Zoonoses e infeções transmitidas por artrópodes (incluindo malária)
Atualizado em 19 de julho de 2026 · 13 perguntas neste tema
As zoonoses e as infeções transmitidas por artrópodes ocupam um lugar particular na PNA porque juntam duas realidades diferentes: a malária importada, que é a verdadeira emergência diagnóstica do viajante febril e a única destas entidades que mata em horas, e um conjunto de zoonoses endémicas em Portugal que aparecem regularmente em vinhetas nacionais — febre escaro-nodular, leptospirose, febre Q, brucelose e leishmaniose. A relevância é B, mas a densidade de armadilhas é alta: o par hipnozoíto–G6PD, a escara de inoculação que fecha o diagnóstico de rickettsiose, o artesunato endovenoso que substituiu o quinino na malária grave. Domina sobretudo quatro coisas: reconhecer os critérios de malária grave e a via de administração que deles decorre; pedir gota espessa com parasitémia quantificada e repeti-la antes de excluir; iniciar doxiciclina empiricamente perante febre com exantema palmoplantar e escara; e dosear a G6PD antes da primaquina ou da tafenoquina. O capítulo trata do agente e do seu tratamento — a abordagem geral ao viajante e a consulta pré-viagem pertencem ao capítulo das doenças associadas ao viajante.
O ciclo do Plasmodium e porque é que ele explica a clínica
O ciclo tem três tempos, e cada um corresponde a uma decisão terapêutica.
1. Inoculação e fase hepática (pré-eritrocitária). A fêmea do Anopheles injeta esporozoítos com a saliva. Em minutos estes atingem o fígado e invadem os hepatócitos, onde se multiplicam sem qualquer sintoma — é o período de incubação. Cada esquizonte hepático liberta milhares de merozoítos para a corrente sanguínea.
2. Os hipnozoítos — a exceção que domina o tratamento. Em P. vivax e P. ovale, uma fração dos esporozoítos não se divide: fica dormente no hepatócito sob a forma de hipnozoíto, durante semanas a meses. A reativação posterior produz uma recaída clínica sem nova picada. Consequência prática, e é o ponto mais testado do capítulo: os fármacos que atuam na fase eritrocitária (cloroquina, artemisininas) não tocam nos hipnozoítos. A cura radical exige uma 8-aminoquinolina — primaquina ou tafenoquina — e estas provocam hemólise oxidativa grave no défice de G6PD. Daí a regra de segurança: dosear a G6PD antes de as prescrever, sempre.
3. Fase eritrocitária — a que dá febre e a que mata. Os merozoítos invadem eritrócitos e percorrem o ciclo anel → trofozoíto → esquizonte, terminando na rutura sincronizada do eritrócito. É essa lise, com libertação de merozoítos, hemozoína e glicosilfosfatidilinositol, que desencadeia a cascata de citocinas responsável pelo acesso febril. A periodicidade clássica (terçã em falciparum, vivax e ovale; quartã em malariae) traduz a duração do ciclo, mas na prática o padrão febril é frequentemente irregular, sobretudo no não imune e no início da doença — não se deve esperar por ele para pedir o exame.
Algumas formas diferenciam-se em gametócitos, que são a forma infetante para o mosquito e a razão pela qual, em contexto de saúde pública, se usam gametocitocidas.
Porque é que o falciparum é diferente
Três características, e delas decorre toda a gravidade:
- Invade eritrócitos de qualquer idade — reticulócitos e eritrócitos maduros. P. vivax invade preferencialmente reticulócitos e P. malariae eritrócitos senescentes, o que limita mecanicamente a parasitémia. O falciparum não tem esse travão e pode atingir parasitémias muito elevadas.
- Citoaderência e sequestro. O parasita exporta para a superfície do eritrócito proteínas variantes (família PfEMP1) que se ligam a recetores endoteliais (CD36, ICAM-1, EPCR). O eritrócito parasitado adere ao endotélio das vénulas pós-capilares e desaparece da circulação periférica. Este sequestro explica: (i) a obstrução microvascular, com hipoperfusão tecidular, acidose láctica e disfunção de órgão; (ii) a malária cerebral, por sequestro na microcirculação cerebral com ativação endotelial, disrupção da barreira hemato-encefálica e edema; (iii) porque é que a parasitémia periférica pode subestimar a carga parasitária real — um doente muito grave pode ter uma parasitémia aparentemente modesta.
- Rosetting e rigidez eritrocitária — os eritrócitos parasitados agregam eritrócitos não parasitados à sua volta e perdem deformabilidade, agravando a obstrução.
A anemia da malária não é só hemólise dos eritrócitos parasitados: há destruição desproporcionada de eritrócitos não parasitados (opsonização, alterações da membrana) e supressão medular mediada por citocinas. Por isso a queda de hemoglobina excede sempre o que a parasitémia faria prever.
A hipoglicémia tem três motores simultâneos: consumo de glicose pelo parasita, inibição da gliconeogénese hepática pelo estado inflamatório, e hiperinsulinismo induzido pelo quinino — este último é iatrogénico e reversível, e é a razão pela qual se vigia a glicémia sob quinino.
