Zoonoses e infeções transmitidas por artrópodes (incluindo malária)
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 19 perguntas neste tema
A malária e as zoonoses começam pela mesma pergunta: onde esteve o doente, e com que mosquito, carraça, animal, água ou alimento teve contacto. A malária chega a Portugal importada, sobretudo da África subsariana e em quem foi visitar a família sem profilaxia; as zoonoses bacterianas e parasitárias adquirem-se cá.
Na malária, o Plasmodium falciparum mata porque invade eritrócitos de todas as idades e os sequestra na microcirculação do cérebro e de outros órgãos. Apresenta-se como febre inespecífica até um ano depois da viagem, confirma-se com gota espessa e esfregaço no próprio dia, e só três séries negativas a excluem. A decisão central é entre não complicada e grave, e basta um critério da Organização Mundial da Saúde: a grave trata-se com artesunato endovenoso logo que se suspeita, a não complicada com artemeter-lumefantrina ou atovaquona-proguanil. O vivax e o ovale deixam hipnozoítos no fígado, e a cura radical com primaquina ou tafenoquina só se faz depois de dosear a glucose-6-fosfato desidrogenase.
Nas zoonoses, a pista epidemiológica aponta o agente: a carraça do cão no verão e uma escara negra indolor na febre escaro-nodular; água doce, ratos e mialgias das barrigas das pernas na leptospirose; queijo fresco de cabra e febre ondulante com sacroiliíte na brucelose; partos de ruminantes e endocardite com hemoculturas negativas na febre Q; o cão e o flebótomo na leishmaniose visceral, com febre, baço enorme e pancitopenia; o cão e a ovelha no quisto hidático do fígado. A doxiciclina trata quase todas as bacterianas e dá-se sem esperar pela serologia.
O que não se pode falhar: atrasar o artesunato na malária grave ou a doxiciclina na rickettsiose, dar primaquina sem conhecer a G6PD, esquecer a hemólise tardia depois do artesunato, e deixar sem profilaxia uma exposição de risco à raiva, que depois dos sintomas é quase sempre fatal.
- Infeção por protozoários do género Plasmodium, transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, que pica do anoitecer ao amanhecer.
- É a principal causa de infeção potencialmente fatal no viajante, e a maior parte da carga de doença, nos residentes e nos viajantes, vem da África subsariana, onde domina o P. falciparum.
- Em Portugal a malária é importada. A maioria dos casos acontece em quem não fez quimioprofilaxia ou a fez mal, e o motivo de viagem mais frequente é visitar familiares e amigos no país de origem.
- Há transmissão sem mosquito: por transfusão, transplante de órgão, picada de agulha e, em menos de 5% dos filhos de mães infetadas, congénita.
As cinco espécies
| espécie | ciclo no eritrócito | o que a distingue |
|---|---|---|
| P. falciparum | 48 horas | invade eritrócitos de todas as idades e sequestra-se na microcirculação; é a espécie da malária grave |
| P. vivax | 48 horas | hipnozoítos e recaídas; prefere eritrócitos jovens e a parasitemia raramente passa dos 2% |
| P. ovale | 48 horas | hipnozoítos; quase só em África |
| P. malariae | 72 horas | sem hipnozoítos; infeções repetidas podem dar síndrome nefrótica por imunocomplexos |
| P. knowlesi | 24 horas | zoonose de macacos do Sudeste Asiático; parasitemias altas e doença grave, mas sem malária cerebral |
O ciclo
- Os esporozoítos inoculados pelo mosquito vão ao fígado e multiplicam-se nos hepatócitos, sem sintomas: é o período de incubação.
- Os merozoítos libertados invadem os eritrócitos e multiplicam-se 6 a 20 vezes em cada ciclo; é a rotura sincronizada dos eritrócitos que dá a febre.
- No P. vivax e no P. ovale parte das formas hepáticas fica dormente, os hipnozoítos, que acordam semanas ou meses depois e causam recaídas sem nova picada.
- Nem a cloroquina nem as artemisininas atingem os hipnozoítos: só as 8-aminoquinolinas (primaquina e tafenoquina) o fazem, e ambas provocam hemólise no défice de glucose-6-fosfato desidrogenase (G6PD).
- Na malária por transfusão não há fase hepática, logo não há hipnozoítos nem recaídas, e a primaquina não é precisa.
Porque é que o falciparum mata
- Invade eritrócitos de todas as idades, pelo que a parasitemia não tem travão natural.
- Os eritrócitos parasitados aderem ao endotélio das vénulas (citoaderência) e ficam sequestrados em órgãos vitais, sobretudo no cérebro, o que obstrui a microcirculação e produz acidose láctica.
- Como os parasitas maduros estão sequestrados, a parasitemia periférica pode subestimar a carga real.
- A anemia não vem só da destruição dos eritrócitos parasitados: há remoção esplénica de eritrócitos não parasitados, menos deformáveis, e eritropoiese ineficaz.
- A hipoglicemia resulta de gluconeogénese hepática falhada e de consumo aumentado de glicose, e o quinino agrava-a por estimular a secreção de insulina.
- Incubação: falciparum 6 a 30 dias, com 98% dos casos nos primeiros 3 meses; vivax de 8 dias a 12 meses, com cerca de metade depois dos 30 dias. Deve considerar-se até um ano depois da exposição.
- Começa com mal-estar, cefaleia, fadiga, desconforto abdominal e mialgias, e depois febre com calafrios. O padrão febril não faz o diagnóstico, e a doença imita uma gripe ou uma gastroenterite.
- Esplenomegalia e hepatomegalia ligeira; icterícia ligeira é comum no adulto mesmo sem gravidade.
- A malária não dá exantema, e petéquias são raras: pensar antes em febres hemorrágicas víricas, leptospirose ou rickettsioses.
- Trombocitopenia ligeira é habitual; uma contagem de plaquetas normal torna o diagnóstico menos provável.
Malária grave
- Na malária não complicada tratada a tempo a mortalidade fica abaixo de 0,1%; quando há disfunção de órgão ou a parasitemia passa os 2%, o risco de morte sobe abruptamente.
- Malária cerebral: encefalopatia difusa e simétrica, sem sinais meníngeos e raramente com sinais focais; convulsões em cerca de 10% dos adultos e em até metade das crianças; hemorragias retinianas em cerca de 15% na fundoscopia simples. Mesmo tratada, mata cerca de 20% dos adultos.
- Criança: predominam convulsões, coma, hipoglicemia, acidose metabólica e anemia grave; a respiração profunda da criança anémica é acidose e não insuficiência cardíaca.
- Adulto: são mais frequentes a icterícia intensa, a lesão renal aguda oligúrica e o edema pulmonar.
A malária não é um diagnóstico clínico. Febre em quem esteve em área de malária no último ano obriga a pesquisar Plasmodium no próprio dia.
Microscopia
- Gota espessa para detetar parasitas, esfregaço fino para identificar a espécie e quantificar a parasitemia (percentagem de eritrócitos parasitados).
- Se for negativa e a suspeita se mantiver, repete-se de 12 em 12 a 24 em 24 horas, até três séries, antes de excluir.
