Musculo-esqueléticaEsclerose sistémica (esclerodermia)Publicado (Premium)

Esclerose sistémica (esclerodermia)

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 8 perguntas neste tema

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Em resumo

A esclerose sistémica é uma doença rara do tecido conjuntivo que combina três processos: vasculopatia obliterante dos pequenos vasos, autoimunidade e fibrose progressiva da pele e de órgãos internos. O fenómeno de Raynaud é quase universal e costuma ser a manifestação inicial. A distinção entre a forma cutânea limitada e a difusa orienta o perfil de autoanticorpos, o padrão de complicações e o prognóstico.

O diagnóstico é clínico-laboratorial, apoiado na tríade sintomática, no perfil de autoanticorpos e na capilaroscopia, complementado pelo rastreio sistemático de órgão-alvo.

Avaliação clínica. Procurar fenómeno de Raynaud, edema das mãos (dedos tumefactos, fase inicial), esclerodactilia, esclerose cutânea (avaliar se é proximal ou distal às articulações metacarpofalângicas, o que distingue as formas), telangiectasias, calcinose, úlceras digitais e cicatrizes puntiformes das polpas (pitting scars). A prova de que o espessamento ultrapassa as metacarpofalângicas é determinante para a classificação.

Autoanticorpos. Os ANA são positivos em mais de 90% dos casos. Os anticorpos específicos têm valor diagnóstico e prognóstico e são habitualmente mutuamente exclusivos:

  • Anti-centrómero: forma limitada, associação com hipertensão pulmonar.
  • Anti-Scl-70 (anti-topoisomerase I): forma difusa, risco de doença pulmonar intersticial.
  • Anti-RNA-polimerase III: forma difusa, risco de crise renal e associação a neoplasia oculta (justifica rastreio dirigido).

Capilaroscopia periungueal: exame não invasivo que revela o padrão SD (scleroderma) com megacapilares, áreas avasculares e hemorragias, muito útil para estratificar um Raynaud como secundário.

Critérios de classificação ACR/EULAR 2013 (van den Hoogen): sistema aditivo ponderado, classificando como esclerose sistémica um score total maior ou igual a 9. A esclerose cutânea proximal às metacarpofalângicas pontua 9 e é, por si só, suficiente. Restantes itens: dedos tumefactos e esclerodactilia, úlceras/cicatrizes das polpas, telangiectasias, capilaroscopia anormal, hipertensão pulmonar e/ou doença pulmonar intersticial, fenómeno de Raynaud e autoanticorpos específicos. São critérios de classificação (para investigação), mas orientam o raciocínio diagnóstico.

Rastreio de órgão-alvo (basal e periódico): provas de função respiratória com DLCO e TC de alta resolução do tórax para doença pulmonar intersticial; ecocardiograma transtorácico anual para estimar pressão pulmonar (confirmação com cateterismo direito); vigilância da tensão arterial e função renal; avaliação de sintomas digestivos.

Esclerose sistémica (esclerodermia) Fenómeno de Raynaud — presente em >90%, quase universal e habitualmente a manifestação inicial. Capilaroscopia periungueal: padrão SD (megacapilares, áreas avasculares, hemorragias) — Raynaud secundário. Cutânea LIMITADA (antiga CREST) Esclerose distal a cotovelos e joelhos; poupa o tronco (envolve a face). CREST: Calcinose, Raynaud, dismotilidade Esofágica, eSclerodactilia, Telangiectasias. Anticorpo: anti-centrómero. Tardio: hipertensão pulmonar. Cutânea DIFUSA Esclerose proximal, progressão rápida; atinge o tronco além de cotovelos/joelhos. Anticorpos: anti-Scl-70 (topoisomerase I) e anti-RNA-polimerase III. Risco: doença pulmonar intersticial. Risco: crise renal esclerodérmica. ! Crise renal esclerodérmica Tríade: hipertensão arterial maligna + lesão renal aguda + anemia hemolítica microangiopática (esquizócitos). Tratamento: inibidores da ECA (p. ex. captopril). NÃO usar corticoterapia em dose alta — pode precipitá-la. Risco: forma difusa precoce, anti-RNA-polimerase III e corticoide em dose alta. Complicações que determinam a mortalidade Doença pulmonar intersticial — principal causa de morte (forma difusa / anti-Scl-70). Hipertensão pulmonar — tardia na forma limitada / anti-centrómero. Crise renal esclerodérmica — tratar de imediato com IECA.

Referências

  1. van den Hoogen F, Khanna D, Fransen J, et al. 2013 classification criteria for systemic sclerosis: an American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism collaborative initiative. Arthritis Rheum. 2013;65(11):2737-2747.
  2. Del Galdo F, Lescoat A, Conaghan PG, et al. EULAR recommendations for the treatment of systemic sclerosis: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2025;84(1):29-40.
  3. Denton CP, Khanna D. Systemic sclerosis. Lancet. 2017;390(10103):1685-1699.
  4. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al., eds. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Cap. Esclerose sistémica (esclerodermia).

8 perguntas sobre Esclerose sistémica (esclerodermia)

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