Mecanismos das zoonoses e das infeções por artrópodes
| Agente | Célula-alvo / mecanismo | Tradução clínica |
|---|---|---|
| Rickettsia conorii | Invade e replica-se no endotélio vascular → vasculite de pequenos vasos, fuga capilar | Exantema (incluindo palmas e plantas), escara no local da picada por necrose focal, e nas formas graves fuga capilar e falência multiorgânica |
| Leptospira | Espiroqueta que penetra por pele macerada ou mucosas → bacteriémia e depois lesão endotelial e tubular | Fase septicémica seguida de fase imune; sufusão conjuntival; icterícia, lesão renal, hemorragia alveolar |
| Coxiella burnetii | Bactéria intracelular obrigatória que sobrevive no fagolisossoma do macrófago | Formas agudas (pneumonia, hepatite granulomatosa) e persistência com endocardite de hemoculturas negativas |
| Brucella | Sobrevivência intracelular em macrófagos, com granulomas | Febre ondulante, atingimento osteoarticular (sacroileíte, espondilite), orquite, recidivas |
| Leishmania infantum | Amastigotas multiplicam-se dentro do macrófago do sistema mononuclear fagocitário | Visceral: febre, esplenomegalia volumosa, pancitopenia, hipergamaglobulinemia. Cutânea: úlcera indolente |
| Borrelia | Disseminação por migração tecidular, com inflamação local e depois sistémica | Eritema migrans → fases de disseminação precoce (neuroborreliose, bloqueio auriculoventricular) e tardia (artrite) |
| Lyssavírus (raiva) | Replica-se no músculo, entra no nervo periférico e faz transporte axonal retrógrado até ao sistema nervoso central | Explica a incubação longa e variável (permite profilaxia pós-exposição eficaz) e a letalidade quase absoluta quando já há sintomas |
| Vírus dengue | Infeção de células dendríticas e monócitos; facilitação dependente de anticorpos numa segunda infeção por serótipo diferente | Fuga plasmática na fase crítica (após defervescência) → hemoconcentração, derrames, choque |
Duas ideias transversais
A gravidade das rickettsioses e da leptospirose é vascular, não bacteriémica. O doente não morre de carga bacteriana mas de disfunção endotelial difusa — o que justifica que o benefício do antibiótico dependa criticamente de ser dado cedo, antes de a lesão endotelial estar instalada.
A dose infetante e o tempo de fixação importam. Na borreliose de Lyme, a transmissão exige em regra fixação prolongada da carraça, tipicamente superior a 36-48 horas, porque a Borrelia precisa de migrar do intestino médio para as glândulas salivares. Nas rickettsioses e na febre hemorrágica da Crimeia-Congo, a transmissão é muito mais rápida — pelo que a remoção precoce protege menos. Esta assimetria explica porque só na doença de Lyme faz sentido discutir profilaxia após picada.
Malária: o exame parasitológico é urgente, não eletivo
Perante febre em quem esteve em área endémica, o pedido não é "serologias" — é pesquisa de Plasmodium em sangue periférico, com resultado no próprio turno. O laboratório deve ser avisado de que se trata de suspeita de malária.
Gota espessa e esfregaço — o padrão de referência
São dois exames complementares na mesma colheita:
| Exame | Para que serve | Vantagem |
|---|---|---|
| Gota espessa | Deteção do parasita | Concentra ~20-40× mais sangue → maior sensibilidade em parasitémias baixas |
| Esfregaço fino | Identificação da espécie e quantificação da parasitémia | Morfologia preservada; permite dar a % de eritrócitos parasitados |
A parasitémia quantificada não é um detalhe académico: é um dos critérios de gravidade e é o parâmetro que se repete para monitorizar a resposta ao tratamento. Deve constar sempre do resultado e ser pedida explicitamente.
Regra prática essencial: um único exame negativo não torna a malária improvável o suficiente para se parar. A parasitémia oscila com o ciclo e pode estar abaixo do limiar de deteção no momento da colheita. Repetir de 12 em 12 horas até três séries negativas antes de considerar a hipótese afastada. Doentes que já tomaram antipiréticos, profilaxia parcial ou automedicação com antimaláricos têm parasitémias artificialmente baixas.
Testes rápidos (TDR)
Detetam antigénios: HRP2 (específico de P. falciparum), LDH do parasita e aldolase (pan-específicas). São úteis quando não há microscopista disponível e no rastreio inicial, mas têm limitações que a PNA gosta de explorar:
- Podem ser falsamente negativos em parasitémias baixas e não quantificam a parasitémia.
- Podem ser falsamente negativos em parasitémias muito elevadas por efeito prozona.
- O HRP2 mantém-se positivo durante semanas após a cura — um TDR positivo num doente tratado recentemente não significa recidiva.
- Existem deleções do gene HRP2 em algumas regiões (notavelmente no Corno de África e na América do Sul), que causam falsos negativos verdadeiros.