- A parasitemia quantificada é critério de gravidade e serve para seguir a resposta ao tratamento.
Testes rápidos de antigénio
- Os que detetam a proteína HRP2 (proteína rica em histidina 2) do falciparum têm sensibilidade próxima da gota espessa, mas não quantificam a parasitemia e confirmam-se por microscopia.
- A HRP2 fica positiva semanas depois de uma infeção com parasitemia alta: um teste positivo depois do tratamento não é, por si, falência.
- Há estirpes de falciparum com deleções do gene da HRP2 que o teste não deteta, e os testes falham parasitemias baixas por vivax, ovale e malariae.
- A pesquisa molecular é a mais sensível, mas não é o exame de decisão urgente. A serologia não serve para o episódio agudo.
Análises que acompanham
- Hemograma, glicemia, gasometria com lactato, função renal e hepática, coagulação e hemoculturas; punção lombar no doente em coma, para excluir meningite bacteriana.
Diagnóstico diferencial
- Febre no regresso: dengue, febre entérica, rickettsioses, leptospirose, infeção aguda por VIH, hepatites, e febres hemorrágicas víricas, que a malária por falciparum imita e que se procuram em paralelo.
- Coma com febre: meningoencefalite bacteriana ou vírica. A malária cerebral não dá rigidez da nuca.
- A escolha da quimioprofilaxia faz-se na consulta do viajante, pelo destino, pelas resistências e pelo viajante: atovaquona-proguanil, doxiciclina ou mefloquina onde há falciparum resistente à cloroquina.
- Nenhuma protege por completo: febre depois da viagem pede sempre pesquisa de Plasmodium, com ou sem profilaxia.
- Atovaquona-proguanil, doxiciclina e mefloquina não eliminam hipnozoítos, pelo que o vivax pode recair meses depois de uma profilaxia cumprida. Só a primaquina e a tafenoquina atuam nas formas hepáticas dormentes.
- Proteção contra a picada: o Anopheles pica à noite, e a rede impregnada com inseticida, a roupa comprida e o repelente na pele exposta são as medidas que contam.
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda as vacinas RTS,S e R21 para crianças que vivem em zonas de transmissão.
- A malária é de notificação obrigatória no sistema nacional de vigilância epidemiológica (SINAVE).
Critérios de malária grave
São os da OMS: basta um, em doente com parasitemia por P. falciparum e sem outra causa que o explique.
| critério | definição |
|---|---|
| Consciência alterada | escala de coma de Glasgow abaixo de 11 no adulto, escala de Blantyre abaixo de 3 na criança |
| Prostração | não consegue sentar-se, levantar-se ou andar sem ajuda |
| Convulsões múltiplas | mais de 2 em 24 horas |
| Acidose | défice de bases acima de 8 mEq/L, ou bicarbonato abaixo de 15 mmol/L, ou lactato venoso de 5 mmol/L ou mais; clinicamente, respiração rápida, profunda e laboriosa |
| Hipoglicemia | glicose abaixo de 2,2 mmol/L (40 mg/dL) |
| Anemia grave | hemoglobina até 5 g/dL (hematócrito até 15%) abaixo dos 12 anos, abaixo de 7 g/dL (20%) no adulto, com parasitemia acima de 10 000/µL |
| Lesão renal | creatinina acima de 265 µmol/L (3 mg/dL) ou ureia acima de 20 mmol/L |
| Icterícia | bilirrubina acima de 50 µmol/L (3 mg/dL) com parasitemia acima de 100 000/µL |
| Edema pulmonar | confirmado na radiografia, ou saturação abaixo de 92% em ar ambiente com frequência respiratória acima de 30/min |
| Hemorragia significativa | epistaxe, gengivorragia ou hemorragia nos locais de punção recorrentes ou prolongadas; hematemeses ou melenas |
| Choque | compensado: tempo de preenchimento capilar de 3 segundos ou mais; descompensado: pressão sistólica abaixo de 80 mm Hg no adulto e de 70 mm Hg na criança, com má perfusão |
| Hiperparasitemia | parasitemia por falciparum acima de 10% |
- Vivax e knowlesi: a mesma lista, sem os limiares de parasitemia; no knowlesi, a hiperparasitemia é acima de 100 000/µL e a icterícia conta com parasitemia acima de 20 000/µL.
- A hemoglobinúria já não é critério.
- As normas britânicas tratam por via endovenosa a partir de 2% de parasitemia, mesmo sem outro critério, e os vómitos ou a intolerância oral obrigam também à via parentérica.
Malária grave
- Artesunato endovenoso, que substituiu o quinino por reduzir a mortalidade no adulto e na criança. Serve em qualquer trimestre da gravidez e na mulher que amamenta.
- Dose: 2,4 mg/kg, ou 3 mg/kg abaixo dos 20 kg, às 0, 12 e 24 horas; mantém-se a via parentérica pelo menos 24 horas e até o doente tolerar a via oral.
- Completa-se sempre com um ciclo oral completo de 3 dias de terapêutica combinada com derivado de artemisinina.
- A primeira dose não espera por nada: se houver critérios, dá-se logo que o diagnóstico for provável.
- Sem artesunato, artemeter intramuscular, e só na falta dele quinino, passando a artesunato logo que exista.
- Suporte: glicemia pelo menos de 4 em 4 horas, e mais vezes sob quinino e na grávida; fluidos com prudência e sem bólus rápidos, porque o adulto faz edema pulmonar com facilidade; sem corticosteroides; hemoculturas e antibiótico de largo espectro se houver suspeita de sépsis.
- A dose de artesunato não se ajusta na insuficiência renal nem hepática.
Malária não complicada por falciparum
- Terapêutica combinada com derivado de artemisinina, nunca artemisinina sozinha; é a recomendação da OMS para o viajante que regressa a país não endémico.
- Artemeter-lumefantrina, comprimidos de 20 mg/120 mg: no adulto com 35 kg ou mais, 4 comprimidos por toma, às 0 e 8 horas e depois de 12 em 12 horas, até 6 tomas em 3 dias, com uma refeição ou bebida com gordura, que aumenta a absorção da lumefantrina.
- Alternativa: atovaquona-proguanil, comprimidos de 250 mg/100 mg, 4 comprimidos numa toma diária durante 3 dias, com comida.
- Se vomitar na primeira hora depois da toma, repete-se a dose.
- A hiperparasitemia sem outro critério exige vigilância apertada, e o falciparum no doente não imune vigia-se internado, porque pode agravar em horas.
Vivax, ovale, malariae e knowlesi
- Onde o parasita é sensível, cloroquina (10 mg de base/kg no 1.º e no 2.º dias e 5 mg/kg no 3.º, total de 25 mg/kg) ou terapêutica combinada; onde há resistência à cloroquina, terapêutica combinada.
- Se a espécie não estiver definida, trata-se como falciparum.
- O knowlesi trata-se com terapêutica combinada, pela tendência a parasitemias altas.
