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Abordagem ao doente com artralgias

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

Artralgia é dor numa articulação; artrite é essa dor com sinais objetivos de inflamação sinovial, como tumefação, calor e derrame. A queixa é das mais frequentes em medicina geral e, na maior parte dos doentes, a causa é benigna: osteoartrose, patologia periarticular por sobrecarga, fibromialgia ou uma artralgia viral que passa sozinha. O trabalho da primeira consulta é separar esta maioria da minoria que precisa de ação no próprio dia.

O raciocínio assenta em quatro perguntas, respondidas com a história e o exame e não com análises: a dor nasce da articulação ou das estruturas à volta; é inflamatória ou mecânica; é aguda ou crónica, com o limite nas seis semanas; e quantas articulações estão atingidas, com que simetria e em que sítio. A resposta dá um padrão, como monoartrite aguda inflamatória ou dor difusa crónica sem sinovite, e o padrão estreita o diferencial mais do que qualquer autoanticorpo.

Na monoartrite aguda a pergunta que não espera é a infeção. A artrocentese é o exame que decide: contagem de leucócitos, cristais sob luz polarizada, Gram e cultura, colhidos antes do antibiótico. Os cristais não excluem infeção, o ácido úrico pode estar normal durante a crise de gota, e o fator reumatoide e os anticorpos antinucleares só ajudam quando a clínica já aponta a doença; pedidos às cegas, geram falsos positivos.

O tratamento inicial segue o padrão: drenagem e antibiótico na artrite sética, anti-inflamatório, colquicina ou corticoide na crise por cristais, fármaco de fundo precoce na artrite reumatoide, exercício na osteoartrose e na fibromialgia, e corticoide em dose alta, antes da biópsia, na arterite de células gigantes com sintomas visuais.

O que não se pode falhar: a articulação sética por puncionar, a gota assumida sem punção num doente que já teve gota, a infiltração de corticoide numa articulação infetada, e a arterite de células gigantes escondida por detrás de uma dor das cinturas no idoso.

As que não se podem falhar

causao que a denunciaporque urge
Artrite séticamonoartrite aguda, quente, dolorosa em todo o arco; febre frequente mas não obrigatória; joelho na maioriaa cartilagem começa a degradar-se em 48 horas
Artrite por cristais (gota, pseudogota)início em horas, dor máxima, eritema; pode dar febreimita a infeção e só a artrocentese as separa
Fraturatraumatismo, ou fratura de insuficiência na osteoporose e sob corticoideslesão estrutural que muda a conduta
Arterite de células gigantesidoso com dor das cinturas, cefaleia nova, claudicação da mandíbula, sintomas visuais, velocidade de sedimentação muito altaa cegueira pode ser súbita e não se recupera
Vasculite sistémicapoliartralgia com púrpura, mononeurite múltipla, hemoptises, sedimento urinário ativolesão de órgão
Miosite inflamatória agudafraqueza proximal, creatina cinase altapode atingir os músculos respiratórios
Compressão medular ou radicular, rotura de tendãodéfice neurológico, perda súbita de função; subluxação cervical ou rotura tendinosa na artrite reumatoidelesão irreversível se se atrasa

Pelo padrão

padrãocausas
Monoartrite agudasética, gota, pseudogota, hemartrose (traumatismo, anticoagulação, hemofilia), artrite reativa, primeira manifestação de uma poliartrite
Monoartrite crónicatuberculose e fungos, osteoartrose, sinovite vilonodular pigmentada, osteonecrose
Oligoartrite assimétrica, membros inferioresartrite reativa, outras espondiloartrites, gota, sarcoidose
Poliartrite simétrica das pequenas articulaçõesartrite reumatoide, lúpus, artrite viral (parvovírus B19, hepatite B, rubéola), artrite psoriática
Poliartrite migratóriagonococo disseminado, febre reumática, artrite viral
Dor difusa sem sinovitefibromialgia, miopatia por fármacos (estatinas, corticoides), polimialgia reumática no idoso

Por idade e sexo

  • Abaixo dos 60 anos: sobrecarga e patologia periarticular, gota (no homem), artrite reumatoide, espondiloartrite; lúpus e artrite reativa no jovem.
  • Acima dos 60 anos: osteoartrose, cristais (gota e pseudogota), polimialgia reumática, fratura osteoporótica.
  • Mais frequentes no homem: gota e espondiloartrite. Na mulher: artrite reumatoide, lúpus, fibromialgia, osteoporose.
  • Agregação familiar marcada: espondilite anquilosante, gota e nódulos de Heberden.

