Emergências oncológicas
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 36 perguntas neste tema
As emergências oncológicas são complicações agudas do tumor, do seu efeito hormonal ou metabólico, ou do tratamento, que ameaçam a vida ou a função em horas ou dias. Várias são a primeira manifestação de um cancro que ninguém sabia existir: a síndrome da veia cava superior de um carcinoma do pulmão de pequenas células, a compressão medular de um mieloma, a lise tumoral espontânea de um linfoma de Burkitt.
O que as une é a dependência do tempo. Na neutropenia febril o antibiótico entra na primeira hora, porque o doente sem neutrófilos passa da febre ao choque sem sinais de aviso. Na compressão medular o estado neurológico no momento do tratamento decide se o doente volta a andar, e a janela é a dor dorsal que precede o défice. Na lise tumoral, a hipercaliemia pode matar por arritmia em horas, e a melhor arma é a prevenção começada antes da quimioterapia.
As metabólicas têm um ciclo que o tratamento quebra: na hipercalcemia o cálcio causa poliúria, a desidratação baixa a filtração e o cálcio sobe mais, e é por isso que o soro fisiológico vem antes do antirreabsortivo. As estruturais pedem imagem e decisão rápidas: ressonância de toda a coluna, tomografia do tórax com contraste, ecocardiograma à cabeceira. As do tratamento mudaram com a imunoterapia, cuja toxicidade é autoimune e se trata com corticoide, e não com antibiótico.
Muitas destas emergências marcam doença avançada. A conversa sobre os objetivos de cuidados corre em paralelo com o tratamento agudo, sem o substituir: uma compressão medular tratada a tempo devolve a marcha a um doente com meses de vida.
Emergências oncológicas são situações agudas, potencialmente fatais, em doentes com neoplasia conhecida ou como apresentação de um cancro oculto. Classificam-se em três grupos.
| Grupo | Entidades |
|---|---|
| Estruturais ou obstrutivas | síndrome da veia cava superior, obstrução da via aérea, derrame pericárdico e tamponamento, compressão medular, hipertensão intracraniana, obstrução intestinal, urinária e biliar |
| Metabólicas ou hormonais | hipercalcemia, hiponatremia por secreção inapropriada de hormona antidiurética, acidose láctica, hipoglicemia, insuficiência suprarrenal |
| Relacionadas com o tratamento | neutropenia febril, síndrome de lise tumoral, toxicidade imunomediada, reações de infusão, enterocolite neutropénica, cistite hemorrágica |
Quem está em risco
| Contexto | Emergência que antecipa |
|---|---|
| Neoplasia hematológica agressiva de alta carga (linfoma de Burkitt, leucemia linfoblástica aguda, leucemia mieloide aguda com leucocitose) | lise tumoral, leucostase |
| Doença óssea extensa (mieloma, mama, próstata, pulmão) | hipercalcemia, compressão medular |
| Massa do mediastino (pulmão, linfoma, tumor de células germinativas) | veia cava superior, obstrução da via aérea, tamponamento |
| Quimioterapia mielossupressora | neutropenia febril |
| Carcinoma do pulmão de pequenas células | hiponatremia, veia cava superior, metástases cerebrais |
| Inibidores de pontos de controlo imunitário | colite, hepatite, pneumonite, hipofisite, miocardite |
Objetivos de cuidados
Muitas destas emergências surgem em doença avançada e são, elas próprias, marcador de prognóstico. A discussão sobre o que o doente quer e sobre o que o tratamento pode dar faz-se desde a primeira hora, com os cuidados paliativos, e não quando o tratamento falha. Isto não é tratar menos: aliviar a obstrução, descomprimir a medula ou drenar o pericárdio recupera função e qualidade de vida.
Definição
Duas metades, e ambas contam:
- Febre: temperatura oral acima de 38,3 °C numa medição, ou duas medições consecutivas acima de 38,0 °C durante 2 horas (definição europeia). A definição americana usa 38,3 °C ou mais numa medição, ou 38,0 °C ou mais mantidos durante 1 hora.
- Neutropenia: contagem absoluta de neutrófilos abaixo de 0,5 × 10⁹/L, ou com descida prevista para abaixo desse valor. Abaixo de 0,1 × 10⁹/L chama-se profunda.
Epidemiologia
- É uma das complicações mais frequentes e graves da quimioterapia. A maioria dos esquemas convencionais dá 6 a 8 dias de neutropenia.
- O risco depende do esquema, que se classifica como de alto risco (mais de 20% de neutropenia febril), risco intermédio (10 a 20%) ou baixo risco (menos de 10%), e do doente: idade avançada, doença avançada, episódio prévio, mucosite, mau estado geral e doença cardiovascular.
- Em 20 a 30% dos episódios surgem complicações que exigem tratamento hospitalar, e a mortalidade hospitalar global ronda os 10%.
- Documenta-se bacteriemia em cerca de 20% dos episódios. A mortalidade é de 18% na bacteriemia por Gram negativo e de 5% na bacteriemia por Gram positivo.
- A quimioterapia mielossupressora reduz a produção medular de neutrófilos; a mucosite abre o intestino e a boca às bactérias da própria flora, e o cateter venoso abre a pele.
- Sem neutrófilos não há resposta inflamatória: não se forma pus, o infiltrado pulmonar pode não aparecer na radiografia e os sinais locais faltam. A febre pode ser o único sinal.
- A maioria das infeções vem de microrganismos que colonizam a pele e o intestino do próprio doente.
- Nas últimas décadas os Gram positivo passaram a ter o mesmo peso que os Gram negativo, sobretudo pelos cateteres; os centros que não fazem profilaxia com fluoroquinolona continuam com predomínio de Gram negativo.
- A Pseudomonas aeruginosa não é o agente mais frequente, mas é o que mata depressa, e é por isso que o antibiótico empírico tem de a cobrir.
- Crescem as estirpes resistentes: enterobactérias produtoras de betalactamases de espetro alargado, Staphylococcus aureus resistente à meticilina e enterococo resistente à vancomicina.
- Os fungos (Candida, Aspergillus) surgem com a neutropenia profunda e prolongada, sobretudo na indução da leucemia mieloide aguda e no transplante alogénico.
- A febre pode ser a única manifestação.
- Os sinais de infeção são mínimos nos doentes sob corticoide e nos idosos, que muitas vezes se apresentam confusos.
- O doente em risco que aparece prostrado, hipotenso em relação às pressões habituais, com febre baixa ou sem febre, pode estar a desenvolver uma sépsis por Gram negativo.
- Procurar focos: pele e locais de cateter (eritema, induração), boca e orofaringe (mucosite), períneo e região perianal, pulmão, abdómen, sistema nervoso central.
Avaliação inicial
- Avaliação circulatória e respiratória e reanimação, se necessária, antes de tudo o resto.
- Hemograma com contagem de neutrófilos, função renal e hepática, coagulação e proteína C reativa, com urgência.
- Duas séries de hemoculturas antes do antibiótico, de veia periférica e de cada cateter venoso existente.
- Radiografia do tórax; urina, expetoração e fezes para exame e cultura só se houver suspeita de foco nesses locais; amostra de lesões cutâneas.
- Rever a microbiologia anterior: colonização ou infeção prévia por agentes resistentes muda a escolha empírica.