Cura radical do vivax e do ovale
| regime | condição de G6PD | notas |
|---|---|---|
| Primaquina 0,5 mg/kg/dia durante 14 dias (7 mg/kg no total) | atividade acima de 30% | no adulto, 30 mg de base por dia |
| Primaquina 1 mg/kg/dia durante 7 dias (7 mg/kg no total) | atividade de 70% ou mais | exige teste quantitativo ou semiquantitativo |
| Primaquina 0,5 mg/kg/dia durante 7 dias (3,5 mg/kg no total) | atividade acima de 30% | só onde o ganho da dose alta é pequeno: subcontinente indiano e Américas |
| Primaquina 0,75 mg/kg uma vez por semana durante 8 semanas | défice (abaixo de 30%) | com vigilância médica apertada da hemólise |
| Tafenoquina 300 mg em dose única (acima de 35 kg) | atividade de 70% ou mais, por teste quantitativo ou semiquantitativo | só na América do Sul, a partir dos 2 anos, com cloroquina e nunca com terapêutica combinada |
- Os testes qualitativos só separam acima e abaixo de 30%: não identificam a mulher heterozigótica com atividade intermédia (30 a 70%), que também faz hemólise.
- Excluídos da primaquina: grávidas, lactentes com menos de 1 mês e mulheres que amamentam lactentes com menos de 1 mês.
- A tafenoquina não se dá na grávida nem na mulher que amamenta.
Notificação
A malária notifica-se no SINAVE.
- Malária cerebral: mortalidade de cerca de 20% no adulto e 15% na criança, mesmo tratada.
- Edema pulmonar não cardiogénico: pode surgir depois de vários dias de tratamento, já com a parasitemia a descer; a sobrecarga de fluidos precipita-o e a mortalidade passa dos 80%. Também aparece no vivax, onde em regra recupera.
- Lesão renal aguda: necrose tubular aguda; a diálise precoce melhora a sobrevivência, e nos sobreviventes a diurese volta, em mediana, em 4 dias.
- Hipoglicemia recorrente, sobretudo com quinino, na grávida e na criança.
- Hemoglobinúria: pode ocorrer na malária não complicada e no défice de G6PD, sobretudo com fármacos oxidantes como a primaquina.
- Esplenomegalia malárica hiperreativa: em residentes de zonas endémicas, baço enorme com imunoglobulina M muito elevada, anemia e pancitopenia, por vezes sem parasitas no sangue periférico; confunde-se com doença hematológica maligna e com leishmaniose visceral.
- Deterioração súbita durante o tratamento pede hipoglicemia ou sépsis por Gram-negativos até prova em contrário.
Grávida
- A grávida faz parasitemias altas por falciparum, com anemia, hipoglicemia e edema pulmonar; sofrimento fetal, parto pré-termo, baixo peso e morte fetal são frequentes.
- Malária grave: artesunato endovenoso em qualquer trimestre.
- Não complicada por falciparum: terapêutica combinada; no primeiro trimestre, artemeter-lumefantrina.
- Vivax e ovale: primaquina e tafenoquina estão contraindicadas na gravidez. Faz-se cloroquina semanal até ao parto e a cura radical com primaquina depois, orientada pela G6PD.
- Amamentação: a regra da OMS de 2024 exclui da primaquina apenas a mulher que amamenta um lactente com menos de 1 mês, porque a passagem para o leite é desprezável; não exige a G6PD do lactente. A tafenoquina continua contraindicada em toda a amamentação.
- A doxiciclina não se dá na grávida nem abaixo dos 8 anos como tratamento de seguimento; a clindamicina é a alternativa.
Criança
- Abaixo de 20 kg, artesunato a 3 mg/kg.
- Lactentes com menos de 5 kg têm hoje uma formulação própria de artemeter-lumefantrina, introduzida pela OMS em setembro de 2026; até essa atualização, recebiam terapêutica combinada na mesma dose por kg das crianças com 5 kg.
- Convulsões podem ser subtis, e a prostração conta como critério de gravidade.
Doente com VIH
- Evita-se artesunato-sulfadoxina-pirimetamina sob cotrimoxazol e artesunato-amodiaquina sob efavirenz ou zidovudina.
- Rickettsiose do grupo das febres exantemáticas, causada pela Rickettsia conorii e transmitida pela carraça do cão, Rhipicephalus sanguineus.
- É endémica em Portugal e na bacia mediterrânica. Em Portugal circulam duas estirpes: a Malish e a israelita (R. conorii israelensis), esta associada a doença mais grave e a mais mortes.
- Os casos concentram-se em julho, agosto e setembro, quando a carraça está mais ativa.
- É de notificação obrigatória.
- A rickettsia é intracelular obrigatória e infeta o endotélio dos pequenos vasos, onde provoca vasculite.
- Da vasculite nascem o exantema, que pode tornar-se purpúrico, e, nas formas graves, o extravasamento capilar, a encefalopatia, a lesão renal e a coagulação intravascular disseminada.
- No local da picada forma-se a escara de inoculação («tache noire»): necrose da pele, habitualmente com adenopatia satélite.
- Incubação de cerca de 5 a 7 dias.
- Tríade: febre alta de início brusco, exantema e escara de inoculação, com mialgias, artralgias e cefaleia intensa.
- O exantema surge 3 a 5 dias depois da febre: maculopapular, por vezes nodular, não pruriginoso, começa nos membros inferiores e generaliza em 24 a 36 horas, atingindo tipicamente as palmas e as plantas.
- A escara é indolor, negra, com halo eritematoso; está presente em cerca de 30 a 90% dos casos consoante a série, pode ser múltipla, e esconde-se em zonas cobertas e pregas (couro cabeludo, axilas, virilhas).
- Sem tratamento, a febre dura cerca de 10 dias.
- O diagnóstico é clínico e epidemiológico, e trata-se sem esperar pela confirmação.
- Serologia por imunofluorescência indireta: os anticorpos só aparecem 7 a 10 dias depois do início, pelo que a serologia confirma retrospetivamente, com a subida de título entre a fase aguda e a convalescença. Há reação cruzada entre as rickettsias do grupo das febres exantemáticas.
- Pesquisa molecular em biópsia ou zaragatoa da escara, ou em biópsia de pele do exantema, dá o diagnóstico na fase aguda.
Diagnóstico diferencial
- Outras doenças com febre e exantema: meningococemia, sarampo, sífilis secundária, reações a fármacos, infeções víricas exantemáticas.
- Febre hemorrágica da Crimeia-Congo, também transmitida por carraça: o caso fatal de 2024 em Bragança foi inicialmente tomado por febre escaro-nodular.
- Leptospirose, que partilha a febre, as mialgias e a lesão renal.
- Evitar zonas com carraças, usar roupa comprida e repelente, e inspecionar o corpo uma ou duas vezes por dia.
- Controlo das carraças nos cães.
- Remoção da carraça: pinça de pontas finas, agarrar o mais perto possível da pele e puxar com tração contínua, sem torcer nem esmagar; depois lavar a pele e as mãos.
- Não usar vaselina, calor, verniz nem outras substâncias para a fazer soltar-se: irritam a carraça e favorecem a regurgitação para a pele.
- A doxiciclina profilática depois da picada não tem papel demonstrado nas rickettsioses.
- Doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas, oral, ou endovenosa se houver vómitos ou alteração da consciência, iniciada empiricamente perante a suspeita.
