Vasculites
Atualizado em 30 de setembro de 2026 · 13 perguntas neste tema
Vasculite é a inflamação da parede do vaso com lesão da própria parede. O lúmen estreita-se ou trombosa e o território a jusante fica isquémico; nalgumas formas a parede cede e forma aneurismas. Pode ser primária ou secundária a uma infeção, a um fármaco, a uma neoplasia ou a uma doença do tecido conjuntivo, e pode limitar-se a um órgão ou atingir vários.
A nomenclatura de Chapel Hill de 2012 arruma-as pelo calibre do vaso, e o calibre prevê a clínica. As de grandes vasos (arterite de células gigantes, acima dos 50 anos, e arterite de Takayasu, na mulher jovem) dão cefaleia, claudicação, assimetria de pulsos e sopros. As de médios vasos (poliarterite nodosa no adulto, doença de Kawasaki na criança pequena) dão aneurismas, enfartes viscerais, mononeurite múltipla e, no Kawasaki, aneurismas coronários. As de pequenos vasos dão púrpura palpável, glomerulonefrite e hemorragia alveolar, e separam-se pela serologia: anticorpos anticitoplasma do neutrófilo (ANCA) na granulomatose com poliangeíte, na poliangeíte microscópica e na forma eosinofílica; anticorpos anti-membrana basal glomerular na doença que tem esse nome; imunocomplexos na vasculite por IgA e na crioglobulinémica. A doença de Behçet fica à parte: atinge artérias e veias de qualquer calibre e dá aftas orais recorrentes, presentes em quase todos os doentes, úlceras genitais, uveíte e tromboses.
Confirma-se com biópsia do órgão atingido ou com imagem vascular, e antes de imunossuprimir exclui-se o que imita vasculite, sobretudo a endocardite e outras infeções. Em todos se faz sumário de urina com sedimento, porque a glomerulonefrite não dá sintomas até estar avançada.
O tratamento é proporcional ao risco para o órgão. A arterite de células gigantes trata-se com corticoide logo que a suspeita é forte, antes da biópsia ou da ecografia, para salvar a visão. As associadas a ANCA com órgão em risco induzem-se com corticoide e rituximab ou ciclofosfamida e mantêm-se durante 2 a 4 anos. Na doença anti-membrana basal a plasmaférese entra em quase todos os doentes. O Kawasaki trata-se com imunoglobulina endovenosa nos primeiros 10 dias de febre. Nas formas secundárias trata-se a causa: antivírico na hepatite B e na hepatite C, suspensão do fármaco.
O que não se pode falhar é a perda visual na arterite de células gigantes, a síndrome pulmão-rim e os aneurismas coronários de um Kawasaki tratado tarde.
- Inflamação da parede vascular com lesão estrutural: estenose, oclusão, trombose ou aneurisma, e isquemia do território irrigado.
- Primária, sem causa conhecida, ou secundária a infeção (hepatite B, hepatite C, endocardite), fármaco, neoplasia (sobretudo linfoproliferativa) ou doença do tecido conjuntivo (lúpus, artrite reumatoide, Sjögren).
- Pode atingir um só órgão (pele, sistema nervoso central, aorta) ou ser sistémica.
Classificação pelo calibre (Chapel Hill 2012)
| calibre | vasos | entidades | clínica típica |
|---|---|---|---|
| grandes | aorta e ramos principais | arterite de células gigantes, arterite de Takayasu | claudicação da mandíbula ou dos membros, assimetria de pulsos e de pressão arterial, sopros, aneurisma da aorta |
| médios | artérias viscerais e seus ramos | poliarterite nodosa, doença de Kawasaki | nódulos, livedo, microaneurismas mesentéricos e renais, enfartes viscerais, mononeurite múltipla |
| pequenos, associadas a ANCA | capilares, vénulas, arteríolas | granulomatose com poliangeíte, poliangeíte microscópica, granulomatose eosinofílica com poliangeíte | púrpura, glomerulonefrite, hemorragia alveolar, sinusite, mononeurite |
| pequenos, por imunocomplexos | capilares, vénulas, arteríolas | vasculite por IgA, crioglobulinémica, anti-membrana basal glomerular, urticariforme hipocomplementémica | púrpura palpável, artralgias, dor abdominal, glomerulonefrite |
| calibre variável | artérias e veias de qualquer calibre | doença de Behçet, síndrome de Cogan | aftas, uveíte, tromboses venosas, aneurismas |
A idade orienta
| doença | quem |
|---|---|
| arterite de células gigantes | quase só acima dos 50 anos, média de 70 a 75, mais na mulher |
| polimialgia reumática | acima dos 50 anos; mais de 110 casos por 100 000 por ano nessa idade no norte da Europa |
| arterite de Takayasu | adolescente e mulher jovem, média a meio dos 20 anos |
| vasculite por IgA | criança, sobretudo entre os 4 e os 7 anos |
| doença de Kawasaki | máximo entre os 6 e os 24 meses, rara abaixo dos 6 meses e acima dos 5 anos |
| vasculites associadas a ANCA | pico entre os 65 e os 74 anos |
| doença de Behçet | adulto jovem; rara antes do fim da adolescência e depois dos 50 anos |
- A arterite de células gigantes é a vasculite sistémica mais frequente do adulto. Na criança, a vasculite por IgA faz quase metade das vasculites e a doença de Kawasaki é a segunda, com cerca de 23%.
Há três mecanismos principais de lesão, e cada um explica a histologia e a serologia que se pedem.
Imunidade celular e granuloma: grandes vasos
- Na arterite de células gigantes a doença começa na adventícia: linfócitos T CD4 entram pelos vasa vasorum, ativam-se e comandam macrófagos e células gigantes. Há duas linhagens em jogo, Th1 (interferão gama) e Th17 (interleucina 17), com sensibilidade diferente ao corticoide.
- O resultado é uma panarterite com células gigantes, proliferação da íntima e fragmentação da lâmina elástica interna, que estreita o lúmen.
- A interleucina 6 é o mediador sistémico da febre, da anemia e da subida da velocidade de sedimentação e da proteína C reativa, e é o alvo do tocilizumab e do sarilumab.
- A arterite de Takayasu tem histologia semelhante, com predileção pelo arco aórtico e pela origem dos seus ramos.
ANCA: pequenos vasos pauci-imunes
- Os ANCA dirigem-se a proteínas dos grânulos do neutrófilo: proteinase 3 (anti-PR3, com padrão citoplasmático na imunofluorescência, c-ANCA) e mieloperoxidase (anti-MPO, com padrão perinuclear, p-ANCA).
- Com o neutrófilo ativado por citocinas (fator de necrose tumoral, interleucina 1), estes antigénios passam para a membrana; o ANCA liga-se, o neutrófilo desgranula, liberta radicais de oxigénio e lesa o endotélio.
- Não há depósitos de imunoglobulinas na parede nem no glomérulo: a lesão é pauci-imune. Na granulomatose com poliangeíte junta-se inflamação granulomatosa necrosante das vias respiratórias.
- O título de ANCA não acompanha fielmente a atividade: há doentes ativos sem ANCA e doentes em remissão com títulos altos durante anos.
Imunocomplexos: púrpura e complemento
- Complexos antigénio-anticorpo formados em excesso de antigénio depositam-se na parede das vénulas, ativam o complemento (sobretudo o C5a, que atrai neutrófilos) e os neutrófilos fragmentam-se na parede: é a vasculite leucocitoclástica, substrato da púrpura palpável.