- São pouco sensíveis para as espécies não falciparum, em particular P. ovale e P. knowlesi.
Conclusão operacional: o TDR complementa, não substitui a microscopia. Um TDR negativo num doente com suspeita clínica obriga na mesma às gotas espessas seriadas.
PCR e restantes
A PCR é a técnica mais sensível e a que melhor resolve espécie (útil para confirmar P. knowlesi, distinguir infeções mistas e esclarecer parasitémias submicroscópicas), mas o tempo de resposta impede-a de ser o exame de decisão inicial. A serologia não tem lugar no diagnóstico do episódio agudo — só serve para inquéritos epidemiológicos e rastreio de dadores.
O que mais pedir em paralelo
Hemograma (anemia, trombocitopenia — muito frequente e uma pista forte), glicémia (repetida), gasimetria com lactato e bicarbonato, função renal, bilirrubina, transaminases, coagulação, hemoculturas (a coinfeção bacteriana é possível e é uma causa evitável de morte) e, se houver alteração do estado de consciência, a exclusão de outras causas.
Armadilha clássica: trombocitopenia + febre + viagem recente = pensar malária, não dengue por defeito. Ambas dão trombocitopenia; só uma delas mata em 24 horas se não for tratada.
Febre escaro-nodular: o diagnóstico é clínico e o tratamento não espera
Este é o ponto de segurança do capítulo. A tríade — febre alta de início abrupto, exantema maculopapular generalizado que envolve palmas e plantas e escara de inoculação (tache noire) — é suficiente para iniciar tratamento.
- A escara deve ser procurada ativamente: é indolor, muitas vezes pequena, e esconde-se no couro cabeludo, atrás das orelhas, nas axilas, na região inguinal e nas pregas. O doente frequentemente nega ter visto uma carraça.
- O exantema surge tipicamente alguns dias depois da febre e poupa a face; o envolvimento palmoplantar é a pista que distingue de exantemas víricos banais.
- A serologia (imunofluorescência indireta) confirma apenas retrospetivamente: os anticorpos costumam ser negativos na primeira semana e o diagnóstico serológico exige seroconversão ou aumento de quatro vezes do título em amostras pareadas com 2-4 semanas de intervalo.
- Podem usar-se PCR em biópsia da escara ou em sangue e imuno-histoquímica, mas não estão universalmente disponíveis nem são imediatos.
Portanto: iniciar doxiciclina empiricamente com base na clínica. Atrasar o antibiótico à espera da serologia é a principal causa evitável de evolução para forma grave. Este é, provavelmente, o conceito mais rentável de todo o capítulo.
As restantes: que teste pedir
| Entidade | Teste que faz o diagnóstico | Nota crítica |
|---|---|---|
| Leptospirose | PCR no sangue na 1.ª semana; urina a partir da 2.ª semana. Microaglutinação (MAT) com títulos pareados | A janela muda com a fase: sangue cedo, urina tarde. Cultura é lenta e pouco rentável |
| Febre Q aguda | Serologia (imunofluorescência) — anticorpos anti-fase II predominantes | Hemoculturas convencionais são negativas; a bactéria não cresce nos meios habituais |
| Febre Q persistente / endocardite | Anticorpos anti-fase I elevados (sobretudo IgG) | Numa endocardite com hemoculturas negativas, pedir Coxiella e Bartonella |
| Brucelose | Hemocultura (avisar o laboratório para prolongar a incubação) + serologia (Rosa de Bengala, aglutinação) | Risco laboratorial: avisar sempre o laboratório |
| Leishmaniose visceral | Aspirado de medula óssea (amastigotas) ou aspirado esplénico; serologia (rK39); PCR | Suspeitar perante febre + esplenomegalia + pancitopenia + hipergamaglobulinemia |
| Borreliose de Lyme | Serologia em dois passos (ELISA → immunoblot) | O eritema migrans é diagnóstico clínico: trata-se sem serologia, que ainda pode ser negativa |
| Hidatidose | Ecografia/TC com quisto de morfologia típica + serologia | Não puncionar às cegas pelo risco de disseminação e anafilaxia |
| Triquinelose | Serologia; eosinofilia marcada; enzimas musculares elevadas | Febre + edema periorbitário + mialgias + eosinofilia após carne de porco/javali |
| Dengue | NS1 e RT-PCR nos primeiros dias; IgM a partir de ~5.º dia | Vigiar hematócrito e plaquetas na fase crítica |
| Raiva | Diagnóstico clínico-epidemiológico; confirmação por PCR (saliva, biópsia cutânea da nuca) | A decisão de profilaxia nunca espera por teste |
Dois erros de raciocínio a evitar
Primeiro: tratar a serologia como exame de diagnóstico agudo. Nas rickettsioses, na leptospirose e na febre Q, a serologia é sobretudo confirmatória a posteriori. A decisão terapêutica faz-se pela clínica e pela exposição.