Infeção relacionada com o cateter
- Colhe-se sangue do cateter e da veia periférica ao mesmo tempo e mede-se o tempo até à positividade.
- Uma diferença de 2 horas ou mais, com a amostra do cateter a positivar primeiro, é muito sensível e específica de bacteriemia relacionada com o cateter.
Estratificação de risco: índice MASCC
Índice da associação multinacional de cuidados de suporte em oncologia, calculado só com dados clínicos.
| Característica | Pontos |
|---|---|
| Carga da doença: sem sintomas ou sintomas ligeiros | 5 |
| Carga da doença: sintomas moderados | 3 |
| Carga da doença: sintomas graves | 0 |
| Sem hipotensão (pressão sistólica acima de 90 mmHg) | 5 |
| Sem doença pulmonar obstrutiva crónica | 4 |
| Tumor sólido ou linfoma sem infeção fúngica prévia | 4 |
| Sem desidratação | 3 |
| Em ambulatório no início da febre | 3 |
| Idade abaixo de 60 anos | 2 |
- Os pontos da carga da doença não se somam entre si; o máximo é 26.
- 21 ou mais: baixo risco, com complicações graves em cerca de 6% e mortalidade abaixo de 1%.
- Abaixo de 21: alto risco. Abaixo de 15 a mortalidade pode chegar a 40%.
- O índice não substitui o juízo clínico: leucemia aguda em indução, transplante, pneumonia ou instabilidade classificam o doente como de alto risco.
Febre persistente
- Febre que dura apesar de 72 horas de antibiótico adequado, em neutropenia profunda e prolongada: tomografia de alta resolução do tórax.
- Suspeita de aspergilose: tomografia no próprio dia, à procura de nódulos com halo ou vidro despolido, e galactomanano no soro; lavado broncoalveolar se houver infiltrado.
- Suspeita de candidíase disseminada: tomografia do fígado e do baço antes de iniciar antifúngico.
Fator estimulante de colónias de granulócitos
- Profilaxia primária (desde o primeiro ciclo) quando o esquema tem risco de neutropenia febril acima de 20%; reduz esse risco em pelo menos 50%.
- Com risco intermédio (10 a 20%) decide-se pelo doente: idade acima de 65 anos e comorbilidades empurram para a profilaxia.
- Filgrastim 5 µg/kg por dia por via subcutânea, a começar 24 a 72 horas depois do último dia de quimioterapia e até recuperar os neutrófilos; em alternativa, pegfilgrastim em dose única de 6 mg.
- Profilaxia secundária, depois de um episódio, quando não se quer reduzir a dose nem adiar a quimioterapia (por exemplo, com intenção curativa).
- Não se usa por rotina para tratar a neutropenia febril já instalada, salvo doença crítica.
Outras medidas
- Profilaxia com fluoroquinolona apenas nos doentes com neutropenia profunda e prolongada prevista (por exemplo, quimioterapia intensiva das leucemias agudas), pelo custo em resistências.
- Profilaxia de Pneumocystis com trimetoprim-sulfametoxazol na leucemia linfoblástica aguda e nos doentes sob corticoide acima da dose de manutenção.
- Lavagem das mãos por todos os profissionais; educar o doente a medir a temperatura e a contactar o hospital de imediato.
Primeira hora
A primeira dose de antibiótico dá-se na primeira hora depois da chegada, depois das hemoculturas e sem esperar por resultados. O atraso prolonga o internamento e aumenta a mortalidade.
Alto risco (MASCC abaixo de 21 ou critérios clínicos)
- Internamento e betalactâmico antipseudomonas endovenoso em monoterapia: cefepima, piperacilina-tazobactam ou um carbapenemo (meropenem), conforme a epidemiologia local.
- Associar aminoglicosídeo na sépsis por Pseudomonas ou onde os Gram negativo tenham suscetibilidade reduzida aos betalactâmicos.
- A vancomicina não entra por rotina. Acrescenta-se com suspeita de infeção do cateter, infeção da pele ou dos tecidos moles, pneumonia ou instabilidade hemodinâmica, ou com risco de Staphylococcus aureus resistente à meticilina.
- Foco abdominal ou pélvico: metronidazol, salvo se já estiver sob carbapenemo ou piperacilina-tazobactam. Diarreia: pesquisar Clostridioides difficile.
Baixo risco (MASCC de 21 ou mais)
- Via oral com fluoroquinolona (ciprofloxacina ou levofloxacina) e amoxicilina com ácido clavulânico, ou clindamicina na alergia à penicilina.
- A fluoroquinolona não serve a quem a fazia como profilaxia.
- Primeira dose no hospital e vigilância de pelo menos 4 horas antes de ir para casa, com acesso ao hospital 24 horas por dia.
- Excluídos: instabilidade hemodinâmica, leucemia aguda, falência de órgão, pneumonia, cateter venoso ou infeção grave dos tecidos moles.
- Alta precoce possível depois de pelo menos 24 horas no hospital, com estabilidade clínica e apirexia.
Cateter
- Com suspeita de infeção do cateter e doente estável, o cateter não se retira sem prova microbiológica; dá-se glicopeptídeo pela própria linha.
- Retira-se na infeção do túnel ou da bolsa, na bacteriemia persistente apesar de tratamento adequado, na infeção por micobactéria atípica e na candidemia. Com Staphylococcus aureus, retirar sempre que possível.
Reavaliação e duração
| Às 48 horas | Conduta |
|---|---|
| Sem febre, neutrófilos 0,5 × 10⁹/L ou mais, baixo risco | passar a oral e ponderar alta |
| Febre, mas estável | manter o esquema |
| Instável | alargar o espetro e pedir apoio da infeciologia |
| Agente identificado | antibiótico dirigido |
- Febre que dura 4 a 6 dias apesar do antibiótico: antifúngico empírico. Aspergilose presumida: voriconazol ou anfotericina B lipossómica.
- Suspender o antibiótico com neutrófilos de 0,5 × 10⁹/L ou mais, 48 horas sem febre, sem sintomas e com hemoculturas negativas.
- Se os neutrófilos continuam abaixo de 0,5 × 10⁹/L, pode suspender-se depois de 5 a 7 dias sem febre e sem complicações, exceto nos doentes de alto risco (leucemia aguda, quimioterapia de alta dose).
- Sépsis e choque, falência multiorgânica.
- Infeção fúngica invasiva, cujo risco é determinado pela profundidade e pela duração da neutropenia.
- Atraso ou redução de dose da quimioterapia, com perda de eficácia.
Enterocolite neutropénica (tiflite)
- Inflamação e necrose do cego e tecidos vizinhos, sobretudo na leucemia aguda em tratamento, mas também com taxanos, 5-fluorouracilo, irinotecano ou quimioterapia de alta dose.
- Dor na fossa ilíaca direita com febre e neutropenia, distensão, diarreia aquosa, bacteriemia e hemorragia.
- A tomografia mostra espessamento marcado da parede do cego, edema e densificação da gordura; pneumatose intestinal é o achado mais específico. Espessamento da parede acima de 10 mm na ecografia associa-se a maior mortalidade.
- Tratamento: antibiótico de largo espetro, repouso intestinal e sonda nasogástrica; cirurgia na perfuração, peritonite, necrose ou hemorragia que persiste depois de corrigida a coagulação.