Fármacos que causam queixas musculosqueléticas

efeitofármacos
Gotadiuréticos, ácido acetilsalicílico, citotóxicos, ciclosporina, etambutol, álcool, bebidas com frutose
Tendinopatia e rotura de tendãoquinolonas, corticoides, isotretinoína, estatinas, inibidores da aromatase
Mialgia e miopatiaestatinas, corticoides, colquicina, hidroxicloroquina, quinolonas, álcool
Artralgiasinibidores da aromatase, quinolonas, inibidores da dipeptidil peptidase 4, inibidores dos pontos de controlo imunitário, vacinas
Lúpus induzidohidralazina, procainamida, isoniazida, inibidores do fator de necrose tumoral, tetraciclinas
Osteonecrose e fraturas atípicascorticoides, álcool, radioterapia, bifosfonatos

O mecanismo explica a clínica

  • A cartilagem não tem nervos. Doem a cápsula, a sinovial, o periósteo e o osso subcondral. Por isso pode haver pinçamento marcado com pouca dor, e dor intensa com radiografia normal.
  • Sinovite. Um estímulo autoimune, infecioso, cristalino ou por imunocomplexos traz células imunes à sinovial e liberta citocinas (fator de necrose tumoral, interleucinas 1 e 6). A sinovial prolifera e, na artrite reumatoide, forma o pannus, que erode osso e cartilagem a partir da margem da articulação, onde a sinovial toca o osso sem cartilagem por cima: as erosões são marginais. O edema da sinovial e da cápsula acumula-se na imobilidade e redistribui-se com o movimento, e é essa a rigidez matinal que cede ao longo da manhã.
  • Cristais. Urato ou pirofosfato de cálcio fagocitados ativam o inflamassoma NLRP3 e libertam interleucina 1 beta: a crise atinge o máximo em horas. O urato precipita com a descida da temperatura e com as oscilações bruscas da uricemia, e por isso começar um hipouricemiante pode desencadear uma crise.
  • Infeção. A bactéria chega sobretudo pelo sangue; os capilares sinoviais não têm membrana basal que a trave. Em horas há neutrófilos na sinovial, e a pressão intra-articular, as proteases e as citocinas degradam a cartilagem a partir das 48 horas. O Staphylococcus aureus é o agente mais frequente no adulto; no adolescente e no adulto jovem sexualmente ativo, o gonococo.
  • Degenerescência. Na osteoartrose a perda de cartilagem expõe o osso subcondral, que responde com esclerose, quistos e osteófitos. A dor é de carga, mas há sinovite de baixo grau, que explica os derrames e as agudizações.
  • Entesite. A inflamação da inserção do tendão ou do ligamento no osso é a lesão primária das espondiloartrites; explica dor junto à articulação com a sinovial normal.
  • Amplificação central da dor. Na fibromialgia o limiar de dor está baixo, sem lesão nos tecidos: dor difusa e hipersensibilidade à pressão com exame articular e análises normais.

Na criança

  • A monoartrite aguda febril, ou a criança que recusa apoiar o membro ou mexer a anca, é artrite sética até prova em contrário.
  • No diferencial: sinovite transitória da anca, artrite idiopática juvenil, febre reumática, artrite reativa e a leucemia aguda, que se apresenta com dor óssea e articular.

Passo a passo

  1. Monoartrite aguda, ou suspeita de infeção ou de cristais: artrocentese, sempre, e antes do antibiótico. Hemoculturas se há febre.
  2. Poliartrite inflamatória de início recente: o diferencial é largo (artrite reumatoide, artrite viral, lúpus induzido, doença do soro, artrite sética poliarticular) e pede análises dirigidas mais do que líquido sinovial: hemograma, velocidade de sedimentação, proteína C reativa, função renal e hepática, urina, fator reumatoide e anticorpos antipéptido citrulinado, e as serologias sugeridas pela história.
  3. Doença sistémica febril: excluir cristais, infeção e neoplasia, e seguir o achado mais específico.
  4. Dor mecânica, periarticular ou difusa sem sinovite: o diagnóstico é clínico, e as análises só se pedem com um motivo concreto.
  5. Investiga-se mais quando há monoartrite, traumatismo ou inflamação, défice neurológico, manifestações sistémicas, ou sintomas com mais de 6 semanas sem resposta ao tratamento sintomático.