- O antigénio conhece-se em poucos casos: o do vírus da hepatite B na poliarterite nodosa, o do vírus da hepatite C nas crioglobulinas.
- Na vasculite por IgA depositam-se complexos de IgA na pele, no intestino e no mesângio. Na crioglobulinémica, o fator reumatoide IgM monoclonal liga-se a IgG e ativa a via clássica do complemento, e o C4 fica muito baixo, muitas vezes com C3 normal.
Anticorpos contra a membrana basal
- Na doença anti-membrana basal glomerular os anticorpos dirigem-se ao domínio NC1 da cadeia alfa 3 do colagénio IV, presente no glomérulo e no alvéolo. A imunofluorescência mostra IgG em padrão linear, e não granular.
Causas secundárias a lembrar
| grupo | exemplos |
|---|---|
| infeção | hepatite B (poliarterite nodosa), hepatite C (crioglobulinémica), endocardite, VIH, vírus de Epstein-Barr |
| fármaco | hidralazina e propiltiouracilo (vasculite com ANCA), alopurinol, tiazidas, sulfonamidas, penicilinas, fenitoína |
| tóxico | cocaína adulterada com levamisol |
| neoplasia | linfoproliferativas; leucemia de tricoleucócitos com poliarterite nodosa |
| doença sistémica | lúpus, artrite reumatoide, Sjögren, sarcoidose, colite ulcerosa |
Quando pensar em vasculite
- Doença sistémica sem explicação com: púrpura palpável, infiltrados pulmonares com hematúria microscópica, sinusite inflamatória crónica, mononeurite múltipla (neuropatia sensitiva e motora dolorosa e assimétrica de pelo menos dois territórios nervosos), eventos isquémicos sem causa, glomerulonefrite com atingimento de vários órgãos.
- Sintomas gerais comuns a todas: febre, perda de peso, astenia, anorexia, artralgias, mialgias.
- Síndrome pulmão-rim: hemorragia alveolar com glomerulonefrite rapidamente progressiva. Causas principais: vasculites associadas a ANCA e doença anti-membrana basal glomerular; menos vezes lúpus e crioglobulinemia.
Avaliação inicial, em todos
- Hemograma, creatinina, sumário de urina com sedimento (eritrócitos dismórficos, cilindros hemáticos, proteinúria), velocidade de sedimentação e proteína C reativa, provas hepáticas, radiografia do tórax.
- Serologias das hepatites B e C e do VIH.
- Orientados pelo quadro: ANCA por ensaio específico para anti-PR3 e anti-MPO (método de primeira linha segundo a EULAR, aliança europeia de associações de reumatologia), anticorpos anti-membrana basal glomerular, complemento C3 e C4, crioglobulinas, fator reumatoide, anticorpos antinucleares, contagem de eosinófilos, hemoculturas quando há febre.
Confirmar
- Biópsia do tecido atingido: pele, rim, pulmão, seios perinasais, nervo ou músculo. Biopsar um órgão sem sinais de doença rende pouco e evita-se.
- Imagem vascular quando não há tecido acessível: ecografia, angio-RM, angio-TC ou tomografia por emissão de positrões nos grandes vasos; angiografia por cateter para os microaneurismas da poliarterite nodosa.
- Os critérios de classificação (os de 2022 do ACR, colégio americano de reumatologia, com a EULAR) servem para estudos; não se usam para diagnosticar um doente.
Diagnóstico diferencial: o que imita vasculite
| grupo | exemplos |
|---|---|
| infeção | endocardite bacteriana, infeção gonocócica disseminada, sífilis, doença de Lyme, rickettsioses, doença de Whipple, histoplasmose |
| coagulação e microangiopatia | síndrome antifosfolipídica, púrpura trombocitopénica trombótica |
| neoplasia | mixoma auricular, linfoma, carcinomatose |
| tóxicos | cocaína, levamisol, anfetaminas, ergotamínicos |
| outras | embolia de colesterol, sarcoidose, amiloidose, displasia fibromuscular, síndrome de vasoconstrição cerebral reversível |
- A cocaína com levamisol dá necrose cutânea e ANCA (por vezes contra a elastase do neutrófilo); a granulocitopenia favorece o levamisol.
Princípios
- Retirar o antigénio quando se conhece (suspender o fármaco, tratar a infeção) e tratar a doença de base na vasculite secundária.
- Intensidade proporcional ao risco: órgão ou vida em risco pede indução imediata com corticoide e outro imunossupressor; a vasculite limitada à pele trata-se com o mínimo, e a ciclofosfamida quase nunca se justifica nela.
- Duas fases nas vasculites sistémicas graves: indução da remissão e manutenção.
- Gestão em centro com experiência em vasculites, com nefrologia, pneumologia e oftalmologia por perto.
Prevenir a toxicidade do tratamento
| fármaco | o que vigiar e prevenir |
|---|---|
| corticoide | osteoporose (cálcio, vitamina D e densitometria inicial em todos), diabetes, hipertensão, infeções, cataratas |
| ciclofosfamida | mielossupressão (hemograma a cada 1 a 2 semanas enquanto se toma; manter leucócitos acima de 3000/µL e neutrófilos acima de 1500/µL), cistite hemorrágica, carcinoma da bexiga (vigilância para sempre), insuficiência ovárica, teratogenicidade |
| metotrexato | mielossupressão, hepatotoxicidade, pneumonite; dá-se com ácido fólico; contraindicado na insuficiência renal e na doença hepática crónica |
| azatioprina | dosear a tiopurina metiltransferase antes de começar, pelo risco de citopenia grave |
| metotrexato, azatioprina, micofenolato | hemograma a cada 1 a 2 semanas nos primeiros 1 a 2 meses, depois mensal |
| rituximab | rastrear hepatite B antes (reativação); dosear imunoglobulinas antes de cada ciclo; reações à perfusão |
- A ciclofosfamida oral toma-se toda de manhã, com muitos líquidos ao longo do dia, para manter a urina diluída e proteger a bexiga.
- Profilaxia de Pneumocystis jirovecii com cotrimoxazol em quem faz corticoide diário com outro imunossupressor, e em particular com rituximab ou ciclofosfamida. A pneumocistose surge mesmo com leucócitos normais.
- O corticoide nunca se suspende de forma abrupta, nem durante uma infeção.
- Ciclofosfamida e metotrexato são teratogénicos, e a ciclofosfamida pode causar falência ovárica: na mulher em idade fértil isto pesa na escolha.
- Arterite granulomatosa de grandes e médios vasos, que atinge sobretudo os ramos da carótida externa (a artéria temporal), mas também a aorta e os seus ramos principais.
- Praticamente só acima dos 50 anos, com média de 70 a 75; mais na mulher (cerca de 3 para 1). É mais frequente no norte da Europa: na Escandinávia, 14,6 a 43,6 casos por 100 000 pessoas com 50 ou mais anos por ano. Associação ao HLA-DRB1*04.
- Polimialgia reumática: dor e rigidez da cintura escapular, do pescoço e da cintura pélvica, com reagentes de fase aguda elevados. Surge em 40 a 50% dos doentes com arterite de células gigantes, e 10 a 20% das polimialgias isoladas evoluem depois para arterite. São dois extremos da mesma doença.
Forma craniana
- Cefaleia de novo, habitualmente temporal, com artéria temporal dolorosa, espessada ou nodular e pulso diminuído.