- Destruição maciça de células tumorais que liberta potássio, fosfato e ácidos nucleicos: hiperuricemia, hipercaliemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, com lesão renal aguda frequente.
- Surge durante ou pouco depois do tratamento, habitualmente 1 a 5 dias depois da quimioterapia; pode ser espontânea nas neoplasias de alta carga.
- Mais associada ao linfoma de Burkitt, à leucemia linfoblástica aguda e a outros linfomas de proliferação rápida; também com a leucemia linfocítica crónica sob fludarabina ou venetoclax, com corticoides e anticorpos monoclonais, e raramente com tumores sólidos.
- O risco cresce com a carga tumoral (desidrogenase láctica muito elevada, leucocitose), com a taxa de proliferação, com a insuficiência renal prévia e com ácido úrico, potássio ou fosfato já elevados antes de tratar.
Classificação de risco
| Risco | Exemplos |
|---|---|
| Alto | Burkitt em estadio III ou IV ou com desidrogenase láctica pelo menos 2 vezes o normal; leucemia linfoblástica aguda com leucócitos de 100 × 10⁹/L ou mais ou desidrogenase láctica pelo menos 2 vezes o normal; leucemia mieloide aguda com leucócitos de 100 × 10⁹/L ou mais; risco intermédio com disfunção renal ou com ácido úrico, potássio ou fosfato já elevados |
| Intermédio | leucemia mieloide aguda com leucócitos entre 25 e 100 × 10⁹/L; linfoma de grau intermédio com desidrogenase láctica pelo menos 2 vezes o normal; leucemia linfocítica crónica sob fludarabina ou rituximab ou com leucócitos de 50 × 10⁹/L ou mais; tumores sólidos raros muito quimiossensíveis e volumosos (neuroblastoma, tumores de células germinativas, carcinoma do pulmão de pequenas células) |
| Baixo | a maioria dos tumores sólidos, mieloma, leucemia mieloide crónica, linfomas indolentes, linfoma de Hodgkin |
| O que sai da célula | O que causa |
|---|---|
| Potássio | hipercaliemia, com arritmias ventriculares e morte súbita, sobretudo se já há lesão renal |
| Fosfato | hiperfosfatemia, que precipita com o cálcio (hipocalcemia secundária, tetania, convulsões) e deposita fosfato de cálcio no interstício renal |
| Ácidos nucleicos | metabolizados a ácido úrico, que precipita nos túbulos, na medula e nos tubos coletores |
- O meio ácido do túbulo favorece a precipitação do urato; a desidratação e a acidose láctica agravam-na.
- Os cristais de urato e de fosfato de cálcio lesam o epitélio tubular e desencadeiam inflamação; o urato solúvel também reduz o fluxo sanguíneo renal. A lesão renal, por sua vez, impede a excreção de potássio e fosfato, e o ciclo fecha-se.
- A hipocalcemia da lise é cálcio sequestrado com o fosfato, e não falta de cálcio: dar cálcio sobe o produto cálcio-fósforo e precipita mais fosfato de cálcio nos tecidos.
- A alcalinização da urina, que se fazia para dissolver o urato, baixa a solubilidade da xantina, da hipoxantina e do fosfato de cálcio; deixou de se recomendar.
Critérios de Cairo-Bishop
Lise laboratorial: duas ou mais alterações entre 3 dias antes e 7 dias depois do início do tratamento.
| Parâmetro | Valor | Ou variação |
|---|---|---|
| Ácido úrico | 8 mg/dL ou mais (476 µmol/L) | subida de 25% |
| Potássio | 6,0 mmol/L ou mais | subida de 25% |
| Fosfato | 4,5 mg/dL ou mais no adulto (1,45 mmol/L); 6,5 mg/dL ou mais na criança | subida de 25% |
| Cálcio | 7 mg/dL ou menos (1,75 mmol/L) | descida de 25% |
Lise clínica: lise laboratorial com pelo menos um de: creatinina 1,5 vezes o limite superior do normal ou mais, arritmia ou morte súbita, convulsão.
Vigilância
- Antes de tratar: hemograma, ionograma, creatinina, ácido úrico, fosfato, cálcio, desidrogenase láctica e urina.
- No alto risco, bioquímica de 6 em 6 a 12 em 12 horas, monitorização eletrocardiográfica e registo rigoroso da diurese.
- Com função renal alterada à partida, ecografia renal ou tomografia para excluir obstrução por massa retroperitoneal.
Armadilhas de laboratório
- Pseudo-hipercaliemia: leucocitose ou trombocitose muito altas libertam potássio no tubo; o eletrocardiograma é normal. Nesses doentes segue-se o potássio no plasma.
- Sob rasburicase, a enzima continua a degradar o urato no tubo à temperatura ambiente: a amostra vai em gelo para o laboratório, senão o ácido úrico sai falsamente baixo.
- Cristais de ácido úrico na urina e razão ácido úrico sobre creatinina urinárias acima de 1 apontam para nefropatia úrica aguda.
A melhor arma é a prevenção, começada antes da quimioterapia.
Prevenção por risco
| Risco | Medidas |
|---|---|
| Baixo | vigilância e hidratação habitual; alopurinol se houver carga volumosa ou alterações metabólicas |
| Intermédio | hidratação aumentada e alopurinol |
| Alto | hidratação aumentada, rasburicase e vigilância apertada |
Hidratação
- Cerca de 3 L/m² por dia de soro fisiológico, salvo oligúria ou risco de sobrecarga, para manter um débito urinário de 80 a 100 mL/m² por hora.
- Diurético de ansa só para manter a diurese depois de hidratado, e nunca com hipovolemia ou obstrução.
Ácido úrico
| Fármaco | Como atua | Uso |
|---|---|---|
| Alopurinol, 300 mg/m² por dia (100 a 300 mg de 8 em 8 horas) | inibe a xantina oxidase: impede a formação de urato novo, mas não remove o que já existe | profilaxia no risco intermédio |
| Febuxostat | inibidor seletivo da xantina oxidase | alternativa na alergia ao alopurinol ou na insuficiência renal |
| Rasburicase, 0,2 mg/kg endovenosa | oxidase do urato recombinante: converte o ácido úrico em alantoína, muito mais solúvel, e baixa-o em horas | alto risco, lise instalada, hiperuricemia que não cede ao alopurinol |
- A rasburicase é contraindicada no défice de glicose-6-fosfato desidrogenase: o peróxido de hidrogénio produzido na reação causa hemólise e metemoglobinemia. Nesses doentes usa-se alopurinol.
- Pode causar reações de hipersensibilidade, com broncospasmo, hipoxemia e hipotensão.
Eletrólitos
- Hipercaliemia: trata-se como qualquer hipercaliemia grave e é a prioridade; suspender todo o aporte de potássio.
- Hiperfosfatemia: restringir o fosfato e usar quelante oral.
- Hipocalcemia: sem sintomas, não se trata. Com sintomas (tetania, convulsão, arritmia), cálcio endovenoso na menor dose que os alivie.
Diálise
Pondera-se cedo. Indicações quando persistem apesar das medidas: potássio acima de 6,0 mmol/L, ácido úrico acima de 10 mg/dL, creatinina acima de 10 mg/dL, fosfato acima de 10 mg/dL ou a subir, hipocalcemia sintomática, oligúria ou anúria, sobrecarga de volume.