Segundo: ancorar num diagnóstico e não repetir o exame. Na malária, a única negatividade que conta é a de três séries seriadas; nas restantes, a soroconversão exige uma segunda colheita, o que implica marcar o seguimento no momento em que se pede a primeira.
Malária: quimioprofilaxia e barreira anti-picada
A prevenção da malária assenta em duas pernas complementares, e falhar qualquer uma delas é o padrão dos casos importados: evitar a picada e quimioprofilaxia. A avaliação individual do risco (destino, época, altitude, tipo e duração de viagem, comorbilidades, gravidez) é matéria do capítulo das doenças associadas ao viajante; aqui interessa o fármaco.
| Fármaco | Posologia típica | Início / fim | Notas de segurança |
|---|---|---|---|
| Atovaquona-proguanil | Diária | 1-2 dias antes → 7 dias após sair da área | Boa tolerância; regime curto após o regresso; contraindicado na insuficiência renal grave |
| Doxiciclina | Diária | 1-2 dias antes → 4 semanas após | Fotossensibilidade, esofagite (tomar com água, de pé); contraindicada na gravidez |
| Mefloquina | Semanal | 2-3 semanas antes → 4 semanas após | Contraindicada com antecedentes psiquiátricos ou convulsões; permite avaliar tolerância antes de partir |
A razão para o esquema pós-viagem prolongado da doxiciclina e da mefloquina é mecanicística: agem essencialmente na fase eritrocitária, pelo que têm de cobrir a saída dos merozoítos do fígado. A atovaquona-proguanil tem atividade causal (hepática), o que permite parar 7 dias depois. Nenhum destes regimes elimina hipnozoítos — quem viajou para área com P. vivax pode ter uma recaída meses depois de uma profilaxia perfeitamente cumprida, e essa é uma armadilha frequente.
Nenhuma quimioprofilaxia é 100% eficaz. A mensagem a dar ao doente é: qualquer febre até um ano após o regresso obriga a excluir malária, mesmo com profilaxia cumprida.
Prevenção da picada
- Repelentes cutâneos (DEET, icaridina) reaplicados conforme a concentração.
- Redes mosquiteiras impregnadas com piretróides — medida de eficácia comprovada em saúde pública.
- Roupa que cubra e, idealmente, impregnação do vestuário.
- Nota de comportamento do vetor: o Anopheles pica sobretudo do anoitecer ao amanhecer (proteção noturna é a prioridade), enquanto o Aedes pica de dia, com picos ao início da manhã e ao fim da tarde — a proteção diurna é o que previne dengue e chikungunya.
Vacinas contra a malária: onde é que elas se encaixam
Existem duas vacinas recomendadas pela OMS contra P. falciparum: a RTS,S/AS01 e a R21/Matrix-M, ambas dirigidas à proteína circumsporozoíta.
O ponto que a PNA testa é o lugar delas: estão recomendadas para programas de imunização infantil em países com transmissão moderada a elevada de P. falciparum, como ferramenta de redução da malária grave e da mortalidade na criança. Não estão indicadas para o viajante que parte da Europa — para esse, a prevenção continua a ser quimioprofilaxia e barreira anti-picada. Nem substituem, nos países endémicos, as redes mosquiteiras e o tratamento precoce; são um instrumento adicional.
Carraças: remoção correta e janela de transmissão
A técnica de remoção é matéria de exame e de prática clínica quotidiana:
- Pinça de pontas finas, aplicada o mais junto possível da pele, agarrando as peças bucais e não o corpo do artrópode.
- Tração contínua, firme e perpendicular à pele. Não torcer, não sacudir, não esmagar o corpo.
- Desinfetar a pele depois e lavar as mãos.
- Vigiar o local e a temperatura nas semanas seguintes.
O que não fazer, e porquê: não aplicar álcool, éter, vaselina, verniz das unhas, calor de fósforo ou cigarro, nem esmagar a carraça. Estas manobras irritam o artrópode e aumentam a regurgitação de conteúdo intestinal infetante para a ferida. É um erro cultural muito difundido e uma opção de resposta frequente.
Janela de transmissão. Na borreliose de Lyme a transmissão exige em regra fixação prolongada (>36-48 h), o que torna a inspeção corporal diária e a remoção precoce medidas genuinamente eficazes. As guidelines IDSA/AAN/ACR de 2020 admitem profilaxia com dose única de doxiciclina 200 mg apenas em circunstâncias restritas — carraça identificada como Ixodes de zona de alta endemicidade, fixada ≥36 h, e profilaxia iniciada nas 72 h seguintes à remoção. Fora disso, vigilância clínica, não antibiótico. Nas rickettsioses e na febre hemorrágica da Crimeia-Congo, pelo contrário, a transmissão é rápida e a remoção precoce protege menos — a prevenção é evitar a fixação (repelente, roupa, inspeção).
Reservatórios, vetores e segurança alimentar
- Controlo do reservatório canino — desparasitação externa dos cães, coleiras e formulações com atividade contra carraças e flebótomos, e vacinação canina contra a leishmaniose. Reduz simultaneamente o risco de febre escaro-nodular e de leishmaniose humana.