- Hipersensibilidade do couro cabeludo e claudicação da mandíbula ou da língua ao mastigar.
- Sintomas visuais: amaurose fugaz, diplopia, perda súbita da visão por neuropatia ótica isquémica. A maioria dos doentes tem queixas da cabeça ou dos olhos antes de perder a visão, e é aí que se ganha tempo.
Forma de grandes vasos
- Em até um terço, como forma inicial ou mais tarde: claudicação dos braços por estenose da subclávia, pulsos diminuídos, sopros, aneurisma da aorta torácica.
Sintomas sistémicos
- Febre, anemia, astenia, anorexia, perda de peso, suores, artralgias. Febre de origem indeterminada no idoso pode ser a única apresentação.
Polimialgia reumática
- Dor e rigidez matinal bilateral dos ombros, do pescoço e das ancas, com dificuldade em levantar os braços ou sair da cama. Pode acompanhar-se de artrite periférica. Força muscular e creatina cinase normais.
- O diagnóstico assenta na clínica e confirma-se por imagem ou biópsia (EULAR 2025); o doente com suspeita é referenciado a consulta especializada nas 24 horas seguintes.
Laboratório
- Velocidade de sedimentação muito elevada, habitualmente acima de 50 mm/h, e proteína C reativa elevada; anemia normocrómica; fosfatase alcalina muitas vezes aumentada.
- Creatina cinase normal: ajuda a separar a polimialgia das miopatias.
Imagem
- A ecografia das artérias temporais e axilares é o primeiro exame de imagem na suspeita de arterite de células gigantes (EULAR 2023). O achado típico é o sinal do halo: espessamento hipoecogénico da parede.
- Em alternativa, tomografia por emissão de positrões ou RM das artérias cranianas; para a aorta e os seus ramos, angio-TC, angio-RM ou tomografia por emissão de positrões.
Biópsia da artéria temporal
- Mostra panarterite com células gigantes. A inflamação é segmentar: pede-se um segmento de 3 a 5 cm e cortes seriados, e uma biópsia negativa não exclui.
- Pode continuar positiva até cerca de 14 dias depois de começar o corticoide: não se atrasa o tratamento para a fazer.
Polimialgia reumática
- Não há exame que a confirme: o diagnóstico junta os sintomas típicos, a velocidade de sedimentação ou a proteína C reativa elevadas e a exclusão das doenças que a imitam.
- Pergunta-se sempre pelos sintomas de arterite de células gigantes.
Diagnóstico diferencial
- Arterite de células gigantes: outras causas de cefaleia, de perda visual e de febre no idoso, e a aortite de outras causas (Takayasu, doença relacionada com IgG4, sífilis).
- Polimialgia: artrite reumatoide seronegativa ou outra artropatia inflamatória (o fator reumatoide e o anti-péptido citrulinado são negativos na polimialgia), miopatias, neoplasia, infeção.
Recomendações da EULAR (aliança europeia de associações de reumatologia) de 2025 para a polimialgia reumática e as vasculites de grandes vasos.
Arterite de células gigantes: indução
- Corticoide sem demora quando a suspeita é forte, enquanto se esperam os exames de confirmação: prednisolona 40 a 60 mg por dia, mantida até os sintomas cederem.
- Perda visual aguda: podem considerar-se pulsos de metilprednisolona endovenosa, 0,25 a 1 g por dia até 3 dias, embora o benefício não esteja demonstrado.
Redução do corticoide
- Reduzir para 15 a 20 mg por dia em 2 a 3 meses, com o objetivo de parar em 12 a 18 meses.
- Recidiva major (sinais de isquemia ou inflamação dos grandes vasos com lesão estrutural): volta-se à dose da doença nova. Recidiva minor: sobe-se pelo menos até à última dose eficaz.
- Pequenas subidas da velocidade de sedimentação sem sintomas não obrigam a subir a dose.
Terapêutica adjuvante
- Tocilizumab (anti-recetor da interleucina 6), 162 mg subcutâneos por semana, ou upadacitinib (inibidor das cinases Janus), 15 mg orais por dia: a considerar sobretudo na doença refratária ou recidivante e em quem tem risco alto de efeitos do corticoide. Com eles, o corticoide reduz-se em cerca de 26 semanas.
- O tocilizumab prefere-se no doente com doença cardiovascular, risco de tromboembolismo venoso ou neoplasia prévia; os dois pedem cautela em quem teve diverticulite, pelo risco de perfuração.
- Metotrexato (15 a 20 mg subcutâneos por semana) é a alternativa.
- Sob tocilizumab, a velocidade de sedimentação e a proteína C reativa deixam de servir para medir a atividade.
- A antiagregação e a anticoagulação não se fazem por rotina (EULAR 2018), só com outra indicação.
- Prevenção da osteoporose e vigilância do risco cardiovascular, da glicemia e da pressão arterial em todos.
Polimialgia reumática
- Prednisolona oral 15 a 25 mg por dia, reduzida para 10 mg por dia em 1 a 2 meses, com o objetivo de parar em 1 ano. Na recidiva, volta-se pelo menos à última dose eficaz.
- Adjuvante em doentes selecionados: tocilizumab na doença de início; na recidivante ou refratária, sarilumab (anti-recetor da interleucina 6) de preferência, ou tocilizumab; metotrexato em alternativa.
- O doente é ensinado a reconhecer a cefaleia, a claudicação da mandíbula e os sintomas visuais.
- Neuropatia ótica isquémica anterior arterítica: cegueira em 10 a 15%, por vezes logo à apresentação. Os circuitos de observação rápida reduziram a perda visual permanente em dois estudos, de 18,7% e 26,8% para 11,5% e 12,7%.
- Outras complicações isquémicas cranianas: acidente vascular cerebral, enfarte do couro cabeludo ou da língua.
- Aneurisma da aorta torácica: risco 18 vezes o da população geral, com rotura ou disseção tardias.
- Recidivas em 32%, 44% e 47% dos doentes ao fim de 1, 2 e 5 anos; os efeitos adversos do corticoide atingem mais de 85%.
- A mortalidade direta é rara; o que pesa é a visão quando o tratamento atrasa e a toxicidade do corticoide.
- Arterite inflamatória e estenosante de grandes e médios vasos, com predileção pelo arco aórtico e pela origem dos seus ramos; a artéria pulmonar também pode ser atingida.
- Rara (incidência anual de 1,2 a 2,6 por milhão), mais frequente na Ásia. Atinge sobretudo adolescentes e mulheres jovens: cerca de 8 mulheres por cada homem, com média de idade a meio dos 20 anos.
- Histologia semelhante à da arterite de células gigantes; o que as separa é a idade e a distribuição.
- Fase sistémica, por vezes meses antes: febre, suores noturnos, artralgias, perda de peso.
- Depois, a fase oclusiva, a doença sem pulso: pulsos ausentes ou diminuídos (sobretudo na subclávia, atingida em 93% nas angiografias), diferença de pressão sistólica superior a 10 mmHg entre os braços, sopros na subclávia e na aorta, claudicação dos braços.
- Hipertensão em 32 a 93%, sobretudo por estenose da artéria renal, com lesão do rim, do coração e do cérebro.
- Carótidas e vertebrais: tonturas, síncope, alterações visuais, acidente isquémico transitório e acidente vascular cerebral.
