapulmonares, e alfafetoproteína 1000 a 10 000, gonadotrofina 5000 a 50 000 ou desidrogenase láctica 1,5 a 10 vezes o normalmetástases viscerais extrapulmonares
Mauprimário do mediastino, metástases viscerais extrapulmonares (fígado, osso, cérebro), alfafetoproteína acima de 10 000, gonadotrofina acima de 50 000 ou desidrogenase láctica acima de 10 vezes o normalnão existe

Diagnóstico diferencial

o que distingueatitude
Torção testiculardor súbita e intensa, náuseas e vómitos, testículo alto e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente; Doppler com fluxo reduzido ou ausenteexploração cirúrgica urgente
Orquiepididimitedor e tumefação do epidídimo instaladas em 1 a 2 dias, febre, disúria e piúria; hiperemia no Dopplerantibiótico; ecografia se não responde
Hidrocelocoleção líquida à volta do testículo, que transiluminaecografia se o testículo não se palpa
Varicocelo, espermatoceloextratesticulares na ecografiasem urgência
Hematomatraumatismo; um tumor também pode sangrar e doerecografia
Linfoma testicularhomem acima dos 50 anosorquidectomia e estadiamento hematológico
Tumor de células germinativas do testículo Homem jovem: o cancro sólido mais curável, com sobrevivência específica acima de 95% Apresentação clínica Massa testicular indolor, dura e que não transilumina, detetada pelo doente. A ausência de dor atrasa a procura de cuidados. Sinais tardios: ginecomastia (beta-hCG), lombalgia, massa cervical. Investigação inicial Ecografia bilateral: lesão sólida intratesticular é neoplasia até prova em contrário. Marcadores séricos antes e depois da orquidectomia: AFP, beta-hCG, LDH. Orquidectomia radical inguinal: diagnóstica e terapêutica Com laqueação alta do cordão espermático no anel inguinal interno. ! Nem biópsia nem abordagem transescrotal O escroto drena para os gânglios inguinais: violá-lo abre uma via que o tumor não tinha. Seminoma puro e não seminomatoso Característica Seminoma puro Não seminomatoso AFP Nunca elevada Eleva-se em 60 a 70% Beta-hCG Eleva-se em até 30% Pode elevar-se Radioterapia Muito sensível Não se usa AFP elevada: trata-se como não seminomatoso, mesmo com histologia de seminoma. Estadiamento e prognóstico Depois da orquidectomia: TC do tórax, abdómen e pelve e repetição dos marcadores. Semivida: AFP 5 a 7 dias, beta-hCG 1 a 3 dias. Se não normalizam, há doença residual. Estádio TNM com marcadores; IGCCCG na doença metastática. Estádio I: 99% aos 5 anos.

Referências

  1. Vaughn DJ. Testicular cancer. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022. Capítulo 88.
  2. Goldman L, Schafer AI, editores. Goldman-Cecil Medicine. 26.ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2020. Secção IX, Oncologic disease: testicular cancer.
  3. Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, Dunn DL, Kao LS, Hunter JG, et al., editores. Schwartz's Principles of Surgery. 11.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2019. Capítulo 40, Urology.
  4. European Association of Urology. EAU Guidelines on Testicular Cancer. Arnhem: EAU Guidelines Office; 2026.
  5. European Association of Urology. EAU Guidelines on Paediatric Urology: undescended testes. Arnhem: EAU Guidelines Office; 2026.
  6. International Germ Cell Cancer Collaborative Group. International Germ Cell Consensus Classification: a prognostic factor-based staging system for metastatic germ cell cancers. J Clin Oncol. 1997;15(2):594-603.

10 perguntas sobre Neoplasias do testículo

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