- Nas formas graves mantém-se até 3 a 5 dias depois da apirexia. Nas ligeiras bastam 1 a 5 dias.
- Alternativas nas formas ligeiras: ciprofloxacina 750 mg de 12 em 12 horas durante 7 dias; na grávida, josamicina 3 g por dia durante 5 dias, onde exista.
- Os beta-lactâmicos e os aminoglicosídeos não têm papel nas rickettsioses, e as sulfonamidas associam-se a pior evolução.
- A maioria cura em 10 a 20 dias sem sequelas.
- A forma maligna dá vasculite generalizada, encefalopatia, choque, lesão renal aguda e coagulação intravascular disseminada.
- Fatores de risco de doença grave: diabetes, alcoolismo crónico, cirrose, insuficiência cardíaca, idade avançada, imunossupressão, défice de G6PD, tratamento inicial com antibiótico inadequado e atraso no tratamento.
- Em doentes internados no Alentejo a mortalidade chegou a 32% em 1997, com casos pela estirpe israelita; noutras séries europeias e do norte de África ronda os 3 a 6%.
- Criança: a doxiciclina é o tratamento de escolha em qualquer idade, a 2,2 mg/kg de 12 em 12 horas abaixo dos 45 kg (máximo de 100 mg por toma), durante pelo menos 5 a 7 dias e até 3 dias depois da febre. Os cursos curtos não mancham os dentes de forma relevante, e não se troca por receio disso.
- Os macrólidos (claritromicina, azitromicina) têm dados nas formas ligeiras da criança, que não se extrapolam para o adulto nem para as formas moderadas ou graves.
- Grávida: josamicina onde exista. Na doença grave pesa a favor da doxiciclina haver pouca evidência de dano materno ou fetal com ela.
- Infeção por espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato, transmitida por carraças do género Ixodes; na Europa, o Ixodes ricinus.
- Na Europa circulam três genoespécies patogénicas: B. burgdorferi sensu stricto, B. garinii (mais neurotrópica) e B. afzelii (associada à acrodermatite crónica atrófica).
- A maioria das picadas é de ninfas, tão pequenas que o doente não se lembra delas.
Localizada precoce
- Eritema migrans: 3 a 32 dias depois da picada, mácula ou pápula que cresce lentamente para uma lesão anular grande, muitas vezes com clareamento central; quente mas pouco dolorosa; mais frequente na coxa, na virilha e na axila. Falta em cerca de 20% dos doentes.
Disseminada precoce
- Lesões anulares secundárias, cefaleia, rigidez da nuca ligeira, febre, dores migratórias e fadiga.
- Neurológica: meningite linfocítica, paralisia facial, por vezes bilateral, e radiculoneurite dolorosa.
- Cardíaca, em cerca de 8%: bloqueio auriculoventricular de grau variável, que flutua.
Tardia
- Artrite oligoarticular de grandes articulações, sobretudo do joelho, com crises de semanas a meses.
- Na Europa, acrodermatite crónica atrófica: lesões vermelho-violáceas na face acral de um braço ou de uma perna, que se tornam escleróticas ou atróficas ao longo de anos.
- O eritema migrans diagnostica-se clinicamente e trata-se sem serologia, que nas primeiras semanas pode ser negativa.
- Nas formas disseminadas e tardias, serologia em dois tempos: imunoensaio e, se positivo, imunoblot. Na doença com mais de 2 meses de evolução, uma IgM positiva isolada não chega.
- Na neuroborreliose, pleocitose linfocítica no líquido cefalorraquidiano.
- A serologia não serve como rastreio de dor ou fadiga sem sinais objetivos.
- Diferencial da paralisia facial: paralisia de Bell por herpes simples e paralisia pelo vírus varicela-zóster. Da artrite do joelho: espondilartrite periférica e, na criança, artrite idiopática juvenil oligoarticular.
- Roupa comprida, repelente, inspeção do corpo depois de passeios no campo e remoção precoce da carraça com pinça.
- Profilaxia com doxiciclina em dose única, dentro de 72 horas depois de retirar a carraça, só quando se juntam três condições: carraça identificada como Ixodes, zona de elevada endemicidade e fixação durante 36 horas ou mais.
- Dose: 200 mg no adulto; 4,4 mg/kg (máximo 200 mg) na criança.
- Fora destas condições não se dá antibiótico; ensina-se a vigiar o local da picada durante cerca de um mês.
| manifestação | tratamento | duração |
|---|---|---|
| Eritema migrans | doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas; ou amoxicilina 500 mg de 8 em 8 horas; ou cefuroxima axetil 500 mg de 12 em 12 horas | 10 dias com doxiciclina; 14 dias com amoxicilina ou cefuroxima |
| Neuroborreliose (meningite, radiculoneurite, paralisia facial) | ceftriaxona 2 g por dia endovenosa, ou doxiciclina oral | 14 a 21 dias |
| Cardite | doxiciclina oral no ambulatório; ceftriaxona endovenosa no internado, passando a oral | 14 a 21 dias no total |
| Artrite | doxiciclina ou amoxicilina orais | 28 dias; se não responder, ceftriaxona endovenosa 2 a 4 semanas |
- A azitromicina fica para quem não pode tomar doxiciclina nem beta-lactâmicos.
- O bloqueio auriculoventricular de alto grau pede internamento com monitorização, e passa-se à via oral quando o bloqueio regride.
- Zoonose por espiroquetas patogénicas do género Leptospira, eliminadas na urina de animais, sobretudo roedores, e que sobrevivem meses em água e solo húmidos.
- A infeção entra por pele lesada ou mucosas, em contacto com água doce, lama ou urina contaminadas: agricultores, trabalhadores de esgotos e matadouros, e atividades recreativas em rios e lagos. As cheias produzem surtos.
- Nos Açores (São Miguel e Terceira) a incidência é cerca de dez vezes a do continente.
- A doença é bifásica: uma fase leptospirémica de 3 a 10 dias, com a bactéria no sangue, e uma fase imune, em que aparecem os anticorpos e a leptospira passa a ser eliminada na urina. A separação nem sempre é nítida, e a forma grave pode ser monofásica e fulminante.
- A lesão é sobretudo endotelial, com hemorragias em muitos órgãos e trombocitopenia por consumo.
- O rim é sempre atingido, com lesão tubular e perda urinária de potássio e de magnésio, esta última própria da leptospirose.
- Incubação de 1 a 2 semanas, com limites de 2 a 30 dias.
- Forma ligeira, a maioria: febre súbita, cefaleia intensa frontal ou retro-orbitária, mialgias intensas das barrigas das pernas, lombares e abdominais, e sufusão conjuntival (olho vermelho sem exsudado). Resolve em 7 a 10 dias. A meningite assética é mais frequente na criança.
- Forma grave, com letalidade entre 1 e 50%: a síndrome de Weil junta icterícia, lesão renal aguda e hemorragia. A icterícia, em 5 a 10% de todos os doentes, pode ser intensa e alaranjada, com aminotransferases só moderadamente elevadas.
- A lesão renal é muitas vezes não oligúrica e com hipocaliemia.
- A hemorragia pulmonar grave, com ou sem icterícia, é hoje uma apresentação importante.