- Raiz da aorta: insuficiência aórtica e insuficiência cardíaca; coronárias: angina e enfarte.
- Suspeita na mulher jovem com pulsos diminuídos, diferença de pressão entre braços e sopros; medir a pressão arterial nos quatro membros.
- Velocidade de sedimentação e proteína C reativa elevadas, anemia ligeira; podem ser normais com doença ativa.
- Imagem faz o diagnóstico: a RM é a modalidade preferida (EULAR 2023), com tomografia por emissão de positrões, angio-TC ou ecografia em alternativa. Mostra espessamento da parede, estenoses longas e afiladas, dilatação pós-estenótica, aneurismas e circulação colateral. Estuda-se a aorta inteira e os seus ramos.
- Raramente há tecido: só quando é preciso operar.
- Diagnóstico diferencial: aortite sifilítica, aortite da doença relacionada com IgG4, espondilartrites, artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, doenças do tecido conjuntivo.
Recomendações da EULAR (aliança europeia de associações de reumatologia) de 2025.
- Na maioria dos doentes o corticoide pode esperar pela confirmação do diagnóstico, ao contrário da arterite de células gigantes.
- Doença ativa: prednisolona 40 a 60 mg por dia, reduzida para 15 a 20 mg em 2 a 3 meses, com o objetivo de parar em 12 a 18 meses.
- Imunossupressor não biológico em todos, desde o início: metotrexato, azatioprina, micofenolato ou leflunomida.
- Doença recidivante ou refratária apesar dele: tocilizumab ou inibidor do fator de necrose tumoral (infliximab ou adalimumab).
- A recidiva diagnostica-se sobretudo por imagem, que se usa no seguimento de todos os doentes para medir a atividade e o dano.
- Controlar a hipertensão.
- Revascularização (angioplastia ou cirurgia) nas estenoses sintomáticas, na hipertensão renovascular, na insuficiência aórtica moderada a grave e nos aneurismas em crescimento, em fase de remissão estável. A disseção arterial ou a isquemia crítica obrigam a referenciação urgente à cirurgia vascular. A cirurgia aberta tem melhor permeabilidade a longo prazo do que a via endovascular.
- Curso habitualmente crónico e recidivante.
- A mortalidade aos 5 anos varia muito entre séries, de 0 a 35%; morre-se de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, enfarte, rotura de aneurisma ou insuficiência renal.
- O corticoide alivia os sintomas, mas o que reduziu a morbilidade foi juntar-lhe a revascularização das estenoses, que corrige a hipertensão renovascular e diminui o risco de acidente vascular cerebral.
- Vasculite necrosante de artérias musculares de médio e pequeno calibre, segmentar, nas bifurcações, com aneurismas até 1 cm, sobretudo das artérias renais e viscerais.
- Não atinge as artérias pulmonares nem dá glomerulonefrite, e raramente tem ANCA; não há granulomas nem eosinofilia marcada. Se houver vénulas ou capilares atingidos, pensa-se em poliangeíte microscópica.
- Rara. Primária, ou associada à hepatite B (imunocomplexos com antigénio do vírus), menos vezes à hepatite C, ao VIH e à leucemia de tricoleucócitos.
- O défice de adenosina desaminase 2, doença genética de início habitualmente na infância, dá uma vasculite semelhante à poliarterite nodosa que responde a inibidores do fator de necrose tumoral: pensar nele no doente jovem.
- Início com sintomas gerais (febre, perda de peso e mal-estar em mais de metade), que podem evoluir depressa para doença fulminante.
| órgão | frequência | manifestações |
|---|---|---|
| músculo e articulação | 64% | artralgias, artrite, mialgias |
| rim | 60% | hipertensão, insuficiência renal, hemorragia por rotura de microaneurisma |
| nervo periférico | 51% | mononeurite múltipla, neuropatia periférica |
| tubo digestivo | 44% | dor abdominal pós-prandial (angina intestinal), hemorragia, enfarte e perfuração intestinal, colecistite, enfartes hepáticos e pancreáticos |
| pele | 43% | nódulos, livedo, púrpura, enfartes cutâneos, fenómeno de Raynaud |
| coração | 36% | insuficiência cardíaca, enfarte, pericardite |
| aparelho genital | 25% | dor testicular, ovárica ou do epidídimo |
| sistema nervoso central | 23% | acidente vascular cerebral, convulsões, alteração do estado mental |
- Não há serologia diagnóstica. Leucocitose com neutrofilia em mais de 75%, anemia, velocidade de sedimentação quase sempre elevada. ANCA raramente positivos.
- Serologias das hepatites B e C e do VIH em todos.
- Biópsia de um órgão sintomático, com maior rendimento na pele nodular, no testículo doloroso e no nervo ou músculo: vasculite necrosante com necrose fibrinoide.
- Sem tecido acessível: angiografia por cateter com microaneurismas e estenoses das artérias renais, hepáticas e mesentéricas. A angio-TC e a angio-RM não têm resolução suficiente para estes vasos, e os aneurismas não são exclusivos da doença.
- Diagnóstico diferencial: poliangeíte microscópica (tem glomerulonefrite e ANCA), vasculite crioglobulinémica, granulomatose eosinofílica com poliangeíte (eosinofilia marcada), endocardite, embolia de colesterol, displasia fibromuscular.
- Formas menos graves: corticoide isolado.
- Formas graves (rim, tubo digestivo, coração, sistema nervoso): corticoide com ciclofosfamida.
- Associada à hepatite B: antivírico, que trata a infeção e a vasculite, combinado em algumas séries com corticoide e plasmaférese, limitando a imunossupressão prolongada que agravaria a infeção.
- Controlar a hipertensão reduz as complicações renais, cardíacas e neurológicas.
- Défice de adenosina desaminase 2: inibidor do fator de necrose tumoral, e não o esquema clássico.
- Sem tratamento, a sobrevida aos 5 anos é de apenas 10 a 20%, com morte por enfarte e perfuração intestinal e por causas cardiovasculares.
- A hipertensão mal controlada soma lesão renal, cardíaca e cerebral tardia.
- Depois de tratada com sucesso, recidiva em 10 a 20%.
- Vasculite sistémica aguda de médios vasos, de causa desconhecida e provável desencadeante infecioso, com tropismo pelas artérias coronárias. É a principal causa de cardiopatia adquirida na criança nos países desenvolvidos.
- Máximo entre os 6 e os 24 meses; rara abaixo dos 6 meses e acima dos 5 anos; mais no rapaz (1,5 para 1); muito mais frequente no Japão e nos países vizinhos; casos esporádicos ou surtos no inverno e na primavera.
- Sem tratamento, até 40% têm dilatação coronária transitória e 25% aneurismas coronários. Com imunoglobulina nos primeiros 10 dias, 20% têm dilatação transitória, 5% aneurismas e 1% aneurismas gigantes.
Três fases: aguda febril (1 a 2 semanas), subaguda (2 a 4 semanas) e convalescença (meses a anos). Os achados podem não coincidir no tempo, e contam os que os pais relatam ou que outro médico viu.
