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Espondiloartropatias

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 13 perguntas neste tema

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Em resumo

As espondiloartropatias são um grupo de artrites inflamatórias soronegativas (fator reumatoide negativo) que partilham associação ao HLA-B27, atingimento axial e características extra-articulares como entesite, dactilite e uveíte anterior. Distinguem-se da artrite reumatoide pelo padrão de nova formação óssea (em vez de erosão pura) e pela agregação familiar marcada. Para o PNA, o essencial é reconhecer a dor lombar inflamatória do jovem, valorizar a ressonância magnética na deteção precoce da sacroiliíte e conhecer os pilares terapêuticos atuais.

A suscetibilidade genética é dominada pelo HLA-B27, uma molécula do MHC de classe I. Três hipóteses (não mutuamente exclusivas) explicam a sua ligação à doença: apresentação de um péptido artritogénico a linfócitos T CD8+; tendência do HLA-B27 para dobramento incorreto (misfolding) no retículo endoplasmático, ativando a resposta de stress celular (unfolded protein response) e a produção de citocinas pró-inflamatórias; e formação de homodímeros da cadeia pesada na superfície celular, reconhecidos por recetores imunes. O HLA-B27 está presente na maioria dos doentes com espondilite anquilosante, mas explica só parte do risco (a maioria dos portadores nunca desenvolve doença).

O eixo central de citocinas é o IL-23/IL-17. A IL-23 estimula células imunes residentes na entese a produzir IL-17 e TNF-alfa, sustentando a inflamação. A entese, e não a sinovial, é considerada o local anatómico primário da lesão (conceito de doença "centrada na entese"), o que ajuda a explicar a entesite, a dactilite e a sacroiliíte, todos locais sujeitos a stress mecânico (a mecanotransdução pode iniciar ou amplificar a inflamação).

Uma particularidade fisiopatológica é a remodelação óssea aberrante: à inflamação e osteoclastogénese (com erosão) sobrepõe-se nova formação óssea (osteoproliferação), com sindesmófitos que podem fundir vértebras e originar a coluna em "cana de bambu". Esta osteoproliferação envolve a via de sinalização Wnt, cuja atividade é modulada por inibidores como a esclerostina e a DKK-1. É o oposto do padrão puramente erosivo da artrite reumatoide.

Há ligação estreita ao intestino: muitos doentes têm inflamação intestinal subclínica e disbiose do microbioma, apoiando um modelo em que a interface mucosa contribui para a ativação imune sistémica. Na artrite reativa, o gatilho é uma infeção prévia (por exemplo Chlamydia trachomatis, Salmonella, Shigella, Yersinia ou Campylobacter), com a artrite a surgir dias a semanas depois por mecanismos imunomediados pós-infeciosos, sem que o agente esteja tipicamente viável na articulação.

O ponto de partida é a dor lombar inflamatória, que se distingue da mecânica por: início insidioso antes dos 40-45 anos, duração superior a 3 meses, melhoria com o exercício mas não com o repouso, dor de predomínio noturno (que acorda o doente na 2.ª metade da noite) e rigidez matinal superior a 30 minutos.

No exame físico, avalia-se a mobilidade da coluna lombar pelo teste de Schober (medição da distância lombar em flexão, reduzida quando há limitação), a expansão torácica (diminuída no atingimento costovertebral) e pesquisam-se entesite (dor à palpação do tendão de Aquiles e fáscia plantar), dactilite e dor/manobras das articulações sacroilíacas.

A avaliação laboratorial inclui HLA-B27 (apoia o diagnóstico, mas não o confirma isoladamente), PCR e VS (marcadores de atividade, nem sempre elevados) e fator reumatoide e anti-CCP negativos.

Na imagem, a radiografia das sacroilíacas pode mostrar sacroiliíte (esclerose, erosões, anquilose) e sindesmófitos, mas surge tardiamente. A ressonância magnética é decisiva por detetar sacroiliíte ativa (edema medular ósseo) numa fase precoce, antes de dano estrutural, permitindo diagnosticar a forma não radiográfica. A coluna avançada assume o aspeto em "cana de bambu".

