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Síndrome de Sjögren

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 7 perguntas neste tema

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Em resumo

A síndrome de Sjögren é uma exocrinopatia autoimune crónica caracterizada por infiltração linfocítica das glândulas exócrinas, sobretudo lacrimais e salivares, que se traduz clinicamente na síndrome sicca (xeroftalmia e xerostomia). Pode ser primária (isolada) ou secundária (associada a outra doença autoimune, tipicamente artrite reumatoide ou lúpus eritematoso sistémico). Para o PNA, os pontos de maior rendimento são o reconhecimento do quadro sicca, o valor dos autoanticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, a abordagem diagnóstica escalonada e o risco aumentado de linfoma.

O diagnóstico integra a clínica sicca, a serologia, os testes objetivos de função glandular e ocular e, quando necessário, a histologia.

Autoanticorpos. O marcador mais útil são os anticorpos anti-Ro/SSA, presentes numa proporção elevada de doentes; os anti-La/SSB costumam acompanhá-los e raramente surgem isolados. Apoiam ainda o diagnóstico o ANA positivo (padrão frequentemente mosqueado) e o fator reumatoide positivo. Achados laboratoriais de suporte incluem hipergamaglobulinemia policlonal, elevação da VS e citopenias ligeiras.

Testes oculares.

  • Teste de Schirmer: mede a produção lacrimal com tira de papel no fórnix conjuntival; considera-se anormal um resultado igual ou inferior a 5 mm em 5 minutos.
  • Colorações da superfície ocular (verde de lisamina, fluoresceína, rosa-bengala) para quantificar a lesão epitelial através do ocular staining score.

Testes salivares.

  • Fluxo salivar não estimulado reduzido (habitualmente igual ou inferior a 0,1 mL/min).
  • Sialografia ou cintigrafia das glândulas salivares como métodos complementares.

Biópsia das glândulas salivares minor (lábio inferior): é o exame histológico de referência. Procura-se sialadenite linfocítica focal com focos de linfócitos (agregados de pelo menos 50 linfócitos) e um focus score igual ou superior a 1 por 4 mm².

Critérios de classificação ACR/EULAR 2016 (validados por WebSearch): sistema ponderado com cinco itens, classificando-se a doença com uma pontuação total igual ou superior a 4:

  • Sialadenite linfocítica focal com focus score ≥1: 3 pontos.
  • Anti-Ro/SSA positivo: 3 pontos.
  • Ocular staining score ≥5 (ou van Bijsterveld ≥4) num olho: 1 ponto.
  • Teste de Schirmer ≤5 mm/5 min num olho: 1 ponto.
  • Fluxo salivar não estimulado ≤0,1 mL/min: 1 ponto.

O reconhecimento de que anti-Ro e histologia valem cada um 3 pontos (e portanto qualquer um destes, associado a um teste objetivo, atinge o limiar) é muito examinável. São critérios de classificação, pelo que orientam mas não substituem o juízo clínico.

Síndrome de Sjögren Exocrinopatia autoimune crónica — infiltração linfocítica das glândulas exócrinas Síndrome sicca (achado nuclear) XEROFTALMIA (olho seco) Hipolacrimia — queratoconjuntivite seca. Sensação de areia/corpo estranho, ardor, fotofobia; lesão da superfície ocular. Teste de Schirmer e colorações oculares. XEROSTOMIA (boca seca) Hipossalivação — disfagia para sólidos secos, cáries dentárias de progressão rápida, candidíase, tumefação parotídea. Fluxo salivar e biópsia salivar minor. Primária: exocrinopatia autoimune isolada. Secundária: associada a artrite reumatoide ou lúpus eritematoso sistémico (predomínio feminino ~9:1). Abordagem diagnóstica escalonada Autoanticorpos ANTI-Ro/SSA — marcador mais associado. ANTI-La/SSB acompanha, raramente isolado. Suporte: ANA positivo (mosqueado), fator reumatoide, hipergamaglobulinemia policlonal. Teste objetivo Achado que apoia o diagnóstico Teste de Schirmer ≤ 5 mm em 5 minutos Colorações oculares Ocular staining score elevado Fluxo salivar não estimulado ≤ 0,1 mL/min Biópsia salivar minor Sialadenite linfocítica focal; focus score ≥ 1 por 4 mm² Critérios ACR/EULAR 2016: classifica com pontuação ≥ 4. Anti-Ro (3) e histologia focal (3) pesam mais. ! Risco aumentado de linfoma B (MALT parotídeo) Por estimulação e hiperatividade crónica dos linfócitos B. Sinais de alarme a vigiar: Tumefação parotídea persistente/assimétrica, adenopatia, crioglobulinemia, C4 baixo, componente monoclonal e queda do fator reumatoide previamente elevado. Abordagem terapêutica (breve) Glandular (sintomática) Substitutos das lágrimas e da saliva. Higiene oral e vigilância dentária rigorosas. Pilocarpina (agonista muscarínico) se há glândula funcionante; cuidado na asma e glaucoma de ângulo estreito. Sistémica (escalonada) Hidroxicloroquina para queixas articulares/ cutâneas e fadiga (evidência modesta). Glucocorticoides e imunossupressores na doença ativa; rituximab em casos graves ou refratários. Guideline EULAR 2019/2020.

Referências

  1. Shiboski CH, Shiboski SC, Seror R, et al. 2016 American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism classification criteria for primary Sjögren's syndrome: A consensus and data-driven methodology involving three international patient cohorts. Arthritis Rheumatol. 2017;69(1):35-45.
  2. Ramos-Casals M, Brito-Zerón P, Bombardieri S, et al. EULAR recommendations for the management of Sjögren's syndrome with topical and systemic therapies. Ann Rheum Dis. 2020;79(1):3-18.
  3. Mariette X, Criswell LA. Primary Sjögren's Syndrome. N Engl J Med. 2018;378(10):931-939.
  4. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al. (eds.). Harrison's Principles of Internal Medicine. 21st ed. McGraw-Hill; 2022 (capítulo sobre síndrome de Sjögren).
  5. Brito-Zerón P, Baldini C, Bootsma H, et al. Sjögren syndrome. Nat Rev Dis Primers. 2016;2:16047.

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