Sinais principais
| sinal | como é |
|---|---|
| febre | habitualmente alta, pouco responsiva aos antipiréticos |
| conjuntivas | hiperemia bulbar bilateral, não exsudativa, que poupa o limbo |
| lábios e boca | lábios vermelhos, edemaciados e fissurados, língua em framboesa, enantema |
| extremidades | eritema e edema das palmas e das plantas na fase aguda; descamação periungueal a partir do 7.º a 14.º dia |
| exantema | polimorfo, sem vesículas nem bolhas, muitas vezes intenso na zona da fralda |
| adenopatia cervical | habitualmente única e unilateral, de pelo menos 1,5 cm |
Outros achados
- Irritabilidade marcada, dor abdominal, vómitos, diarreia, hidrópsia da vesícula, hepatite, meningite assética, uveíte anterior, artrite, induração no local da vacina BCG.
- Cardíacos: miocardite, pericardite, insuficiência valvular, aneurismas coronários e de outras artérias.
- Laboratório: leucocitose com neutrofilia, proteína C reativa e velocidade de sedimentação elevadas, hipoalbuminemia, hiponatremia, transaminases elevadas, piúria estéril. A trombocitose surge na segunda semana e é máxima na terceira.
Critérios clínicos (Associação Americana do Coração)
Febre de pelo menos 5 dias e pelo menos 4 dos 5 sinais principais: conjuntivite, alterações dos lábios e da boca, alterações das extremidades, exantema polimorfo, adenopatia cervical de pelo menos 1,5 cm.
- Com 4 sinais, sobretudo com eritema e edema das mãos e dos pés, o diagnóstico pode fazer-se ao 4.º dia de febre.
- Com dilatação coronária, aceitam-se menos de 4 sinais.
Kawasaki incompleto
Considera-se em duas situações:
- febre de pelo menos 5 dias com 2 ou 3 sinais principais;
- lactente com febre de 7 ou mais dias sem outra explicação, mesmo sem outros sinais.
Pedem-se então proteína C reativa e velocidade de sedimentação:
- proteína C reativa de 3,0 mg/dL (30 mg/L) ou mais e/ou velocidade de sedimentação de 40 mm/h ou mais: trata-se se houver 3 ou mais critérios laboratoriais, ou ecocardiograma alterado;
- abaixo destes valores: reavaliação clínica e laboratorial seriada enquanto a febre durar, e ecocardiograma se aparecer descamação típica.
| critérios laboratoriais suplementares |
|---|
| anemia para a idade |
| plaquetas de 450 000/µL ou mais depois do 7.º dia de febre |
| albumina de 3,0 g/dL ou menos |
| alanina aminotransferase elevada |
| leucócitos de 15 000/µL ou mais |
| 10 ou mais leucócitos por campo na urina |
Ecocardiograma
- Ao diagnóstico e repetido 1 a 2 semanas e 4 a 6 semanas depois do tratamento, nos casos sem complicações; com mais frequência nos doentes de alto risco.
- As coronárias medem-se pelo valor z ajustado à superfície corporal: dilatação de 2 a menos de 2,5; aneurisma pequeno de 2,5 a menos de 5; médio de 5 a menos de 10; grande ou gigante com 10 ou mais, ou diâmetro de 8 mm ou mais.
- Um ecocardiograma normal não exclui a doença.
Diagnóstico diferencial
- Escarlatina, sarampo, adenovírus e outras viroses, síndrome do choque tóxico, mononucleose infeciosa, síndrome de Stevens-Johnson e outras reações a fármacos, artrite idiopática juvenil sistémica, síndrome inflamatória multissistémica associada ao SARS-CoV-2.
Tratamento inicial
- Imunoglobulina endovenosa 2 g/kg numa perfusão única, habitualmente em 10 a 12 horas, logo que o diagnóstico se faça e dentro dos primeiros 10 dias de febre. Depois do 10.º dia ainda se dá se a febre persistir sem outra explicação ou houver aneurismas, com inflamação ativa.
- Ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória (30 a 50 mg/kg/dia na Europa e no Japão; 80 a 100 mg/kg/dia nos Estados Unidos, sem que uma seja superior à outra) até 48 a 72 horas sem febre; depois dose antiagregante de 3 a 5 mg/kg/dia, até às 4 a 6 semanas se as coronárias estiverem normais, e por tempo indeterminado se não estiverem.
- Evitar o ibuprofeno, que antagoniza o efeito antiagregante do ácido acetilsalicílico; para a febre, paracetamol.
- Sob ácido acetilsalicílico há risco de síndrome de Reye com gripe ou varicela: vacina da gripe inativada.
- As vacinas vivas (sarampo, parotidite e rubéola; varicela) adiam-se 11 meses depois da imunoglobulina.
Resistência à imunoglobulina
- Febre persistente ou que volta pelo menos 36 horas depois do fim da perfusão: acontece em 10 a 20%, e estes doentes têm mais lesão coronária.
- Opções: segunda dose de imunoglobulina de 2 g/kg, infliximab ou corticoide. Os pulsos de metilprednisolona são uma alternativa a considerar, com evidência fraca.
Alto risco coronário
- Idade inferior a 6 meses ou valor z de 2,5 ou mais na descendente anterior ou na coronária direita ao diagnóstico (Associação Americana do Coração, 2024): pode intensificar-se o tratamento inicial, juntando corticoide ou infliximab à imunoglobulina.
Aneurismas
- Valor z de 10 ou mais, ou aneurisma em crescimento rápido: anticoagulação com heparina de baixo peso molecular ou varfarina (INR 2 a 3) além do ácido acetilsalicílico em dose baixa, e seguimento em cardiologia pediátrica para toda a vida.
- Os aneurismas coronários surgem habitualmente entre a 3.ª e a 4.ª semana. A letalidade é hoje inferior a 0,1% no Japão (mortalidade hospitalar de 0,17% nos Estados Unidos), quase toda por trombose coronária, enfarte ou rotura, com pico entre os 15 e os 45 dias de doença.
- Dilatações e aneurismas pequenos podem regredir; os grandes ou gigantes (valor z de 10 ou mais, ou 8 mm ou mais) não regridem e podem dar isquemia em qualquer altura, até à idade adulta.
- Eventos coronários (trombose, estenose, enfarte, morte) em 1% dos doentes com valor z abaixo de 10 e diâmetro abaixo de 8 mm, 29% com valor z de 10 ou mais e diâmetro abaixo de 8 mm, e 48% com as duas coisas.
- Sem atingimento coronário, a criança pode ter alta da cardiologia às 4 a 6 semanas.
- Vasculites necrosantes de pequenos vasos, pauci-imunes, frequentemente com ANCA: granulomatose com poliangeíte (antes chamada de Wegener), poliangeíte microscópica e granulomatose eosinofílica com poliangeíte (antes chamada de Churg-Strauss).
- Incidência de 10 a 20 por milhão por ano, com pico entre os 65 e os 74 anos. A forma eosinofílica é a menos frequente (1 a 3 por milhão).
| granulomatose com poliangeíte | poliangeíte microscópica | granulomatose eosinofílica com poliangeíte | |
|---|---|---|---|
| lesão | vasculite necrosante com granulomas | vasculite necrosante sem granulomas | granulomas com eosinófilos e vasculite |
| ANCA | cerca de 90% na doença ativa, quase sempre anti-PR3 | cerca de 75%, sobretudo anti-MPO | só 30 a 48%, habitualmente anti-MPO |
| marca | vias respiratórias superiores destrutivas, nódulos pulmonares cavitados, rim | rim e pulmão (capilarite), sem granulomas nem doença das vias aéreas superiores | asma, eosinofilia, mononeurite |
Granulomatose com poliangeíte
- Vias respiratórias superiores em 95%: sinusite crónica refratária, crostas e úlceras nasais, epistáxis, perfuração do septo e nariz em sela, otite média serosa; estenose subglótica em cerca de 16%.