Artrocentese

  • Quando: sempre na monoartrite aguda e quando se suspeita de infeção ou de cristais; pelo menos uma vez na artrite inflamatória crónica sem diagnóstico. Na suspeita de artrite sética faz-se o mais depressa possível.
  • O que se pede: aspeto, contagem de leucócitos com fórmula, cristais sob luz polarizada, Gram e cultura. Na monoartrite crónica, cultura de micobactérias e fungos; na suspeita de gonococo, amplificação de ácidos nucleicos. Inocular o líquido em frascos de hemocultura aumenta o rendimento.
  • O que não se pede: glicose, proteínas, desidrogenase láctica e autoanticorpos no líquido não têm valor diagnóstico.
  • Anticoagulação: não impede a punção. Numa série de 640 artrocenteses e infiltrações em doentes anticoagulados com varfarina, com INR de 2 ou mais em 456, só uma teve hemorragia clinicamente relevante.
  • A anca e as articulações profundas puncionam-se guiadas por ecografia ou tomografia.

Líquido sinovial

tipoaspetoleucócitos por mm³célulasexemplos
Normalclaro, amarelo pálido, viscosomenos de 180mononucleares
Não inflamatórioclaro, viscosomenos de 2000mononuclearesosteoartrose, traumatismo
Inflamatórioturvo, pouco viscoso2000 a 50 000neutrófilos predominamgota, pseudogota, artrite reumatoide, espondiloartrite
Sugere infeçãoopaco, purulentohabitualmente mais de 50 000neutrófilos acima de 75%artrite sética; por vezes gota ou artrite reumatoide
Hemorrágicosanguetraumatismo, hemartrose, artropatia neuropática
  • Na artrite bacteriana aguda a média é de cerca de 100 000 leucócitos por mm³ (25 000 a 250 000), com mais de 90% de neutrófilos.
  • Mais de 50 000 sugere infeção mas não chega para a afirmar; menos de 25 000 baixa a probabilidade mas não a exclui. O gonococo e as micobactérias dão contagens mais baixas: no gonococo disseminado, 10 000 a 20 000; na tuberculose e nos fungos, 10 000 a 30 000 com 50 a 70% de neutrófilos.
  • Gram: vê o agente em cerca de três quartos das infeções por estafilococo e estreptococo e em 30 a 50% das por bacilos Gram-negativos. Um Gram negativo não exclui.
  • Cristais: urato monossódico em agulha, com birrefringência negativa, muitas vezes dentro dos neutrófilos (gota); pirofosfato de cálcio romboide, com birrefringência positiva fraca (pseudogota). Encontrar cristais não afasta infeção.

Marcadores: o que valem e quando se pedem

examequandocomo se lê
Velocidade de sedimentação e proteína C reativana avaliação inicial da dor articularseparam inflamatória de mecânica mas não dão a causa; sobem também com a idade, a gravidez, a doença renal e a hiperlipidemia. Elevação extrema quase sempre é doença grave: sépsis, polimialgia reumática, arterite de células gigantes, doença de Still
Fator reumatoidepoliartrite sugestiva de artrite reumatoide, com os anticorpos antipéptido citrulinadopositivo em cerca de 80% das artrites reumatoides, mas também na síndrome de Sjögren, no lúpus, nas infeções crónicas (hepatite C, endocardite, tuberculose), nas doenças pulmonares, hepáticas e renais crónicas, e em título baixo em 4 a 5% dos saudáveis e em até 15% dos idosos. Título alto associa-se a doença erosiva e extra-articular
Anticorpos antipéptido citrulinado cíclicocom o fator reumatoide, porque se complementamsensibilidade de 50 a 75%, especificidade acima de 90%; positivos com o fator reumatoide predizem doença erosiva mais grave
Anticorpos antinuclearesquando a clínica sugere lúpus ou outra doença do tecido conjuntivopositivos em quase todos os lúpus, mas também em 5% dos adultos saudáveis e em até 14% dos idosos e doentes crónicos, e em 15 a 25% dos saudáveis com alguns kits comerciais. Só 1 a 2% dos resultados positivos são lúpus. O título e o padrão contam: o anti-DNA de cadeia dupla e o anti-Sm são específicos; o padrão centromérico aponta esclerose sistémica limitada
Antigénio leucocitário humano B27suspeita de espondiloartritefrequente na população saudável; apoia, não diagnostica
Ácido úrico séricosuspeita de gota, e para seguir o tratamentoaté metade dos doentes tem uricemia normal durante a crise; mede-se de novo depois dela. O alvo sob tratamento é abaixo de 6 mg/dL
Hemoculturasfebre ou suspeita de artrite séticapositivas em até 50 a 70% das infeções por S. aureus, menos com outros agentes
Procalcitoninanão serve para excluir artrite séticasensibilidade de cerca de 50%
Urina e sedimentosempre que há doença sistémicaproteinúria, eritrócitos e cilindros revelam doença renal oculta

O fator reumatoide e os anticorpos antinucleares positivos são comuns em quem não tem doença; com probabilidade prévia baixa, o valor preditivo positivo é baixo e o resultado confunde mais do que ajuda. Não se repetem em série: não servem para seguir a atividade.