- Laboratório: leucocitose com desvio esquerdo, proteína C reativa elevada, trombocitopenia, bilirrubina alta com aminotransferases pouco elevadas, sedimento urinário ativo e creatina cinase por vezes elevada.
- Pesquisa molecular no sangue nos primeiros 5 dias, quando a serologia ainda é negativa; depois, a leptospira elimina-se na urina.
- Serologia: teste de aglutinação microscópica, em laboratório de referência. Os anticorpos só aparecem na segunda semana; confirma-se pela subida de pelo menos quatro vezes entre duas amostras.
- A serologia não decide o início do tratamento.
Diagnóstico diferencial
- Gripe, dengue, malária, febre tifoide, hepatites víricas, infeção aguda por VIH, rickettsioses e hantavírus.
- Com hemorragia: dengue grave e outras febres hemorrágicas víricas.
- Proteção individual nas profissões de risco: botas, luvas e óculos.
- Controlo de roedores e vacinação de animais domésticos e de produção.
- Evitar banhos em água doce parada, sobretudo depois de cheias, com feridas abertas.
- A quimioprofilaxia (doxiciclina 200 mg uma vez por semana, ou azitromicina na grávida e na criança) tem eficácia discutida e reserva-se para exposições bem delimitadas e curtas.
| forma | tratamento, 7 dias |
|---|---|
| Ligeira | doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas; ou amoxicilina 500 mg de 8 em 8 horas |
| Moderada ou grave | penicilina G 1,5 milhões de unidades de 6 em 6 horas endovenosa; ou ceftriaxona 2 g por dia; ou doxiciclina endovenosa |
- Começa-se logo que se suspeita, sem esperar pela confirmação.
- Onde as rickettsioses coexistem, a doxiciclina ou a azitromicina cobrem as duas.
- Suporte: fluidos e eletrólitos na lesão renal não oligúrica, para não a tornar oligúrica; hemodiálise precoce na forma oligúrica, que reduz a mortalidade; ventilação protetora na hemorragia pulmonar.
- Pode surgir uma reação de Jarisch-Herxheimer nas primeiras horas depois do antibiótico: febre, arrepios e hipotensão transitórios, que não são alergia; o antibiótico mantém-se.
- Maior mortalidade acima dos 40 anos e com alteração do estado de consciência, lesão renal aguda, insuficiência respiratória, hipotensão e arritmias.
- Morre-se de choque séptico com falência multiorgânica ou de hemorragia, sobretudo pulmonar.
- Nos sobreviventes, a função renal e hepática recupera.
- Sequelas: fadiga e sintomas depressivos durante anos, e uveíte de natureza imune.
- Na gravidez associa-se a elevada mortalidade fetal.
- Zoonose por cocobacilos Gram-negativos intracelulares do género Brucella; a B. melitensis, de cabras e ovelhas, é a mais frequente e a de apresentação mais aguda.
- Transmite-se pela ingestão de leite e queijos frescos de cabra ou ovelha não pasteurizados, pelo contacto com placentas, fetos e secreções de animais infetados (pastores, veterinários, trabalhadores de matadouros) e por inalação em laboratório.
- As culturas manipulam-se em contenção, pelo risco de infeção do pessoal: a suspeita tem de ser comunicada ao laboratório.
- É de notificação obrigatória, nos animais e nas pessoas.
- A Brucella sobrevive e multiplica-se dentro dos macrófagos, onde escapa à destruição intracelular, e dissemina pelo sistema reticuloendotelial.
- Esta vida intracelular explica a febre prolongada, as recaídas, a formação de granulomas não caseosos e a necessidade de associar antibióticos e de os manter semanas.
- Incubação de 1 semana a vários meses, com início abrupto ou insidioso.
- Febre ondulante: sem tratamento, dura semanas, segue-se um período sem febre e depois recaída; acompanha-se de sudorese profusa, sobretudo noturna, astenia, anorexia e perda de peso.
- Osteoarticular em cerca de 40% dos doentes: sacroiliíte, espondilite lombar e dorsal baixa, e artrite do joelho, da anca, do ombro e da esternoclavicular.
- Hepatoesplenomegalia em um quarto, adenopatias em 10 a 20%, tosse seca em um quarto.
- Epididimo-orquite em até 10% dos homens.
- Neurobrucelose (meningoencefalite linfocitária) e endocardite, em cerca de 1%, sobretudo aórtica.
- Leucócitos normais ou baixos com linfocitose relativa; velocidade de sedimentação e proteína C reativa muitas vezes normais.
- Hemoculturas, positivas em 50 a 70%, em regra nos primeiros 7 dias com os sistemas automáticos; também medula óssea, líquido articular ou LCR. Avisar o laboratório, pelo risco de infeção do pessoal.
- Serologia: aglutinação padrão, com a prova de Rosa de Bengala como rastreio. Em zona não endémica é significativo um título de 1/160; em zona endémica ou com exposição profissional, 1/320 a 1/640. A subida do título em 2 a 4 semanas confirma.
- Biópsias com granulomas não caseosos, sem bacilos álcool-ácido resistentes.
- Diferencial: tuberculose (sempre, sobretudo na espondilite, porque alguns fármacos são comuns), febre tifoide, linfomas e outras causas de febre prolongada.
- Pasteurização de todo o leite e derivados.
- Rastreio e abate dos animais infetados e vacinação dos rebanhos.
- Proteção individual nas profissões de risco e manipulação laboratorial em contenção.
- Depois de exposição laboratorial, doxiciclina com rifampicina durante 3 semanas se o risco for baixo e 6 semanas se for alto.
Nunca em monoterapia: pelo menos dois fármacos, durante 6 semanas na forma aguda sem foco.
| situação | esquema |
|---|---|
| Adulto, forma aguda sem foco | doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas 6 semanas, com estreptomicina 0,75 a 1 g por dia intramuscular 14 a 21 dias, ou gentamicina 5 a 6 mg/kg/dia pelo menos 2 semanas |
| Alternativa da OMS | doxiciclina com rifampicina 600 a 900 mg por dia, 6 semanas (mais recaídas, cerca de 10%) |
| Formas focais ou complicadas | tripla terapêutica (doxiciclina, rifampicina e um aminoglicosídeo inicial), 3 meses ou mais |
| Neurobrucelose | 3 a 6 meses, em regra com ceftriaxona associada |
| Endocardite | pelo menos três fármacos, 4 a 6 meses; cirurgia na maioria das próteses infetadas |
| Criança e grávida | cotrimoxazol em dose alta em vez da doxiciclina |
- A doxiciclina com aminoglicosídeo continua a ser a associação mais eficaz; a rifampicina baixa os níveis de doxiciclina.
- Antes de usar rifampicina exclui-se a tuberculose, para não a tratar com um só fármaco ativo.
- Recaída em até 30% de quem não cumpre; trata-se com o mesmo esquema, mais prolongado.
- Zoonose pela Coxiella burnetii, cocobacilo intracelular.
- Os reservatórios principais são bovinos, ovinos e caprinos; no parto, a placenta, os fetos e os líquidos libertam grandes quantidades de bactérias, que contaminam o ambiente durante anos e se inalam em aerossol, mesmo a quilómetros.