- Pulmão em 85 a 90%: nódulos múltiplos, bilaterais e cavitados, infiltrados, hemoptise, hemorragia alveolar.
- Rim em 77%: glomerulonefrite, que, uma vez com insuficiência renal, progride depressa sem tratamento e domina a mortalidade.
- Olho (52%): conjuntivite, episclerite, esclerite, pseudotumor orbitário com proptose. Pele (46%): púrpura, nódulos, úlceras. Sistema nervoso (23%): mononeurite múltipla, neuropatias cranianas.
- Aumento do risco de trombose venosa.
Poliangeíte microscópica
- Glomerulonefrite em pelo menos 79%, muitas vezes rapidamente progressiva.
- Hemorragia alveolar em 12%; mononeurite múltipla, púrpura, atingimento digestivo.
- Sem doença destrutiva das vias aéreas superiores nem nódulos: se existirem, pensa-se em granulomatose.
Granulomatose eosinofílica com poliangeíte
- Asma grave de início no adulto, rinite alérgica e sinusite (até 61%), com polipose nasal, habitualmente cedo na evolução; depois eosinofilia no sangue e nos tecidos e vasculite.
- Mononeurite múltipla em até 72%, a segunda manifestação mais frequente; infiltrados pulmonares migratórios; nódulos e púrpura cutâneos (cerca de 51%).
- Coração em cerca de 14% (miocardite, pericardite, vasculite coronária): é a principal causa de morte.
- O rim é menos atingido e com menos gravidade do que nas outras duas.
Serologia
- ANCA por ensaio específico para anti-PR3 e anti-MPO como método de primeira linha (EULAR 2022). O anti-PR3 é muito específico da granulomatose com poliangeíte; está presente em cerca de 90% dos doentes com doença ativa e em só 60 a 70% fora dela.
- ANCA negativo não exclui: até 20% das granulomatoses não os têm.
- ANCA positivo não chega: há falsos positivos em infeções (endocardite), neoplasias, doenças autoimunes, fármacos e cocaína com levamisol.
- Na forma eosinofílica, eosinofilia acima de 1000/µL em mais de 80% e IgE elevada em cerca de 70%.
Biópsia
- Confirma o diagnóstico. Rim: glomerulonefrite necrosante com crescentes, pauci-imune na imunofluorescência. Pulmão: vasculite granulomatosa necrosante, com o maior rendimento na granulomatose. Vias aéreas superiores: inflamação granulomatosa com necrose, nem sempre com vasculite.
- Não se espera pela biópsia para começar o tratamento se o quadro for compatível e o ANCA anti-PR3 ou anti-MPO for positivo (KDIGO 2021, iniciativa para a melhoria dos resultados da doença renal a nível mundial).
Extensão
- Creatinina, sedimento urinário, proteinúria, TC do tórax, avaliação otorrinolaringológica e oftalmológica.
- Ecocardiograma em todos os doentes com a forma eosinofílica, porque o coração muda o tratamento.
Diagnóstico diferencial
- Doença anti-membrana basal glomerular, lúpus, crioglobulinemia, endocardite, tuberculose e micoses, linfoma de células NK/T nasal (doença destrutiva da linha média), lesões da linha média por cocaína, policondrite recidivante.
Recomendações da EULAR (aliança europeia de associações de reumatologia) de 2022.
Granulomatose com poliangeíte e poliangeíte microscópica: indução
| situação | indução |
|---|---|
| órgão ou vida em risco (glomerulonefrite, hemorragia pulmonar, sistema nervoso central ou meninges, órbita, coração, mesentério, mononeurite múltipla) | corticoide com rituximab ou ciclofosfamida |
| sem órgão nem vida em risco (doença nasal e sinusal sem erosão óssea, pele sem úlcera, miosite, nódulos pulmonares não cavitados, episclerite) | corticoide com rituximab; metotrexato ou micofenolato em alternativa |
- Prefere-se o rituximab à ciclofosfamida na doença recidivante e em quem quer ter filhos, porque não tem a toxicidade gonadal nem vesical da ciclofosfamida.
- Corticoide: prednisolona oral 50 a 75 mg por dia, conforme o peso, reduzida por etapas até 5 mg por dia aos 4 a 5 meses. Os pulsos de metilprednisolona endovenosa são prática comum na doença grave, sem evidência forte.
- Avacopan (antagonista do recetor do C5a, 30 mg duas vezes por dia), com rituximab ou ciclofosfamida, pode considerar-se para reduzir muito a exposição ao corticoide; para-se ao fim de 6 a 12 meses.
- Plasmaférese: pode considerar-se se a creatinina estiver acima de 300 µmol/L (cerca de 3,4 mg/dL) por glomerulonefrite ativa; não se usa por rotina na hemorragia alveolar.
Manutenção
- Rituximab depois da indução com rituximab ou ciclofosfamida; azatioprina ou metotrexato em alternativa.
- Duração de 24 a 48 meses depois da remissão da doença de novo; mais tempo nos doentes que recidivaram ou com risco alto de recidiva.
- O cotrimoxazol, além da profilaxia de Pneumocystis, reduz as recidivas das vias aéreas superiores, mas nunca trata sozinho doença de outros órgãos.
Granulomatose eosinofílica com poliangeíte
- Órgão ou vida em risco (coração, rim, sistema nervoso, tubo digestivo): corticoide em dose alta com ciclofosfamida; rituximab em alternativa.
- Sem órgão em risco: corticoide. A asma limita muitas vezes a redução.
- Doença recidivante ou refratária sem órgão em risco: mepolizumab (anti-interleucina 5), que também se usa na manutenção destas formas.
- Manutenção depois de doença grave: metotrexato, azatioprina, mepolizumab ou rituximab.
Vigilância
- As decisões baseiam-se na avaliação clínica e não no título de ANCA: uma subida do ANCA, por si, não justifica aumentar a imunossupressão.
- Sem tratamento eram quase sempre fatais, com mortalidade de cerca de 80% aos 2 anos; hoje são doenças crónicas. Sobrevida aos 5 anos de 74% na poliangeíte microscópica tratada; na forma eosinofílica sem tratamento, só 25%.
- Recidivas em 50 a 70% das granulomatoses e em pelo menos 34% das poliangeítes microscópicas.
- Doença renal: cerca de 20% dos doentes com atingimento renal à apresentação chegam a doença renal terminal em 5 anos.
- Dano irreversível: insuficiência renal, surdez, estenose subglótica, nariz em sela, sinusite crónica, neuropatia.
- Complicações do tratamento: infeções, incluindo oportunistas por Pneumocystis e fungos mesmo com leucócitos normais, cistite hemorrágica e carcinoma da bexiga com a ciclofosfamida, osteoporose, diabetes, hipogamaglobulinemia com o rituximab.
- Na forma eosinofílica, o miocárdio responde por 39% das mortes.
- Vasculite de pequenos vasos (capilares glomerulares e alveolares) por anticorpos contra a membrana basal, dirigidos ao domínio NC1 da cadeia alfa 3 do colagénio IV. Chama-se síndrome de Goodpasture quando junta glomerulonefrite e hemorragia pulmonar; pode ser só renal.
- Os epítopos estão escondidos na estrutura do colagénio e podem ser expostos por tabaco, infeção, oxidantes ou solventes.