- Lesão renal aguda por nefropatia úrica e nefrocalcinose, muitas vezes com necessidade de diálise.
- Arritmias ventriculares e morte súbita por hipercaliemia, sobretudo com lesão renal.
- Tetania, convulsões e arritmias por hipocalcemia.
- É a complicação metabólica mais frequente das neoplasias e a síndrome paraneoplásica mais comum; atinge 2 a 30% dos doentes oncológicos, conforme o tumor e o estadio.
- Tumores mais associados: mieloma múltiplo, carcinoma da mama e carcinomas epidermoides (também chamados espinocelulares) do pulmão, da cabeça e pescoço e do esófago; também rim, bexiga e linfomas.
- Gravidade pelo cálcio total corrigido: ligeira de 10,5 a menos de 12 mg/dL, moderada de 12 a 14 mg/dL, grave acima de 14 mg/dL (3,5 mmol/L).
- É marcador de doença avançada e de mau prognóstico.
| Mecanismo | Tumores típicos | Como sobe o cálcio |
|---|---|---|
| Humoral, por péptido relacionado com a hormona paratiroideia (o mais frequente) | carcinomas epidermoides, mama, rim, bexiga | liga-se ao recetor da hormona paratiroideia: reabsorção óssea e reabsorção tubular de cálcio |
| Osteólise local por metástases | mama, mieloma | citocinas e o próprio péptido ativam os osteoclastos à volta das metástases |
| Produção de calcitriol | linfomas | a 1-alfa-hidroxilase tumoral converte 25-hidroxivitamina D em calcitriol, que aumenta a absorção intestinal |
| Hormona paratiroideia ectópica | muito rara | secreção autónoma |
- O péptido relacionado com a hormona paratiroideia está elevado em cerca de 80% dos doentes oncológicos com hipercalcemia.
- O ciclo: o cálcio alto impede a concentração da urina (diabetes insípida nefrogénica) e causa poliúria; a desidratação baixa a filtração glomerular; o rim excreta menos cálcio, e o cálcio sobe mais. A náusea e o vómito agravam a desidratação. O soro fisiológico quebra o ciclo.
- Como no hiperparatiroidismo, a forma humoral dá hipercalciúria e hipofosfatemia; ao contrário dele, costuma dar alcalose metabólica e não acidose hiperclorémica.
- Poliúria, polidipsia, desidratação, anorexia, náusea, vómito, obstipação, fraqueza, fadiga.
- Confusão, sonolência e coma nas formas graves.
- Eletrocardiograma: encurtamento do intervalo QT, bradiarritmias e bloqueios de ramo.
- A gravidade dos sintomas depende mais da velocidade de subida do que do valor absoluto.
- Corrigir o cálcio para a albumina, ou medir o cálcio ionizado: a hipoalbuminemia é frequente nestes doentes.
- Hormona paratiroideia suprimida na hipercalcemia maligna. Se estiver normal ou alta, pensar em hiperparatiroidismo primário, que também existe em doentes oncológicos e se trata de outra maneira.
- Péptido relacionado com a hormona paratiroideia elevado confirma a forma humoral.
- Calcitriol elevado aponta para linfoma.
- Função renal, fosfato, magnésio e eletrocardiograma.
- A favor de causa maligna e não de hiperparatiroidismo: neoplasia conhecida, instalação recente e cálcio muito alto.
Primeiro passo
- Suspender cálcio, vitamina D, diuréticos tiazídicos e outros fármacos que subam o cálcio.
- Soro fisiológico endovenoso, tipicamente 200 a 500 mL por hora, para reexpandir o volume e promover a calciurese, com cautela na insuficiência cardíaca, hepática ou renal.
- Diurético de ansa só depois de hidratado e se houver sobrecarga de volume; não é tratamento da hipercalcemia.
Antirreabsortivos (todos os doentes)
| Fármaco | Esquema | Notas |
|---|---|---|
| Denosumab (preferido pela guideline de 2022) | 120 mg por via subcutânea; repete-se às 1, 2 e 4 semanas | seguro na insuficiência renal; mais hipocalcemia; eficaz na hipercalcemia refratária ao bisfosfonato |
| Ácido zoledrónico | 4 mg endovenosos em 15 a 30 minutos; pode repetir-se ao fim de 7 dias | sem redução de dose por função renal nesta indicação; não recomendado com creatinina sérica de 4,5 mg/dL (400 µmol/L) ou mais; nefrotóxico |
- Baixam o cálcio em poucos dias e mantêm o efeito durante semanas; por isso o soro e, na forma grave, a calcitonina cobrem as primeiras horas.
Calcitonina
- 4 UI/kg por via subcutânea, 2 a 4 vezes por dia.
- Descida rápida mas modesta, útil enquanto o antirreabsortivo não atua; junta-se ao antirreabsortivo na hipercalcemia grave (acima de 14 mg/dL).
- Não se prolonga para além de 48 a 72 horas, por taquifilaxia.
Situações particulares
- Linfoma (calcitriol): corticoide em primeira linha; acrescentar antirreabsortivo se a hipercalcemia persistir grave ou sintomática. O corticoide também ajuda no mieloma.
- Carcinoma da paratiroide: calcimimético (cinacalcet) ou antirreabsortivo.
- Diálise na hipercalcemia grave quando a hidratação não é possível (insuficiência cardíaca ou renal) ou o efeito dos fármacos é demasiado lento.
- Sem controlo do tumor a hipercalcemia volta: o tratamento definitivo é o da neoplasia.
- Da doença: lesão renal aguda, arritmias, coma.
- Dos antirreabsortivos: hipocalcemia (mais com denosumab e com défice de vitamina D, que se deve corrigir), osteonecrose da mandíbula e fraturas atípicas do fémur; lesão renal e reação de fase aguda com os bisfosfonatos; perda óssea de ressalto quando se suspende o denosumab.
- Hipercalcemia nova ou recorrente num doente em tratamento indica, muitas vezes, progressão ou resistência da neoplasia.
- A hiponatremia é a alteração eletrolítica mais comum no doente oncológico, e a secreção inapropriada de hormona antidiurética é a sua causa mais frequente.
- A produção ectópica de vasopressina surge em pelo menos metade dos doentes com carcinoma do pulmão de pequenas células; também em carcinoides, outros tumores do pulmão, cabeça e pescoço, tumores genitourinários, digestivos e do ovário, e lesões do sistema nervoso central.
- Outras causas no doente oncológico: muitos citotóxicos, náusea, doença pulmonar, lesões do sistema nervoso central e fluidos endovenosos hipotónicos.
- A vasopressina, produzida pelo tumor sem regulação osmótica, atua no recetor V2 do tubo coletor e retém água livre.
- A água retida dilui o sódio; a expansão ligeira do volume aumenta a natriurese, e por isso o doente fica euvolémico com sódio urinário alto.
- O soro fisiológico não corrige: o sódio é excretado e a água fica retida.
- O cérebro adapta-se em cerca de 48 horas, expulsando osmoles das células. Por isso a hiponatremia aguda dá edema cerebral, e a correção demasiado rápida da crónica dá desmielinização osmótica.