- Controlo de roedores, gestão de resíduos, proteção de reservatórios de água e uso de botas e luvas em trabalhos com água doce ou lama — prevenção da leptospirose. Nas atividades recreativas em água doce, evitar imersão com feridas cutâneas.
- Controlo vetorial de Aedes: eliminar criadouros (pratos de vasos, pneus, caleiras, recipientes com água parada). Com o Aedes albopictus estabelecido em Portugal continental e o Aedes aegypti na Madeira, esta é já uma medida de saúde pública nacional e não apenas tropical.
- Pasteurização do leite e proibição do consumo de queijo fresco de leite cru de origem não controlada — a medida que previne a brucelose. Cozinhar adequadamente carne de porco e de javali previne a triquinelose. Lavar bem produtos hortícolas e evitar contacto com fezes de canídeos previne a hidatidose.
- Febre Q: gestão dos produtos de parto de ruminantes, restrição de acesso a explorações durante a época de partos, e proteção respiratória em contextos de risco. A resistência ambiental da Coxiella e a transmissão por aerossóis a distância explicam surtos comunitários sem contacto animal direto.
Raiva: pré e pós-exposição
Profilaxia pré-exposição — vacinação em esquema de várias doses, indicada a viajantes para áreas de alto risco com acesso difícil a cuidados, e a profissões expostas: veterinários, tratadores, técnicos de laboratório que manipulam lyssavírus, espeleólogos e quem trabalha com morcegos. Não dispensa a profilaxia após uma exposição, mas simplifica-a: quem foi previamente vacinado faz apenas doses de reforço e não necessita de imunoglobulina.
Profilaxia pós-exposição — é uma emergência médica. Três componentes:
- Lavagem imediata e abundante da ferida com água e sabão durante cerca de 15 minutos, seguida de antisséptico. É a medida isolada mais eficaz e a mais frequentemente omitida.
- Vacina antirrábica em esquema conforme a categoria de exposição e o estado vacinal prévio.
- Imunoglobulina antirrábica — indicada nas exposições de categoria III (mordedura transdérmica, arranhadela com hemorragia, contacto de saliva com mucosa, qualquer contacto com morcego) em pessoas não previamente vacinadas. Administra-se infiltrada em toda a extensão e profundidade da ferida (a dose habitual da imunoglobulina humana é 20 UI/kg), porque o efeito é de neutralização local do vírus antes da entrada no nervo. Nunca no mesmo local anatómico nem na mesma seringa da vacina — neutralizaria o antigénio vacinal e comprometeria a resposta imunitária ativa. A indisponibilidade de imunoglobulina não atrasa a vacina: inicia-se a vacinação de imediato e a imunoglobulina pode ainda ser administrada até ao 7.º dia após a primeira dose de vacina, mas não depois. As feridas por mordedura não se suturam primariamente; se a sutura for imprescindível, faz-se apenas após a infiltração da imunoglobulina.
A decisão não espera por qualquer teste. A observação de 10 dias só é válida para cão, gato e furão saudáveis, identificáveis e passíveis de vigilância veterinária: se o animal permanecer saudável ao fim dos 10 dias, suspende-se a profilaxia — mas esta inicia-se de imediato e nunca se adia à espera do período de observação. Para qualquer outra espécie, para animais selvagens e para animais não localizáveis, completa-se a profilaxia; nas exposições a morcego a profilaxia está indicada mesmo sem mordedura visível e nunca se suspende com base na observação do animal.
Notificação, rastreio de dadores e proteção ocupacional
- Doenças de declaração obrigatória. Um conjunto largo destas entidades — malária, leptospirose, brucelose, febre Q, raiva, tularemia, peste, febre do Nilo Ocidental, dengue, chikungunya, febre escaro-nodular, leishmaniose visceral e borreliose de Lyme — integra a lista de notificação obrigatória fixada pelo Despacho n.º 15385-A/2016. A notificação faz-se por via eletrónica no SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), dirigida à autoridade de saúde, e existe notificação laboratorial obrigatória em paralelo com a notificação clínica. A notificação é um ato clínico, não burocrático: desencadeia investigação epidemiológica, identificação da fonte comum e medidas de controlo. Deve ser feita perante caso possível, provável ou confirmado, sem esperar por confirmação laboratorial.
- Rastreio de dadores de sangue e de órgãos. Existem períodos de suspensão temporária da dádiva após viagem a área endémica de malária ou após residência prolongada em zona endémica, e critérios específicos para dadores com antecedentes de malária, doença de Chagas ou babesiose. É por isto que a serologia da malária, inútil no doente agudo, tem lugar aqui.
- Proteção ocupacional. Veterinários, criadores, trabalhadores de matadouros, tratadores, agricultores e trabalhadores florestais são grupos de risco definidos: equipamento de proteção individual, formação sobre risco zoonótico, vacinação antirrábica pré-exposição quando indicada e notificação de acidentes de trabalho com exposição biológica.