- Dois picos: homens jovens no fim dos 20 anos, que mais vezes têm a síndrome completa com hemoptise, e homens e mulheres entre os 60 e os 70 anos, mais vezes com glomerulonefrite isolada.
- Uma parte dos doentes tem também ANCA, habitualmente anti-MPO: entre 10 e 30%. Estes duplamente positivos fazem manutenção como nas vasculites associadas a ANCA.
- Glomerulonefrite rapidamente progressiva: hematúria, cilindros hemáticos, proteinúria, subida da creatinina em dias a semanas, muitas vezes oligúria.
- Hemorragia pulmonar: hemoptise, queda súbita da hemoglobina, febre, dispneia, infiltrados alveolares; a hemoptise é quase só dos fumadores.
- Púrpura, sinusite ou mononeurite fazem pensar em ANCA associados.
- Anticorpos anti-membrana basal glomerular no soro, por ensaio dirigido ao domínio NC1 da cadeia alfa 3. Pedem-se sempre também os ANCA.
- Biópsia renal urgente: glomerulonefrite necrosante com crescentes e IgG em padrão linear ao longo da membrana basal na imunofluorescência. Confirma e dá prognóstico.
- O tratamento não espera pela biópsia quando a suspeita é alta; a biópsia pode fazer-se depois de começar.
- Diagnóstico diferencial da síndrome pulmão-rim: vasculites associadas a ANCA (pauci-imunes), lúpus e crioglobulinemia (depósitos granulares, complemento baixo).
| padrão na imunofluorescência renal | doença |
|---|---|
| linear, IgG | anti-membrana basal glomerular |
| granular, imunocomplexos, complemento baixo | lúpus, crioglobulinemia |
| granular mesangial, IgA | vasculite por IgA, nefropatia IgA |
| escasso ou ausente (pauci-imune) | vasculites associadas a ANCA |
- Plasmaférese, corticoide e ciclofosfamida em todos (KDIGO 2021). A plasmaférese remove os anticorpos circulantes; nas formas menos graves costumam bastar 8 a 10 sessões, e mantém-se até os anticorpos deixarem de se detetar.
- A única exceção é o doente que já está em diálise à apresentação, com 100% de crescentes ou mais de 50% de esclerose glomerular global na biópsia e sem hemorragia pulmonar: aí a recuperação renal é tão improvável que o risco da imunossupressão intensa não se justifica. Com hemorragia pulmonar trata-se sempre.
- Começa-se logo que há suspeita forte, sem esperar pela confirmação.
- Não precisa de manutenção, porque raramente recidiva. A exceção são os duplamente positivos, que fazem manutenção como nas vasculites associadas a ANCA.
- Pior prognóstico renal com mais de 50% de crescentes com fibrose, creatinina acima de 5 a 6 mg/dL, oligúria ou necessidade de diálise à apresentação.
- Transplante renal só 6 meses depois e com os anticorpos indetetáveis.
- Vasculite de pequenos vasos por imunocomplexos com IgA, antes chamada púrpura de Henoch-Schönlein. Os complexos depositam-se na pele, no intestino e no mesângio renal.
- Vasculite mais frequente da criança, sobretudo entre os 4 e os 7 anos, mais no rapaz, com pico na primavera e no inverno, muitas vezes depois de uma infeção respiratória alta. Também atinge o adulto, com doença renal mais insidiosa.
- Tétrade: púrpura palpável das nádegas e dos membros inferiores, artralgias ou artrite, dor abdominal e glomerulonefrite.
- Pele: púrpura palpável em praticamente todas as crianças, simétrica, nas nádegas e nos membros inferiores.
- Articulações: poliartralgias, mais do que artrite franca, das grandes articulações.
- Tubo digestivo em cerca de 70% das crianças: dor abdominal em cólica, vómitos, sangue e muco nas fezes. A dor pode preceder a púrpura até 2 semanas. Complicação a não falhar: invaginação intestinal.
- Rim em 10 a 50%: hematúria microscópica, com ou sem proteinúria, muitas vezes com cilindros hemáticos; a maioria das crianças que vão ter nefrite tem-na nos primeiros 3 meses. Raramente glomerulonefrite rapidamente progressiva.
- No adulto predominam a pele e as articulações, e a nefrite é mais insidiosa, exigindo seguimento próximo.
- Na criança o diagnóstico é clínico: púrpura ou petéquias com predomínio nos membros inferiores e pelo menos um de artrite ou artralgias, dor abdominal, depósitos de IgA na histologia, atingimento renal (critérios de classificação pediátricos europeus).
- Laboratório: leucocitose ligeira, plaquetas normais, complemento normal, IgA sérica elevada em cerca de metade.
- Sumário de urina e pressão arterial em todos, ao diagnóstico e durante o seguimento.
- Biópsia cutânea na dúvida (vasculite leucocitoclástica com IgA e C3); no adulto a biópsia é a regra, e a biópsia renal faz-se quando há proteinúria persistente, função renal alterada ou nefrite rapidamente progressiva.
- Diagnóstico diferencial: trombocitopenia imune (plaquetas baixas), meningococemia (púrpura com febre e mau estado geral), outras causas de abdómen agudo, vasculite cutânea por fármaco ou infeção.
- A maioria recupera por completo só com suporte: hidratação e analgesia.
- O corticoide (prednisona cerca de 1 mg/kg/dia, com redução conforme a resposta) alivia a dor abdominal, as artralgias e o edema, mas não trata a pele nem a nefrite, não encurta a doença nem evita recidivas. Não se usa para prevenir a nefrite em quem só tem doença extrarrenal (KDIGO 2025).
- Vigilância da urina ao diagnóstico e depois pelo menos mensal durante 6 meses na criança, com a pressão arterial (KDIGO 2025).
- Nefrite grave ou rapidamente progressiva: corticoide e outro imunossupressor, orientados pela biópsia renal, com nefrologia.
- Prognóstico excelente na criança: mortalidade excecional, 1 a 5% evoluem para doença renal terminal, recidivas em 10 a 40%. É a nefrite que decide o prognóstico a longo prazo.
- Crioglobulinas são imunoglobulinas que precipitam com o frio. Na vasculite crioglobulinémica mista, os imunocomplexos formados por antigénios do vírus da hepatite C, IgG policlonal e fator reumatoide IgM monoclonal depositam-se na parede dos vasos e consomem complemento.
- A grande maioria das antes chamadas crioglobulinemias mistas essenciais deve-se à hepatite C; cerca de 5% dos doentes com hepatite C crónica desenvolvem vasculite.
- Outras causas: doenças linfoproliferativas, mieloma, doenças do tecido conjuntivo, doença hepática.
- Púrpura palpável, artralgias e astenia, com neuropatia periférica e glomerulonefrite.
- Nefrite em 10 a 30%; a glomerulonefrite membranoproliferativa faz 80% das lesões renais.
- Raramente formas graves: glomerulonefrite rapidamente progressiva, vasculite do sistema nervoso central, do tubo digestivo ou do coração.
- Crioglobulinas circulantes são o achado fundamental.
- Fator reumatoide quase sempre positivo, útil quando as crioglobulinas não se detetam.
- Hipocomplementemia em cerca de 90%, com C4 muito baixo e C3 normal ou pouco baixo; velocidade de sedimentação elevada e anemia frequentes.
- Anticorpos e ARN do vírus da hepatite C em todos.