Critérios essenciais
- Osmolalidade efetiva do plasma abaixo de 275 mOsm/kg.
- Osmolalidade urinária acima de 100 mOsm/kg.
- Euvolemia clínica.
- Sódio urinário acima de 30 mmol/L com aporte habitual de sal e água.
- Sem insuficiência suprarrenal, tiroideia, hipofisária ou renal, e sem diuréticos recentes.
Diferencial no doente oncológico
- Depleção de volume por vómitos, diarreia ou má ingestão: sódio urinário baixo, sinais de desidratação.
- Insuficiência suprarrenal: metástases suprarrenais bilaterais, suspensão de corticoide, hipofisite pelos inibidores de pontos de controlo imunitário.
- Hipotiroidismo, insuficiência cardíaca, cirrose, diuréticos.
Gravidade pelos sintomas
- Graves: vómitos, dificuldade cardiorrespiratória, sonolência profunda, convulsões, coma.
- Moderadamente graves: náusea sem vómitos, confusão, cefaleia.
- Os sintomas dependem da velocidade de instalação tanto quanto do valor.
Sintomas graves
- 150 mL de soro hipertónico a 3% endovenoso em 20 minutos; medir o sódio e repetir até duas vezes, ou até o sódio subir 5 mmol/L.
- Limitar a subida a 10 mmol/L nas primeiras 24 horas e a 8 mmol/L em cada 24 horas seguintes, até 130 mmol/L.
- Se a correção ultrapassar estes limites, baixar de novo o sódio com água livre e desmopressina, com apoio especializado.
Sem sintomas graves
- Restrição hídrica abaixo do débito urinário somado às perdas insensíveis, em primeira linha.
- Tolvaptano, antagonista do recetor V2, 15 mg por dia, a subir conforme a resposta, quando a restrição não chega.
- Tratar o tumor, que pode reduzir a produção ectópica, embora lentamente.
- Compressão da medula ou da cauda equina por massa tumoral extradural; a evidência mínima na imagem é a indentação do saco dural ao nível dos achados clínicos.
- Ocorre em 5 a 10% dos doentes oncológicos; em cerca de 10% o tumor epidural é a primeira manifestação da neoplasia.
- Causas mais frequentes: carcinoma do pulmão, da mama e da próstata e mieloma múltiplo; também linfomas, melanoma e carcinoma do rim.
- Localização: dorsal em 70%, lombossagrada em 20%, cervical em 10%.
- A coluna vertebral é o local do esqueleto mais atingido por metástases. A metástase do corpo ou do pedículo cresce e invade o espaço epidural, ou o corpo colapsa por fratura patológica.
- Nos linfomas, no mieloma e nos tumores pediátricos, a massa paravertebral pode entrar no canal pelo buraco de conjugação, sem destruição óssea.
- A compressão lesa os axónios e a mielina, obstrui a drenagem venosa e gera edema vasogénico, e depois isquemia e enfarte. É a isquemia que torna o défice irreversível; o corticoide atua sobre o edema.
- Abaixo de L1-L2, onde acaba o cone medular, o quadro é de síndrome da cauda equina.
- Dor dorsal localizada é o primeiro sintoma na grande maioria, e precede os achados neurológicos em dias a meses.
- Agrava com o movimento, a tosse, o espirro e a manobra de Valsalva, e agrava em decúbito, ao contrário da dor discal; acorda o doente.
- Dor radicular, mais tardia; nas raízes dorsais é bilateral, em cinta à volta do tórax ou do abdómen.
- Sinal de Lhermitte (choque elétrico ao longo da coluna com a flexão do pescoço) pode ser precoce.
- Défice motor e sensitivo antes da disfunção esfincteriana. O nível sensitivo fica muitas vezes uma a duas vértebras abaixo da compressão.
- Retenção urinária, com resíduo pós-miccional acima de 150 mL; incontinência e anestesia em sela são tardias e de pior prognóstico.
- Cauda equina: dor lombar, anestesia em sela, disfunção vesical e anal, arreflexia e fraqueza variável dos membros inferiores.
Imagem
- Ressonância magnética de toda a coluna, e não só do nível sintomático: há metástases epidurais múltiplas em 25% dos doentes, e isso muda o plano.
- Com sintomas ou sinais neurológicos, ressonância o mais cedo possível e sempre nas primeiras 24 horas. Com dor sugestiva de metástase e sem défice, até 1 semana.
- Contraindicação à ressonância: tomografia, ou mielografia por tomografia.
- A radiografia simples não serve para excluir: uma radiografia normal não afasta a compressão. Cerca de 20% dos colapsos vertebrais em idosos e mulheres pós-menopáusicas são osteoporóticos e não tumorais.
Tumor primário desconhecido
Radiografia do tórax, mamografia, antigénio específico da próstata e tomografia abdominal encontram a neoplasia na maioria dos casos; se não, biópsia.
Diagnóstico diferencial
Colapso vertebral osteoporótico, doença discal, abcesso epidural ou tuberculose vertebral, mielopatia rádica, meningite neoplásica, tumores benignos, hematoma epidural e lipomatose epidural.
Imediato
- Dexametasona 16 mg por via oral, ou dose parentérica equivalente, o mais cedo possível, sem esperar pela imagem quando há sintomas ou sinais neurológicos; mantém-se 16 mg por dia até à cirurgia ou à radioterapia, e depois reduz-se.
- Doses iniciais muito altas (até 96 mg) dão mais toxicidade sem benefício claro.
- Analgesia adequada, com opioide se necessário.
- Imobilização se a dor com o movimento sugerir instabilidade, até se avaliar a estabilidade.
Definitivo
| Opção | Quando |
|---|---|
| Radioterapia com corticoide | tratamento inicial na maioria dos doentes |
| Cirurgia descompressiva seguida de radioterapia | instabilidade mecânica da coluna; fragmento ósseo retropulsado para o canal; tumor radiorresistente com compressão de alto grau; progressão depois de radioterapia no mesmo campo, em doente operável |
| Radioterapia estereotáxica | tumores radiorresistentes; reirradiação em doentes não operáveis |
| Quimioterapia | tumores quimiossensíveis já irradiados e sem indicação cirúrgica |
| Vertebroplastia ou cifoplastia | fratura patológica dolorosa sem instabilidade |
- A decisão pesa o défice neurológico, a radiossensibilidade do tumor, a estabilidade mecânica e o estado geral e prognóstico.
- Bisfosfonato ou denosumab ajudam a prevenir complicações ósseas nos doentes com metástases ósseas.
- O estado neurológico no início do tratamento é o preditor mais importante da função: o tratamento resulta mais vezes nos doentes que ainda andam e controlam os esfíncteres.
- A instalação e a progressão rápidas e a disfunção autonómica são de mau prognóstico.
- A histologia do tumor determina a recuperação e a sobrevida.
- Paraplegia, incontinência, úlceras de pressão, trombose venosa e infeções urinárias.
- Da corticoterapia: hiperglicemia, miopatia, psicose, infeções.
- Cerca de 25% dos doentes com cancro morrem com metástases intracranianas.
- Primários mais frequentes: pulmão, mama e melanoma. Muitas vezes são a apresentação de um cancro desconhecido, sobretudo do pulmão.