- Segurança laboratorial. Brucella, Coxiella burnetii e Francisella tularensis são causa clássica de infeção adquirida em laboratório. Suspeitar destas entidades obriga a avisar explicitamente o laboratório no pedido — é uma questão de segurança de terceiros. A confirmação de rickettsioses, leptospirose, borreliose e arbovírus corre pelos laboratórios de referência do INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge).
Malária: a primeira decisão é grave ou não grave
Todo o tratamento da malária decorre de uma única bifurcação. Antes de escolher fármaco, aplica-se a lista de critérios de malária grave (OMS). Basta um.
Critérios de malária grave
Clínicos
- Alteração do estado de consciência ou coma (malária cerebral)
- Convulsões repetidas
- Prostração — incapacidade de se sentar, levantar ou alimentar sem ajuda
- Dificuldade respiratória / respiração acidótica / edema pulmonar
- Choque ou má perfusão periférica
- Hemorragia espontânea significativa
- Icterícia acompanhada de disfunção de outro órgão
- Hemoglobinúria macroscópica
Laboratoriais
- Hipoglicémia (<2,2 mmol/L, ou seja <40 mg/dL)
- Acidose — bicarbonato baixo ou lactato elevado (>5 mmol/L)
- Anemia grave — Hb <7 g/dL no adulto (<5 g/dL na criança)
- Lesão renal aguda — creatinina elevada (referência habitual >265 µmol/L, ~3 mg/dL) ou oligúria
- Hiperbilirrubinemia
- Hiperparasitémia — a OMS usa >10%; várias orientações europeias tratam por via parentérica já acima de 2% no doente não imune, por prudência. Se a vinheta der uma parasitémia entre 2 e 10% num viajante europeu, a resposta segura é internar e tratar por via endovenosa.
Um doente com P. falciparum que vomita ou que não tolera a via oral trata-se por via parentérica, independentemente dos critérios formais.
Malária grave: artesunato endovenoso
O artesunato endovenoso é o tratamento de eleição da malária grave, em adultos e em crianças, e substituiu o quinino. Isto não é opinião — é o resultado de dois ensaios clínicos de referência:
- SEAQUAMAT (Lancet, 2005), em adultos do sudeste asiático: o artesunato reduziu significativamente a mortalidade face ao quinino.
- AQUAMAT (Lancet, 2010), em crianças africanas: confirmou a redução de mortalidade.
A superioridade explica-se pelo mecanismo: as artemisininas atuam sobre um espectro alargado de estádios eritrocitários, incluindo formas em anel jovens, produzindo a queda mais rápida de parasitémia de todos os antimaláricos, e não têm a cardiotoxicidade nem o hiperinsulinismo do quinino.
Esquema: artesunato 2,4 mg/kg EV no adulto e na criança com ≥20 kg, e 3 mg/kg EV por dose na criança com <20 kg (com 2,4 mg/kg a exposição no lactente e no pré-escolar fica insuficiente), às 0, 12 e 24 horas e depois de 24 em 24 horas até o doente tolerar a via oral e ter melhorado clinicamente, com um mínimo habitual de três doses. Seguidamente completa-se sempre um ciclo oral completo de terapêutica combinada com artemisinina (ACT) — se se parar no artesunato, o risco de recrudescência é elevado.
A primeira dose parentérica administra-se assim que a gravidade é reconhecida, idealmente na primeira hora e nunca adiada além dela — o atraso da primeira dose é o determinante modificável mais forte da mortalidade. Num doente com critérios de gravidade e exposição compatível, inicia-se o tratamento parentérico sem esperar pelo resultado da microscopia. Se o artesunato não estiver imediatamente disponível, usa-se artemeter intramuscular ou quinino endovenoso e faz-se a transição para artesunato quando este chegar — nunca se adia a primeira dose à espera do artesunato. Sob quinino: monitorização de glicémia (hiperinsulinismo) e ECG (prolongamento do QT).
Medidas de suporte na malária grave
- Cuidados intensivos ou intermédios, com monitorização apertada.
- Glicémia de hora a hora nas primeiras horas — a hipoglicémia é frequente, recorrente e facilmente omitida no doente comatoso.
- Fluidoterapia prudente. A expansão volémica agressiva não demonstrou benefício e associou-se a excesso de mortalidade em ensaios pediátricos africanos; há risco real de precipitar edema pulmonar. Corrigir o défice, evitar a sobrecarga.
- Transfusão conforme a gravidade da anemia e a tolerância clínica.
- Antibioticoterapia empírica de largo espectro se houver choque ou suspeita de coinfeção bacteriana — a bacteriémia concomitante é uma causa evitável de morte.
- Não usar corticosteroides na malária cerebral — não beneficiam e prolongam o coma.
- Parasitémia seriada (habitualmente de 12 em 12 ou 24 em 24 horas) para documentar a resposta.
- A exsanguinotransfusão já não é recomendada por rotina; não demonstrou benefício adicional sobre o artesunato.