- Diagnóstico diferencial: poliarterite nodosa, que partilha a neuropatia, as artralgias, a púrpura e a associação às hepatites; outras vasculites de pequenos vasos e o lúpus.
- Associada à hepatite C: antivíricos de ação direta são a primeira linha. A vasculite melhora com a eliminação do vírus, e descem as crioglobulinas, a IgM e o fator reumatoide.
- Rituximab na vasculite ativa, com o antivírico, ou isolado quando o antivírico falhou, não é tolerado ou está contraindicado.
- O corticoide dá melhoria transitória, mas resposta completa em apenas 7%.
- A glomerulonefrite é o principal sinal de mau prognóstico: 15% destes doentes chegam a doença renal terminal.
- Vasculite de calibre variável, que atinge artérias e veias de qualquer calibre, na fronteira entre as doenças autoinflamatórias e autoimunes. A lesão de base é uma perivasculite com infiltração precoce por neutrófilos.
- Mais frequente na bacia do Mediterrâneo, no Médio Oriente e no Extremo Oriente; na Turquia atinge 1 em cada 250 adultos. Rara antes do fim da adolescência e depois dos 50 anos.
- Atinge os dois sexos por igual, mas o homem jovem tem doença mais grave e pior prognóstico.
- HLA-B51 em 50 a 60% dos doentes, mas também em até 20% da população: não serve para diagnosticar.
| território | o que se vê |
|---|---|
| boca | aftas orais recorrentes em praticamente todos os doentes, muitas vezes a primeira manifestação; múltiplas, dolorosas, duram cerca de 10 dias e só as grandes deixam cicatriz |
| genitais | úlceras genitais, as lesões mais específicas: maiores e mais profundas que as orais, no escroto e na vulva, e deixam cicatriz |
| pele | lesões papulopustulosas acneiformes, eritema nodoso, tromboflebite superficial; patergia: pápula ou pústula 24 a 48 horas depois de uma picada de agulha |
| olho (cerca de metade; 70% dos homens) | panuveíte bilateral, uveíte posterior e vasculite retiniana; hipópion em cerca de 10% dos doentes com atingimento ocular; surge sobretudo nos primeiros 2 anos |
| articulações (cerca de metade) | mono ou oligoartrite dos membros inferiores, não erosiva e não deformante |
| vasos (até 40%) | trombose venosa profunda, síndrome de Budd-Chiari, trombose da veia cava, trombose intracardíaca e dos seios venosos cerebrais; aneurismas da artéria pulmonar e periféricos |
| sistema nervoso (cerca de 5%) | três quartos parenquimatosos (junção telencéfalo-diencefálica, tronco cerebral, medula), os restantes trombose dos seios venosos |
| tubo digestivo | úlceras ileocecais, poucas, profundas e redondas, que perfuram e imitam a doença de Crohn; até 50% no Extremo Oriente, raras no Médio Oriente |
- A tromboflebite superficial no homem associa-se a trombose venosa profunda e obriga a procurar outro atingimento vascular, incluindo aneurismas da artéria pulmonar.
- Diagnóstico clínico: não há exame laboratorial, de imagem ou histológico específico, e o quadro completo pode levar meses ou anos a juntar-se.
Critérios internacionais para a doença de Behçet (2014)
| manifestação | pontos |
|---|---|
| lesões oculares | 2 |
| aftose oral | 2 |
| aftose genital | 2 |
| lesões cutâneas | 1 |
| atingimento do sistema nervoso central | 1 |
| manifestações vasculares | 1 |
| teste de patergia positivo, quando se faz | 1 |
- 4 pontos ou mais classificam a doença. A afta oral não é obrigatória: vale 2 pontos como qualquer outro critério major, e o doente sem aftas pode somar 4 com, por exemplo, lesões oculares e úlceras genitais.
- Nos critérios de 1990 do grupo internacional de estudo, que continuam em uso a par destes, a aftose oral recorrente é obrigatória e junta-se-lhe 2 de 4 (úlceras genitais, lesões oculares, lesões cutâneas, patergia). Os de 2014 ganham sensibilidade (94,8% contra 85,0%) e perdem alguma especificidade (90,5% contra 96,0%).
Exames
- O laboratório só mostra inflamação inespecífica (leucocitose, velocidade de sedimentação e proteína C reativa elevadas).
- Observação oftalmológica com fundoscopia e, se preciso, angiografia fluoresceínica. RM cerebral e venografia por RM na suspeita neurológica. Endoscopia no atingimento digestivo. Angio-TC do tórax na hemoptise e antes de anticoagular, para excluir aneurisma da artéria pulmonar.
Diagnóstico diferencial
- Aftas recorrentes: estomatite aftosa recidivante isolada, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, lúpus, herpes.
- Úlceras intestinais: doença de Crohn, úlceras por anti-inflamatórios, tuberculose.
- Uveíte: sífilis, tuberculose, sarcoidose.
Recomendações da EULAR (aliança europeia de associações de reumatologia) de 2025. A novidade é o uso precoce de anticorpos monoclonais contra o fator de necrose tumoral (infliximab, adalimumab) no atingimento de órgão ou com risco de vida.
| manifestação | tratamento |
|---|---|
| aftas e úlceras | colquicina em primeira linha; corticoide tópico nas úlceras; na doença refratária, apremilast (inibidor da fosfodiesterase 4) ou anti-fator de necrose tumoral; evitar o corticoide sistémico crónico |
| artrite aguda | colquicina; imunossupressor nas formas recorrentes ou crónicas |
| uveíte | imunossupressor em toda a uveíte, com o objetivo de remissão clínica e angiográfica; na inflamação do segmento posterior que ameaça a visão, anticorpo monoclonal anti-fator de necrose tumoral, de preferência infliximab com outro imunossupressor; o corticoide nunca vai sozinho |
| aneurismas pulmonares e periféricos | corticoide em dose alta (metilprednisolona endovenosa 1 g por dia durante 3 dias, depois prednisolona 1 mg/kg/dia) com infliximab; ciclofosfamida em alternativa; manutenção com anti-fator de necrose tumoral |
| trombose venosa profunda e dos seios venosos | corticoide com imunossupressor, de preferência anticorpo anti-fator de necrose tumoral, mantido como manutenção |
| tubo digestivo | diagnóstico e gravidade por endoscopia; messalazina ou azatioprina, com ou sem corticoide; anti-fator de necrose tumoral nas formas graves ou refratárias |
| neurológico parenquimatoso | corticoide em dose alta com imunossupressor, de preferência infliximab; evitar a ciclosporina |
- Trombose venosa: é a imunossupressão que trata a parede do vaso. O anticoagulante só se acrescenta se o risco hemorrágico for baixo e tiver sido excluído aneurisma da artéria pulmonar.
- Aneurisma da artéria pulmonar com risco de hemorragia grave: prefere-se a embolização à cirurgia aberta. Os procedimentos vasculares necessários não se atrasam depois de iniciado o tratamento médico.
- Antes de um anti-fator de necrose tumoral, rastrear tuberculose latente e hepatites víricas.
- A doença tende a atenuar-se com os anos; fora do atingimento neurológico e dos grandes vasos, a esperança de vida é normal. Os aneurismas da artéria pulmonar têm mortalidade de 20 a 25% aos 5 anos.
Referências
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- Lewis JB, Neilson EG. Glomerular diseases. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 314.
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13 perguntas sobre Vasculites
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