- A dose infetante é muito baixa, de 1 a 10 bactérias.
- Mais raramente, transmite-se por leite cru. Não depende de picada de carraça.
- Em risco: trabalhadores de matadouros, veterinários, agricultores e quem contacta com animais recém-nascidos. Cerca de 60% das infeções são assintomáticas.
- A Coxiella resiste ao ambiente e, no macrófago, bloqueia a maturação do fagossoma e vive no fagolisossoma ácido.
- É essa adaptação que explica a persistência da infeção e a razão da hidroxicloroquina no tratamento da forma persistente: ao alcalinizar o fagolisossoma, torna a doxiciclina bactericida.
Aguda
- Incubação de 3 a 30 dias.
- Febre, fadiga extrema, cefaleia intensa muitas vezes retro-orbitária, fotofobia, arrepios e sudorese.
- As formas dominantes variam com a região: pneumonia (inalação) ou hepatite (ingestão de leite contaminado).
- Menos frequentes: pericardite, miocardite, colecistite alitiásica, pancreatite, anemia hemolítica, nevrite ótica e eritema nodoso.
- Leucócitos normais, trombocitopenia em cerca de um quarto, com trombocitose na recuperação; autoanticorpos (anticorpos antifosfolipídicos, antinucleares) frequentes.
Persistente (crónica)
- Surge em 1 a 5% dos infetados, às vezes anos depois de uma infeção que passou despercebida.
- Formas principais: endocardite com hemoculturas negativas, infeção de aneurisma e infeção de prótese vascular; também osteomielite e infeção de prótese articular.
- Fatores de risco: valvulopatia ou prótese valvular, aneurisma ou prótese vascular, insuficiência renal, idade avançada, imunodepressão e neoplasia.
- Febre baixa ou ausente, suores noturnos, perda de peso e proteína C reativa muitas vezes pouco elevada.
- Depois da forma aguda, até 20% ficam com fadiga prolongada.
- A serologia por imunofluorescência é o método de referência e distingue as fases pelo antigénio:
- forma aguda: seroconversão ou subida de pelo menos quatro vezes dos anticorpos IgG contra o antigénio de fase II;
- forma persistente: IgG contra o antigénio de fase I de 1/800 ou 1/1024 ou mais, com foco documentado (endocardite pelos critérios de Duke modificados, ou infeção vascular em imagem).
- A pesquisa molecular no sangue é positiva nas primeiras 1 a 2 semanas da forma aguda; na persistente, pesquisa molecular positiva no sangue ou em tecido confirma.
- O ecocardiograma transtorácico só mostra vegetações em cerca de 12% das endocardites por Coxiella; o transesofágico em 21 a 50%. A tomografia por emissão de positrões com fluorodesoxiglicose ajuda na infeção vascular e protésica.
- Perante endocardite com hemoculturas negativas pede-se sempre serologia de Coxiella e de Bartonella, e pensa-se também em Brucella.
| situação | tratamento |
|---|---|
| Aguda | doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas, 14 dias; as quinolonas são alternativa |
| Aguda na grávida | cotrimoxazol até ao fim da gravidez |
| Aguda com valvulopatia, prótese valvular, aneurisma ou prótese vascular | considerar doxiciclina com hidroxicloroquina 6 a 12 meses, para evitar a forma persistente |
| Persistente | doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas com hidroxicloroquina 200 mg de 8 em 8 horas: pelo menos 18 meses na endocardite de válvula nativa e 24 meses na de prótese ou na infeção de prótese vascular |
- Com hidroxicloroquina, avaliação oftalmológica antes de começar e de 6 em 6 a 12 em 12 meses, e aviso sobre a fotossensibilidade da doxiciclina.
- A cirurgia é muitas vezes necessária na infeção de prótese vascular, e os abcessos drenam-se.
- A fadiga pós-febre Q não melhora com antibiótico e não se trata com ele.
- Depois de uma forma aguda sem fatores de risco, reavaliação clínica e serológica aos 6 meses.
- Na gravidez, a febre Q aguda associa-se a parto pré-termo, aborto e morte neonatal.
- A forma persistente tem complicações frequentes: aneurismas que crescem, insuficiência cardíaca, abcessos e fístulas arteriais (aortoentérica, aortocava).
- Na grande série holandesa a mortalidade da forma persistente foi de cerca de 25%, maior na infeção vascular do que na endocardite isolada.
- Infeção pela Leishmania infantum, protozoário transmitido pela picada da fêmea do flebótomo (Phlebotomus).
- Na bacia mediterrânica, incluindo Portugal, é uma zoonose com o cão como reservatório principal.
- Atinge sobretudo crianças pequenas e adultos imunodeprimidos: na Europa mediterrânica, cerca de 70% dos casos em adultos surgiram associados à infeção por VIH, e o transplante e a imunossupressão também predispõem.
- Transmite-se ainda por agulhas partilhadas e, raramente, por via transplacentária.
- A forma que vive no hospedeiro é a amastigota, dentro dos macrófagos do baço, do fígado, da medula óssea e dos gânglios.
- A maioria dos infetados controla a infeção por imunidade celular do tipo Th1 e nunca adoece.
- Na doença ativa predomina a interleucina 10, que torna os macrófagos incapazes de matar o parasita.
- Daí a hepatoesplenomegalia, a pancitopenia por falência medular e hiperesplenismo, e a hipergamaglobulinemia policlonal.
- Incubação de 2 a 10 meses, podendo ir de 10 dias a anos.
- Febre de início abrupto ou arrastado, por vezes com períodos sem febre.
- Esplenomegalia, palpável a partir da segunda semana e que pode ficar enorme; hepatomegalia moderada; adenopatias.
- Perda de peso, astenia, anemia marcada, e hemorragias por trombocitopenia.
- Infeções secundárias frequentes. Sem tratamento, é fatal na maioria, e em todos os coinfetados por VIH.
- No imunodeprimido pode ser atípica, com atingimento da pele, da mucosa oral, do tubo digestivo e do pulmão.
- Pancitopenia com hipergamaglobulinemia num doente febril com esplenomegalia sugere fortemente o diagnóstico.
- Ver amastigotas em aspirado é o padrão de referência: baço com sensibilidade acima de 95% mas com risco hemorrágico, medula óssea 60 a 85%, gânglio cerca de 50%; a cultura aumenta o rendimento.
- Serologia (imunofluorescência, ensaio imunoenzimático ou teste rápido rK39, este com sensibilidade de cerca de 98% e especificidade de 90% no imunocompetente): fica positiva durante anos, pelo que não serve para avaliar cura nem recaída, e é negativa em até metade dos coinfetados por VIH.
- A pesquisa molecular no sangue ou na medula é muito sensível e identifica a espécie.
- Diferencial: malária, febre tifoide, tuberculose, brucelose, esquistossomose, histoplasmose, leucemias e linfomas, e esplenomegalia por hipertensão portal.
- Coleiras com inseticida e tratamento dos cães, e vacinas caninas, que dão alguma proteção.
- Redes e repelentes contra o flebótomo, ativo ao anoitecer e à noite.