Vigilância obrigatória: anemia hemolítica tardia pós-artesunato. Uma a três semanas após o tratamento pode surgir hemólise, por destruição diferida dos eritrócitos aos quais foi extraído o parasita ("pitting"). Manifesta-se por queda da hemoglobina, LDH elevada e haptoglobina baixa num doente que já está bem. Exige controlo analítico programado nas semanas seguintes e é uma armadilha de exame quase perfeita: o doente parece curado.
Malária não complicada
Onde é que o doente fica. Todo o caso de P. falciparum, mesmo não complicado, num doente não imune deve ser internado ou mantido em observação hospitalar durante pelo menos as primeiras 24-48 h de tratamento, com parasitémia e avaliação clínica seriadas: a deterioração para malária grave ocorre tipicamente nesta janela e a parasitémia inicial não a prevê — o sequestro faz com que a parasitémia periférica subestime a carga real. A ausência de critérios de gravidade não autoriza a alta. As espécies não falciparum, em doente estável e com tolerância oral assegurada, podem ser tratadas em ambulatório com seguimento programado.
| Situação | Tratamento |
|---|---|
| P. falciparum não complicado | ACT — terapêutica combinada com derivado de artemisinina (p. ex. artemeter-lumefantrina, di-hidroartemisinina-piperaquina). Alternativas: atovaquona-proguanil. Nunca monoterapia com artemisinina (seleciona resistência) |
| P. vivax / P. ovale | Cloroquina onde há sensibilidade, ou ACT (obrigatório onde há resistência do vivax à cloroquina), + cura radical (ver abaixo) |
| P. malariae | Cloroquina; não precisa de cura radical (sem hipnozoítos) |
| P. knowlesi | ACT; vigilância apertada pela rapidez do ciclo (24 h) |
Cura radical: os hipnozoítos
Em P. vivax e P. ovale, o tratamento da fase eritrocitária não previne a recaída. É preciso acrescentar uma 8-aminoquinolina:
- Primaquina — a OMS recomenda dose total alta de 7 mg/kg, administrada como 0,5 mg/kg/dia durante 14 dias ou 1 mg/kg/dia durante 7 dias, com eficácia semelhante entre os dois e melhor adesão no curso curto — e a adesão é o principal determinante do sucesso. A dose total de 3,5 mg/kg deixou de ser o regime recomendado, por reduzir menos as recorrências. O regime de 1 mg/kg/dia durante 7 dias, tal como a tafenoquina, exige atividade da G6PD acima de 70% do normal; o de 0,5 mg/kg/dia durante 14 dias pode usar-se acima de 30%. Em qualquer dos esquemas, só depois do doseamento da G6PD.
- Tafenoquina — dose única (300 mg no adulto), o que resolve o problema da adesão, mas com semivida longa e requisitos de G6PD mais exigentes.
Regra de segurança absoluta: dosear a G6PD ANTES de prescrever primaquina ou tafenoquina. No défice, o risco é de hemólise aguda grave. Em défices parciais podem usar-se esquemas alternativos (por exemplo primaquina semanal durante 8 semanas, sob vigilância); em défices graves, na gravidez e na amamentação de lactente com menos de 6 meses (independentemente da G6PD do lactente) ou de lactente com G6PD desconhecida, a 8-aminoquinolina está contraindicada e faz-se profilaxia secundária com cloroquina até ser seguro fazer a cura radical.
Tratamento das zoonoses: a tabela que interessa fixar
| Entidade | Tratamento de primeira linha | Ponto crítico |
|---|---|---|
| Febre escaro-nodular | Doxiciclina 100 mg 12/12 h no adulto; na criança com menos de 45 kg, 2,2 mg/kg por dose 12/12 h (máximo 100 mg por dose). Curso curto, habitualmente até 48 h após a apirexia | Empírico, pela clínica. Também na criança nesta indicação — o benefício supera largamente o risco dentário com cursos curtos |
| Leptospirose ligeira | Doxiciclina oral (ou amoxicilina) | Notificar |
| Leptospirose grave / Weil | Penicilina G ou ceftriaxone EV + suporte de órgão | Suporte renal e ventilatório determinam o prognóstico |
| Febre Q aguda | Doxiciclina ~14 dias | Na gravidez usa-se cotrimoxazol (doxiciclina contraindicada) |
| Endocardite por Coxiella | Doxiciclina + hidroxicloroquina, prolongada (referência clássica: 18 meses), com seguimento serológico | A hidroxicloroquina alcaliniza o fagolisossoma e torna a doxiciclina bactericida |
| Brucelose | Doxiciclina 6 semanas + rifampicina, ou doxiciclina + aminoglicosídeo nas primeiras semanas | Terapêutica combinada e prolongada — monoterapia = recidiva |
| Leishmaniose visceral | Anfotericina B lipossómica | Antimoniais pentavalentes e miltefosina como alternativas conforme a região |