- Hemorragia intratumoral é particularmente frequente no melanoma, nos tumores de células germinativas e no carcinoma do rim.
- As metástases são a causa mais frequente de convulsões no doente oncológico: são a manifestação de apresentação em 6 a 29%, e cerca de 10% dos doentes acabam por ter crises.
- A meningite neoplásica atinge 3 a 8% dos doentes oncológicos (melanoma, mama, pulmão, linfoma, leucemia aguda).
- Cefaleia, náusea, vómitos, alterações do comportamento, convulsões e défices focais progressivos.
- Instalação súbita, que imita um acidente vascular cerebral, sugere hemorragia na metástase.
- Edema de papila, alterações visuais e rigidez da nuca na hipertensão intracraniana; hidrocefalia obstrutiva; síndromes de herniação.
- Meningite neoplásica: sinais multifocais, como cefaleia, alterações da marcha e do estado mental, dor radicular e paresias de pares cranianos.
- Ressonância com gadolínio, superior à tomografia para lesões pequenas, do tronco e do cerebelo, e para o atingimento meníngeo; as metástases são lesões múltiplas com realce e edema à volta.
- Primário desconhecido: tomografia do tórax e do abdómen encontra o local de biópsia na maioria.
- Meningite neoplásica: células malignas no líquido cefalorraquidiano, com falsos negativos na citologia em até 40%, pelo que a punção se repete; proteínas quase sempre elevadas; ressonância de todo o neuroeixo.
- Diferencial: abcesso, linfoma primário do sistema nervoso central, leucoencefalopatia posterior reversível induzida por fármacos, radionecrose.
Edema e hipertensão intracraniana
- Dexametasona é o fármaco de escolha no doente sintomático, tipicamente 4 a 16 mg por dia numa toma, oral ou endovenosa. Doses mais altas não trouxeram mais benefício e trouxeram mais efeitos adversos.
- No doente assintomático não se dá corticoide.
- Reduz-se até à menor dose que controla os sintomas, habitualmente em 2 a 4 semanas; o corticoide pode reduzir a resposta à imunoterapia.
- Com corticoide durante mais do que algumas semanas e outra imunossupressão, considerar profilaxia de Pneumocystis com trimetoprim-sulfametoxazol.
- Bevacizumab quando não se consegue suspender o corticoide ou há edema sob imunoterapia, e na radionecrose.
- Hidrocefalia: derivação ventricular; deterioração que não responde: cirurgia.
Tratamento da doença
- Radiocirurgia estereotáxica nas metástases em número limitado (uma a quatro) com doença sistémica controlada.
- Cirurgia na metástase única com doença extracraniana controlada, ou nos tumores radiorresistentes.
- Radioterapia holocraniana nas lesões múltiplas.
- Terapêuticas dirigidas e inibidores de pontos de controlo têm atividade intracraniana no pulmão, mama, rim e melanoma.
Convulsões
- Não se faz profilaxia primária: não previne a primeira crise.
- Depois de uma crise, antiepilético sem interações com os antineoplásicos: levetiracetam, lamotrigina, lacosamida ou valproato, de preferência à fenitoína, à carbamazepina ou ao fenobarbital, que induzem o citocromo P450.
- Manifestação clínica da obstrução da veia cava superior, com redução do retorno venoso da cabeça, do pescoço e dos membros superiores.
- As causas benignas (cateteres venosos centrais de longa duração, elétrodos de pacemaker, fibrose mediastínica) são hoje pelo menos 40% dos casos.
- Das causas malignas, o carcinoma do pulmão (sobretudo de pequenas células e epidermoide) é responsável por cerca de 85%. No adulto jovem, o linfoma é uma causa principal; num homem jovem com massa mediastínica, o diferencial é linfoma contra tumor de células germinativas.
- Pode ser a apresentação da neoplasia.
- A veia cava superior tem parede fina e comprime-se com facilidade; a obstrução resulta de compressão extrínseca, invasão ou trombose.
- Com obstrução lenta formam-se colaterais pelas veias ázigos, mamárias internas, paravertebrais, torácicas laterais e esofágicas, o que explica a circulação visível na parede do tórax.
- A ázigos é a colateral mais importante: a obstrução acima da sua desembocadura é mais bem tolerada; abaixo dela, tolera-se mal.
- A instalação rápida não dá tempo às colaterais. É aí que surgem o edema laríngeo e o edema cerebral, raros mas de pior prognóstico.
- Dispneia (60 a 70%) e edema da face e do pescoço (cerca de 50%), sobretudo à volta dos olhos; tosse, rouquidão, cefaleia, congestão nasal, disfagia, síncope.
- Veias do pescoço distendidas, circulação colateral na parede anterior do tórax, pletora, cianose, edema dos membros superiores.
- Agrava ao deitar e ao inclinar para a frente.
- Formas graves: proptose, edema da língua e da laringe, obnubilação.
- Sintomas cardiorrespiratórios em repouso, sobretudo com a mudança de posição, indicam obstrução grave da via aérea e dos vasos e pouca reserva.
- O diagnóstico é clínico.
- Radiografia do tórax: alargamento do mediastino superior, mais à direita; derrame pleural em cerca de 25%. Uma radiografia normal não exclui.
- Tomografia do tórax com contraste: mostra o nível e a causa da obstrução, a presença de trombo e as colaterais.
- Doente com neoplasia conhecida: a tomografia chega para começar a tratar.
- Sem neoplasia conhecida: investigação completa para excluir causa benigna e obter histologia antes de tratar, por broncoscopia, biópsia percutânea, punção guiada por ecografia endobrônquica ou esofágica, ou mediastinoscopia, que se fazem com segurança.
Medidas gerais
- Elevar a cabeceira, oxigénio, diurético e restrição de sal para alívio temporário.
- O corticoide tem papel limitado, exceto no linfoma do mediastino.
- Não iniciar radioterapia nem corticoide antes da biópsia no doente estável sem diagnóstico: podem tornar a histologia inconclusiva, e o linfoma, curável, trata-se de outra maneira.
Tratamento da causa
| Histologia | Primeira linha |
|---|---|
| Carcinoma do pulmão de pequenas células, linfoma, tumor de células germinativas | quimioterapia |
| Carcinoma do pulmão de não pequenas células e outros tumores sólidos | radioterapia |
Prótese endovascular
- Alívio rápido dos sintomas; usa-se cada vez mais em primeiro lugar nos sintomas graves, antes do diagnóstico se necessário, e na recidiva, que ocorre em 10 a 30%.
- O aumento súbito do retorno venoso pode precipitar insuficiência cardíaca e edema pulmonar. Outras complicações: hematoma, perfuração, migração ou fratura da prótese, embolia pulmonar.
Trombose associada a cateter
- Anticoagulação. A remoção decide-se caso a caso; o cateter pode ficar se funcionar e o trombo não progredir. A fibrinólise precoce pode salvar o cateter.
Obstrução maligna da via aérea
- Causas: invasão por tumor do pulmão, esófago, tiroide ou mediastino, ou metástases endobrônquicas.
- Dispneia, estridor, sibilos, tosse, hemoptises, pneumonia pós-obstrutiva, rouquidão.
- Alívio temporário com oxigénio humidificado, corticoide e mistura de hélio e oxigénio.