Quanto a critérios de classificação (usados sobretudo em investigação, mas úteis como estrutura de raciocínio): os critérios ASAS 2009 para espondiloartrite axial aplicam-se a dor lombar com início antes dos 45 anos e assentam num braço de imagem (sacroiliíte + pelo menos uma característica de SpA) ou num braço clínico (HLA-B27 + duas ou mais características); os critérios ASAS 2011 cobrem a forma periférica; os critérios de Nova Iorque modificados de 1984 definem a espondilite anquilosante estabelecida (sacroiliíte radiográfica mais critério clínico); e os critérios CASPAR 2006 classificam a artrite psoriática.

Na artrite psoriática, valorizar padrões variados (oligoarticular assimétrico, atingimento das interfalângicas distais, poliarticular semelhante a AR, axial ou, raramente, mutilante) e a onicopatia (pitting, onicólise, hiperqueratose). Na artrite reativa, a tríade clássica é conjuntivite, uretrite e artrite.

Espondiloartropatias (espondiloartrites) Grupo soronegativo ligado ao HLA-B27: do padrão axial à terapêutica O padrão espondiloartrítico Artrites inflamatórias soronegativas (FR e anti-CCP negativos) associadas ao HLA-B27 Entesite inserção tendão-osso (Aquiles, fáscia plantar) Dactilite "dedo em salsicha" artrite + tenossinovite Atingimento axial sacroiliíte, coluna dor lombar do jovem Uveíte anterior olho vermelho, dor aguda e recorrente Entidades do grupo Entidade Achado distintivo Espondilite anquilosante Sacroiliíte radiográfica; coluna em "cana de bambu"; teste de Schober Axial não radiográfica Sacroiliíte ativa só na RM (radiografia ainda normal) Artrite psoriática Interfalângicas distais (IFD) + onicopatia (pitting, onicólise) Artrite reativa Pós-infeciosa: conjuntivite + uretrite + artrite Associada a DII Doença de Crohn ou colite ulcerosa Avaliação e diagnóstico Dor lombar inflamatória: início <45 anos, insidiosa, melhora com exercício e não com repouso, dor noturna, rigidez matinal >30 min. Exame: teste de Schober, expansão torácica, entesite (Aquiles/fáscia plantar), dactilite. Laboratório: HLA-B27; PCR/VS; FR e anti-CCP negativos. RM deteta sacroiliíte ativa (edema medular ósseo) antes da radiografia (surge tardia). Critérios ASAS 2009 (axial) e 2011 (periférica). Terapêutica (ASAS-EULAR 2022) 1.ª linha: exercício/fisioterapia e AINE otimizados (controlam muitos doentes). Axial refratário (falha de ≥2 AINE): anti-TNF ou anti-IL-17; alternativa inibidores da JAK. Periférico: metotrexato ou sulfassalazina (não eficazes no atingimento axial). Anti-TNF: preferir na uveíte recorrente e na DII. Anti-IL-17: útil na psoríase; contraindicado na DII ativa. Antes de biológico: rastrear TB latente e hepatites virais.

Referências

  1. van der Linden S, Valkenburg HA, Cats A. Evaluation of diagnostic criteria for ankylosing spondylitis. A proposal for modification of the New York criteria. Arthritis Rheum. 1984;27(4):361-8.
  2. Rudwaleit M, van der Heijde D, Landewé R, et al. The development of Assessment of SpondyloArthritis international Society classification criteria for axial spondyloarthritis (part II): validation and final selection. Ann Rheum Dis. 2009;68(6):777-83.
  3. Rudwaleit M, van der Heijde D, Landewé R, et al. The Assessment of SpondyloArthritis International Society classification criteria for peripheral spondyloarthritis and for spondyloarthritis in general. Ann Rheum Dis. 2011;70(1):25-31.
  4. Taylor W, Gladman D, Helliwell P, et al. Classification criteria for psoriatic arthritis: development of new criteria from a large international study (CASPAR). Arthritis Rheum. 2006;54(8):2665-73.
  5. Ramiro S, Nikiphorou E, Sepriano A, et al. ASAS-EULAR recommendations for the management of axial spondyloarthritis: 2022 update. Ann Rheum Dis. 2023;82(1):19-34.
  6. Sieper J, Poddubnyy D. Axial spondyloarthritis. Lancet. 2017;390(10089):73-84.

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