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Neoplasias do pâncreas

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

Sob o nome de neoplasias do pâncreas cabem três famílias com comportamentos opostos. O adenocarcinoma ductal, que nasce do epitélio dos ductos exócrinos, é 85 a 90% de todas as neoplasias do pâncreas e uma das mais letais: menos de 10% dos doentes estão vivos aos 5 anos. Os tumores neuroendócrinos, das células dos ilhéus, não passam de 5%, crescem devagar e alguns segregam hormonas que dão síndromes inconfundíveis. As lesões quísticas são sobretudo achados de imagem pedida por outro motivo, e o trabalho é separar as que nunca farão mal das que são precursoras de cancro.

O adenocarcinoma liga-se ao tabaco, à pancreatite crónica, à obesidade, à diabetes e, em até 10% dos casos, a predisposição familiar (BRCA2, PALB2, CDKN2A, síndrome de Peutz-Jeghers, síndrome de Lynch, pancreatite hereditária). Cerca de dois terços nascem na cabeça e apresentam-se com icterícia obstrutiva, às vezes com vesícula palpável e indolor (sinal de Courvoisier); os do corpo e da cauda dão dor dorsal e emagrecimento e chegam mais tarde. Uma diabetes de início recente depois dos 50 anos, com emagrecimento, pode ser o primeiro sinal. Confirma-se com TC multifásica com protocolo pancreático e ecoendoscopia com punção; o CA 19-9 serve para seguir a doença, não para a encontrar.

O tratamento depende de uma classificação anatómica: ressecável, ressecável limítrofe, localmente avançado e metastático. Só 15 a 20% dos doentes chegam ressecáveis. O doente operado faz quimioterapia adjuvante, de preferência mFOLFIRINOX se o estado geral o permite; o limítrofe e o localmente avançado começam por quimioterapia; o metastático em bom estado geral recebe FOLFIRINOX, NALIRIFOX ou gemcitabina com nab-paclitaxel, e todos fazem pesquisa de mutações germinais de BRCA. Não há rastreio populacional; há vigilância anual, com ressonância e ecoendoscopia, de quem tem risco hereditário elevado.

Os tumores neuroendócrinos são não funcionantes em 50 a 85% dos casos. Dos funcionantes, o insulinoma dá hipoglicemia de jejum com a tríade de Whipple e é benigno em mais de 90%; o gastrinoma dá úlceras múltiplas e refratárias (síndrome de Zollinger-Ellison) e associa-se à neoplasia endócrina múltipla tipo 1 em cerca de 20%. O grau da OMS 2019 assenta no Ki-67 (menos de 3%, 3 a 20% e acima de 20%) e separa os tumores bem diferenciados do carcinoma neuroendócrino. A PET com análogos da somatostatina estadia, e a cirurgia é o tratamento curativo.

Nas lesões quísticas, o pseudoquisto vem depois de uma pancreatite e não tem epitélio; a neoplasia quística serosa é benigna; a neoplasia quística mucinosa, da mulher e da cauda, e a neoplasia mucinosa papilar intraductal, que comunica com os ductos, podem malignizar. A do ducto principal opera-se; a de ramo secundário vigia-se, e o que decide a cirurgia são os estigmas de alto risco (icterícia, nódulo mural com captação de 5 mm ou mais, ducto principal de 10 mm ou mais, citologia suspeita).

O que não se pode falhar: não usar o CA 19-9 para rastrear, não drenar como pseudoquisto um quisto sem história de pancreatite, drenar a via biliar antes de quimioterapia no doente ictérico que não vai ser operado de imediato, e pensar em insulinoma perante uma lesão hipervascular num doente com hipoglicemias.

Referências

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12 perguntas sobre Neoplasias do pâncreas

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