- No doente com VIH, a terapêutica antirretroviral com recuperação dos linfócitos CD4 acima de 200/µL reduz as recaídas; a profilaxia secundária tem papel, sem esquema ótimo definido.
- A leishmaniose é de notificação obrigatória.
- Na região mediterrânica, anfotericina B lipossómica é o tratamento de escolha.
- Esquema aprovado: 3 mg/kg por dia nos dias 1 a 5, 14 e 21 (dose total de 21 mg/kg); na bacia mediterrânica a dose total necessária ronda os 20 mg/kg.
- Coinfeção por VIH: 4 mg/kg nos dias 1 a 5, 10, 17, 24, 31 e 38 (dose total 40 mg/kg), com terapêutica antirretroviral. As recaídas são frequentes no primeiro ano.
- Alternativas: antimoniais pentavalentes 20 mg/kg/dia durante 28 a 30 dias (vigiar o intervalo QT e a pancreatite) e miltefosina oral, que é teratogénica.
- Transfusão se a anemia for grave, e tratamento das infeções associadas.
- A resposta vê-se na primeira semana: a febre cede, o baço diminui e o hemograma recupera. As recaídas surgem sobretudo nos 6 a 12 meses seguintes, pelo que o seguimento é prolongado.
- Infeção pelo Toxoplasma gondii. O gato é o hospedeiro definitivo e elimina oocistos nas fezes, que se tornam infetantes ao fim de 2 a 3 dias no ambiente e resistem anos no solo e na água.
- O homem infeta-se por carne mal cozinhada com quistos (sobretudo borrego e porco), por oocistos em legumes, terra ou água, e por via transplacentária.
- A infeção fica latente, com quistos no cérebro, no músculo e na retina, para o resto da vida.
- Imunocompetente: assintomática em 80 a 90%; quando dá sintomas, o mais comum é adenopatia cervical, com febre e astenia, que resolve em semanas.
- Congénita: quando a mãe se infeta no primeiro trimestre a transmissão é a mais baixa, cerca de 15%, mas a doença do recém-nascido é a mais grave; no terceiro trimestre a transmissão chega a 65%, com recém-nascidos em regra assintomáticos. Formas graves: coriorretinite, hidrocefalia, calcificações cerebrais, microcefalia e epilepsia. A infeção adquirida mais de 6 meses antes da conceção praticamente não transmite.
- Ocular: coriorretinite, congénita ou adquirida.
- Imunodeprimido: reativação, sobretudo como encefalite com lesões com captação de contraste em anel, na infeção por VIH com linfócitos CD4 abaixo de 100/µL.
- Serologia: IgG e IgM positivas sugerem infeção recente; a IgG isolada indica infeção passada. A IgM pode persistir mais de um ano, e a avidez da IgG, que aumenta com o tempo, ajuda a datar a infeção na grávida.
- Infeção fetal: pesquisa molecular no líquido amniótico.
- Recém-nascido: IgM depois da primeira semana de vida, ou persistência da IgG ao longo do primeiro ano.
- Encefalite no VIH: diagnóstico presuntivo por clínica, IgG positiva e lesões múltiplas na ressonância; o diferencial principal é o linfoma primário do sistema nervoso central. A melhoria clínica sob tratamento apoia o diagnóstico, e a imagem pode demorar de 3 semanas a 6 meses a resolver.
- Grávida: a Direção-Geral da Saúde manda pedir a serologia (IgG e IgM) no primeiro trimestre e repeti-la no segundo e no terceiro trimestres nas mulheres não imunes.
- Medidas para a grávida não imune: carne bem cozinhada, legumes e frutos bem lavados, luvas na jardinagem e lavar as mãos depois de mexer em carne crua; a caixa do gato muda-a outra pessoa, todos os dias, porque os oocistos frescos ainda não são infetantes.
- VIH: profilaxia primária com cotrimoxazol quando a IgG é positiva e os CD4 estão abaixo de 100/µL; suspende-se quando os CD4 estão acima de 200/µL durante 3 meses sob antirretrovirais.
- Adenopatia no imunocompetente: não se trata, salvo sintomas graves ou persistentes.
- Grávida: espiramicina na infeção materna no início da gravidez, para reduzir a transmissão; pirimetamina com sulfadiazina e ácido folínico quando a seroconversão é depois das 18 semanas ou há infeção fetal documentada.
- Recém-nascido infetado: pirimetamina (1 mg/kg/dia) com sulfadiazina (100 mg/kg/dia) e ácido folínico durante 1 ano.
- Ocular: pirimetamina com sulfadiazina ou clindamicina durante 6 semanas, por vezes com corticosteroide.
- Encefalite no VIH: pirimetamina com sulfadiazina e ácido folínico; o cotrimoxazol é alternativa. Mantém-se como profilaxia secundária até os CD4 estarem acima de 200/µL durante pelo menos 6 meses.
- Infeção pela forma larvar do Echinococcus granulosus, que forma quistos hidáticos uniloculares (equinococose quística).
- O cão é o hospedeiro definitivo; a ovelha e outros herbívoros são hospedeiros intermediários, e o homem um hospedeiro acidental, que se infeta ao ingerir os ovos eliminados nas fezes do cão.
- A bacia mediterrânica é uma das regiões de maior prevalência, onde o cão come vísceras de ovinos.
- O E. multilocularis, da raposa, dá a equinococose alveolar, invasiva, na Europa central e do norte.
- Os embriões libertados dos ovos atravessam a mucosa intestinal e chegam pela circulação portal ao fígado, onde fica a maioria, e ao pulmão.
- O quisto tem uma membrana externa e uma camada germinativa, que forma vesículas-filhas e protoescólices, e cresce devagar, ao longo de anos.
- O líquido do quisto é muito antigénico, e a sua saída explica a anafilaxia e a disseminação secundária.
- Assintomático durante anos, muitas vezes achado de ecografia ou radiografia.
- Hepático: dor no hipocôndrio direito, massa palpável; compressão ou rotura para a via biliar com cólica, icterícia e colangite.
- Pulmonar: tosse, dor torácica, hemoptises e expetoração salgada quando rompe para um brônquio.
- A rotura do quisto provoca febre, prurido, urticária, eosinofilia ou anafilaxia, e semeia novos quistos.
- Ecografia, que estadia o quisto pela classificação da OMS (CE1 a CE5, de ativo a inativo), e tomografia ou ressonância.
- Achados que apontam para hidatidose: vesículas-filhas dentro do quisto, o mais patognomónico, areia hidática e calcificação da parede em casca de ovo.
- Serologia: positiva em cerca de 90% dos quistos hepáticos, mas até metade dos pulmonares é seronegativa; uma serologia negativa não exclui. O imunoblot é o mais específico.
- Não se punciona um quisto às cegas para diagnóstico, pelo risco de anafilaxia e disseminação.
- Diferencial: abcesso piogénico ou amebiano, carcinoma e hemangioma.
- Não dar vísceras cruas de ovinos aos cães, controlar as vísceras nos matadouros e desparasitar os cães.
- Lavar as mãos depois de tocar em cães e lavar bem os legumes.
