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Neoplasias do fígado e vias biliares

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · Prevenção

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

O fígado é o órgão mais atingido por metástases, e estas são muito mais frequentes do que os tumores que nascem nele. Dos primários, o carcinoma hepatocelular é de longe o mais comum, seguido do colangiocarcinoma; nas vias biliares extra-hepáticas, o colangiocarcinoma peri-hilar e distal e o carcinoma da vesícula partilham o mesmo epitélio e o mesmo mau prognóstico.

O carcinoma hepatocelular nasce em cerca de 80% dos casos sobre cirrose, e o vírus da hepatite B, que se integra no genoma do hepatócito, pode causá-lo sem ela. É assintomático enquanto é curável, por isso vigia-se todo o cirrótico tratável e a hepatite B de risco com ecografia de 6 em 6 meses, com ou sem alfafetoproteína. Curar a hepatite C reduz o risco mas não o anula: pela norma da DGS, quem tinha fibrose avançada ou cirrose antes do tratamento continua em vigilância.

É dos raros cancros que se diagnosticam sem biópsia. No fígado de risco, um nódulo de 1 cm ou mais que capta contraste na fase arterial e lava na venosa ou tardia (LR-5 na classificação LI-RADS) é carcinoma; fora desse fígado, ou com imagem atípica, biopsa-se. A alfafetoproteína apoia mas não diagnostica. O tratamento segue o sistema de Barcelona, que pesa o tumor, a função hepática e o estado geral, e na doença avançada a primeira linha é imunoterapia associada, com atezolizumab e bevacizumab ou durvalumab e tremelimumab.

O colangiocarcinoma tem na colangite esclerosante primária o seu principal fator de risco no Ocidente, com 20% de risco aos 30 anos de doença. O intra-hepático é uma massa que exige biópsia; o peri-hilar dá icterícia indolor e estuda-se com ressonância antes de qualquer prótese. O carcinoma da vesícula acompanha a litíase e é muitas vezes achado na peça de colecistectomia; previne-se retirando a vesícula com pólipos de 10 mm ou mais. Na doença biliar avançada trata-se com gemcitabina, cisplatina e imunoterapia, depois de pedir o perfil molecular.

O que não se pode falhar: tirar da vigilância o cirrótico curado da hepatite C, dar bevacizumab sem ver as varizes, confiar numa alfafetoproteína normal, pôr uma prótese biliar antes de estadiar, e não ler a histologia de uma colecistectomia.

Referências

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