- Obstrução acima da laringe: traqueostomia. Obstrução mais distal: broncoscopia com desobstrução mecânica, laser, eletrocauterização ou prótese; radioterapia externa ou braquiterapia com corticoide.
- A mortalidade não se deve à obstrução da cava, mas à doença de base.
- Edema laríngeo e cerebral, raros, associam-se a pior prognóstico.
- Varizes esofágicas descendentes na obstrução crónica, com hemorragia tardia.
- Obstrução traqueal é a complicação potencialmente fatal de uma massa do mediastino superior.
- Doença pericárdica maligna encontra-se na autópsia de 5 a 10% dos doentes oncológicos, sobretudo no carcinoma do pulmão e da mama, nas leucemias e nos linfomas.
- Em cerca de metade dos doentes oncológicos com doença pericárdica sintomática a causa não é o tumor: radioterapia, fármacos (ácido transretinoico, trióxido de arsénio, imatinib, inibidores de pontos de controlo), hipotiroidismo, infeção.
- O tamponamento como primeira manifestação de um tumor extratorácico é raro.
- O líquido eleva a pressão intrapericárdica acima da pressão de enchimento das cavidades direitas; o enchimento diastólico falha, o volume de ejeção cai, e o débito mantém-se à custa da taquicardia até deixar de conseguir.
- O que decide é a velocidade, não o volume: 200 mL acumulados depressa podem tamponar, e mais de 2000 mL acumulados devagar podem não tamponar, porque o pericárdio teve tempo de distender.
- Pulso paradoxal: na inspiração o ventrículo direito enche mais e, dentro de um saco que não cede, empurra o septo para a esquerda; o ventrículo esquerdo enche menos e a pressão sistólica cai mais do que o normal.
- Muitos derrames malignos são assintomáticos. Sintomas: dispneia, tosse, dor torácica, ortopneia, fraqueza.
- Achados: derrame pleural, taquicardia sinusal, distensão jugular, hepatomegalia, edema periférico, cianose.
- Tríade de Beck: hipotensão, sons cardíacos apagados, distensão venosa jugular.
- Pulso paradoxal: descida da pressão sistólica acima de 10 mmHg na inspiração. Na doença maligna, os sinais mais específicos são menos frequentes do que na benigna.
- Ecocardiograma, à cabeceira, é o exame que decide: quantifica o derrame e mostra o colapso diastólico do ventrículo direito e a variação respiratória dos fluxos. O tamponamento continua a ser um diagnóstico clínico.
- Eletrocardiograma: taquicardia sinusal, baixa voltagem e alternância elétrica, uma tríade muito sugestiva mas pouco sensível.
- Radiografia e eletrocardiograma alterados em 90%, mas metade das alterações é inespecífica.
- Citologia do líquido pericárdico, diagnóstica na maioria; os marcadores tumorais no líquido não ajudam. Pericardioscopia com biópsia quando a citologia é negativa.
- Diferencial: pericardite rádica ou medicamentosa, hipotiroidismo, infeção, insuficiência cardíaca, embolia pulmonar maciça.
- Tamponamento com instabilidade hemodinâmica: drenagem imediata por pericardiocentese.
- Recidiva de cerca de 20% depois de drenagem percutânea com cateter; a esclerose com bleomicina, mitomicina C ou tetraciclina pode reduzi-la.
- Pericardiotomia subxifoideia sob anestesia local, janela pericárdica, pericardiectomia, radioterapia ou quimioterapia sistémica conforme o tumor.
- Até 10% dos doentes pioram paradoxalmente depois da drenagem cirúrgica (síndrome de baixo débito pós-operatório), com má sobrevida a curto prazo.
- Tamponamento sob inibidores de pontos de controlo: drenagem urgente e corticoide.
- Choque obstrutivo e paragem cardíaca em atividade elétrica sem pulso.
- Com células malignas no líquido pericárdico, a sobrevida mediana ronda as 7 semanas.
- Pericardiocentese: laceração do miocárdio ou de uma coronária, pneumotórax, arritmias.
- Hiperleucocitose: blastos acima de 100 × 10⁹/L (100 000/µL) nas leucemias agudas; ocorre em 5 a 13% das leucemias mieloides agudas e em 10 a 30% das linfoblásticas, mas a leucostase é rara na linfoblástica e muito rara nas leucemias crónicas.
- Hiperviscosidade: sobretudo na macroglobulinemia de Waldenström, pela imunoglobulina M monoclonal; menos no mieloma.
- Leucostase: com contagens tão altas o sangue fica viscoso, os agregados de blastos abrandam o fluxo e os mieloblastos, grandes e pouco deformáveis, invadem o endotélio e causam hemorragia. Cérebro e pulmão são os mais atingidos.
- Hiperviscosidade: a imunoglobulina M é grande e cerca de 80% dela é intravascular, pelo que aumenta a viscosidade do plasma e lentifica a microcirculação.
- A depleção de volume e as transfusões desnecessárias aumentam a viscosidade e agravam os dois quadros.
Leucostase
- Cerebral: estupor, cefaleia, tonturas, acufenos, alterações visuais, ataxia, confusão, coma, morte súbita; edema da papila, distensão venosa e hemorragias da retina.
- Pulmonar: dificuldade respiratória, hipoxemia e insuficiência respiratória; infiltrados intersticiais ou alveolares.
- A gasometria arterial engana: os leucócitos consomem o oxigénio na seringa e a pressão de oxigénio sai falsamente baixa. A oximetria de pulso é a forma mais fiel de avaliar a oxigenação.
- Vigiar coagulação intravascular disseminada e lise tumoral, que acompanham a hiperleucocitose.
Hiperviscosidade
- Hemorragia das mucosas (epistaxe), alterações visuais, cefaleia, tonturas, paresias transitórias, sonolência e coma; insuficiência cardíaca.
- Fundo do olho com veias retinianas dilatadas e segmentadas.
Leucostase
- Hidroxiureia baixa rapidamente os blastos enquanto se completa o diagnóstico.
- Quimioterapia de indução assim que haja diagnóstico.
- Leucaferese nos doentes com sintomas de leucostase.
- Hidratação e prevenção da lise tumoral.
- Evitar transfusões de eritrócitos desnecessárias antes da citorredução.
- Na leucemia promielocítica sob ácido transretinoico ou trióxido de arsénio pode surgir leucostase à medida que as células diferenciam; a associação de quimioterapia citotóxica previne-a em grande parte. A síndrome de diferenciação (febre, retenção hídrica, dispneia, infiltrados, derrames nas primeiras 3 semanas) trata-se com corticoide, citorredução e suporte.
Hiperviscosidade
- Plasmaferese urgente, muito eficaz na macroglobulinemia porque a imunoglobulina M está quase toda no plasma; depois, tratar a doença.
- O rituximab pode causar subida transitória da imunoglobulina M e precipitar hiperviscosidade: plasmaferese antes, ou adiar o rituximab com imunoglobulina M alta.
- Os inibidores de pontos de controlo imunitário (anticorpos contra o recetor de morte programada 1, o seu ligando ou o antigénio 4 do linfócito T citotóxico) retiram os travões que o tumor impõe aos linfócitos T.
- A ativação não é seletiva: os linfócitos passam também a atacar tecidos saudáveis, e as toxicidades são inflamatórias e autoimunes.