Imagem

  • Radiografia: indicada no traumatismo, na monoartrite, na suspeita de infeção crónica, na incapacidade progressiva e como base de uma doença crónica. Na artrite inflamatória precoce é normal ou mostra só tumefação e osteopenia justarticular; só a artrite sética destrói osso cedo.
  • O que a radiografia mostra depois: pinçamento assimétrico, osteófitos, esclerose subcondral e quistos na osteoartrose; erosões marginais e pinçamento simétrico na artrite reumatoide; erosões em saca-bocado com bordo saliente na gota; condrocalcinose na doença por pirofosfato; sacroileíte e sindesmófitos na espondilite anquilosante.
  • Ecografia: derrame, sinovite (com doppler, antes das erosões), tenossinovite, entesite, bursite, quisto de Baker, lesões da coifa, sinal de duplo contorno do urato; guia a punção.
  • Tomografia de dupla energia: identifica o depósito de urato sem punção.
  • Ressonância: osteonecrose, osteomielite, sacroileíte precoce, lesões meniscais e da coifa, sinovite e edema ósseo.

Os padrões que fecham o diagnóstico

quadroprovável
Homem de meia-idade, primeira metatarsofalângica, dor máxima em horas, diuréticogota
Idoso, joelho ou punho, condrocalcinose, depois de cirurgia ou doença agudapseudogota
Mulher com poliartrite simétrica das mãos, rigidez de mais de 1 hora, poupando as distaisartrite reumatoide
Jovem com oligoartrite dos membros inferiores 1 a 4 semanas depois de diarreia ou uretriteartrite reativa
Adulto jovem sexualmente ativo, poliartralgia migratória, tenossinovite, pústulas escassasgonococo disseminado
Mulher adulta com poliartrite simétrica aguda das mãos, por vezes sem febre nem exantemaparvovírus B19, que resolve em semanas
Mulher jovem com artralgias, exantema malar, úlceras orais, citopeniaslúpus eritematoso sistémico
Idoso com dor e rigidez das cinturas, velocidade de sedimentação muito altapolimialgia reumática
Dor difusa há 3 meses ou mais, sono não reparador, fadiga, exame e análises normaisfibromialgia
Abordagem ao doente com artralgias 1. Caráter da dor Inflamatória (sinovite) Rigidez matinal prolongada, até horas Melhora com o movimento Piora com o repouso VS e PCR elevadas Artrite reumatoide, espondiloartrite Mecânica (estrutural) Piora com o uso e a carga Melhora com o repouso Rigidez breve, de minutos Sem inflamação sistémica Osteoartrose, periarticular 2. Padrão articular Monoartrite Excluir artrite sética por artrocentese urgente Ponderar artrite microcristalina Oligoartrite (2 a 4) Assimétrica, de grandes articulações Espondiloartrite (entesite, dactilite) Poliartrite (5 ou mais) Simétrica, mãos e pés: artrite reumatoide Assimétrica: artrite psoriática 3. Líquido sinovial (artrocentese) Tipo Leucócitos/mm³ Achado orientador Não inflamatório Abaixo de 2000 Osteoartrose, traumático Inflamatório 2000 a 50 000 Cristais, artrite reumatoide, espondiloartrite Sugere infeção Acima de 50 000 Neutrófilos acima de 75%; Gram e cultura Cristais sob luz polarizada Urato monossódico: agulha, birrefringência negativa (gota) Pirofosfato de cálcio: romboide, birrefringência positiva fraca (pseudogota) Cristais e infeção podem coexistir: a presença de cristais não afasta artrite sética. ! Monoartrite aguda e quente, com ou sem febre: excluir artrite sética, que é uma emergência. Artrocentese com Gram e cultura, e hemoculturas, antes do antibiótico (na sépsis, não se espera).

A ordem é sempre a mesma: tratar a emergência, controlar a dor e começar cedo o tratamento dirigido.