| Leishmaniose cutânea | Terapêutica local (crioterapia, antimonial intralesional) ou sistémica conforme extensão e espécie | Muitas lesões resolvem, mas deixam cicatriz |
| Lyme — eritema migrans | Doxiciclina oral (alternativas: amoxicilina, cefuroxima-axetil) | Trata-se sem esperar serologia |
| Neuroborreliose (meningite, neuropatia craniana, radiculoneurite) | Doxiciclina oral OU ceftriaxone / cefotaxima / penicilina G EV, 14-21 dias | As guidelines IDSA/AAN/ACR 2020 colocam-nas em pé de igualdade: escolher pela tolerância e pela adesão. Reservar a via EV para o atingimento parenquimatoso do SNC |
| Cardite de Lyme com bloqueio auriculoventricular de alto grau | Ceftriaxone EV durante o internamento, passando a oral com a resolução do bloqueio | Monitorização eletrocardiográfica contínua; pode exigir pacing temporário |
| Tularemia | Aminoglicosídeo (grave) ou doxiciclina/ciprofloxacina | |
| Peste | Aminoglicosídeo; alternativas doxiciclina, fluoroquinolona | Isolamento respiratório na forma pneumónica |
| Hidatidose | Albendazol + PAIR ou cirurgia conforme estádio | Cobertura com albendazol antes e depois do procedimento |
| Triquinelose | Albendazol (ou mebendazol) + corticosteroide nas formas sintomáticas graves | |
| Dengue, chikungunya, Nilo Ocidental | Suporte — não há antivírico específico | Evitar AINE e ácido acetilsalicílico na dengue (risco hemorrágico) |
| Raiva sintomática | Cuidados paliativos | Praticamente sempre fatal — o esforço é preventivo |
Três regras que estruturam o tratamento
A doxiciclina é o eixo. Cobre rickettsioses, febre Q aguda, leptospirose ligeira, brucelose (em combinação), Lyme precoce e tularemia. Perante febre com exposição a carraças ou animais, a doxiciclina empírica é quase sempre uma decisão defensável — e o seu atraso é a decisão que mais custa.
Nas infeções intracelulares, o tempo de tratamento é longo e a monoterapia falha. Brucelose e febre Q persistente exigem combinações prolongadas com seguimento programado; encurtar o curso é a via direta para a recidiva.
Nas arboviroses, o tratamento é o suporte, mas a vigilância é ativa. Na dengue, a deterioração ocorre tipicamente na fase crítica, quando a febre já cedeu — o momento em que instintivamente se dá alta.
Referências
- World Health Organization. WHO guidelines for malaria, 13 August 2025. Geneva: World Health Organization; 2025.
- Dondorp A, Nosten F, Stepniewska K, Day N, White N; South East Asian Quinine Artesunate Malaria Trial (SEAQUAMAT) group. Artesunate versus quinine for treatment of severe falciparum malaria: a randomised trial. Lancet. 2005;366(9487):717-25.
- Dondorp AM, Fanello CI, Hendriksen IC, Gomes E, Seni A, Chhaganlal KD, et al. Artesunate versus quinine in the treatment of severe falciparum malaria in African children (AQUAMAT): an open-label, randomised trial. Lancet. 2010;376(9753):1647-57.
- White NJ. Severe malaria. Malar J. 2022;21(1):284.
- Parola P, Paddock CD, Socolovschi C, Labruna MB, Mediannikov O, Kernif T, et al. Update on tick-borne rickettsioses around the world: a geographic approach. Clin Microbiol Rev. 2013;26(4):657-702.
- Haake DA, Levett PN. Leptospirosis in humans. Curr Top Microbiol Immunol. 2015;387:65-97.
- Eldin C, Melenotte C, Mediannikov O, Ghigo E, Million M, Edouard S, et al. From Q fever to Coxiella burnetii infection: a paradigm change. Clin Microbiol Rev. 2017;30(1):115-90.
- Lantos PM, Rumbaugh J, Bockenstedt LK, Falck-Ytter YT, Aguero-Rosenfeld ME, Auwaerter PG, et al. Clinical practice guidelines by the Infectious Diseases Society of America, American Academy of Neurology, and American College of Rheumatology: 2020 guidelines for the prevention, diagnosis, and treatment of Lyme disease. Clin Infect Dis. 2021;72(1):e1-e48.
- World Health Organization. WHO Expert Consultation on Rabies: third report. Geneva: World Health Organization; 2018. (WHO Technical Report Series, No. 1012).
- Blaser MJ, Cohen JI, Holland SM, editors. Mandell, Douglas, and Bennett's principles and practice of infectious diseases. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2025.
- World Health Organization. Malaria vaccines (RTS,S and R21): WHO position paper. Wkly Epidemiol Rec. 2024;99(19):225-48.
- European Centre for Disease Prevention and Control. Epidemiological update: West Nile virus transmission season in Europe, 2023. Stockholm: ECDC; 2024.
13 perguntas sobre Zoonoses e infeções transmitidas por artrópodes (incluindo malária)
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
Criar conta e treinar