A decisão depende do estádio ecográfico, do tamanho, da localização e das complicações.
| situação | conduta |
|---|---|
| Quistos pequenos CE1 e CE3 | albendazol isolado pode bastar |
| CE1 e CE3 sem complicações | PAIR: punção percutânea, aspiração, injeção de escolicida e reaspiração, com albendazol |
| Quisto comunicante com a via biliar, superficial, pulmonar ou cerebral, ou onde a PAIR não é possível | cirurgia, de preferência cistectomia total, com albendazol |
| CE4 e CE5, inativos | vigilância |
- Albendazol 15 mg/kg por dia em 2 tomas, a começar pelo menos 2 dias antes da punção ou da cirurgia e a manter pelo menos 4 semanas depois, para evitar a equinococose secundária por derrame do conteúdo.
- O albendazol isolado, durante 12 semanas a 6 meses, cura cerca de 30% e melhora outros 50%.
- A PAIR não se faz em quistos superficiais nem comunicantes com a via biliar.
- A resposta avalia-se por imagem seriada.
- Encefalite por um lyssavírus, transmitida pela saliva de mamíferos infetados, por mordedura, arranhão ou lambedura de pele lesada ou mucosas. Os cães são a fonte em 99% dos casos humanos no mundo.
- Portugal está livre de raiva animal e não tem casos humanos autóctones desde 1952. O risco vem de animais mordidos no estrangeiro, de animais importados e de morcegos, que transmitem outros lyssavírus.
- É praticamente sempre fatal depois de surgirem sintomas, e praticamente sempre evitável com profilaxia a tempo.
- Durante grande parte da incubação o vírus fica junto ao local de inoculação, no músculo.
- Depois entra nos nervos periféricos e sobe até ao sistema nervoso central por transporte axonal retrógrado, dissemina-se no cérebro e desce pelos nervos às glândulas salivares.
- É esta demora que dá tempo à profilaxia pós-exposição.
- Achado anatomopatológico característico: corpos de Negri, inclusões citoplasmáticas nos neurónios.
- Incubação habitual de 1 a 3 meses, podendo ir de dias a mais de um ano.
- Pródromo com febre e parestesias ou dor no local da ferida.
- Forma encefalítica (furiosa), em 80%: agitação, alucinações, disfunção autonómica e hidrofobia e aerofobia (espasmos dolorosos da faringe e da musculatura respiratória ao tentar beber ou com uma corrente de ar), com períodos de lucidez.
- Forma paralítica, em 20%: fraqueza flácida que começa no membro mordido, confundida com síndrome de Guillain-Barré.
- Evolui para coma e morte em dias a poucas semanas.
Profilaxia pré-exposição
- Vacina inativada, 2 doses intramusculares nos dias 0 e 7; no imunodeprimido, uma terceira dose entre os dias 21 e 28.
- Para quem trabalha com o vírus vivo, veterinários, espeleólogos e outros com risco profissional elevado, e para viajantes que vão para zonas remotas sem acesso rápido à profilaxia pós-exposição.
- Não dispensa a profilaxia pós-exposição, mas reduz as doses e dispensa a imunoglobulina.
Profilaxia pós-exposição
- Lavar logo a ferida com água abundante e sabão durante cerca de 15 minutos, e aplicar antissético com iodo.
- Vacina, logo que se reconhece o risco.
- Imunoglobulina antirrábica, se indicada, a 20 UI/kg, infiltrada na ferida e à volta dela.
| categoria | exposição | conduta |
|---|---|---|
| I | tocar ou alimentar o animal, lambedura em pele íntegra | só lavar |
| II | mordiscadela em pele descoberta, arranhão ou abrasão pequena sem sangue | lavar e vacinar; imunoglobulina só no imunodeprimido |
| III | mordedura ou arranhão transdérmico, lambedura de mucosa ou de pele lesada, e qualquer contacto direto com morcego | lavar, vacinar e dar imunoglobulina |
- Esquemas de vacina sem imunização prévia (4 doses intramusculares): uma dose nos dias 0, 3, 7 e entre os dias 14 e 28; ou duas doses no dia 0, em locais diferentes, e uma nos dias 7 e 21.
- Quem já fez pré-exposição, ou uma pós-exposição completa há mais de 3 meses: uma dose nos dias 0 e 3, sem imunoglobulina, salvo se imunodeprimido.
- A imunoglobulina dá-se até 7 dias depois da primeira dose de vacina; depois disso já não se dá. Nunca no mesmo local nem na mesma seringa da vacina.
- A vacina dá-se no deltoide, ou na face anterolateral da coxa abaixo dos 2 anos, e nunca na nádega. A gravidez não a contraindica.
- Não suturar nem tapar a ferida; se for preciso suturar, só depois de infiltrada a imunoglobulina.
- Rever a vacinação antitetânica e a necessidade de antibiótico.
Em Portugal
- A vacinação pós-exposição está indicada para completar uma profilaxia iniciada no estrangeiro, para exposições a mamíferos de zonas de risco em que não foi iniciada, e para contactos com um caso humano.
- Depois de uma mordedura em Portugal por um animal não vacinado, o animal fica em sequestro sanitário, e a profilaxia só se faz se durante esse período o seu estado de saúde se alterar ou a raiva se confirmar.
- Não há tratamento eficaz da raiva sintomática: o tratamento é de suporte em cuidados intensivos, e os raros sobreviventes tinham quase todos recebido vacina antes dos sintomas.
- Perante suspeita de caso humano, os contactos diretos com secreções, lágrimas ou tecido nervoso, através de pele lesada ou mucosas, fazem profilaxia pós-exposição.
- A raiva é de notificação obrigatória.
- Dengue, chikungunya e Zika transmitem-se pelos mosquitos Aedes, que picam de dia. O Aedes aegypti instalou-se na Madeira, onde causou em 2012 o primeiro surto de dengue na Europa desde 1928, com quase 1900 casos até ao fim de novembro. O Aedes albopictus, o mosquito-tigre, foi detetado no continente em 2017, em Penafiel, e depois no Algarve.
- Febre hemorrágica da Crimeia-Congo: vírus transmitido por carraças Hyalomma. Em 2024 houve em Bragança o primeiro caso autóctone confirmado em Portugal, fatal; em Espanha foram documentados 17 casos.
- Febre do Nilo Ocidental: vírus mantido entre aves por mosquitos Culex, que se transmite também por transfusão e transplante; a maioria das infeções é febril ligeira, e uma minoria faz meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.
- A dengue, a chikungunya e o Zika abordam-se como na febre no regresso de viagem; em Portugal, a novidade é a dengue poder surgir em quem não viajou.
- A febre hemorrágica da Crimeia-Congo começa como febre depois de picada de carraça, e no caso de 2024 foi primeiro tomada por febre escaro-nodular. Febre depois de carraça com hemorragia obriga a pensar nela, a isolar o doente e a contactar a autoridade de saúde.
- Contra o Aedes: repelente e proteção durante o dia, e eliminação de recipientes com água parada.
- Contra as carraças: as mesmas medidas que na febre escaro-nodular.
- As arboviroses e a febre hemorrágica da Crimeia-Congo notificam-se no SINAVE.
Referências
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19 perguntas sobre Zoonoses e infeções transmitidas por artrópodes (incluindo malária)
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
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