Artrite sética

  • Antibiótico endovenoso logo depois de colhidos o líquido e as hemoculturas. Só na sépsis se começa antes da punção, sem esperar.
  • Drenagem da articulação, sempre: aspiração repetida por agulha nas articulações acessíveis, como o joelho; lavagem artroscópica se a aspiração não faz descer o derrame e a contagem celular; artrotomia nas loculações e na anca.
  • Empírico guiado pelo Gram e pelo contexto:
Gram ou contextoescolha
Cocos Gram-positivosvancomicina endovenosa
Cocos Gram-positivos, com S. aureus resistente à meticilina improvávelcefazolina ou flucloxacilina endovenosas
Bacilos Gram-negativos da comunidadeceftriaxona
Drogas endovenosas ou suspeita de Pseudomonascefepima ou ceftazidima
Suspeita de gonocococeftriaxona 1 g por dia; tratar também a Chlamydia e os parceiros
  • A duração depende do agente e da resposta; passa-se à via oral quando há melhoria clínica e laboratorial.
  • Não se instila antibiótico na articulação. Imobiliza-se só pela dor e mobiliza-se passivamente cedo.

Crise de artrite por cristais

  • Excluída a infeção, trata-se o mais cedo possível, com a opção escolhida pelas comorbilidades:
opçãocomocuidado
Colquicinanas primeiras 12 horas: 1 mg e 0,5 mg uma hora depois, no primeiro diainsuficiência renal grave; interações com claritromicina, ciclosporina, verapamil
Anti-inflamatório não esteroidedose plena, com proteção gástrica se indicadadoença renal, úlcera, risco cardiovascular alto
Prednisolona oral30 a 35 mg por dia, 3 a 5 diaspreferida quando os outros estão contraindicados
Corticoide intra-articulardepois de aspirar, numa grande articulaçãosó com a infeção excluída
  • Na gota, o hipouricemiante que o doente já faz não se suspende durante a crise. O alopurinol é a primeira linha, também na doença renal crónica, começa-se em dose baixa e sobe-se até uricemia abaixo de 6 mg/dL, com profilaxia de colquicina, anti-inflamatório ou corticoide em dose baixa durante 3 a 6 meses.
  • Na pseudogota nada dissolve os cristais: tratam-se as crises e procura-se a causa (hiperparatiroidismo, hemocromatose, hipomagnesemia).

Artrite inflamatória crónica

  • Artrite reumatoide: o que muda o prognóstico é o tempo até ao fármaco modificador da doença. Referência rápida à reumatologia; o metotrexato é a primeira estratégia, com corticoide em curso curto como ponte, e trata-se até à remissão ou à atividade baixa. O anti-inflamatório e o corticoide aliviam mas não travam as erosões.
  • Espondiloartrite: anti-inflamatório não esteroide contínuo, exercício e fisioterapia; o metotrexato e a sulfassalazina servem na forma periférica e não na axial.
  • Suspeita de lúpus ou de outra doença do tecido conjuntivo: referenciar antes de iniciar corticoide, salvo lesão de órgão que não possa esperar.

Arterite de células gigantes e polimialgia reumática

  • Na suspeita de arterite, corticoide em dose alta de imediato, sem esperar pela biópsia; a biópsia da artéria temporal faz-se depois, idealmente nas primeiras 2 semanas de corticoide, sem perder rendimento.
  • A polimialgia isolada responde depressa a uma dose baixa de corticoide; a falta de resposta obriga a repensar o diagnóstico.

Osteoartrose

  • Exercício de fortalecimento e aeróbio, e perda de peso quando há excesso, são o tratamento central.
  • Anti-inflamatório tópico no joelho e nas articulações superficiais; oral na menor dose e pelo menor tempo quando o tópico não chega.
  • O paracetamol e os opioides fracos não se oferecem por rotina, só pontualmente e por pouco tempo; os opioides fortes não se oferecem.
  • Infiltração de corticoide para alívio de curta duração numa agudização.

Fibromialgia e dor difusa sem sinovite

  • Diagnóstico positivo, explicado ao doente; não se pedem painéis de autoanticorpos.
  • Exercício aeróbio progressivo, higiene do sono, abordagem cognitivo-comportamental; fármacos moduladores da dor quando necessário.

A dor neuropática que acompanha a queixa articular

  • Trata-se a causa (descompressão do túnel cárpico, tratamento da radiculopatia) e não a articulação.
  • Os anti-inflamatórios e as infiltrações articulares não aliviam dor de origem nervosa.

Referências

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