- Não são mielossupressores: febre num doente só sob imunoterapia não é neutropenia febril.
- A combinação de dois inibidores é mais tóxica do que um só: a hepatite surge em 5 a 10% sob monoterapia e em 25 a 30% sob combinação.
| Órgão | Apresentação |
|---|---|
| Intestino | diarreia, colite, dor abdominal, sangue nas fezes |
| Fígado | subida das transaminases, por vezes com febre e icterícia |
| Pulmão | tosse, dispneia, febre; vidro despolido nas bases |
| Pele | exantema, prurido |
| Hipófise | cefaleia, alterações do campo visual, insuficiência suprarrenal secundária, hipotiroidismo; sobretudo com o anti-antigénio 4, em média 6 a 12 semanas depois de iniciar |
| Tiroide | tiroidite com hipertiroidismo transitório e depois hipotiroidismo |
| Suprarrenal | insuficiência primária, rara |
| Pâncreas | diabetes de instalação súbita, por vezes em cetoacidose |
| Coração | miocardite, rara e com mortalidade alta; pericardite e derrame |
| Músculo e nervo | miosite, por vezes com miocardite; encefalite |
- Pensar em toxicidade imunomediada em qualquer sintoma novo de um doente sob imunoterapia.
- Gravidade em graus de 1 a 4, e a conduta depende do grau.
- Colite: excluir infeção (fezes, toxina de Clostridioides difficile); retossigmoidoscopia ou colonoscopia com biópsias a partir do grau 2. A tomografia não chega para diagnosticar a colite.
- Hepatite: transaminases, fosfatase alcalina e bilirrubina antes de cada ciclo; excluir fármacos, álcool, vírus e progressão hepática.
- Pneumonite: tomografia de alta resolução; excluir infeção, progressão, embolia pulmonar e causa cardíaca, com lavado broncoalveolar se necessário.
- Hipofisite: cortisol e hormona adrenocorticotrófica, tirotropina e tiroxina livre, ressonância da sela.
- Miocardite: troponina, eletrocardiograma, ecocardiograma e ressonância cardíaca.
Princípio geral
| Grau | Conduta |
|---|---|
| 1 | manter a imunoterapia sob vigilância; tratamento sintomático |
| 2 | suspender temporariamente; corticoide oral, tipicamente prednisolona 0,5 a 1 mg/kg por dia |
| 3 e 4 | internar; metilprednisolona endovenosa 1 a 2 mg/kg por dia; suspender, muitas vezes de forma definitiva |
Sem resposta ao corticoide em 48 a 72 horas: segundo imunossupressor, conforme o órgão.
Por órgão
| Toxicidade | Segunda linha, ou particularidade |
|---|---|
| Colite | infliximab é o fármaco de escolha na colite grave refratária; vedolizumab é alternativa |
| Hepatite | micofenolato de mofetil; infliximab não se usa na hepatite |
| Pneumonite | grau 2, prednisolona 1 mg/kg; grau 3 ou mais, metilprednisolona 1 a 2 mg/kg; refratária, tocilizumab, infliximab, imunoglobulina ou micofenolato |
| Miocardite | metilprednisolona 500 a 1000 mg por dia durante 3 dias, depois oral em redução |
| Hipofisite | substituição hormonal; corticoide em dose alta só com cefaleia intensa, alteração visual ou sinais neurológicos; crise suprarrenal com dose de stress |
| Hipotiroidismo | levotiroxina; a imunoterapia mantém-se, salvo sintomas graves |
| Diabetes | insulina; corticoide em dose alta não está indicado |
- A redução do corticoide faz-se devagar, ao longo de semanas, tanto mais longa quanto maior o grau; na pneumonite, 4 a 6 semanas no grau 2 e 6 a 8 ou mais no grau 3.
- A imunossupressão prolongada ou o infliximab justificam profilaxia de Pneumocystis.
- As endocrinopatias são muitas vezes permanentes e exigem substituição para a vida.
- Obstrução intestinal maligna: frequente no cancro avançado, sobretudo colorretal e do ovário; a carcinomatose peritoneal obstrui em vários níveis. Em 25 a 30% dos doentes oncológicos com obstrução a causa não é o tumor (aderências, íleo por opioides ou alcaloides da vinca). Sobrevida mediana de 3 a 4 meses.
- Obstrução urinária maligna: tumores da próstata e ginecológicos, sobretudo o carcinoma do colo, e metástases retroperitoneais; fibrose depois de radioterapia pélvica.
- Cistite hemorrágica: pela ciclofosfamida e pela ifosfamida (cujo metabolito, a acroleína, irrita a bexiga), pela radioterapia e, depois de transplante, pelo vírus BK ou pelo adenovírus.
- Reações de infusão e síndrome de libertação de citocinas: com anticorpos monoclonais (rituximab, trastuzumab e outros) e com células T com recetor quimérico para o antigénio.
Obstrução intestinal
- Instalação insidiosa, dor em cólica, vómitos, distensão, obstipação na obstrução completa.
- Radiografia com níveis hidroaéreos; tomografia define a extensão e distingue causa maligna (massa, adenopatias, transição abrupta) de benigna.
- Dilatação aguda do cego acima de 12 a 14 cm é emergência cirúrgica pelo risco de rotura.
Obstrução urinária
- Dor no flanco, infeção urinária persistente, anúria ou anúria alternada com poliúria, subida lenta e contínua da creatinina.
- Ecografia renal é o exame mais seguro e barato para ver a hidronefrose; a tomografia mostra o ponto e a causa.
Cistite hemorrágica
- Hematúria macroscópica, polaquiúria, disúria, urgência; nos transplantados, pesquisa de vírus BK e adenovírus por amplificação de ácidos nucleicos.
Obstrução intestinal
- Avaliação cirúrgica inicial; a cirurgia nem sempre resulta e tem mortalidade de 10 a 20%.
- Doença intra-abdominal avançada: tratamento conservador prolongado com sonda nasogástrica.
- Próteses metálicas autoexpansíveis no estômago, duodeno, jejuno proximal, cólon ou reto.
- Gastrostomia de descompressão para paliar náuseas e vómitos.
- Octreótido reduz a secreção; corticoide reduz o edema e é antiemético; antieméticos, antiespasmódicos e analgésicos podem permitir que o doente fique em casa.
Obstrução urinária
- Com dor, sépsis ou fístula: derivação urgente, por cateter ureteral interno sob anestesia local ou nefrostomia percutânea (mais pielonefrites); cistostomia suprapúbica na obstrução do colo vesical.
- A intervenção pesa-se contra a probabilidade de resposta do tumor e de recuperação da função renal.
Cistite hemorrágica
- Prevenção: diurese abundante e mesna com a ifosfamida, que neutraliza a acroleína.
- Instalada: manter débito urinário alto; se não chegar, irrigação vesical com formol diluído ou N-acetilcisteína; em último caso, ligadura das artérias hipogástricas, derivação ou cistectomia.
Reações de infusão e libertação de citocinas
- Prevenção com anti-histamínico, hidrocortisona e paracetamol.
- Na reação: parar a perfusão e recomeçar a metade da velocidade quando os sintomas cederem.
- Síndrome de libertação de citocinas grave: suporte intensivo e tocilizumab.
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36 perguntas sobre Emergências oncológicas
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